Ponto de Partida

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A carestia é uma realidade

Dos 26 países que adotam regime de metas, apenas 3 têm inflação maior que a do Brasil; segundo projeção em relatório do Banco Central, a carestia em 2014 será de 6,4% [caption id="attachment_8519" align="aligncenter" width="620"]conexao.qxd Nas gôndolas dos supermercados os consumidores constatam que a carestia nos preços dos alimentos é crescente[/caption] Na semana passada, numa das unidades de uma grande rede de supermercados em Goiânia, a dona de casa Te­reza (o sobrenome eu não ouvi), moradora na Vila Pedroso, reclamava a uma amiga dos preços dos alimentos. Muito caros, segundo ela. Dona de uma memória aguda, ela pegava um ou outro produto e comparava o preço em relação há alguns meses. Teve um que a diferença passava de 50%. O que a dona de casa Tereza reclamava é constatável por qualquer pessoa que tenha o hábito de fazer compras. A inflação é uma realidade no Brasil e só não vê quem não quer. Ou quem tem interesse de dizer que não é bem assim. Na quinta-feira, o Banco Central divulgou o Relatório Trimestral de Inflação, que mostra que a inflação acumulada nos últimos quatro anos bate em 27%, com crescimento médio anual da economia de apenas 2%. É o pior resultado desde o governo de Fernando Collor de Mello. Os números fazem o resumo de uma ópera triste: os anos Dilma são uma combinação de inflação em franca aceleração e crescimento econômico pífio, o pior entre os países emergentes. Na semana passada, o jornal “Valor Econômico” trouxe interessante reportagem sobre o tema. Mostra o texto que dos 26 países que adotam o regime de meta (um índice de inflação que serve de base, ou seja, uma meta que a política econômica do governo deve perseguir), em apenas 3 o índice de preço ao consumidor supera a alta de 6,4% registrados pelo indicador do Brasil nos 12 meses encerrados em maio. E nenhum desse três está na América Latina, cujos países adotam metas bem mais ambiciosas que no Brasil. Aqui, a meta é de 4,5% para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) até 2016, com dois pontos porcentuais de variação. Já Chile, Colômbia e México têm meta de inflação de 3%; no Peru, 2%. E esses países têm apenas um ponto porcentual de variação. Ou seja, o maior rigor mostra que nossos vizinhos continentais estão efetivamente preocupados em não baixar a guarda para a inflação. O que não tem ocorrido com o governo brasileiro, que tem se mostrado leniente com o dragão. A propósito, os três países com inflação maior que a brasileira são Gana, Turquia e Indonésia. No Brasil, a inflação nos preços de serviços chegou a 8,7% no ano encerrado em maio; nos alimentos, por volta de 7%. O mais preocupante nesse quadro é que a carestia de preços ocorre com baixo ritmo de crescimento da economia, que deveria ditar exatamente o contrário, ou seja, queda de inflação. Baixo crescimento, inflação em alta. Um cenário nada bom para a campanha de reeleição da presidente. O descompasso econômico é reflexo de medidas equivocadas da equipe da petista, que quer mais um mandato de quatro anos. Resta saber se o eleitor vai dar esse crédito. O marqueteiro norte-americano James Carville uma vez decretou que a economia determina em maior grau a possibilidade de sucesso ou não de um candidato. Nesse sentido, a previsão do Banco Central não é nada alvissareira para Dilma Rousseff.

