Cezar Santos
Cezar Santos

Daniel Vilela vai imitar Caiado e ignorar a crise da gestão Iris?

População goianiense espera que o jovem deputado federal e pré-candidato a governador a defenda diante do descalabro da administração da capital

Daniel Vilela (esquerda) e Iris Rezende e estão afinados: os goianienses esperam que o deputado cobre melhoria na administração de Goiânia

Há poucos dias, o prefeito de Goiânia, Iris Rezende (MDB), realizou mais uma edição de seus mutirões, dessa vez (de novo) no Jardim Curitiba, região noroeste da capital. Até aí, normal. O relevante foi a presença do deputado federal Daniel Vilela, que desfilou com o decano e a primeira-dama Iris de Araújo. A sintonia entre os três foi total.

O fato teve significado explícito: o apoio do casal Iris-Iris à pré-candidatura de Daniel Vilela ao governo estadual. O prefeito já tinha dado declarações em favor de um nome de seu partido, deixando explícito que o senador Ronaldo Caiado, do DEM, não teria seu apoio, por ser de outra sigla. Caiado, que também é pré-candidato ao governo, quer aliança com o MDB e tem se empenhado em ganhar a adesão de Iris, o que facilitaria sua vida.

O prefeito até preferia Ronaldo Caiado, mas a pressão de vários líderes emedebistas, principalmente prefeitos, fez o decano reconsiderar sua posição em nome da fidelidade partidária. Neste momento, no pé em que estão as coisas, Iris Rezende é Daniel Vilela, e não Caiado.

Mesmo porque a adesão ao deputado tem troco: apoio para a candidatura de Iris de Araújo a deputada federal em Aparecida de Goiânia, área de influência de Daniel, de seu pai e ex-prefeito Maguito Vilela e do prefeito Gustavo Mendanha com a máquina administrativa — o que é fundamental para que a primeira-dama de Goiânia volte ao Congresso em 2019.

Deixando os problemas do MDB de lado, ao eleitor goianiense o que interessa mesmo são as atitudes dos políticos que estão empenhados em ser o próximo governador. Caiado, por exemplo, na ânsia de ganhar o apoio de Iris, simplesmente se desobrigou de defender os interesses dos moradores da capital. O democrata nunca fez manifestação ou mesmo simples declaração no sentido de cobrar de Iris a melhoria da gestão, que está em crise desde o primeiro dia.

Caiado cobra, sim, e muito, mas apenas do governo estadual, como se em Goiânia as coisas estivessem muito bem. E não estão. Na saúde impera o caos. A ponto de a Câmara de Vereadores ter instalado uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para apurar os inúmeros problemas na área.

Os vereadores, incluindo emedebistas aliados de Iris Rezende, estão pedindo a demissão da secretária Fátima Mrué, que não demonstra ter a mínima capacidade para o cargo. Os Cais estão em situação de abandono. Faltam médicos e outros profissionais. As filas são enormes nas unidades de saúde sob responsabilidade da prefeitura comandada por Iris Rezende.

Cadê a saúde de 1º Mundo?

Por sinal, no final de março encerrou-se o prazo pedido pelo prefeito de Goiânia, de 60 dias, para entregar uma “saúde pública de primeiro mundo” para população. A promessa fora feita durante depoimento à CEI da Saúde na Câmara Municipal. O prazo terminou e o atendimento nos Cais, Ciams e PSFs continua no mesmo nível calamitoso.

Repetindo, Ronaldo Caiado se calou diante do caos. Desde 2016, os goianienses estão sem a defesa de um político que é médico e conhecedor da área.

Daniel Vilela, por sua vez, correligionário de Iris Rezende, também não faz cobranças ao prefeito. O problema é que na condição de pré-candidato ao governo, ele não pode se omitir nessa área. Como Iris Rezende assumiu que seu candidato a governador e ele, Daniel, o jovem deputado tem de explicar aos eleitores a crise da gestão na capital. Afinal, o deputado também é responsável, ainda que indiretamente, pela gestão do prefeito do MDB.

Há muitos temas sobre os quais Daniel Vilela precisa falar, e com toda certeza os goianienses esperam isso: má gestão em Goiânia na área de saúde; a questão da reforma da Previdência, que tem causado protesto dos servidores municipais contra o aumento do valor da alíquota de 11% para 14%; crise na Comurg, onde Iris está fazendo demissão em massa; ruas abandonadas e sujas; etc.
Alô, Daniel, o prefeito anunciou que vai fazer a obra da Marginal Botafogo sem licitação!

