Rodrigo Hirose
Rodrigo Hirose

Cloroquina se transforma em um santo remédio para Jair Bolsonaro

Presidente, que vinha tendo a imagem arranhada diante da Covid-19, recupera força com notícia de que infectologista usaram a substância contra o coronavírus

A eficácia e segurança da cloroquina no tratamento de pacientes com Covid-19 ainda carecem de comprovação. Médicos e pesquisadores estão testando a substância, isoladamente ou em combinação com outras drogas, no mundo todo. Mas, aqui no Brasil, ao menos um paciente teve bons resultados: o presidente Jair Messias Bolsonaro.

Um mês e meio após o primeiro caso confirmado no Brasil, essa tem sido a única medida pessoal do presidente no combate à doença: alardear os efeitos quase milagrosos da cloroquina. Bolsonaro anunciou, inclusive, que o Exército Brasileiro ampliaria a produção do fármaco. Isolamento social e higiene pessoal são questões à margem do discurso do presidente.

A maneira errática de lidar com a pandemia sangrou a imagem de Bolsonaro diante da população, que aprova mais a atuação dos governadores e, especialmente, do ministro Luiz Henrique Mandetta (Saúde). Mas eis que a cloroquina tornou-se uma forte aliada do presidente.

David Uip

Depois que dois médicos renomados (Roberto Calil e David Uip) admitiram que usaram a cloroquina, como um dos medicamentos de um coquetel, para se tratarem da Covid-19, Bolsonaro ganhou fôlego para fazer um novo pronunciamento. Mais uma vez, vendeu a ideia de que a substância é o Santo Graal da luta contra o coronavírus e voltou a defender a retomada das atividades econômicas.

Foi a senha para que sua militância virtual – anabolizada pelos robôs – voltasse com força para a batalha de informações nas redes sociais. A hashtags como #bolsonaroestacerto, que há algumas semanas circula nas redes, somaram-se outras como #remediodobolsonaro e #bolsonaronobeldapaz.

Pesquisa do Datafolha, divulgada na quarta-feira, 8, mostra a resiliência do eleitor de Bolsonaro. 13% disseram que se arrependeram do voto. Numa projeção sobre os resultados do segundo turno, isso significa que 48 milhões de eleitores acreditam que fizeram a escolha correta.

A cloroquina pode ou não ser a cura para a infecção pelo coronavírus. Mas, para a imagem de Bolsonaro, ela tem sido um santo remédio.

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