Sarney vai tarde, muito tarde

[caption id="attachment_8515" align="alignright" width="300"]José Sarney: o mais nefasto político brasileiro vivo anuncia aposentadoria. Será verdade? José Sarney: o mais nefasto político brasileiro vivo anuncia aposentadoria. Será verdade?[/caption] A notícia é velha, mas vale um comentário dada a importância para os brasileiros. No início da semana passada o caquético líder político José Sarney, do PMDB, anunciou sua aposentadoria. Uma conjugação de fatores na política local no Amapá, Estado pelo qual ele vinha se elegendo senador, dificultava sua candidatura à reeleição. Mas não há dúvida de que pesou na decisão do ex-presidente da República a sequência de vaias que levou num evento de entrega de casas com a presidente Dilma Rousseff, em Macapá, na se­gunda-feira, 23. Para não “pe­gar mal”, apaniguados de Sarney propagaram a informação de que a decisão da aposentadoria estava tomada desde sexta-feira, 20. Ele realmente estava pensando em não disputar, mas mantinha a possibilidade em banho-maria na expectativa de que talvez Lula da Silva interferisse pessoalmente no enquadramento dos petistas no Estado, facilitando sua reeleição. Para isso, o PT local teria de deixar de apoiar o governador Camilo Capibe-ribe, do PSB, em favor de Waldez Goes, do PDT, um cordeirinho de Sarney. Lula é esperto bastante para não entrar em barca furada. Aliás, aos poucos Lula está deixando Sarney ao relento. Com a sequência de sete vaias durante a solenidade ao la­do de Dilma, Sarney teve um “grá­fico” de que seu tempo passou. Na vida pública desde 1955, ele é chefe do clã que comanda a oligarquia que chupinha um Es­tado, o Maranhão, que não por acaso ostenta os piores indicadores sociais da Brasil. En­quan­to a família Sarney e seus alia­dos se enriquecem cada vez mais. De José Sarney não é exagero dizer que se trata do mais nefasto político brasileiro vivo, tal a sua influência nos meandros do poder, sempre em favor de si e de seus seguidores. E nem é preciso lembrar que foi um apoiador de primeira hora da ditadura militar. Sarney é o autêntico político “superbonder”, que adere ao governo, qualquer governo, aliado dos todos os presidentes desde Juscelino Kubitschek. Ele continuará exercendo influência sobre uma boa parte da bancada peemedebista (e de outros partidos) no Congresso e não deixará de manobrar nos bastidores. Sempre a favor de quem estiver no poder, porque assim está trabalhando em seu próprio favor. Ou seja, vai continuar fazendo mal ao Brasil, embora de forma menos direta e ostensiva. Mas é bom aguardar um pouco mais. Sarney pode estar blefando. Ele já anunciou aposentadoria outras vezes e depois desistiu de desistir. A boa notícia pode não se concretizar. l

Se torcedor vaia até minuto de silêncio, por que não vaiaria Dilma?

Apupos com que a torcida premiou a presidente não é questão de segurança nacional, como governistas tentam vender à opinião pública

