Ponto de Partida

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PSDB vive dilema de sair sem sair

De olho na campanha do ano que vem, tucanos exercitam engenharia política para desembarque do governo Temer

Sala de cinema para Sergio Cabral

[caption id="attachment_80204" align="alignright" width="620"] Ex-governador Sergio Cabral: ficou sem a tevezona[/caption] O condenado por roubo Sergio Cabral iria ter uma sala VIP, com televisão de tela grande, home theather, aparelho de DVD e uma variedade de filmes na cadeia onde ele está preso. A Cadeia Pública José Frederico Marques, em Benfica, na Zona Norte do Rio, onde estão o ex-governador do Rio e o ex-secretário estadual de saúde Sérgio Côrtes teria essa aparelhagem, que segundo a Secretaria de Administração Penitenciária (Seap), seriam instaladas por meio de doações à pasta pela Igreja Batista do Méier. A instalação está prevista na Lei de Execução Penal “para fins educativos”. Depois que a igreja negou ter feito a doação, a Seap cancelou a instalação dos equipamentos. A televisão de 65 polegadas, que seria o “cineminha” de Sérgio Cabral na prisão, ganhou um novo endereço. O televisor, além dos aparelhos de som e de DVD, e 71 filmes foram doados para o orfanato Casa do Menor São Miguel Arcanjo, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Seria cômico se não fosse trágico.

PT quer aliança com PMDB em 2018

[caption id="attachment_109244" align="alignright" width="631"] Ex-prefeito Luiz Marinho: menino de recado de Lula admite aliança com PMDB[/caption] O ex-prefeito de São Bernardo do Campo Luiz Marinho (PT) teve sua pré-candidatura ao governo de São Paulo lançada na semana passada. Ex-ministro do Trabalho e da Previdência, Marinho é um dos petistas mais próximos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Por isso, é interessante a opinião do ex-prefeito sobre as eleições do ano que vem. Marinho afirmou que o PT tem de rever, para as eleições de 2018, a proibição de alianças com os partidos que apoiaram o impeachment de Dilma Rousseff para “recuperar a maioria do povo brasileiro”. À pergunta se o PT deve fazer alianças com partidos que apoiaram o impeachment de Dilma, Marinho responde: “Veja, nós temos que recuperar bases. A maioria do povo também apoiou o impeachment e nós queremos recuperar a maioria do povo. Não vejo a necessidade de um grande arco de alianças para a candidatura do Lula. Vamos precisar de uma grande aliança para governar, no Congresso. Mas isso pode se dar no processo eleitoral ou pós-eleições. Agora vamos analisar no sentido de ganhar a eleição. Depois se tomam providências sobre composição da base no Congresso.” O importante aí que Luiz Marinho não diria uma coisa dessa sem que antes tivesse pedido ao dono do PT, que é Lula. Talvez até sendo orientado por Lula para lançar o balão de ensaio no ar. Marinho é um autêntico “menino de recado” do ex-presidente. Portanto, a fala de Marinho sinaliza a viabilidade de várias alianças entre PT e PMDB, justamente a que possibilitou duas vitórias de Dilma Rousseff e que alçou Michel Temer à Presidência com a queda da inepta petista. Que Lula e os petistas em geral chamem o PMDB de “golpista” é só um detalhe que poderá ser esquecido facilmente em nome da retomada do poder. Para o PMDB não há qualquer problema. Pelo contrário. O partido vai buscar alianças com o PT em pelo menos oito Estados nas campanhas para governador. A reaproximação faz parte da estratégia dos peemedebistas para tentar manter as maiores bancadas na Câmara e no Senado na próxima legislatura, que vai até 2022. Em reportagem do Estadão” na sexta-feira, 3, o presidente nacional do PMDB, senador Romero Jucá (RR), disse que as alianças regionais poderão ser feitas com qualquer legenda. “Não há nenhum tipo de proibição.” Presidente do Senado e tesoureiro da sigla, Eunício Oliveira (CE) é um dos que devem se aliar a uma chapa petista para tentar se reeleger. “O PMDB é plural. Não tem essa história de não poder fazer aliança com A ou com B,” disse Eunício. Além do Ceará, há negociações entre PMDB e PT em Estados como Minas Gerais, Paraná, Alagoas, Piauí, Sergipe, Tocantins e Goiás. Lula lidera as pesquisas de intenção de votos para a Presidência. Embora seja muito cedo e há muito para acontecer até o momento das definições, pelo andar dessa carruagem, só falta que o ex-presidente convide novamente Michel Temer para ser seu vice, se ele, Lula, puder disputar no ano que vem. Não haveria nenhuma surpresa nisso.