Se fosse o governo do Estado, certamente que o deputado e o senador Caiado estariam cobrando até de forma dura, o que, afinal, eles podem argumentar, é seu papel como opositores. Mas, no interesse dos goianienses, por que eles não cobram também do governo de Iris Rezende?

Aparecida de Goiânia

Daniel Vilela costuma dizer que a realidade de Aparecida Goiânia é exemplar, como uma forma de demonstrar que a gestão de seu pai, Maguito Vilela, continuada por Gustavo Mendanha, é o modelo que ele terá como governador, se for eleito.

Mas, e Goiânia, cuja administração sob Iris Rezende passa longe de ser modelo, ficará por isso mesmo, isenta de críticas? Daniel não pode se manifestar, cobrar melhorias, fazer sugestões?
O pré-candidato emedebista vai continuar calado sobre a situação da capital, apenas para não ferir os brios de Iris — e da primeira-dama, uma crítica raivosa de quem não concorda com ela?
Se ficar citando Aparecida de Goiânia como modelo e não mudar sua atitude diante do caos em Goiânia, cobrando atitudes proativas de Iris Rezende, Daniel correrá um sério risco: sofrerá cobrança dos adversários e inevitavelmente será “puxado” para baixo na campanha.

No momento, tanto Ronaldo Caiado quanto Daniel Vilela só cobram do governo estadual. Fazem uma crítica política e, sobretudo, eleitoral. Mas, como homens públicos, pré-candidatos a governador, deveriam cobrar das prefeituras, de todas elas, incluindo a maior e mais importante, justamente Goiânia.

A verdade é inquestionável: os eleitores de Goiânia — quase 1 milhão — não estão contando com a defesa dos candidatos do DEM e do MDB em relação aos vários problemas da administração da capital.

No caso de saúde, por sinal, milhares de goianos do interior buscam tratamento em Goiânia, e são mal atendidos, até morrem na capital, dado o atendimento precário. Ou seja, quando a rede de saúde sob responsabilidade da Prefeitura de Goiânia está desmantelada, como acontece atualmente, milhares de goianos de várias cidades são afetados, não só os que residem na capital.

Crítica ao que funciona

Daniel chega a criticar o governo estadual pelo que funciona e é aprovado pelos usuários: “Em Goiânia, o Hugol (Hospital de Urgências Governador Otávio Lage) se tornou um elefante branco que só atende 40% de sua capacidade. Se um cidadão procurar atendimento, muito provavelmente não vai encontrar”, disse em reportagem do jornal “O Popular”, na semana passda. A resposta, no mesmo diário, no dia seguinte, pela superintendente de Controle, Avaliação e Gerenciamento das Unidades de Saúde da Secretaria de Estado da Saúde de Goiás, Maria Christina Reis: “Em crítica publicada em reportagem na edição de terça-feira (03), o deputado federal Daniel Vilela demonstra total desconhecimento em relação ao Hugol. O hospital completa três anos hoje, com o funcionamento dentro de seu cronograma inicial, atualmente com 389 leitos, sendo 76 de UTI. É avaliado positivamente por 97% dos pacientes – 60% são de Goiânia e os demais do interior e de outros Estados. Já realizou mais de 5,5 milhões de procedimentos, dos quais mais de 43 mil cirurgias. É o maior hospital do Centro-Norte do País e também referência nacional em atendimento de urgência, emergência e especialidades como tratamento a queimaduras. O deputado está convidado por meio desta nota (e o será formalmente pela SES) para conhecer de perto o Hugol.

E aí, deputado, vai aceitar o convite?

Com tanta preocupação de Daniel Vilela com a saúde dos goianos, cabe mais perguntas: Cadê as críticas, observações, sugestões para Iris Rezende melhorar a gestão?

De Ronaldo Caiado, até o momento, não houve manifestação. Talvez agora, com Iris declarando apoio a Daniel, o senador “descubra” a situação de caos na capital e diga algo em defesa da população desassistida.

Quanto a Daniel Vilela, os eleitores de Goiânia também merecem atitudes do deputado federal que pleiteia ser governador de Goiás.

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ziro

só enxergo retrocesso, atraso, injustiças, nada mais…