Aliados sentem cheiro de queimado na reeleição de Dilma

PMDB mantém aliança com a presidente petista, mas a divisão na sigla em relação ao PT ficou escancarada na convenção nacional O PMDB, como maior partido brasileiro em número de filiados e em fisiologismo, tem uma capacidade incrível para perceber para onde o vento sopra. Não é por outra razão que uma parte considerável da sigla vem pregando abertamente o rompimento da aliança com o PT em favor da reeleição de Dilma Rousseff. Outra parte, por enquanto a maioria, capitaneada pelo vice-presidente Michel Temer, quer a manutenção da coligação. A sigla está dividida, o que ficou evidente na convenção nacional realizada na terça-feira, 10, em Brasília. O apoio à reeleição da petista teve 398 votos a favor, ou 59%, e 275 votos contra, 41%. O índice cai a 54% se considerados os 737 votos possíveis na convenção, que registrou 64 votos brancos e nulos ou abstenções. Matematicamente foi uma vitória para Dilma, mas politicamente as coisas são bem mais complicadas. [caption id="attachment_7066" align="alignleft" width="620"]Presidente Dilma cumprimenta líderes peemedebistas após a convenção do partido: apoio à aliança pela reeleição teve menos votos que em 2010 | Foto: Wilson Cruz / ABr Presidente Dilma cumprimenta líderes peemedebistas após a convenção do partido: apoio à aliança pela reeleição teve menos votos que em 2010 | Foto: Wilson Cruz / ABr[/caption] Na verdade, foi um constrangimento para a presidente, que na eleição passada teve nada menos que 85% dos votos dos convencionais peemedebistas, quando foi apresentada por Lula da Silva como a candidata governista. O recado está mais do que claro: o PMDB sente que a vitória de Dilma não tem nenhum garantia no horizonte. Sim, porque se a petista estivesse mantendo com tranquilidade a liderando nas pesquisas, não há dúvida de que o placar da convenção peemedebista seria bem mais favorável a ela. O partido está sentindo o cheiro de queimado na reeleição de Dilma Rousseff. Mas, independentemente do momento não exatamente auspicioso em termos eleitorais para Dilma, há líderes peemedebistas que percebem o perigo não só na perda da eleição presidencial com a petista, uma vez que o partido se arruma fácil, fácil com quem derrotar Dilma, se isso vier a acontecer. A preocupação desses líderes passa também pela certeza do enfraquecimento do partido em função da aliança com o PT. É fato que PMDB e PT formam a coluna vertebral de apoio parlamentar do governismo. O problema é que o PMDB sabe que sua existência está cada dia mais ameaçada, por que o parceiro aumenta sua potência predatória na medida em que fortalece as próprias bancadas na Câmara e no Senado. Neste ano, não custa lembrar o óbvio, realiza-se a eleição para presidente da República. Mas não só, e novamente lembrando o óbvio, serão eleitos também governadores, deputados estaduais e federais e um senador por Estado. O fortalecimento de qualquer partido se dá na medida em que consiga manter bancadas robustas e o máximo de Executivos estaduais. É aí que mora o perigo para o PMDB, porque o PT pode lhe tirar vagas importantes. Se na convenção de terça-feira o PMDB fechou com Dilma, o descontentamento no partido com o governo também ficou escancarado. Integrantes da ala contra Dilma discursaram e distribuíram panfletos com acusações de ineficiência e corrupção no governo. Mesmo adepto incondicional da aliança, o presidente nacional do PMDB, senador Valdir Raupp (RO), disse que o partido apresentará propostas de governo a Dilma, entre elas o ensino em tempo integral e a “defesa permanente da liberdade de expressão e pensamento”, o que bate de frente com viés totalitarista do PT, que tem uma ala propugnando censura à imprensa. Raupp expressou o que talvez seja um espasmo de altivez do partido na questão programática. O grupo mais crítico com os petistas foi o do PMDB do Rio. Lá, o candidato do PT ao governo, Lindbergh Farias, faz campanha desancando o governo de Sérgio Cabral, patrono de Luiz Fernando Pezão, o governador que concorre pelo PMDB. Cabral, o político que mais se desgastou com as manifestações do ano passado, esperava apoio dos petistas, mas estes jogaram mais gasolina na fogueira. Na convenção, até Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), presidente da Câmara, candidato ao governo do Rio Grande do Norte, reclamou da falta de solidariedade dos petistas em seu Estado.

Base rachada nos Estados
O fato é que às vésperas da campanha eleitoral, a base aliada de Dilma Rousseff se apresenta rachada em pelo menos dez estados, como é o caso de Goiás pelo menos em relação a unificação da chapa pró-Dilma, e no Distrito Federal. Levan­tamento feito pelo “Correio Braziliense” na semana passada mostra um quadro em que a presidente terá dificuldade em escolher quais palanques frequentará, uma vez que os partidos aliados terão candidatos ao governo que não fecham com ela. E, pior, em outros Estados, como no Rio Grande do Sul, com Ana Amélia (PP) e, possivelmente, no Amazonas, com Rebeca Garcia (PP), o tucano Aécio Neves é que terá o palanque. Em Mato Grosso do Sul, o apoio do peemedebista Nelson Trad Filho vai para Eduardo Campos (PSB). Em Goiás, a situação de Dilma é ainda mais complicada. Boa parte dos partidos de sua base está com Marconi Perillo, o tucano candidato à reeleição e cabo eleitoral de Aécio Neves. Com a candidatura de Antônio Gomide pelo PT, se ele for mesmo candidato, e de Iris Rezende pelo PMDB, havia a dúvida se Dilma subiria nos dois palanques. Não há dúvida mais: Iris e seu pessoal definiram que não vão apoiar Dilma, pelo menos não formalmente. Obviamente que se Dilma Rousseff não estivesse caindo nas pesquisas, os peemedebistas goianos não dispensariam a presença dela em seu palanque. Já o petista Antônio Gomide não terá como fugir desse fardo, com Dilma caindo ou não nas pesquisas. No mapeamento feito pelo “Correio”, dos 30 candidatos ao governo pertencentes à base dilmista, 18 apoiam a petista, 8 não definiram a quem apoiar, 2 estão com Aécio Neves e 2 com Eduardo Campos.

