Ponto de Partida

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Plano Ursal: há quem faça piada, mas o assunto é sério

Os memes sobre o fictício projeto desviaram o foco do que realmente é importante no debate político brasileiro [caption id="attachment_133485" align="alignleft" width="620"] Foto: Reprodução[/caption] O primeiro encontro entre os presidenciáveis, realizado no dia 9 de agosto pela Band, parecia que não teria surpresas e seguiria no rumo que geralmente se espera de qualquer outro debate — afinal, o tempo para a exposição de ideias por parte dos candidatos não é suficiente e as falas costumam ser mais do mesmo, salvo raras exceções. Foi aí que o "efeito Cabo Daciolo" entrou em ação. O postulante à Presidência pelo Patriota perguntou a Ciro Gomes (PDT) o que ele teria a dizer sobre o suposto Plano Ursal, sigla referente à União das Repúblicas Socialistas da América Latina. "Não sei o que é isso", respondeu o ex-governador do Ceará após um espanto inicial. "A democracia é uma beleza, mas ela tem certos custos", ironizou posteriormente. Na réplica, Cabo Daciolo, além de substituir, como quem não conhece o básico de Geografia, o termo "América Latina" por "América do Sul" — o que resultaria em uma mudança da sigla para Ursas —, disse que o assunto seria pouco divulgado. Mas ele estava completamente enganado. Rapidamente, o tema se espalhou pela internet. A grande maioria fez piada e meme — houve até quem imaginasse uma seleção de futebol da Ursal, com o ataque comandado por Neymar, Messi e Suárez. Contudo, muita gente acreditou em Cabo Daciolo, como o vocalista da banda Ultraje A Rigor, Roger Moreira. É até compreensível que se faça piada diante de um absurdo como este. Por outro lado, é preocupante ver que algo tão raso tenha ofuscado o que realmente interessa no debate político brasileiro: as propostas dos candidatos para o Brasil nas áreas da Segurança Pública, Saúde e Educação, entre outras. Esses, sim, são assuntos sérios. No segundo debate entre os presidenciáveis, promovido pela RedeTV! na sexta-feira, 17, a Ursal, felizmente, não voltou à tona. Cabo Daciolo decepcionou aqueles que esperavam mais pérolas e tiveram que se contentar com as mesmas frases religiosas sem sentindo algum. A esperança é que, daqui para a frente, os políticos e os eleitores se concentrem em aspectos mais produtivos. Origem É importante, porém, explicar a origem de tudo isso. A primeira aparição do termo Ursal foi em um artigo intitulado "Os companheiros", publicado em 9 de dezembro de 2001 pela socióloga Maria Lúcia Victor Barbosa no site do filósofo Olavo de Carvalho, tido como o guru da nova direita brasileira. No texto, Maria Lucia criticava discurso de Lula da Silva (PT), então pré-candidato a presidente, durante reunião de partidos de esquerda da América Latina, em Havana, Cuba. "Será o fim da integração latino-americana", disse o petista, criticando a Área de Livre Comércio das Américas (Alca), chamada por ele de "projeto de anexação" dos Estados Unidos. A sociológica, por sua vez, questionou a integração mencionada por Lula da Silva e cunhou o termo Ursal, de maneira irônica, tendo, inclusive, trocado "Repúblicas" por "Republiquetas". "Mas qual seria, me pergunto, essa tal integração no modelo Castro-Chávez-Lula? Quem sabe, a criação da União das Republiquetas Socialistas da América Latina (URSAL)?", indagou. Reportagem do jornal "Folha de S. Paulo", de 13 de agosto de 2018, assinada por Denise Perotti, ouviu Maria Lúcia, que confirmou que a Ursal não passou de uma invenção e se disse surpresa ao ver que sua piada foi parar em um debate entre presidenciáveis. “Isso é meu, olha onde foi parar, eu fiquei boba.” Entretanto, é possível encontrar na internet sites que tratam a Ursal como uma realidade. Há até um "Dossiê Ursal", ilustrado por uma foto do senador Aécio Neves (PSDB) e da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). Vale deixar claro para quem ainda não entendeu: trata-se de uma teoria da conspiração da pior categoria. Cabo Daciolo Por fim, vale contar um pouco da história de Cabo Daciolo, um dos principais personagens da política na última semana e que, de repente, surgiu para o público — seu nome pouco aparecia antes das confirmações das candidaturas; hoje, é um dos mais comentados. Em 2011, Cabo Daciolo liderou a greve dos bombeiros no Rio de Janeiro e ficou preso durante nove dias em Bangu I em decorrência de sua atuação. Três anos depois, elegeu-se deputado federal pelo PSOL. O candidato à Presidência pelo Patriota foi filiado ao Avante antes de chegar ao atual partido. Religioso, o presidenciável apresentou uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) com o objetivo de alterar o parágrafo primeiro da Constituição Federal. A ideia era trocar "todo poder emana do povo" por "todo poder emana de Deus". Este foi o motivo que levou a expulsão de Cabo Daciolo do PSOL, em 2015.

