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Estudo aponta Marconi como mais influente entre pré-candidatos ao Senado

Governador lidera ranking elaborado pela Eureka Comunicação, seguido pelo deputado Delegado Waldir (PR) e pelo vereador Jorge Kajuru (PRP)

Conselho enterra promessa de campanha de Lúcio Flávio sobre lista sêxtupla

Presidente da OAB-GO defendia voto direto da advocacia para selecionar nomes para suceder desembargador no quinto constitucional 

Adeus à Danielle Darrieux (1917-2017)

[caption id="attachment_107828" align="alignleft" width="267"] Danielle Darrieux, atriz e cantora francesa[/caption] Herondes Cezar Especial para o Jornal Opção A atriz e cantora francesa Danielle Darrieux morreu no dia 17 de outubro, terça-feira, em Bois-le-Roi, de complicações decorrentes de uma queda. Tinha 100 anos. Darrieux fez sua estreia no cinema aos 14 anos, em 1931, e atuou em mais de 100 filmes até 2010. Tornou-se logo uma estrela e assim permaneceu até os anos 1960. A partir da década de 1970, esteve mais presente na TV, diminuindo significativamente suas aparições no cinema, embora desempenhando sempre bons papéis. A melhor parte de sua filmografia são três filmes que fez com Max Ophüls, diretor alemão que fez carreira internacionalmente: "Conflitos de Amor" (La ronde, França, 1950), "O Prazer" (Le plaisir, França, 1952) e "Desejos Proibidos" (Madame de..., França/Itália, 1953). Ela, que cantou em muitos de seus filmes, foi requisitada para trabalhar em outros países, inclusive em Hollywood. Entre seus filmes memoráveis estão também "Pequena Sapeca" (Quelle drôle de gosse!, França, 1935), "Mayerling" (Idem, França, 1936), "A Sensação de Paris" (The Rage of Paris, EUA, 1938), "A Volta ao Lar" (Retour à l'aube, França, 1938), "Rica, Bonita e Solteira" (Rich, Young and Pretty, EUA, 1951), "Cinco Dedos" (5 Fingers, EUA, 1952), "O Vermelho e o Negro" (Le rouge et le noir, França/Itália, 1954), "Fruto de Verão" (The Greengage Summer, Reino Unido, 1961), "Duas Garotas Românticas" (Les demoiselles de Rochefort, França, 1967), "Um Quarto na Cidade" (Une chambre en ville, França, 1982) e "8 Mulheres" (8 femmes, França/Itália, 2002). Em 1985, ela recebeu um prêmio César honorário. Danielle Yvonne Marie Antoinette Darrieux nasceu em 1º de maio de 1917, em Bordeaux, França, mas foi criada em Paris. O ator Olivier Darrieux (1921-1994) era seu irmão. Era viúva do marido do seu terceiro casamento, com quem adotou um filho, já falecido. Herondes Cezar é crítico de cinema. _____________________________________________ https://www.youtube.com/watch?v=-QXIFJQGqao    

Loja garante seis meses de croissants grátis para clientes nesta sexta-feira (20)

Primeiros 50 clientes que comparecerem à nova loja no setor Bueno ganharão vouchers válidos para seis meses

Governo rebate secretária de Iris e afirma que Goiânia recebe incentivos para UTIs

Em reunião nesta sexta-feira com vereadores, Secretaria da Saúde do Estado de Goiás irá apresentar documentos que comprovam o repasse

Em consulta, 89% dos brasileiros são a favor do Estatuto do Armamento

A proposta defendida pelo senador Wilder Morais (PP-GO) que autoriza o porte de armas tem grande apoio popular

No Distrito Federal, estatais passam por mudanças

[caption id="attachment_101887" align="aligncenter" width="620"] Foto: Gabriel Jabur[/caption] O governo do DF vai realizar uma série de mudanças nas empresas estatais do Distrito Federal. O diretor do setor de Risco e Controladoria do Banco de Brasília (BRB), Marco Aurélio Monteiro, será uma das substituições do GDF. O atual presidente da companhia de ônibus TCB, Carlos Arthur Hauschild, ocupará o cargo. Segundo a estatal, Monteiro deixa o cargo no BRB por acumular a diretoria e a presidência de um dos braços do banco, a BRB Distribuidora de Títulos e Valores Imobiliários (DTVM). Agora, a presidência será exercida com exclusividade, deixando a outra vaga em aberto. A mudança foi anunciada aos acionistas na última terça (10). A dança das cadeiras promovida pelo governo continua com a substituição da presidência da TCB: no lugar de Hauschild entra o administrador do Guará, André Brandão Péres, indicação do deputado Rodrigo Delmasso (Podemos). Luiz Carlos Delfino do Nascimento Júnior foi o escolhido para ocupar a cadeira de Péres. A troca de gestão na Administração Regional do Guará já foi divulgada no Diário Oficial. Segundo o GDF, nenhuma dessas trocas estão relacionadas ao desembarque do PDT da base aliada ao Palácio do Buriti. A justificativa é de que as mudanças asseguram o funcionamento e a melhoria da prestação de serviços à população.