Brasileiro insatisfeito

Volta e meia uma autoridade do governo federal expressa inconformismo com brasileiros que não consideram que o País ingressou no primeiríssimo mun­do a partir do dia 1º de janeiro de 2003. Sobre os manifestos do ano passado, por exemplo, o ministro Gilberto Carvalho disse que o governo ficou “perplexo” e o sentimento era quase de “ingratidão”: Quando acontecem as ma­ni­­fes­tações de junho, da nossa parte houve um susto. Nós ficamos per­plexos. Quando falo nós, é o go­verno e também to­dos os nossos movimentos tradicionais. [Houve] uma certa dor, uma in­com­preensão e qua­se um sentimento de ingratidão. [Foi como] di­zer: fizemos tanto por essa gente e agora eles se levantam contra nós.” Pois é. Ingrato, esse povo. Gilbertinho deve ter ficado ainda mais assustado e perplexo na semana passada, com a divulgação de pesquisa do Pew Research Center, dando conta de que a maioria significativa dos brasileiros está descontente com a situação geral do país, refletindo um cenário em que houve forte aumento nos últimos 12 meses dos que consideram que a economia vai mal. Entre 10 e 30 de abril, o levantamento constatou que nada menos que 72% disseram estar insatisfeitos com o estado de coisas no Brasil, bem acima dos 55% registrados há um ano, semanas antes das manifestações de junho de 2013. Já o porcentual dos que afirmaram estar satisfeitos recuou de 44% para 26%. Anota o “Valor Econômico”: “Nesse período de um ano, a parcela dos brasileiros que consideram que a economia vai mal subiu de 41% para 67%. Apenas 32% dos entrevistados considera que a economia está bem, um tombo expressivo em comparação com os 59% observados na pesquisa de 2013. “O aumento de preços é apontado como um “problema muito grande” por 85% dos ouvidos pelo Pew, um respeitado centro de pesquisas dos Estados Unidos. Esse porcentual é parecido com os 83% registrados um ano atrás.” Crescimento econômico baixíssimo — o pior entre os países emergentes —, inflação real derretendo o poder de compra, escândalos quase diários, corrupção deslavada em obras públicas, aparelhamento do Estado. Esses são apenas alguns dos males que a população está percebendo. Não tem nada de “ingratidão”. É indignação.