Só falta Lula chamar Temer para vice em 2018

Festival de cinismos na política brasileira chega a níveis inacreditáveis, com exemplos como ministra que ganha mais de 30 mil se dizer escrava e preso ter mordomo particular na cadeia

A meia conspiração de Rodrigo Maia

Rejeição de denúncia não chega a frustrar desejo maior do presidente da Câmara, que queria sim a queda de Michel Temer, porque o democrata segue no comando da agenda das reformas

Ciro começa a se sabotar

[caption id="attachment_100188" align="alignleft" width="620"] Ciro Gomes, do PDT: “Falta testosterona para Marina Silva” | Foto: Bruna Aidar / Jornal Opção[/caption] O presidenciável Ciro Gomes (PDT-CE) sempre se notabilizou por ser falastrão. Quando em campanha, sempre chega o momento (ou momento) em eu ele dá tiro no próprio pé, falando asnices e bo­tan­do a perder seu trabalho eleitoral. Na quinta-feira, 19, em evento no Rio, Ciro disse que o “momento é muito de testosterona”, em referência desairosa à possibilidade de candidatura de Marina Silva (Rede-AC). “Não tô vendo a Marina com ape­tite de ser candidata, ou então é uma tática extraordinariamente nova que nunca vi na minha vida pública, que é o negócio de jogar parado", afirmou. “Não vejo ela com energia, e o mo­mento é muito de testosterona. Não elogio isso. É mau para o Bra­­sil, mas é um momento muito a­gres­sivo e ela tem uma psicologia a­vessa a isso. Não sei, eu tô achando que ela não é candidata”, afirmou. Pela concepção de Ciro Gomes, só homens podem disputar a Presidência, pois só eles têm testosterona na quantidade suficiente. Imagine se Jair Bolsonaro falasse tal asnice, a patrulha esquerdista cairia de pau (epa!). Se bem que Bolsonaro também é de falar besteira, aos montes...

Lava Jato tem efeito pedagógico

Operação da Polícia Federal e Ministério Público Federal que tem colocado poderosos na cadeia está mudando a mentalidade empresarial

Alckmin abre o jogo

[caption id="attachment_53546" align="alignleft" width="620"] Governador de São Paulo, Geraldo Alckmin| Foto: Du Amorim/ A2img[/caption] Com Lula da Silva (PT-SP), Jair Bolsonaro (PSC-RJ), João Doria (PSDB-SP) e Ciro Gomes (PDT-CE) fazendo franca campanha à Presidência da República, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB) deixa os negaceios de lado e também entra no jogo. Alckmin (PSDB) abriu uma nova fase em sua escalada para ser mais uma vez candidato a presidente da República. E o faz demonstrando confiança em sua força nos bastidores do partido, uma vez que tem concorrente pela indicação, seu afilhado político João Doria, o prefeito da capital paulista. Na sexta-feira, 20, Alckmin disse que se prepara para concorrer à Presidência da República, antecipando a decisão sobre a escolha dos candidatos dentro da sigla. "Essa decisão (de candidatura à presidência) não é pessoal, é coletiva. Ela ocorrerá mais para frente. Agora, eu me preparo. Acho que é importante a gente estar preparado para servir ao Brasil", completou, durante entrevista à imprensa num evento, conforme registrou o UOL Notícias. Na verdade, a fala de Geraldo Alckmin é uma declaração como “entrei na parada, não tem mais essa de ficar tergiversando.” Senão, vejamos a continuação da fala do tucano, avaliando que o País vive um momento considerado crítico, que pode trilhar em direção ao "populismo fiscal irresponsável" ou ao "crescimento sustentável, com geração de emprego e de renda". Claro, o governador insinua que o “populismo fiscal” é o PT e sua concepção de governo, enquanto o “crescimento sustentável, com geração de emprego e renda” é ele mesmo, Alckmin, que emendou: "O mundo que cresce tem política fiscal rigorosa, política monetária com juros baixos e câmbio competitivo". Bola nas costas Mas Geraldo Alckmin tem dentro de seu próprio partido um “amigo da onça” no presidente nacional da sigla, Alberto Goldman. O ex-governador disse que os tucanos estão com muita dificuldade de apresentar uma candidatura de destaque ao Planalto. “A dificuldade é real, mas quem está melhor do que o PSDB?", questionou Goldman. Ele até cita o governador Geraldo Alckmin como o nome mais expressivo no momento dentro do partido, mas ponderou que ele “não é nenhuma figura de grande expressão, uma grande liderança nacional”. “Não é um Lula, que foi um grande líder, a verdade é essa”, disse Goldman, esquecendo que foi justamente o “grande líder” Lula que empurrou o Brasil para a crise atual. Pelo visto, os tucanos não precisam de inimigo, pois já tem um “amigo” como Alberto Goldman.