Colégio do Gama ganha prêmio de gestão escolar

[caption id="attachment_107819" align="aligncenter" width="620"] Foto: Toninho Tavares[/caption] O trabalho vitorioso do Centro de Ensino Fundamental 15 do Gama, na execução do Projeto Piloto de Educação em Tempo Integral (Proeiti), foi reconhecido na etapa distrital do prêmio Gestão Escolar 2017. A professora Ana Elen, representante da escola, recebeu o prêmio diretamente do governador de Brasília, Rodrigo Rollemberg (PSB), e do secretário de Educação, Júlio Gregório Filho. A solenidade ocorreu na tarde de quarta-feira (18/10), na Seccional da Ordem dos Advogados do Brasil do DF (OAB-DF).

Parque da Chapada dos Veadeiros volta a ser fechado após novo incêndio

Menos de um semana, após parque ser reaberto, fogo às margens da GO-118 atinge os dois lados da rodovia. Há suspeita de intenção criminosa

Rollemberg deve disputar reeleição, mas perde apoios

[caption id="attachment_107814" align="aligncenter" width="620"] Rodrigo Rollemberg
| Foto: Pedro Ventura/ Agência Brasília[/caption] O governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg (PSB), que deve disputar a reeleição no ano que vem, já não tem os apoios de 2014. Vale dizer que não está morto politicamente e já articula objetivando permanecer por mais quatro anos no poder. No entanto, é importante dizer que alguns antigos aliados o querem bem longe.

Aparecida de Goiânia recebe a 59ª edição do Governo Junto de Você

Até o próximo domingo (22/10), no Setor Nova Olinda, serão oferecidos mais de 220 serviços gratuitos á população

Doria acusa partidos de esquerda de viés ideológico em polêmica sobre farinata

Prefeito de São Paulo defendeu medida e afirmou que está adotando um programa que é bom e positivo, sem pressa e sem afobação

Doria sobre disputa pelo comando do PSDB: “Meu lado chama-se Marconi Perillo”

Prefeito de São Paulo voltou a defender governador de Goiás para presidência e pediu "pacificação" do partido

Marconi lança novo programa social que recebe inicialmente R$ 60 milhões

Programa Goiás na Frente Social e Terceiro Setor surge com o objetivo de zerar o número de pessoas que vivem abaixo da linha de pobreza em Goiás

“A verdade desestabilizada” em Jorge Luis Borges (1)