Saída de Lincoln leva base a reforçar coesão

Defecção do jovem deputado estadual para a chapa de Ronaldo Caiado é movimento dentro da previsibilidade num momento em que todos articulam intensamente com todos

Toffoli poderá jogar o Brasil num abismo institucional

[caption id="attachment_130694" align="alignright" width="347"] Rogério Favreto e Dias Toffoli: eles estão no Judiciário, mas prestam serviço ao Partido dos Trabalhadores[/caption] No domingo passado, dia 8, o Brasil assistiu, estarrecido, à manobra de petistas que tentaram, com os serviços de um desembargador aliado, a libertação do criminoso Lula da Silva, preso por corrupção e lavagem de dinheiro, através de um habeas corpus. Rogério Favreto acatou o pedido, numa clara demonstração de rejeição aos preceitos regimentais, uma vez que ele não tinha poder para tanto. Os petistas nem queriam, de fato, a liberdade de Lula. Queriam sim conflagrar o ambiente, semeando confusão no Judiciário, como forma de manter o discurso falso de que Lula e o PT são perseguidos pela Justiça. A história é passado, a manobra tosca, uma autêntica chicana, foi repudiada e é quase certo que Favreto receba alguma punição. Mas ela serve para reflexão. Rogério Favreto foi filiado ao PT de 1991 a 2010, ano em que virou juiz. Ele exerceu cargos em três governos petistas antes de ser nomeado por Dilma Rousseff ao TRF4, em 2011. Em 2005, Favreto foi trabalhar na Casa Civil do governo Lula. De 2007 a 2010, foi secretário da Reforma do Judiciário no Minis­tério da Justiça, à época sob o comando do petista Tarso Genro, para quem já havia trabalhado como procurador-geral na Pre­feitura de Porto Alegre. O resumo disso é que Rogério Favreto é um desembargador a serviço do petismo. Por isso, causa preocupação, muita preocupação, o destino do País daqui a alguns meses, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) passará a ser presidido pelo ministro Dias Toffoli. Ele é aquele advogado que foi reprovado duas vezes em concursos para juiz e não tem sequer um mestrado. Ou seja, Toffoli é uma nulidade absoluta em termos de conhecimentos jurídicos. A única credencial que tinha para merecer de Lula a nomeação para o STF foi o fato de ser “companheiro”. Trata-se de outro petista (assessorou o PT e José Dirceu) que já mostrou em várias oportunidades ser também um tarefeiro da sigla na mais alta Corte de Justiça. Nos interesses de Lula e companhia, Toffoli poderá jogar o País num abismo institucional sem precedentes. Será um teste e tanto para a democracia brasileira.

Daniel Vilela vai imitar Caiado e ignorar a crise da gestão Iris?

População goianiense espera que o jovem deputado federal e pré-candidato a governador a defenda diante do descalabro da administração da capital

Caiado põe eleição acima dos interesses de Goiás

Senador do DEM atua para barrar empréstimo operação de crédito entre o governo estadual e a CEF, no valor de R$ 510 milhões, para investimentos em obras

José Eliton cresce na medida em que se torna mais conhecido

Tucano vai aumentando seus índices nas pesquisas, indicativo de que seu trabalho como governador já é percebido de forma positiva pelos goianos

Eleição não vai mudar o Brasil

Velhacos políticos como José Sarney, Lula da Silva, Romero Jucá, Renan Calheiros, Valdemar da Costa Neto, entre muitos outros, continuarão dando as cartas

Militares e “Temer fora” são falsas soluções

A primeira hipótese pode abrir caminho para o abismo; a segunda agrava o quadro de instabilidade política que vai piorar a já combalida economia

Temer demorou a agir na greve

Locaute dos empresários do transporte de carga, feito ao arrepio da lei para benefício de um setor, prejudica todos os brasileiros, indistintamente

Próximo presidente terá pouco dinheiro para investir

Orçamento engessado vai dificultar aumento dos investimentos, o que é fundamental para melhorar a qualidade dos serviços públicos e da infraestrutura e, por consequência, dar condições para o crescimento do país

Deixar zona de conforto de lado é maior trunfo da ação do governo

Programa Goiás na Frente salva prefeituras, que estão sem recursos, e dá visibilidade ao governo, o que rende dividendos eleitorais a José Eleiton

Chapa Alckmin-Meirelles vem aí?