Afagos à bancada ruralista

Às vésperas da segunda denúncia por corrupção da Procuradoria-Ge­ral da República contra si, o presidente Michel Temer elogia a bancada ruralistas e diz estar "animado". A Câ­­mara dos Deputados vai votar a autorização à denúncia na quarta-feira, 25. Na sexta-feira, 20, em evento no Paraná, Temer (PMDB) fez elogios ao setor agrário do país, base eleitoral de deputados aliados ao Planalto. Ele bateu na tecla do início da recuperação da economia, como queda na inflação e nos juros e o aumento no emprego como exemplos positivos. "Eu saio daqui muito animado, saio com a alma envaidecida por ter participado dessa solenidade", afirmou. "E aliás, para falar do agronegócio, da agricultura em geral, os senhores e as senhoras têm sustentado o PIB brasileiro." "Não fosse a atuação dos senhores neste ano nós estaríamos numa situação muito negativa, e já começamos a ter uma posição positiva, e isso se deve precisamente à atividade do agronegócio, da agricultura, daquilo que os senhores fazem no campo", afirmou Michel temer. O presidente também disse que o Brasil passa por um momento no qual os brasileiros devem trabalhar juntos. "Este conceito de cooperativa serve muito a nós, é muito forte para o nosso País. É o que precisamos, brasileiro cooperar com brasileiro. Não admitimos um brasileiro contra o outro. A sensação é que o Brasil quer isto, quer cooperar", afirmou. O afago aos produtores rurais e, em consequência, aos seus representantes no parlamento tem razão de sr. A bancada ruralista tem muitos votos e costuma votar unida quando fecha apoio a causas que lhe podem favorecer. A Câmara dos Deputados deve decidir na quarta-feira, 25, se autoriza que o Supremo Tribunal Federal (STF) julgue a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra Michel Temer. O Planalto e deputados da base do governo consideram ter apoio suficiente para barrar a denúncia. Mesmo entre a oposição, a chance de a acusação receber o aval da Câmara é considerada remota.