O sentido da presença central de Borges neste texto é, pois, ressaltar o prazer da leitura que neste ano, para mim, se complementou em um presente trazido por um amigo, do Uruguai. O volume: “Inquisiciones. Otras inquisiciones". Pois a obra em português eu já a conhecia parcialmente [caption id="attachment_107796" align="aligncenter" width="620"] Jorge Luis Borges e sua mãe, Leonor Acevedo[/caption] O nome do argentino Jorge Luis Borges está inscrito na literatura universal como o de quem compôs uma obra desafiadora e complexa porque, principalmente, gerada a partir de sua vida em meio aos livros, donde deriva o emaranhado de cifras, referências e enigmas. Pouco teria Borges experimentado do mundo como paisagem exterior. Sua cegueira progressiva, iniciada na infância, agravou-se aos 38 anos e tornou-se completa aos 56 (tendo falecido aos 87), ficando o poeta impedido de cumprir a agenda de um homem de ação. “Como a maior parte de meus familiares haviam sido soldados, até o meu tio paterno que chegou a oficial da Marinha –, eu sabia que nunca poderia sê-lo e, muito cedo em minha vida, senti-me envergonhado de ser uma pessoa destinada aos livros e não à vida de ação” (Autobiografia) Conservador declarado, Borges não deve ser visto, no entanto, como militante do Partido Conservador (ao que chegou a se filiar), e, por conseguinte, desprezado pelos leitores de esquerda, não deve estar sujeito às análises sócio-políticas, mas sim às literárias. Ou, mais apropriado ainda: deve ser lido como são lidos Proust, Kafka, ou, como se deveria ler Coleridge e Léon Bloy como disse o amigo que na dedicatória do presente apresentou Borges como “uma civilização — mais do que um país [Argentina], talvez um império”. Adequado, pois o próprio Borges sentia-se cidadão do mundo e, não sem razão, o destino o levou a falecer em Genebra. Ora, se “somos versículos, palavras ou letras de um livro mágico, e esse livro incessante é a única coisa que existe no mundo; ou melhor dito: é o mundo...” (conforme Léon Bloy, citado pelo próprio Borges)ele, Borges, é um capítulo único e desafiador desse livro coletivo que se escreve com sofreguidão abaixo do Equador. Borges nasceu em 1899, embora para muitos, incluindo Carpeaux, valha a mentira que o jovem autor contara ao editor da revista “Nosotros”, Alfredo Bianchi: “nasci em 1900!” Tal mentira é leve para um escritor que falsificou histórias e fabricou uma miríade de lendas com o seu saber enciclopédico e seu humor peculiar, principalmente quando escrevendo em parceria com o amigo Bioy Casares (criando o pseudônimo de Bustos Domecq, escreveram “La leche cuajada de La Martona”, 1935). Esta iniciativa publicitária, tida como ação involuntária, serviu de ponto de partida à colaboração literária entre Borges e Bioy Casares, que levaria à publicação de contos, traduções, críticas de livros e à organização da coleção de contos policiais "El Séptimo Círculo". [caption id="attachment_107798" align="aligncenter" width="620"] Borges e seu amigo, o também escritor Adolfo Bioy Casares[/caption] Sim, Borges pode ter mentido, admitem os biógrafos Helft e Pauls, autores de uma interessante “biografia ilustrada” (“Nove ensaios ilustrados[i]”). É como se o velho bibliotecário dissesse, principalmente em “A história universal da infâmia”: “posso ter mentido, mas tudo que disse tem uma fonte e é nessa zona de verdade desestabilizada onde o pecado da mentira é mais abstrato e mais perturbador”. Ou, da fonte original: “a verdade não se diz; se delata, sempre parcialmente, naquilo que se diz”. Segundo Otto Maria Carpeaux, Borges passou rapidamente do “futurismo”, a poesia radical de Huidobro (1918), à criação de um sistema próprio de escrita. Para isso, Borges“integrou os elementos irracionalistas do criacionismo num sistema filosófico cuja tese principal é o caráter cíclico do Tempo e, portanto, a reversibilidade de todos os acontecimentos. Mas em vez de um tratado de metafísica, escreveu contos filosóficos, as “ficciones” altamente fantásticas, engenhosamente construídas e baseadas em notas eruditas diabolicamente inventadas, com a ajuda de toda a erudição fabulosa de que Borges dispõe realmente. É uma arte das mais requintadas, algo fria e desumana, sempre fascinante: obra significativa do século XX. Sua influência internacional se confundirá, em parte com a obra de Kafka[ii]”. Interessa sobremodo ao leitor de Borges um título como este de Jorge Schwartz (“Borges Babilônico: Uma Enciclopédia"), um volume de 580 páginas, que levou mais de 20 anos para ser coligido com a ajuda de 60 especialistas, com mil verbetes sobre o argentino mais universal de que se tem notícia nas letras. Certamente, não pretendo aqui o enciclopédico pelo tom “dubitativo e conversado” de