Marcelo Mariano
Marcelo Mariano

Quem Donald Trump irá capturar em 2019 para se reeleger em 2020?

Presidente dos Estados Unidos já está de olho na reeleição, mas não goza de muita popularidade

Donald Trump | Foto: Fórum Econômico Mundial/Boris Baldinger

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump — que, no início de seu mandato, não agradava uma parte considerável de seus correligionários —, já pode ser considerado como “a cara” do Partido Republicano, apesar de ainda não contar com a boa vontade de alguns membros de seu partido.

Os republicanos podem ser basicamente divididos em três segmentos: clássicos ou tradicionais — defendem livre mercado e política externa realista —, libertários — priorizam Estado mínimo e política externa isolacionista — e nacionalistas ou trumpistas — seguidores do lema “América em primeiro lugar”. O último é o que tem ganhado mais força nos últimos tempos e o seu principal representante é justamente o atual presidente americano.

Midterm

Nas eleições de meio de mandato — conhecidas nos Estados Unidos como “midterm elections” —, que ocorreram em novembro e renovaram dois terços do Senado e toda a Câmara dos Representantes — equivalente à Câmara dos Deputados no Brasil —, Donald Trump trabalhou como nunca e se envolveu ativamente nas campanhas de republicanos.

Na reta final, o presidente americano chegou a participar, em média, de três comícios por dia em cidades espalhadas por todo o país. Donald Trump fazia questão de dormir na Casa Branca e voltava para Washington todos os dias, fazendo com que ele tivesse que percorrer milhares de quilômetros diariamente.

O resultado? Os republicanos perderam o controle da Câmara dos Representantes — o que já era esperado —, mas ampliaram a vantagem sobre os democratas no Senado. Em outras palavras, Donald Trump teve um desempenho muito melhor que o esperado, apesar de, na prática, ter sido derrotado.

Caminho até a reeleição

Donald Trump precisará pôr em prática a sua capacidade de negociação como nunca a partir do ano que vem. Com o Partido Democrata controlando a Câmara dos Representantes, o presidente americano terá dura oposição.

O republicano já deu indícios de que, mesmo tendo se colocado aberto ao diálogo, culpará a oposição democrata por tudo o que der errado daqui para frente. Definitivamente, 2019 promete ser nada fácil para ele.

Por outro lado, Donald Trump não deve ter muitos problemas para se viabilizar como candidato do Partido Republicano em 2020. Enquanto isso, seu concorrente do Partido Democrata ainda é uma incógnita.

O senador Bernie Sanders — ele é independente, mas pode se filiar aos democratas para disputar a presidência — e Beto O’Rourke, que quase derrotou Ted Cruz na disputa pelo Senado no Texas — um dos principais redutos republicanos —, são os nomes mais prováveis por enquanto.

Popularidade

De acordo com o site FiveThirtyEight, a administração Donald Trump é desaprovada por 51,8% da população e aprovada por apenas 42,6%. Tratam-se de índice considerados baixos quando comparados aos de ex-presidentes, o que pode sinalizar uma dificuldade para se reeleger.

Contudo, as eleições de meio de mandato são encaradas como uma espécie de termômetro do presidente que estiver no poder. E o desempenho de Donald Trump foi satisfatório perto do que se esperava.

Cabe ressaltar que o resultado das midterm elections nem sempre refletem o que ocorrerá na eleição presidencial dois anos mais tarde. Bill Clinton e Barack Obama foram derrotados nas eleições de meio de mandato, em 1994 e 2010, respectivamente, mas foram reeleitos em 1996 e 2012.

Teoria da conspiração

Praticamente toda teoria da conspiração é absurda e, ao mesmo tempo, faz certo sentido. Uma em específico, que diz respeito a ações dos últimos dois ex-presidentes, pode ajudar Donald Trump a alavancar sua popularidade para chegar mais tranquilo à disputa pela reeleição.

George W. Bush foi eleito em 2000. Em 2003, capturou o ex-presidente do Iraque Saddam Hussein e, um ano depois, foi reeleito. Vale lembrar que Saddam Hussein foi condenado a morte e enforcado apenas em 2006.

Por sua vez, Barack Obama foi eleito em 2008. Em 2011, capturou e matou o terrorista Osama bin Laden e, um ano depois, foi reeleito. As ações tanto do republicano quanto do democrata certamente melhoraram suas respectivas imagens diante da opinião pública.

Coincidência? Pode ser. Mas, de qualquer forma, abre-se o questionamento sobre quem pode ser a vítima de Donald Trump um ano antes de concorrer à reeleição. Kim Jong-un, da Coréia do Norte, Nicolás Maduro, da Venezuela, Bashar al-Assad, da Síria, e Hassan Rouhani ou Ali Khamenei, ambos do Irã, são as principais apostas.

Apesar do início das negociações com a Coréia do Norte, o país asiático segue sendo um inimigo dos Estados Unidos, assim como a Venezuela, a Síria e o Irã. As relações com a Turquia não estão em uma boa situação, mas o presidente turco, Recep Tayyip Erdoğan, atrai, neste momento, menos atenções que os líderes norte-coreano, venezuelano, sírio e iranianos.

A Rússia, de Vladimir Putin, e a Arábia Saudita, de Mohammed bin Salman, sairão, naturalmente, ilesas.

Jair Bolsonaro

Os líderes russo e saudita gozam de muito prestígio junto a Donald Trump. O mesmo ocorre com o presidente eleito do Brasil, Jair Bolsonaro (PSL), com quem o presidente americano deve estreitar ainda mais as relações.

O brasileiro não corre nenhum risco de se tornar um inimigo de Donald Trump, mas, se o republicano não se reeleger, Jair Bolsonaro perderá um grande aliado e, dependendo de quem assumir a presidência dos Estados Unidos, pode gerar imbróglios diplomáticos, uma vez que o presidente eleito e sua equipe fazem campanha abertamente para o americano.

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