Renan, Jucá e Sarney continuam livres, leves e soltos

[caption id="attachment_107494" align="aligncenter" width="620"] José Sarney, Renan Calheiros e Romero Jucá | Foto: Waldemir Barreto/ Agência Senado[/caption] A Justiça para ser feita depende de provas consistentes levantadas no decorrer do processo que apura o crime. E nem sempre, ou quase nunca, no caso de poderosos, essas provas são fáceis de serem obtidas. Nessa semana o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin determinou o arquivamento de inquérito que investigava o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), o ex-presidente José Sarney (PMDB-AP) e o ex-diretor da Transpetro Sérgio Machado por supostamente terem atuado para obstruir a Operação Lava Jato. Conforme noticiou a “Folha”, O ministro atendeu ao pedido de arquivamento feito pelo então procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que com base na recomendação da Polícia Federal havia solicitado o arquivamento do inquérito. A investigação tinha como base áudios gravados por Machado em conversa com os peemedebistas. Em seu despacho, Fachin ressaltou que "o arquivamento deferido com fundamento na ausência de provas suficientes de prática delitiva não impede a retomada das investigações caso futuramente surjam novas evidências". A publicação lembra o caso. Em um dos diálogos, Jucá afirma ser necessário "mudar o governo para estancar essa sangria". A declaração foi interpretada como uma referência ao avanço da Operação Lava Jato. As gravações vieram a público em maio do ano passado e Jucá, então ministro do Planejamento do governo interino de Michel Temer (PMDB), deixou o cargo. Em outra gravação feita por Machado, Renan, que então presidia o Senado, fala sobre a necessidade de regulamentar a delação premiada. Já Sarney diz prever que uma delação da Odebrecht teria o efeito de uma "metralhadora ponto 100". Em relatório ao STF sobre os áudios entregues pelo ex-presidente da Transpetro, a PF sustentou que não há como comprovar o cometimento de crimes por parte do ex-presidente e dos senadores. A delegada Graziela Machado da Costa e Silva afirmou ainda que Machado não “merecia” os benefícios da delação porque “a colaboração mostrou-se ineficaz”. Para Janot, em decorrência das gravações e dos depoimentos de Machado, “sabe-se que os eventuais projetos de lei apresentados por vezes sob roupagem de aperfeiçoamento da legislação terão verdadeiramente por fim interromper as investigações de atos praticados por organização criminosa”. No entanto, segundo ele, “tais atos não são penalmente puníveis”. “Não houve prática de nenhum ato concreto além da exteriorização do plano delitivo. Assim, não há de falar em tentativa.” É isso, leitor, os caras são pilantras de marca maior, e é claro que eles estavam conspirando para detonar a Lava Jato. Mas de acordo com o ordenamento jurídico brasileiro não houve configuração de provas suficientes para enquadrá-los. Continuarão, portanto, livres, leves e soltos. O estado democrático de direito tem falhas, mas é melhor que a alternativa de um déspota que faça as coisas ao seu alvitre.

Fora da realidade, Lula quer que Moro lhe peça desculpas

[caption id="attachment_107434" align="aligncenter" width="620"] Lula fala a petistas em Brasília: “Estou lascado, mas quero que Moro me peça desculpas”[/caption] No início da semana passada, o ex-presidente Lula falou numa reunião com petistas em Brasília sobre o que parece ser o seu mais recente sonho de consumo: que o juiz Sergio Moro peça desculpas para ele. Caro leitor, você está lendo direito. Lula acha que merece um pedido de desculpas por parte do juiz federal. O petista até concede que não pretende ser absolvido (risos...), uma vez que já foi condenado. Mas se Sergio Moro lhe pedir desculpa, o ex-presidente se dará por satisfeito. O petista “joga pra torcida”, mas sabe que não tem razão. Ele afirmou que não espera absolvição do juiz Sergio Moro, mas sim um pedido de desculpas. Lula é réu em seis ações penais, sendo duas delas sob responsabilidade de Moro, que já o condenou a nove anos e meio de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no caso do tríplex de Guarujá (SP). “Eu sei que eu estou lascado. Todo dia tem um processo. Eu não quero nem que o Moro me absolva, só quero que ele me peça desculpa”, disse Lula. A verdade é que Lula da Silva se acha acima das leis. Para ele, o fato de ter sido eleito duas vezes e ter feito sua sucessora também duas vezes (mesmo com o desastre que isso significou para o País), e de continuar sendo prestigiado por uma parcela da população, o isentaria de qualquer culpa, por mais crimes que tenha cometido ou que venha a cometer. A coisa seria risível se não fosse tão esdrúxula, tão nonsense, tão absurda. Realizemos a cena: Sergio Moro chega a Lula e diz: “Sr. ex-presidente, eu lhe peço desculpas por ter lhe condenado. O sr. é um corrupto; o sr. se mancomunou com empresários corruptos; o sr. se aproveitou do cargo público maior da nação brasileira para tirar dinheiro do erário para si, para seus familiares, para seu partido e para seus aliados; o sr. traiu a confiança do povo brasileiro. Por isso, sr. ex-presidente, o sr. foi condenado em decorrência dos crimes de que foi acusado pelo Ministério Público e cujos julgamentos estavam sob minha alçada. E, certamente, sr. ex-presidente, o sr. vai ser condenado ainda mais por mais crimes que lhe são imputados e que têm fatura de provas e de depoimentos de cúmplices seus que lhe delataram e continuam delatando. Mas mesmo assim, sr. ex-presidente, eu lhe peço desculpas. Desculpe-me, sr. ex-presidente, por ter-lhe condenado.” Lula da Silva está fora da realidade. E o perigo dessa “viagem” à irrealidade é ele mesmo começar a acreditar na sua inocência.