minha crônica, como afirma o próprio J.L.B. em “A penúltima versão da realidade. [iii]” O sentido da presença central de Borges neste texto é, pois, ressaltar o prazer da leitura que neste ano, para mim, se complementou em um presente trazido por um amigo, do Uruguai. O volume: “Inquisiciones. Otras inquisiciones[iv]”. Pois a obra em português eu já a conhecia parcialmente. De lá, já colhi “A flor de Coleridge”, de onde se aprende que é perdoável que por um período de aprendizado sigamos o conselho de Rodrigo Gurgel – copiar nossos escritores prediletos, imitá-los até que o estilo desses em nós impregnado, nos revele o nosso próprio estilo:  “Aqueles que copiam minunciosamente um escritor fazem-no de modo impessoal, fazem-no por confundir esse escritor com a literatura, fazem-no por supor que se afastar dele em um ponto é afastar-se da razão e a ortodoxia. Durante muitos anos, eu acreditei que a quase infinita literatura estava em um homem. Esse homem foi Carlyle, foi Johannes Becher, foi Whitman, foi Rafael Cansinos-Asséns, foi De Quincey” (Jorge Luis Borges, em Outras inquisições). [caption id="attachment_107808" align="alignleft" width="260"] "El factor Borges", de Helft Nicolás e Alan Pauls[/caption] Naturalmente, tateando, lendo com dificuldade e/ou ouvindo livros lidos por secretárias (entre essas, sua mãe), à medida que a cegueira avança, o escritor encontra seu próprio estilo à custa de muita leitura e alguma cópia, até ser considerado um autor enciclopédico. Seu amor à biblioteca e às enciclopédias vem da infância: “meu pai tinha uma grande biblioteca, principalmente composta de livros ingleses, e me autorizou a escolher o que quisesse, que não me recomendaria nada e que, se um livro me causasse tédio, que o deixasse e partisse para outro. ” Com a mãe (Leonor Acevedo), travou uma aliança, que designou por “sociedade edipiana de uma eficácia impecável” (Helft/Pauls) – ela lia para o filho já sofrendo da cegueira, ele a educava. Daí se extrai uma estranha imagem que a parceria mãe e filho forjou: “um escritor cego, prematuramente envelhecido, de fama mundial, que guia pelo mundo das letras a uma mulher mais velha, frágil e irredutível a um só tempo, ambos suspensos a um tempo fora do Tempo”. A ação em Borges é, assim, uma ação literária de um conservador que treina a mente para os aforismos, as frases lapidares e uma sabedoria silenciosa, mesmo quando faz uso de emissões radiofônicas ou televisivas[v] – superando sua dificuldade de falar (“los problemas de Borges para hablar fueron tan célebres y tan persistentes como los de sus ojos” – cf. Helft/Pauls). Entanto, fala, à rádio, à TV, aos documentários cinematográficos, com certo pudor e certo alheamento de si mesmo, quando fala de Borges, fala mais de outros – Spinoza, Stevenson, Whitman, Bloy...Herman Hesse: “todo homem inclui toda a Humanidade”. Compreender toda essa multidão e essa miríade de conhecimentos, eis a tarefa a que se propôs o argentino Jorge Luis Borges, avesso às paixões imediatas do jogo, do fútil e do passageiro – apegado a uma Eternidade que, no entanto, negava ou discutia cartesianamente, às vezes, ancorando-se em Spencer e Spinoza para circundá-la. Em “A duração do Inferno”, Borges confessa que “nenhum outro assunto da teologia tem igual fascinação e poder” – lembrando-nos dos infernos de Gibbon, Dante, Quevedo, Torres Villaroel e Baudelaire, concluindo que “há eternidade de céu e de inferno porque a dignidade do livre arbítrio assim o necessita; ou temos a faculdade de construir para sempre ou a individualidade é ilusória. A virtude desse raciocínio não é lógica, é muito mais: é inteiramente dramática. [...]  Teu destino é coisa veraz, nos dizem; condenação eterna e salvação eterna estão no teu minuto; essa responsabilidade é tua honra. É um sentimento parecido com o de Bunyan: “Deus não brincou ao converter-me; o demônio não brincou ao tentar-me; nem eu brinquei ao mergulhar em um abismo sem fundo, quando as aflições do Inferno se apoderaram de mim e tampouco devo brincar agora ao contar. (Grace abounding to the chief of sinners, the preface).