Furo na urna eletrônica

Sistema brasileiro decantado em prosa e verso como o mais confiável do mundo pode ser fraudado, admite o Ministério Público Federal [caption id="attachment_6258" align="alignleft" width="710"]Urna eletrônica: é apenas um microcomputador cujo sistema pode ser invadido e ter seus dados alterados | Foto: Carlos Pietro Urna eletrônica: é apenas um microcomputador cujo sistema pode ser invadido e ter seus dados alterados | Foto: Carlos Pietro Urna eletrônica: é apenas um microcomputador cujo sistema pode ser invadido e ter seus dados alterados | Foto: Carlos Pietro[/caption] Haverá sistema de votação eleitoral à prova de fraude? No Brasil, tornou-se comum dizer que as urnas eletrônicas são garantia de resultados absolutamente fiéis ao que o eleitor digita na hora de votar. Não é assim. Primeiramente, porque não existe sistema informatizado à prova de invasão. A admissão da possibilidade de problemas por parte das autoridades da área sempre foi reticente, quando não peremptoriamente negada. Sempre me causou estranheza o fato países muito mais avançados que o Brasil na área tecnológica, como Estados Unidos e Alemanha, por exemplo, não terem saído na frente na adoção do sistema de urna eletrônica, que não passa de um microcomputador com um programa (software) específico. O desembargador e juiz eleitoral aposentado gaúcho Ilton Dellandréa lembras que “a urna eletrônica usada nas eleições do Brasil é semelhante a um micro. É programada por seres humanos e seu software é alterável de acordo com as peculiaridades de cada pleito. Por ser programável pode sofrer a ação de maliciosos que queiram alterar resultados em seus interesses e modificar o endereço do voto com mais facilidade do que se inocula um vírus no seu micro via Internet. Além disto, pode desvendar nosso voto, pois o número do título é gravado na urna na mesma ocasião e fica a ela associado.” O artigo do juiz Dellandréa foi escrito em 2006, por ocasião do lançamento do livro “Fraudes e Defesas no Voto Eletrônico”, de Amílcar Brunazo Filho, especialista em segurança de dados em computador, e Maria Aparecida Cortiz, advogada e procuradora de partidos políticos — publicação disponível na internet: http://www.brunazo.eng.br/voto-e/livros/F&D-texto.pdf Há variadas formas de fazer fraudes, diz o juiz Ilton Dellan­dré: por exemplo: é possível introduzir um comando que a cada cinco votos desvie um para determinado candidato mesmo que o eleitor tenha teclado o número de outro. O nosso sistema de votação eletrônica é falho e não pode garantir o sigilo do voto e a integridade do resultado das eleições. O Ministério Público Federal em São Paulo chegou a essa conclusão com dados de relatório apresentado pela Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão por pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB). Segundo reportagem do “Valor Econômico” na semana passada, o relatório aponta ainda outras vulnerabilidades no programa usado nas urnas eletrônicas, com “efetivo potencial para violar a contagem dos votos”. Para o relatório foi feito teste de segurança em urnas que apresentaram fragilidades principalmente quanto preservação do caráter secreto do voto. Ficou constatada a possibilidade de ordenar registros que deveriam ficar em ordem aleatória. Dessa forma é possível saber em quem o eleitor votou, se um mesário, por exemplo, anotar o horário em que ele depositou o sufrágio na urna eletrônica. A falha foi descoberta rapidamente pelos técnicos da UnB. Estranhamente, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não permitiu novos testes que poderiam demonstrar mais fragilidades no sistema. Como se vê, um golpe de (dura) realidade em ufanistas que dizem “conosco não há quem pode”. Se a urna é tão boa assim, e nada difícil de fazer, porque os gringos não fizeram antes? Sabe-se que o sistema brasileiro de urnas eletrônicas foi efetivamente testado em outros países. E abortado. Além disso, não é verdade que apenas o Brasil o utiliza. Holanda já usou, mas deixou de lado justamente por causa da possibilidade de fraudes. Parece não haver dúvida de que o sistema eletrônico dificulta a fraude, ou pelo menos aqueles tipos de fraudes mais grosseiros. Mas daí a considerar que é à prova de deturpações vai uma longa distância. Que a Justiça Eleitoral fique sempre de olhos bem abertos.

A desilusão de Pih

Primeiro grande empresário a apoiar o PT, ainda na década de 80, bem antes de o partido chegar ao poder, dono do Moinho Pacífico se diz desencantado com o governo que ajudou a eleger

A caça aos fichas sujas

Procuradoria Regional Eleitoral no Estado terá nova ferramenta para fechar o cerco contra candidatos com pendências na Justiça

RDC, o efeito contrário

Em vez de acelerar, a dispensa de licitação em obras públicas para a Copa atrasou ainda mais os serviços

Dilma não tem força para impor sua candidatura

Presidente diz que disputa a reeleição mesmo sem apoio dos partidos aliados, o que é um tremendo autoengano. Se Lula não quiser, ela nem chega a ser candidata

“Maquiagem” ao modo argentino não prospera

Carestia mostra fragilidade da política econômica, o que leva uma parte do governo a querer mudar método de calcular a inflação

Um nome cobiçado pela oposição e pela situação

Para valorizar ainda mais o próprio passe, líder ruralista Ronaldo Caiado recorre à estratégia de deixar para a undécima hora sua decisão sobre com quem vai se aliar

Queda de Dilma em pesquisas após escândalos mexe no quadro local?