Era uma vez, otários que se achavam mais inteligentes que todos

Irmãos Joesley e Wesley Batista são denunciados pelo Ministério Público por uso de informação privilegiada

Os 8 em pré-campanha à Presidência da República

Lula da Silva, Ciro Gomes, Geraldo Alckmin, Marina Silva, Jair Bolsonaro e João Doria se movimentam de forma franca

Denúncia de Janot contra Lula procede, mas foi inoportuna e cheira a esperteza do PGR

[caption id="attachment_44208" align="aligncenter" width="620"] O procurador Rodrigo Janot deseja que o Supremo Tribunal Federal remeta inquérito contra o ex-presidente Lula para a Justiça Federal, em Curitiba José Cruz/Agência Brasil[/caption] A autogravação do criminoso Joesley Batista com o auxiliar Ricardo Saud não deixa dúvida de que o (ainda) procurador-geral da República, Rodrigo Janot, participou ou foi no mínimo imprudente na armação de uma armadilha para o presidente Michel Temer. Pelo que se pode depreender da conversa de Joesley e Saud, a gravação que o empresário fez com Temer para depois delatar o presidente foi induzida, orientada e instruída pela Procuradoria, tarefa que ficou a cargo de um de seus procuradores, Marcelo Miller. Janot foi a público negar o inegável, mas o estrago foi feito. Sua credibilidade nas denúncias conta o presidente Michel Temer sofreu sério abalo e se fala muito em anulação da delação dos irmãos Batista contra o presidente da República. Mônica Bergamo anotou em sua coluna na Folha de S.Paulo, de quarta-feira, 6: "O clima azedou no STF (Supremo Tribunal Federal) em relação à J&F. Pelo menos três ministros defendem o cancelamento imediato da delação premiada da empresa, firmado em maio com o Ministério Público Federal", diz ela. "Os magistrados acreditam inclusive que não é necessário esperar por uma iniciativa da PGR (Procuradoria-Geral da República) para que isso seja feito. Basta que algum magistrado da corte levante a questão." Mas nesse imbróglio vem se somar mais um episódio que causa estranheza. A denúncia de Rodrigo Janot por formação de uma organização criminosa pelo PT no âmbito da Lava Jato nos mandatos presidenciais dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. A denúncia foi feita no dia seguinte ao estouro do escândalo da autogravação de Joesley em conversas comprometedoras com seu auxiliar. O procurador-geral da República descreveu pagamentos de vantagens indevidas a Lula em valores que, somados, chegam a R$ 230 milhões, como contrapartida a favorecimento de empresas como a Odebrecht e a OAS em contratos. Janot descreve Lula como “grande idealizador” da organização criminosa formada no governo federal para desvio de recursos relacionados à Petrobrás. Instituto Lula Reproduzo texto do “Estadão” (quarta-feira, 6): Parte dos recursos que a PGR afirma que Lula recebeu de propina estão relacionados à aquisição do imóvel onde está instalado o Instituto Lula, no valor de R$ 12,4 milhões, e também à compra do apartamento dele em São Bernardo do Campo-SP, no valor de R$ 504 mil que teriam sido fornecidos pela Odebrecht. Além disso, Lula teria recebido da OAS e da Odebrecht propina “feita por meio do custeio de reformas em sítio localizado em Atibaia/SP, sobre a qual detinha a posse direta, nos respectivos valores concedidos por aquelas empresas de R$ 170.000,00 e R$ 700.000,00, montantes que também foram objeto de dissimulação, ocultação da sua origem, movimentação, disposição e propriedade. No total, em relação à OAS, Janot afirma que foram feitos pagamentos no valor de R$ 27 milhões ao ex-presidente para favorecer a construtora em contratos em obras em Alagoas, Pernambuco, Amazonas e Rio de Janeiro, entre 2004 e 2012. Em dois momentos, Janot faz uma listagem de valores multimilionários que Lula teria recebido da Odebrecht de forma indevida. Primeiro, Janot diz que o ex-presidente recebeu entre 2004 e 2012 o R$ 128,1 milhões para contratos na Refinaria do Nordeste, no Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), entre 