Marcelo Mariano
Marcelo Mariano

Renovação de deputados goianos deve ser baixa

As eleições legislativas são as que mais importam e o eleitor deve redobrar as suas atenções na hora de decidir em quem votar

Não adianta eleger um presidente de sua confiança se ele ficar refém da Câmara dos Deputados e do Senado | Foto: Divulgação

Nas eleições deste ano, a disputa presidencial não é, no fundo, a que mais importa. Afinal, de nada adianta ajudar a eleger um presidente de sua confiança se ele ficar refém da Câmara dos Deputados e do Senado. Por mais que alguns presidenciáveis apostem na renovação e na eleição de um alto número de parlamentares que os apoiam, nenhum — frise-se: nenhum — candidato que for eleito terá maioria no Congresso Nacional.

O eleitor deve, portanto, redobrar as suas atenções na hora de escolher um representante para o legislativo e, mais do que isso, fiscalizar e cobrar durante todo o mandato. Contudo, a grande maioria nem sequer sabe em votou — pesquisa Serpes, divulgada na segunda-feira, 10, mostra que 74,8% dos goianos não lembram em que votaram para deputado federal nas eleições de 2014; para deputado estadual, o número abaixa um pouco e chega a 73,3%.

Renovação

De acordo com um estudo do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), publicado em 17 de agosto de 2018, a Câmara dos Deputados deverá ser renovada em torno de 40%, número considerado baixíssimo, uma vez que a média das últimas sete eleições é de 49,1% — o maior índice, de 61,82%, foi registrado em 1990 e o menor, de 44,25%, em 2010.

O Diap aponta que, dos 513 deputados federais, 407, ou seja, 79,33%, buscam a reeleição. A estimativa, baseada no fato de que a atual legislação eleitoral favorece quem já tem mandato, é de que pelo menos 75% deles devem ser reeleitos.

Dos 106 que não tentarão a reeleição, 31 desistiram da vida pública, 40 disputam uma vaga no Senado, nove concorrem a governador, 11 a vice-governador, sete a deputado estadual, seis a suplente de senador e dois a presidente.

Segundo o instituto Transparência Brasil, 49% dos deputados federais eleitos em 2014 são parentes de políticos que já tinham mandato. E mais: dos parlamentares com até 35 anos, 85% são herdeiros de famílias que já estão na política há muito tempo. Em outras palavras, boa parte da renovação é resultante do “Partido Filho” — o nome é fácil de ser lembrado e o controle da máquina partidária é maior.

Por outro lado, cabe ressaltar que a renovação não é medida apenas pela idade ou pelo histórico familiar. Há muitos políticos que, apesar de jovens, são velhos nas ideias e outros que, mesmo oriundos de clãs políticos, estão antenados à modernidade. É importante dizer, ainda, que reeleger parlamentares não significa necessariamente algo ruim — há quem faça bons trabalhos.

Goiás

Dos 17 deputados federais goianos, quatro estão fora da disputa neste ano: Thiago Peixoto (PSD) desistiu da vida pública, Daniel Vilela (MDB) concorre a governador, Heuler Cruvinel (PP) a vice-governador na chapa do emedebista e Pedro Chaves (MDB) a 1º suplente do candidato a senador Vanderlan Cardoso (PP).

Vale lembrar que o ministro das Cidades, Alexandre Baldy (PP), eleito deputado federal em 2014, está licenciado e não disputará nenhum cargo nestas eleições — a sua vaga na Câmara dos Deputados está ocupada por Sandes Júnior (PP), que buscará a reeleição, assim como Célio Silveira (PSDB), Delegado Waldir (PSL), Fábio Sousa (PSDB), Flávia Morais (PDT), Giuseppe Vecci (PSDB), João Campos (PRB), Jovair Arantes (PTB), Lucas Vergílio (SD), Magda Mofatto (PR), Marcos Abrão (PPS), Roberto Balestra (PP) e Rubens Otoni (PT).

Dessa forma, com pelo menos quatro vagas em aberto, a renovação de deputados federais goianos será de, no mínimo, 23,5%. Para chegar aos 47% de 2014, outros quatro atuais parlamentares deverão deixar suas cadeiras em Brasília — cenário considerado pouco provável pela grande maioria dos analistas políticos.

Assembleia Legislativa

No âmbito da Assembleia Legislativa, nove dos 41 deputados estaduais não são candidatos à reeleição: Daniel Messac (PTB), Francisco Jr (PSD), Isaura Lemos (PCdoB), Jean Carlo (PSDB), José Nelto (Pode), José Vitti (PSDB), Lincoln Tejota (Pros), Luis Cesar Bueno (PT) e Marquinho Palmerston (PSDB).

Francisco Jr, Isaura Lemos, Jean Carlo e José Nelto são postulantes a deputado federal. Daniel Messac desistiu da reeleição pela escassez de recursos e Marquinho Palmerston decidiu se concentrar na gestão de suas empresas. Lincoln Tejota é candidato a vice-governador de Ronaldo Caiado (DEM) e José Vitti ocupa a 1ª suplência na chapa da senadora Lúcia Vânia (PSB).

Em 2014, mais da metade da Casa foi renovada. Ao todo, 21 novos deputados estaduais foram eleitos, o que representa 51,2%. Neste ano, o índice será de pelo menos 21,9% — a tendência é que aumente, mas não supere o das eleições de quatro anos atrás.

Assim como os deputados federais são essenciais para o presidente governar, os deputados estaduais podem tanto ajudar quanto travar o governador — é o que prega a teoria da separação dos poderes do filósofo iluminista Montesquieu.

Neste sentindo, a base de José Eliton (PSDB) deve permanecer como maioritária, o que dificultaria um eventual governo de Daniel Vilela ou Ronaldo Caiado — o mesmo se aplica ao caso dos parlamentares em Brasília, responsáveis pela liberação de recursos para Goiás.

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