Aprovação popular da presidente está em declínio e, se continuar esse cenário, o PT vai precisar de palanques fortes nos Estados para reelegê-la, situação que não favorece Antônio Gomide em chapa sol

Sabe-se agora, aquele gesto pró-mensaleiros era autodefesa prévia

Vice-presidente da Câmara dos Deputados tem ligação com doleiro envolvido em lavagem de dinheiro, num caso que lembra muito Demóstenes Torres com Carlinhos Cachoeira

Vanderlan é quem mais perde com candidatura de Iris

Ex-prefeito de Senador Canedo corre o risco de, mesmo que faça tudo certinho, ser atropelado e não conseguir ir ao segundo turno; até aqui ele tem os mesmos índices que recebeu na eleição de 2010 [caption id="attachment_836" align="alignleft" width="240"]Candidato do PSB ao governo, Vanderlan Cardoso: muitas dificuldades no caminho de um obstinado  | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção Candidato do PSB ao governo, Vanderlan Cardoso: muitas dificuldades no caminho de um obstinado | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção[/caption] Em 2010, na eleição para o governo estadual, o candidato da Coligação Goiás no Rumo Certo (PP, PDT, PTN, PSC, PR, PSDC, PSB, PV e PRP), Vanderlan Cardoso (então no PR), ficou em terceiro lu­gar e, consequentemente, não chegou ao segundo turno. Ele obteve e­xa­tos 502.462 votos, ou seja, 16,62%. Foi uma votação boa ou ruim? Depende. Boa, considerando que Vanderlan era um político que vinha de dois mandatos de uma prefeitura pequena, Senador Canedo. Ruim, se lembrarmos que ele era o candidato apoiado pelo governo estadual, com as vantagens que isso inquestionavelmente proporciona. O problema é que o governador a apoiar Vanderlan era Alcides Rodrigues, o que evidentemente contou negativamente para o candidato. Imediatamente após a eleição, cujo segundo turno foi vencido por Marconi Perillo (PSDB) na disputa com Iris Rezende (PMDB), Vanderlan Cardoso deu início ao seu projeto Palácio das Esmeraldas. Desde então, ele nunca escondeu seu desejo de ser governador de Goiás e que seria candidato ao cargo novamente em 2014. Nesse ponto, se faz necessário relembrarmos os números da pesquisa Serpes divulgada há uma semana, em quatro cenários simulados, todos com a presença de Mar­coni, tido como o único nome da base aliada, e de Vanderlan, hoje no PSB, também o único nome da chamada terceira via. Cenário 1: Mar­coni 37,5%; Vanderlan 12,9%; Júnior Friboi (PMDB) 12,2%; e Antônio Gomide (PT) 9,1%. Cenário 2: Marconi 34,5%; Iris 26,6%; Vanderlan 12,9% e Gomide 8,4%. Cenário 3: Marconi 41,8%; Vanderlan 16,4%; Friboi 14,6%. Cenário 4: Marconi 36,2%; Iris 29,6%; Vanderlan 16,7%. Analisemos algumas curiosidades no que se refere a Vanderlan Car­doso. No cenário 4, em que tem sua melhor pontuação, 16,7%, ele está em terceiro lugar, justamente na disputa direta com Marconi e Iris. Ou seja, exatamente o que aconteceu em 2010, quando ficou em terceiro lugar e viu esses dois adversários irem ao segundo turno. E em dois cenários, o 1 e 3, o ex-prefeito de Senador Canedo está em segundo lugar, com índices 12,9% e 16,4%, respectivamente. Curiosa­mente, nesses dois cenários, Iris Rezende não participa. Isso permite uma leitura clara: uma parte do eleitorado de Iris tende a migrar para Vanderlan Cardoso. Como Marconi lidera em todos os cenários, é de supor sem nenhuma dificuldade que inevitavelmente ele estará no segundo turno. Então, a briga dos adversários do tucano é pelo segundo lugar, para ir ao eventual segundo turno com Marconi. Portanto, Van­derlan Cardoso deve torcer para que