Cezar Santos
Cezar Santos

Saída de Lincoln leva base a reforçar coesão

Defecção do jovem deputado estadual para a chapa de Ronaldo Caiado é movimento dentro da previsibilidade num momento em que todos articulam intensamente com todos

Lincoln Tejota deixa José Eliton e adere a Ronaldo Caiado: prefeitos ligados ao deputado acusaram falta de lealdade

A adesão do deputado es­ta­dual Lincoln Te­jo­ta, do Pros, ao projeto do senador Ro­nal­do Caiado, pré-candidato do DEM a governador, merece algumas considerações. O líder ruralista comemorou o fato como de­mons­tração de poder de articulação, como se tivesse ferido de morte as hostes do adversário José Eliton (PSDB).

Até certo ponto, Caiado tem razão para comemorações. Ele praticamente “fechou” sua chapa, o que é bom por um lado, mas é ruim por outro, uma vez que delimita as possibilidades de outras alianças.

Lincoln é uma jovem liderança, é fato. Em 2010, no PTdoB, ele teve menos de 30 mil votos para deputado estadual. Reeleito em 2014 com 45 mil sufrágios, foi o mais votado de seu partido, então o PSD, que fizera bonito ao conquistar cinco cadeiras.

Mas o peso de Lincoln Te­jo­ta como determinante numa eleição ao Executivo deve ser, realisticamente, relativizado. Não se pode negar o valor pessoal dele, mas deve-se atrelar isso ao valor de seu pai, Sebas­tião Tejota, conselheiro do Tri­bunal de Contas do Estado (TCE), num posto privilegiadíssimo para se colocar como eminência parda do filho e da nora Priscilla (PSD), vereadora em Goiânia.

O fato é que as conquistas que o jovem deputado obteve se de­vem por sempre ter sido um integrante da base governista. Como tal, teve facilidades para compor base em vários municípios, atendendo os prefeitos em suas demandas.

Posto esse peso no devido lugar, integrantes da base aliada de José Eliton reagiram com algum exagero, tentando diminuir a importância do deputado, fazendo exatamente o contrário, ou seja, aumentando a importância real dele. Não é caso para tanto.

Defecções numa base tão ampla como a dos governistas não são um fato inusitado. E talvez o mais relevante na pós-adesão de Lincoln a Caiado tenha sido a ação de prefeitos aliados do jovem deputado que saíram a público para defender a coesão do grupo governista.

Na quinta-feira, 12, gestores que acompanharam a vida pública de Lincoln se reuniram em Goiânia para confirmar apoio ao governador tucano. Estiveram nessa reunião o prefeito de Anicuns, José Jorge de Souza, o Zé da Ferragista; de Baliza, Fernanda Nolasco; de Campina­çu, Milson Alves; de Caturaí, Di­vina Zago; de Formoso, Alessan­dra Souza; de Hidrolina, Osvaldo Moreira; de Santa Cruz, Mateus Felix; de Trombas, Agostinho de Nóbrega; de Uirapuru, Ailton Neri; de Montividiu do Norte, Jacira Martins; o vice-prefeito de Firminó­polis, Paulo Henrique Fernandes; e o ex-prefeito de Anicuns Manezinho.

Os gestores deixaram claro que não estarão mais ao lado do deputado. Mostra­ram surpresa, como não poderia deixar de ser, lembrando que ele foi da base toda a vida e sempre defendeu a reeleição do governador tucano.

Lembraram, também, que Lincoln não se deu ao trabalho de reunir com eles, limitando-se a um recado pelo Whatsapp, o que é, no mínimo, falta de consideração. “Cadê a lealdade com a gente? Isso não existe. E se ele vier me pedir, jamais trabalharei para o Caiado. Sou Marconi e José Eliton”, disse a prefeita Cirinha da Farmácia (PTB).

“Ele (Lincoln) deixou o partido, foi para o Pros e depois para outro rumo, sem nos perguntar. Só chegou a notícia. A gente perdeu o chão, porque ele era um deputado assíduo, presente. Nós já tínhamos fechado com a base. Anicuns permanece na base junto com o governador José Eliton e ex-governador Marconi Perillo. José Eliton tem o melhor projeto para Goiás e para o nosso município. Nós vamos continuar na base, porque é o compromisso que tínhamos feito com muita humildade”, afirmou o prefeito de Anicuns, Zé da Ferragista (PSD).

Vice-prefeito de Firminópolis, Paulo Henrique Fernandes, que é do Pros, participou da reunião com mais três vereadores do partido. Para ele, Lincoln agiu com ingratidão. Ele afirmou que mudará de legenda na próxima semana, pois não tem mais condições de permanecer no partido.

“A gente vê a política como gratidão. E um político que não tem gratidão não pode ter uma vida pública bem resolvida. Temos uma vida construída com essa base, então vamos manter nossa coerência e levantar a bandeira ainda mais”, frisou.

PTB

Outra manifestação conexa importante foi do deputado federal Jovair Arantes, em entrevista ao Jornal Opção na sexta-feira, 13. Presidente do PTB goiano, Jovair negou que exista articulação fora da base do governo estadual, uma vez que há especulação de que o partido ensaia deixar a base governista.

O motivo seria a briga por espaço na chapa majoritária. Como se sabe, haveria um “contencioso” político pela segunda vaga para o Senado (a primeira é do ex-governador Marconi Perillo) entre o ex-senador Demóstenes Torres e a senadora Lúcia Vânia (PSB). Os petebistas estariam dispostos a sair da base governista, caso não emplaquem Demóstenes.

Jovair negou a possibilidade e garantiu que continua na base e que as conversas com partidos como o PRB e PR são entabuladas no sentido de buscar espaço dentro da própria base governista: “Estamos buscando espaço dentro da própria base de José Eliton, o que é natural da política e legítimo. Somos um grupo forte e coeso, e é natural que essas conversas aconteçam”.

Perguntado sobre a possibilidade de articulação com o MDB, de Daniel Vilela, pré-candidato ao governo da oposição, Jovair afirmou que o emedebista é um bom nome, mas não existe conversa neste sentido, reforçando que continuará com o diálogo dentro da base.

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