Cezar Santos
Cezar Santos

Baldy pode ser candidato ao governo

Ministro das Cidades ganha visibilidade nacional, vira peça-chave na eleição presidencial e pode ser candidato a qualquer cargo

Ministro das Cidades, Alexandre Baldy: visibilidade nacional alavanca possibilidades eleitorais maiores em Goiás para o jovem deputado federal | Foto: Fernando Leite / Jornal Opção

O deputado federal goiano Alexandre Baldy ganhou destaque ímpar no cenário político ao assumir o cargo de ministro das Cidades, em novembro do ano passado. O goiano substituiu o tucano de Pernambuco Bruno Araújo e, pelo fato de ser um deputado em primeiro mandato, a imprensa nacional reagiu com certa surpresa.

Mas o fato é que Baldy ocupou o posto e pôs mãos à obra, naquele que talvez seja o mais importante ministério do ponto de vista de materialização, de trabalho que resulta direta e imediatamente na melhoria da vida dos brasileiros. O Ministério das Ci­da­des tem um orçamento de mais de R$ 10 bilhões e é muito cobiçado pelos partidos por comandar programas com impacto direto nas bases eleitorais, como construção de moradias, redes de esgoto e transportes urbanos.

Alexandre Baldy tem trabalhado muito, desde que assumiu o ministério. Tem viajado por todo o País, levando recursos, firmando convênios com governos estaduais e prefeituras. Em menos de dois meses, já esteve várias vezes em Goiânia e também recebeu prefeitos goianos e o governador Marconi Perillo, como na semana passada, quando eles trataram de convênios com municípios.

No início da semana passada, Baldy anunciou a retomada neste ano das obras de 70 mil unidades do Programa Minha Casa, Minha Vida em todo o país que estavam paradas. Ele manteve a previsão de entrega de 75 mil novas moradias do programa ainda no primeiro trimestre.

Do ponto de vista administrativo, mesmo com o pouco tempo no cargo, a análise a ser feita, sem nenhum favor, é que Alexandre Baldy está se saindo muito bem. E do ponto de vista político, em função mesmo do desempenho no cargo, abre-se campo para uma análise mais extensa, considerando que estamos em ano eleitoral, avaliando os possíveis caminhos que o ministro goiano pode trilhar.

Primeiramente, devemos lembrar que Baldy está sem filiação partidária. Ele era filiado ao Podemos, mas já tinha decidido deixar o partido, após ser destituído da liderança da legenda na Câmara Federal, em agosto. Sua indicação ao ministério se deu pelo PP, sigla à qual estava e está praticamente certo que ele se filiaria, embora se falasse também em PMDB.

O fato é que Baldy assumiu o ministério numa articulação direta do presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia, do DEM — eles se tornaram muito amigos; em junho do ano passado, o goiano organizou a festa de ani¬versário do democrata, que contou com a presença do presidente Michel Temer. A nomeação de Baldy foi do agrado dos partidos do chamado Centrão, grupo do qual o PP faz parte, além de PR, PSD e PRB. Representantes dessas siglas elogiaram a indicação.

A filiação ao PP estava, repita-se, praticamente certa, mas não se realizou. Recém-empossado no Ministério das Cidades, esperava-se que Baldy se filiaria na festa promovida pelo senador Wilder Morais, presidente estadual da sigla, em sua fazenda em Nerópolis. Wilder mandou um helicóptero buscar o ministro, que chegou quase no final do folguedo, mas nada de filiação. A frustração de Wilder e seus correligionários foi evidente.

Feita a lembrança, voltemos ao futuro próximo de Alexandre Baldy. Até a nomeação, ele estava reestruturando suas bases eleitorais em todo o Estado. Com forte presença em Goiânia e, sobretudo, em Anápolis, o objetivo era ter votação maior que em 2014 (foram mais de 107 mil votos). Mas, e agora, segue o projeto da reeleição?
Realisticamente, se fosse para ser candidato à reeleição, Baldy já teria se filiado ao PP, sem problema. Mas não se filiou ainda. Isso quer dizer algo?