Iris Rezende não seja candidato ao governo. Porque se Iris entrar, já era. Sem Iris Rezende no páreo, o que a cada dia se torna mais improvável, Vanderlan Cardoso tem aumentada sua competitividade. Isso significa que o sucesso do candidato do PSB está amarrado a circunstâncias alheias. Ou seja, mesmo que ele faça tudo certinho, pode morrer na praia, mercê de um nome mais forte em totais condições de atropelá-lo na corrida, sem nem lhe dar chance de ir ao segundo round. E há mais um fator a preocupar Vanderlan Cardoso, os índices da pesquisa espontânea. Ele teve apenas 2% de lembrança, contra 11,7% de Marconi e 3% de Iris — Friboi 1,7% e Gomide 0,7%. Se apenas 2% do eleitorado espontaneamente lembra o nome de Vanderlan Cardoso, é sinal de que seus cinco anos de campanha não ajudaram muito até agora. O bom em saber disso a mais de quatro meses da campanha propriamente dita, com rádio e TV, é que ele pode se desdobrar nesse trabalho até lá. E é um baita trabalho a esperar o candidato e sua equipe. A favor de Vanderlan Cardoso tem sua tenacidade e obstinação. Em nome desse pro­jeto, ele saiu do PR para o PMDB, onde ficou poucos meses e, ao perceber que dificilmente teria co­mo alijar Iris Rezende da preferência interna do partido, foi para o atual PSB, de onde saíra Júnior Fri­boi (PMDB), que continua controlando a maioria de suas lideranças. Essa mudança partidária em tão curto espaço de tempo pode dar ao eleitor a noção de Vanderlan é instável. Ele mesmo não admite essa dificuldade. Há alguns dias, em entrevista ao Jornal Opção, para se defender ele sacou o argumento de que Marconi Perillo também mudou de partido. Ou seja, misturou alhos com bugalhos, ao se comparar com quem em 30 anos de política só teve um sigla diferente antes, e não se mudou com o objetivo único de ser candidato a um cargo específico. Em sua tenacidade política, o candidato do PSB tem a clara obsessão de ser o inquilino do Palácio das Esmeraldas. Na mesma entrevista referida antes, lembrado de suas dificuldades sobre alianças, Vanderlan respondeu: “Pelo jeito, vocês não me conhecem. Já passei por isso uma vez. Não sei se vocês acompanharam a eleição de Senador Canedo em 2004. Cheguei à convenção sozinho. Não achei um vice. Diziam que era humanamente impossível ganhar do governo do Estado — que era o mesmo que está aí — e dos coronéis do município, com seu poderio. Não havia partido coligado e o PR tinha cinco candidatos a vereador — um deles teve sete votos. Ninguém queria ser vice. Ninguém acreditava. Comecei a campanha de 2004 com 1,5% das intenções de voto, que vinham dos funcionários da minha empresa. O restante da população não me conhecia, era só de ouvir falar. Portanto, vocês podem ter certeza — e eu falo olhando no olho de cada um: quanto mais dificuldade, mais eu me animo.” Repetindo, tenacidade é o que não falta ao homem. E não vai aqui nenhuma crítica a esse desejo ardente, pelo contrário. Que o poder seja mesmo exercido por quem tem vontade inabalável de tomá-lo, desde que o faça dentro do jogo democrático, o que Vanderlan está fazendo. Verdade que o socialista aqui e ali comete excessos verbais e dá “caneladas”. Na sua ênfase em detratar a administração atual, muitas vezes ele “chuta” dados errados. E fazer críticas sem fundamentação rigorosa pode ser um tiro no próprio pé, já que Goiás, com todos os problemas que enfrenta, e são muitos, é um dos Estados mais arrumados do ponto de vista econômico, com as contas equilibradas e realizando obras. Calibrar o discurso pode ser mais uma dificuldade para Vanderlan Cardoso.