Marcelo Mariano
Marcelo Mariano

Como Goiás pode ajudar, ou atrapalhar, a governabilidade de Bolsonaro e Haddad

Bancada goiana em Brasília deve estar mais próxima do candidato do PSL que o do PT

Foto: Montagem

Jair Bolsonaro (PSL) e Fer­nando Haddad (PT) se enfrentam no segundo turno das eleições, mas a principal batalha deve ser a partir de 2019 no Congresso Nacional. Independen­te­mente de quem for eleito no dia 28 de outubro, é fato que o próximo pre­sidente não terá a maioria de de­putados federais e senadores ao seu lado. Portanto, as negociações serão necessárias para que se possa governar e, de fato, pôr em prática as promessas feitas durante a campanha.

PT e PSL são os partidos com o maior número de representantes eleitos para a Câmara dos Depu­tados — 56 e 52, respectivamente. Contudo, a legenda de Fernando Haddad perdeu 12 parlamentares na comparação com o pleito de quatro anos atrás, enquanto a de Jair Bol­sonaro saltou de apenas um deputado federal eleito em 2014 para 56 em 2018, o que significa um crescimento de 1341%.

No Senado, o PT conquistou seis cadeiras e o PSL, quatro — o maior partido é o MDB, com 12, seguido do PSDB, com nove, e do PSD, com sete. Em 2010, quando, assim como em 2018, houve eleição para dois terços dos senadores, o PT elegeu 11 e o PSL, nenhum.

A ascensão do PSL a um dos maiores partidos do Brasil se dá única e exclusivamente pela filiação de Jair Bolsonaro na última janela partidária. O presidenciável buscava uma sigla para se candidatar, encontrou abrigo no PSL e levou consigo uma manada de políticos, dos quais muitos obtiveram resultados positivos nas urnas, alavancados, entre outros motivos, pela chamada onda conservadora.

Mas, frise-se, o número ainda é insuficiente para ter a cobiçada governabilidade. No entanto, Jair Bolsonaro tem adotado uma postura interessante a fim de conseguir base em Brasília: diálogo com grupos de pressão, como as bancadas ruralista, da bala e da arma, ao invés conversas diretamente com os partidos.

Goiás

Dos 17 deputados federais eleitos por Goiás, somente dois são do PSL — Delegado Waldir e Major Vitor Hugo — e um do PT — Rubens Otoni. Mas é possível analisar quais rumos os demais tomarão em eventuais governos de Jair Bolsonaro e Fernando Haddad.

Além do PSL, DEM e PP elegeram dois parlamentares. São eles: Dr. Zacharias Calil e José Má­rio Schrei­ner, do primeiro, e Professor Alcides e Adriano do Baldy, do segundo. Flávia Morais (PDT), Francisco Jr (PSD), João Campos (PRB), Glaus­tin da Fo­kus (PSC), Magda Mo­fat­to (PR), Lucas Ver­gílio (SD), Elias Vaz (PSB), Célio Silveira (PSDB), Al­cides Ro­drigues (PRP) e José Nelto (Po­de) são os outros eleitos.

Destes, Francisco Jr, João Cam­pos, Glaus­tin da Fokus e Magda Mo­fatto estão mais inclinados a apoiar Jair Bol­sonaro, caso eleito, em razão de determinadas pautas cujas posições dos parlamentares goianos são conhecidas publicamente, como porte de armas e aborto.

Em Goiás, o presidenciável do PSL conta também com o apoio do governador eleito Ronaldo Caiado (DEM), que deve ajudá-lo na aproximação com a bancada goiana. O democrata tende a atrair para Jair Bolsonaro o apoio de, no mínimo, mais quatro deputados federais: Dr. Za­charias Calil, José Mário Schrei­ner, Alcides Rodrigues e José Nelto.

Por outro lado, Flavias Morais e Elias Vaz são filiados a partidos que se posicionam à esquerda do centro. Neste sentido, a tendência é que não apoiem Jair Bolsonaro, mas não é certo que estejam ao lado de Fernando Haddad. O PDT, por exemplo, já declarou que será oposição mesmo se o petista vencer as eleições.

Em relação aos senadores goianos, Jorge Kajuru (PRP) apoiou Jair Bolsonaro durante a campanha. Entretanto, o radialista tem como uma de suas principais características a natureza oposicionista de denunciar quem quer que esteja no poder. Por isso, ainda é cedo parar cravar de que lado Jorge Kajuru estará.

Com a eleição de Ronaldo Caia­do já no primeiro turno, o senador democrata dará lugar em Brasília ao primeiro suplente, Luiz Carlos do Carmo (MDB). Apesar de seu partido ter declarado neutralidade no segundo turno, o futuro senador deve caminhar com Jair Bolsonaro devido a sua ligação com o meio religioso — ele é irmão do bispo Oídes Jo­sé do Car­mo, da As­sembleia de Deus.

Há deputados federais e um senador goiano que pertencem a partidos do chamado centrão, que podem garantir governabilidade a qualquer um dos dois lados. São os casos de Lucas Vergílio, Célio Silveira, Professor Alcides, Adriano do Baldy e Vanderlan Cardoso, que, mesmo sendo evangélico — o que resultaria em um apoio quase natural a Jair Bolsonaro —, esteve ao lado do PT nas eleições de 2010.

Assim, pode-se dizer que, em Goiás, Jair Bolsonaro contaria com o apoio de pelo menos dez deputados federais e um senador, além do governador. Já Fernando Haddad, sendo bem generoso, teria o respaldo de três deputados federais.

Goiás pode, dessa forma, ajudar o candidato do PSL e atrapalhar o do PT. Vale ressaltar, por fim, que, na­cionalmente, o Pros apoia Fer­nando Haddad e, regionalmente, é representado pelo presidente estadual da sigla, Lincoln Tejota, como vice-governador de Ronaldo Caiado. Se o PT ganhar as eleições, Lincoln Tejota, mesmo não apoiando o presidenciável petista, pode vir a ser um elo entre o Estado e a União.

Atualização: Professor Alcides e Vanderlan Cardoso sinalizaram apoio a Jair Bolsonaro por meio de publicações que circulam nas redes sociais. O segundo, inclusive, aparece ao lado do ministro das Cidades e presidente estadual do PP, Alexandre Baldy. Portanto, o deputado federal eleito Adriano do Baldy, também do PP, é outro que deve aderir ao candidato do PSL.

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