Ponto de Partida
As causas são muitas, desde as condições sociais à compreensão de que a Covid-19 não é tão letal, mas uma coisa é fato: o brasileiro decidiu ir às ruas
Na pior semana da pandemia do coronavírus no País, presidente encontrou tempo para fazer chacota com um churrasco que nunca existiu
Compositor morreu nesta madrugada vítima da Covid-19, mas sua canção mais famosa pode ser vista sob a ótica do momento atual
Em plena crise de saúde, pesquisas feitas no calor do embate com Sergio Moro mostram que o presidente mantém a fidelidade de parte dos brasileiros
Saída do ex-ministro no momento que a pandemia começa a ficar mais letal no País mostra que não existem heróis nesse imbróglio
Perfis que compõem a tropa de choque do bolsonarismo nas redes sociais ficam do lado do agora ex-ministro da Justiça e da Segurança Pública
Média de novos casos é de 2,5 mil e de mortes de 170 por dia, mas ministro Teich pede dez dias para apresentar seu plano de ação
A primeira coletiva com presença do atual ministro da Saúde, Nelson Teich, foi uma mostra de como a política – mais especificamente, a politicagem – faz o Brasil perder tempo. O substituto de Luiz Henrique Mandetta demorou cinco dias para falar e, quando o fez, deixou claro que ainda precisa conhecer melhor como está funcionando o combate ao coronavírus e pediu de sete a dez dias para anunciar o seu próprio planejamento.
A conta é assustadoramente irônica. São duas semanas entre a troca de ministro e o início efetivo de um novo plano para conter a pandemia de Covid-19 no Brasil: exatamente o período de incubação do coronavírus Sars-CoV-2, o causador da doença.
Na semana em que Teich assumiu o cargo, a média diária de novos casos confirmados de Covid-19 foi de 2,5 mil. E a de mortes, 172. Caso o ritmo se mantenha, ele entregará seu plano com 25 mil casos e 1,7 mil mortes a mais. Obviamente, a evolução não é linear assim e a disseminação e as mortes não podem ser colocadas na conta de Teich, que acabou de chegar.
Cadê o Guedes?
Mas os números são indicativos de como a troca de comando com a bola rolando pode ser arriscada. Em um campeonato de tiro curto – para seguir no jargão futebolístico – é uma aposta ainda mais delicada. Curiosamente, o próprio Teich afirmou, na entrevista coletiva, que o Brasil está melhor que os demais países. Para que, então, mudar? Outro aspecto intrigante foi que o ministro da Economia, Paulo Guedes, não participou do anúncio do plano para tirar o Brasil do atoleiro no pós-pandemia. Coube ao general Braga Netto, da Casa Civil, assumir o posto de timoneiro do pacote de R$ 30 bilhões. É um claro esvaziamento do Posto Ipiranga de Bolsonaro.
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