[vi] Desejando continuar reforçando a seriedade de Bunyan, citada por Borges, aos amigos agnósticos que dizem não acreditar no Paraíso, eu costumo responder que ele existe e consta de XXXIII Cantos, conforme a poesia de Dante. Ora, esse não é o caso aplicável ao escritor argentino, para quem a especulação parece a este cronista mais um temor de enfrentamento da questão da fé, que Bloy, para citar um dos escritores favoritos de Borges já o fazia com a dúvida cristã impregnada à sua cabeça universal. Em um artigo dedicado a J.W. Dunne, Borges afirma: “Os teólogos definem a eternidade como a simultânea e lúcida posse de todos os instantes do tempo e declaram-na um dos atributos divinos. Dunne, surpreendentemente, supõe que a eternidade já nos pertence e que isso é corroborado pelos sonhos de cada noite. Nestes, segundo ele, confluem o passado imediato e o imediato porvir. Na vigília percorremos o tempo sucessivo a uma velocidade uniforme, no sonho abarcamos uma área que pode ser vastíssima. Sonhar é coordenar os vislumbres dessa contemplação e com eles urdir uma história, ou uma série de histórias. Vemos a imagem de uma esfinge e a de uma botica e inventamos que uma botica se transforma em esfinge. No homem que amanhã conheceremos colocamos a boca de um rosto que nos olhou ontem à noite... (Schopenhauer escreveu que “a vida e os sonhos são folhas de um mesmo livro e que as ler em ordem é viver; folheá-las, sonhar. ”). Dunne garante que na morte aprenderemos o feliz manejo da eternidade. Recuperaremos todos os instantes de nossa vida e os combinaremos como bem entendermos. Deus, e nossos amigos, e Shakespeare colaborarão conosco. Diante de uma tese tão esplêndida, qualquer falácia cometida pelo autor resulta insignificante. ” A apreciação que Borges tinha por Léon Bloy é notável – ele, Bloy, que é um desses escritores que a crítica e os livreiros decidem fazerem-se esquecidos por uma quadra e os leitores o “descobrem”, como neste caso em que vem sendo cada vez mais lembrado, aliás, já merecendo traduções e reedições em português do Brasil. Pois bem, é de Bloy a citação com que encerro esta primeira crônica sobre Borges[vii]: “Léon Bloy escreveu: "Não há na terra um ser humano capaz de declarar quem é. Ninguém sabe o que veio fazer neste mundo, a que correspondem seus atos, seus sentimentos, suas ideias, nem qual é seu nome verdadeiro, seu imorredouro Nome no registro da Luz... A história é um imenso texto litúrgico no qual os jotas e os pontos não valem menos que os versículos ou capítulos inteiros, mas a importância de uns e de outros é indeterminável e está profundamente oculta" (L´Âme de Napoléon, 1912). O mundo, segundo Mallarmé, existe para um livro; segundo Bloy, somos versículos, ou palavras, ou letras de um livro mágico, e esse livro incessante é a única coisa que há no mundo: melhor dizendo, é o mundo.” Do capítulo deste universal “livro mágico” intitulado Borges, deixo essas minguadas referências e, aos meus cinco leitores, a recomendação entusiasmada que o leiam em português, ou em espanhol, e que o possam decifrar, saboreando o ritmo da língua original do autor ou as boas traduções que temos na língua de Camões. É como vem se tornando um hábito – um velho hábito destemido, frente ao ritmo de 140 caracteres da atualidade, findo com dois poemas de Borges, traduzidos pelos poeta gaúcho Carlos Nejar[viii] e Manoel Bandeira: LABIRINTO (Borges, na tradução de Carlos Nejar) Não haverá nunca uma porta. Estás dentro E o alcácer abarca o universo E não tem um anverso nem reverso Nem externo muro nem secreto centro. Não esperes que o rigor de teu caminho Que teimosamente se bifurca em outro, Que obstinadamente se bifurca em outro, Tenha fim. É de ferro teu destino Como teu juiz. Não aguardes a investida Do touro que é um homem e cuja estranha Forma plural dá horror à maranha De interminável pedra entretecida. Não existe. Nada esperes. Nem sequer No negro crepúsculo a fera. PÁTIO (Borges, na tradução de Manuel Bandeira) Com a tarde Cansaram-se as duas ou três cores do pátio. A grande franqueza da lua cheia Já não entusiasma o seu habitual firmamento. Hoje que o céu está frisado, Dirá a crendice que morreu um anjinho Pátio, céu canalizado. O pátio é a janela Por onde Deus olha as almas. O pátio é o declive Por onde se derrama o céu na casa. Serena A eternidade espera na encruzilhada das estrelas. Lindo é viver na amizade obscura De um saguão, de uma aba de telhado e de uma cisterna. NOTAS [i] HELFT, Nicolás e PAULS, Alan. “El factor Borges. Nueve ensayos ilustrados”, Fondo de Cultura Económica de Argentina, 1ª. Ed., 2000. 159 p. [ii] CARPEAUX, Otto Maria. “História da Literatura Ocidental”, vol. 8, p. 2079. [iii] BORGES, J. Luis. “Discussão”. Tradução de Claudio Fornari., 3ª. Ed. Rio de Janeiro, Bertrand Brasil, 1994, p.9 [iv] BORGES, Jorge Luis. “Inquisiones. Oras Inquisiciones, 3ª. Ed., Ciudad Autónoma de Buenos Aires: Ed. Debolsillo, 2016, 389 p. [v] Neste link, Borges é entrevistado por Antonio Carrizo, quando da celebração dos 80 anos do Autor. Link consultado em 12/10/17 https://www.youtube.com/watch?v=dUZJGhPqspQ [vi] Cit. Por Borges em Discussão, p.70 (vide ref. iii acima). [vii] BORGES, J.Luis. cf. ref. iv, p.288, tradução minha – artigo de 1951 intitulado “Del culto de los libros”. [viii] BORGES, Jorge Luís.   Elogio da sombra. Poemas. Tradução Carlos Nejar e Alfredo Jacques.