Tucanos e emedebistas temem que Joaquim Barbosa “engula” a centro-esquerda

“Síndrome de Barrabás” na preferência pelo PT

O episódio da condenação de Jesus Cristo, contado nos livros bíblicos, é, resumidamente assim: Era época da Páscoa, quando o governador costumava soltar um dos prisioneiros, conforme a vontade do povo. Havia um prisioneiro muito conhecido, um salteador (ladrão) chamado Barrabás. Pilatos, o governador, perguntou a todos: — Quem vocês querem que eu solte: Barrabás ou Jesus, chamado Cristo? O povo escolheu o ladrão. E Cristo foi crucificado. Na semana passada, o instituto de pesquisa do Grupo Folha divulgou pesquisa sobre preferência partidária dos brasileiros. E deu o que tem dado nos últimos levantamentos do tipo: o PT é o preferido. Dessa vez, 20% dos entrevistados declararam simpatia pela sigla que ficou 13 anos no poder, realizando as gestões mais corruptas da história da República, a ponto de o mi­nistro do Supremo Tri­bunal Fe­de­ral (STF) Celso de Mello ter chamado o esquema de “gran­de organização crimino­sa que se constituiu à sombra do poder”, no processo do mensalão. O mais curioso é que o PT segue liderando esse levantamento mesmo após a prisão de Lula, o nome mais importante da sigla — na verdade, o verdadeiro “dono” dela. A pesquisa foi realizada de 11 a 13 de abril, e 20% dos entrevistados declararam simpatia pelo PT — em janeiro, eram 19%. A margem de erro é de dois pontos porcentuais, para mais ou para menos. As demais siglas tiveram índices bem menores: MDB, 4%; PSDB, 3%; PDT e PSOL, 1% ca­da um. Os outros partidos nem pon­tuaram. As demais siglas não pontuaram. A maioria dos entrevistados, 62%, declarou não ter preferência partidária. O PT é o partido preferido dos brasileiros desde 1999 e teve seu melhor desempenho em março de 2013, quando foi mencionado por 29% dos entrevistados. Lem­ brando que em março de 2013, os crimes patrocinados pelo PT no mensalão e uma grande parte dos crimes do petrolão eram de conhecimento público. Nos anos seguintes, com os escândalos de corrupção nos go­ver­nos petistas revelados pela Lava Jato, a simpatia pelo partido desabou. Em dezembro de 2016, com o impeachment de Dilma Rous­seff, veio o pior resultado para o PT, que mesmo assim continuou liderando: 9% das menções. MDB e PSDB, em segundo lugar, tinham 4% cada um. E a partir de 2017, o PT voltou a crescer, talvez num reflexo da impopularidade do governo Mi­chel Temer (MDB), e o número dos que se declaram sem partido en­trou em queda. Na reportagem da “Folha de S.Paulo” sobre a pesquisa, há registro de que na análise por variáveis socioeconômicas, observa-se que a preferência pelo PT diminui conforme aumenta o grau de instrução e a renda familiar mensal do entrevistado: 25% entre os menos instruídos ante 12% entre os mais instruídos; 26% entre os mais pobres contra 11% entre os mais ricos. O que isso indica está claro: em termos gerais, quanto mais informado é o cidadão, menos simpatia ele tem pelo PT. Natural que o eleitor dos grotões, que tenha sido beneficiado por programas como o Bolsa Família nos anos recentes — muito embora esse tipo de programa sempre tenha existido com outros nomes —, e se sinta agradecido ao PT e declare isso numa pesquisa. Mas é estranho que um cidadão razoavelmente informado, sabedor do alto grau de corrupção patrocinado elo PT e seus aliados, MDB em destaque, declare “simpatia” por isso. A não ser que tenha interesse pessoal, e aí já é outra conversa, que a pesquisa Datafolha não teve como aferir. Verdade que é difícil para o eleitor escolher um partido pelo critério de ética, honestidade e outros atributos positivos. Mas a “simpatia” pelo PT faz lembrar o episódio da condenação de Jesus Cristo. Simpatia por um partido corrupto que traiu seus eleitores com promessas de que seria diferente dos outros, para se revelar ainda pior que os outros, equivale à preferência do povo por um ladrão. Não tem Cristo nessa história, mas pode-se dizer que é um tipo de “síndrome de Barrabás”. l

Coalizão: a arapuca armada para o próximo presidente

Quem ganhar a eleição para a Presidência da República em outubro terá de fazer arranjos de alto custo político e financeiro para viabilizar a governabilidade nos próximos quatro anos

Corrida ao Planalto começa a afunilar

São 21 pré-candidatos, mas menos de um terço deles tem competitividade; alguns vão desistir antes das convenções, outros podem se aliar com nomes mais viáveis