2004 e 2012. Mais adiante na denúncia, Janot aponta que Lula recebeu R$ 75,4 milhões em contratos relacionados à Refinaria Getúlio Vargas, a serviços de terraplenagem da área de construção e montagem da Refinaria do Nordeste, e a outros serviços de terraplenagem, drenagem e anel viário da área do Comperj, além da execução de obras de construção e montagem no Terminal de Cabiúnas, em Campos-RJ, e no Gasoduto Cabiúnas (GASDUC III). “Apesar de não estar mais à frente da Presidência da República, Lula mantinha forte influência nos rumos do governo Dilma, além de ser uma pessoa influente perante outras autoridades estrangeiras, especialmente na América Latina e na África, países em que a Odebrecht tinha forte interesse. Por essa razão, os pagamentos de propina diretamente para Lula não cessaram após sua saída do governo”, destacou Janot. Descrição precisa Volto. A descrição de Janot quanto a Lula ser que “grande idealizador” da organização criminosa que o PT e seus aliados formaram para assaltar o erário é precisa. Mas causa estranheza que a denúncia tenha sido feita exata e justamente no momento em que o procurador-geral se vê abalado com a patranha da autogravação de Joesley e seu auxiliar Ricardo Saud. Janot sabe que sua credibilidade foi para o ralo. E fez a denúncia contra Lula e sua quadrilha na tentativa de salvar um pouco dessa credibilidade perdida. Pelo jeito, ele já tinha os elementos necessários para denunciar Lula há muito tempo e não o fez antes por conveniência, uma vez que não queria desviar o foco que lhe interessava, que sempre foi Michel Temer. O que nos leva a pensar qual o motivo dessa seleção? Por que ter centrado fogo em Temer e ter deixado de lado Lula e companhia? Nessa altura, com o que já se sabia e com o que se confirmou nos áudios desastrados de Joesley com Saud, as respostas a essas questões correm ao sabor da imaginação e quaisquer que sejam não são propriamente positivas para o procurador-geral. Mas o fato é que só agora, um dia depois de vir a público a armação contra Temer, é que Janot denuncia o petista. Se demorou tanto, não precisava que essa denúncia fosse feita neste momento. A prudência recomenda que se deixasse para a próxima procuradora-geral, Raquel Dodge, que assume no dia 18, encaminhar a denúncia. Posso arriscar uma hipótese, por sinal, das menos danosas ao procurador-geral. Janot tentou ser “esperto”, raciocinou que investindo contra Lula, sobre quem são fartas as evidências e provas de crimes em série, sua dignidade de procurador-geral isento estaria preservada. Ele mostraria que caça Michel Temer, sim, mas também caça Lula da Silva. O estratagema de Janot vai funcionar? A opinião pública vai engolir o caldo servido por Rodrigo Janot?

O mocó de dinheiro de Geddel

A imagem é impressionante. Malas e caixas de dinheiro mocozados num apartamento que o peemedebista Geddel Vieira Lima — ministro de todos os governos, sustentáculo parlamentar de todos os governos — usava em Salvador (BA). Registra a imprensa que os R$ 51 milhões representam a maior quantidade de dinheiro vivo apreendido na história do Brasil, segundo a Polícia Federal. Tantas cédulas que policiais levaram 14 horas para contabilizar todas, mesmo usando sete máquinas de contagem de notas. No total, foram registrados R$ 42.643.500,00 e US$ 2.688.000,00. O dinheiro seria depositado em uma conta judicial. A dinheirama lembra as grandes apreensões realizadas fora do Brasil contra cartéis de drogas da Colômbia e do México. E pensar que em todo o Brasil postos de saúde estão desaparelhados, escolas estão funcionando em péssimas condições, falta água tratada em muitas cidades, mais de 50% da população brasileira não tem acesso a saneamento básico, falta dinheiro para pesquisas, e por aí vai a lista de precariedades da nossa realidade. O dinheiro para suprir muito dessa precariedade está mocozado pelos Geddels da política brasileira e eles são muitos.