Nessas alturas, é óbvio que os horizontes se ampliaram para o ministro, dada a visibilidade natural que o Ministério das Cidades lhe dá. Sim, já se especulou na possibilidade de uma candidatura ao governo, assim que ele foi nomeado. Baldy rechaçou: “Absolutamente não penso em ser candidato a governador. Não estou nem um pouco preocupado com as eleições de 2018. Estou preocupado em ser um bom ministro das Cidades para que gere resultados para Goiás”, declarou.

Muito se diz que política é como nuvem, muda a toda hora. Baldy afirmou que permanecerá no cargo até o final do mandato do presidente Michel Temer, mas o fato é que o ministro virou peça-chave para eleição deste ano. A nuvem mudou. Poucos duvidam que ele mudará de ideia e renunciará ao cargo em abril, para disputar a eleição. O que justifica a expectativa em torno da filiação partidária dele.

A não filiação de Baldy ao PP na festa de Wilder Morais dá pano para especulações. Em política, nada é por acaso. Não é difícil concluir que a filiação do ministro já não depende apenas de sua vontade e deixou de ser um fato político apenas regional. A demora se dá por motivos estratégicos. Além disso, outros atores estão envolvidos nela. Principalmente, Rodrigo Maia.

Alexandre Baldy pode sim vir a ser candidato a governador. E não como uma “terceira via”, que a história mostrou várias vezes que o eleitor goiano claramente rejeita. Mas como um terceiro nome — e aí já é outra história — acoplado de alguma forma à base aliada governista.

Mas, pelo PP ou outra sigla? O partido será definido de acordo com as articulações que passam, primeiro, por Brasília, para só então chegar a Goiânia. Está em jogo também a eleição para a Presidência da República.

Hoje, Rodrigo Maia é um pré-candidato ao Palácio do Planalto do chamado Centrão, assim como o ministro Henrique Meirelles. Eles estão não necessariamente em rota de choque neste momento, mas testando suas respectivas possibilidades. Alexandre Baldy é um peão nesse jogo nacional, e vai ajudar a fortalecer palanque em Goiás para quem vier a ser o candidato apoiado pelo Centrão.

Partindo dessa premissa, consideremos então a diferença do jovem ministro goiano para aqueles que já estão na condição declarada de pré-candidatos ao governo de Goiás pela oposição, a saber: Daniel Vilela, do PMDB, e Ronaldo Caiado, do DEM. Esses dois querem o apoio um do outro, mas há a possibilidade de eles se lançarem independentemente.

Para uma campanha a governador, Baldy tem as mesmas qualidades de Daniel: juventude e boa estampa. E tem muito mais vantagens. É mais articulador, prova-o sua indicação para o ministério de Temer. Não precisa do apoio personalista de Maguito Viela e/ou Iris Rezende nem de Ronaldo Caiado. A candidatura de Bal­dy seria um incômodo e tanto para Daniel Vilela.

Em relação a Caiado, o ministro tem mui­to mais condições de arregimentar apoios. Não tem o desgaste do ruralista, e ao contrário deste, é novo na política, não oriundo de uma estrutura oligárquica que causa repulsa a boa parte do eleitorado. Também não é linha de continuidade familiar — o que é o caso de Daniel, filho de Maguito.

Lançando-se candidato, Baldy mina as possibilidades de Ronaldo Caiado, mais condições de angariar todo o apoio e mais alguns que o ruralista tenta tão desesperadamente buscar, até aqui sem sucesso.

É o fator Baldy na sucessão estadual. Aguardemos o caminho que o jovem ministro vai decidir por trilhar. l

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Fabiano Oliveira

O melhor GOVERNADOR que GOIÁS poderia ter !!! #baldygovernador