Ponto de Partida
Presidente dos Estados Unidos já está de olho na reeleição, mas não goza de muita popularidade
Alexandre Baldy, Daniel Vilela, Delegado Waldir, Henrique Meirelles, João Campos, Jorge Kajuru, Ronaldo Caiado, Vanderlan Cardoso e Wilder Morais são nomes que ultrapassam as fronteiras goianas
Por incrível que pareça, ordenar morte de jornalista crítico do governo é pouco para os padrões deste regime sanguinário
“Conselheiro futebolístico” do presidente eleito é um dos maiores críticos da CBF
Qualquer um que ousar enfrentar o atual presidente nas primárias republicanas terá dificuldades pela frente. Enquanto isso, o candidato democrata ainda é incerto
Em 2018, muitas pessoas preferiram não escolher entre Jair Bolsonaro e Fernando Haddad. Índice foi o maior desde a redemocratização
Siglas que não atingiram cláusula de barreira não têm para onde correr
Culpar o ex-governador do Ceará por uma eventual vitória de Jair Bolsonaro é mais uma prova da falta de mea culpa do PT
Bancada goiana em Brasília deve estar mais próxima do candidato do PSL que o do PT
Visitas dos presidenciáveis foram marcadas por apresentação de propostas e críticas a adversários
Espera-se que os resultados positivos da área permaneçam, independentemente de quem for eleito
Planos de governo dos principais presidenciáveis não dão grande destaque às relações internacionais
As eleições legislativas são as que mais importam e o eleitor deve redobrar as suas atenções na hora de decidir em quem votar
Dos candidatos a governador, o senador do DEM é o único que ainda não definiu apoio na corrida presidencial
Presidenciável do PSL escorregou em declarações sobre a ONU e seus apoiadores defenderam o indefensável
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Foto: Reprodução[/caption]
"Vomitei aquilo sem falar de conselho de direitos humanos. Aí é onde houve uma falha minha", disse o candidato a presidente Jair Bolsonaro (PSL) ao jornal "Folha de S. Paulo", em referência a uma outra fala do presidenciável, que gerou polêmica após dar a entender que, se eleito, tiraria o Brasil da Organização das Nações Unidas (ONU). "Se eu for presidente, saio da ONU. Não serve para nada esta instituição."
Imediatamente, os eleitores de Bolsonaro concordaram e apoiaram a decisão de sair das Nações Unidas — houve até quem fizesse vídeo na sede do órgão em Brasília pedindo que a ONU seja "demitida do governo brasileiro", como é o caso da jornalista Elisa Robson, candidata a deputada federal pelo PRP.
Depois de o candidato à Presidência ter reconhecido a falha, seus apoiadores fizeram de tudo para achar alguma desculpa que justificasse. Nas redes sociais, Bolsonaro tem um verdadeiro exército de pessoas que o adotaram como político de estimação. Para eles, não importa o que o deputado federal pelo Rio de Janeiro fizer ou disser — ele sempre estará certo.
Aliás, abrindo um rápido parêntese, é também nas redes sociais onde se produz um dos mais impressionantes fenômenos da política brasileira atual: as pesquisas de intenção de voto mais confiáveis que as de institutos reconhecidos, que utilizam metodologia científica e registram os resultados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Mais bizarro do que isso é só o Cabo Daciolo, candidato a presidente pelo Patriota, que subiu um monte para se proteger de uma organização secreta que quer matá-lo.
ONU
A indignação em relação às Nações Unidas é até justificável em alguns aspectos, mas nada que chegue ao ponto de retirar o Brasil da instituição. Criada em outubro de 1945, após a Segunda Guerra Mundial, a ONU surgiu com o objetivo de promover a paz no mundo, substituindo a fracassada Liga das Nações. Contudo, há casos que podem pôr em cheque a sua credibilidade.
Em 2003, por exemplo, o Conselho de Segurança não conseguiu impedir a invasão estadunidense do Iraque, que desestabilizou o Oriente Médio e deu espaço para o surgimento de grupos terroristas, como o Estado Islâmico. Os Estados Unidos, por sua vez, não sofreram sanções — vale ressaltar que os EUA têm condições de bater de frente com as Nações Unidas, diferentemente do Brasil.
Ex-embaixador de Antígua e Barbuda na ONU, John Ashe presidiu a Assembleia Geral — o segundo órgão mais importante das Nações Unidas, atrás apenas do Conselho de Segurança — de setembro 2013 a setembro de 2014 e é acusado de receber propina de US$ 1,3 milhão de um bilionário chinês.
Além disso, foram registrados, em 2014, 79 casos de abuso sexual — um a cada quatro dias — de crianças e mulheres por parte de soldados das missões de paz da ONU no Haiti e na República Centro-Africana, operações chefiadas por Brasil e França, respectivamente. E o único punido foi Anders Kompass, funcionário das Nações Unidas responsável por, acredite, denunciar os escândalos.
Apesar de tudo isso, a ONU se faz necessária — ruim com ela, pior sem ela. Correspondente do jornal "O Estado de S. Paulo" em Genebra, na Suíça, desde 2002, o jornalista Jamil Chade, que cobre o órgão de perto, explica, em seu Twitter, o porquê: "A ONU alimenta 95 milhões de pessoas no mundo por dia e define regras que tocam a nossa vida diária, como emissões de CO2 e padrões técnicos. Ela falha muito mesmo. Mas isso é culpa dos governos, que não a querem forte. Dizer que não serve para nada não é exatamente correto".
Venezuela
No tocante à situação dos venezuelanos que fogem do país vizinho rumo ao Brasil, Bolsonaro tem adotado uma postura sensata. O parlamentar se opõe ao fechamento da fronteira entre Venezuela e Roraima, discordando da governadora do Estado, Suely Campos (PP), e propõe a criação de um campo de refugiados, com o auxílio justamente da ONU.
"Quando você fala em refugiados você tem que buscar a ONU para apresentar uma alternativa", declarou Bolsonaro à "Folha". "Tem que abrir um campo de refugiados. Você não pode deixar o pessoal jogado na rua, deixar o pessoal fazendo necessidades fisiológicas na rua."
De fato, o Brasil, que deve ter o papel de solucionar a crise na Venezuela — mas sem tomar lado, como manda as boas práticas da Política Externa brasileira —, tem que atuar junto à ONU para prestar os devidos serviços humanitários aos refugiados.
Em um mundo cada vez mais multipolar, isolar-se não é a solução. Bolsonaro parece estar aprendendo isso. Agora, falta seus eleitores também entenderem.


