Cezar Santos
Cezar Santos

Eleição com caráter plebiscitário pode ser revés para a oposição

Se ocorrer o foco com prioridade na aprovação ou não da figura do governador, o quadro tende a piorar para seus adversários

Na inauguração do comitê central do PMDB houve uma chuva de panfletos apócrifos contra o adversário tucano. Fotos: Fernando Leite/Jornal Opção

Na inauguração do comitê central do PMDB houve uma chuva de panfletos apócrifos contra o adversário tucano. Fotos: Fernando Leite/Jornal Opção

Ataque cerrado ao tucano Marconi Perillo na disputa pelo governo. Pa­re­ce que será essa a tônica da ironicamente denominada Co­ligação Amor por Goiás, encabeçada pelo PMDB, com os parceiros SD, DEM, PRTB, PTN, PPL e PCdoB. Foi o que se viu, por exemplo, na inauguração do comitê central de campanha, na Avenida 85, Setor Marista, no dia 15 de julho, quando uma chuva de panfletos apócrifos contra o governador inundou o local.

Dois dias depois, em entrevista ao Jornal Opção, o deputado San­dro Mabel, um dos coordenadores da campanha peemedebista, nem fez muito esforço para demonstrar que a cúpula do partido aprovava o artifício, embora tenha negado que ela tivesse responsabilidade. Mabel chegou até a dizer que não viu o papelório, algo impossível tamanha a quantidade de panfletos no local.

Baixarias em campanhas sempre aconteceram. Todos os partidos lançam mão delas, em maior ou menor grau, em um ou outro momento. Na maioria das vezes é ato de desespero, quando a iminência da derrota se torna muito difícil ou impossível de ser revertida.

No caso presente, mostra que os adversários do tucano parecem considerar uma boa estratégia colocar o eleitor para aprovar ou não a pessoa do governador. Um plebiscito pessoal, por assim dizer. PMDB e companhia consideram que “linkar” Marconi com Carlos Cachoeira, como faz a montagem de fotos nos panfletos, espalhados aos montes em todas as cidades visitadas pela caravana peemedebista, pode levar o eleitor a desaprovar o governador.

A pergunta é: será que essa estratégia é boa para a oposição?
Nesse aspecto plebiscitário da eleição — no fundo, todo candidato à reeleição enfrenta um plebiscito — em relação à pessoa do governador, há que se considerar que o eleitor esclarecido lembra que houve uma Comissão Par­lamentar Mista de Inquérito no Congresso.

E ao final dela deu-se um “nada consta” ao algo muito perto disso para Marconi, por mais que os oposicionistas não gostem de admitir. Por outro lado, o empresário anapolino Cachoeira e seu pai têm ligações históricas e notórias com governos peemedebistas de duas décadas atrás, na Loteria do Estado. Não se sabe se houve algo errado nisso, mas a conexão é inegável.

Há um estilo de administração que o governador imprimiu no Estado. Esse estilo é baseado em diálogo constante e aberto com as lideranças políticas e classistas. Afinal, não se pode negar que números positivos na economia do Estado, como geração de emprego, crescimento do Pro­du­to Interno Bruto (PIB) acima de média nacional, e outros, são frutos diretos desse diálogo.

A última nesse departamento foi o avanço no ranking de Gestão e Competitividade dos Estados Brasileiros, uma área em que as po­líticas colocadas em curso pelos governos estaduais são fundamentais. Goiás passou de décimo para nono lugar nessa escala. Para quem objetar que foi apenas uma colocação, é importante registrar que se trata de um passo para frente. Para avançar esse degrau, Goiás cresceu 47,5 pontos, acima da média nacional, de 43 pontos. Portanto, mais uma escalada acima da média nacional no currículo goiano.

A economia de um Estado não cresce por decreto governamental — está aí o governo federal para provar. Ela cresce porque a iniciativa privada encontra ambiente favorável para fazê-la crescer. E aí, sim, o go­ver­no pode dar a sua contribuição. Co­mo tem dado a administração estadual sob a batuta de Marconi Perillo.

Há, além disso, entre outros fa­­tores, um cuidado com um “detalhe” historicamente menosprezado pelo maior rival, o PMDB, com o funcionalismo pú­blico estadual, qual seja o pagamento dos salários ri­go­ro­samente em dia. São mais de 150 mil servidores. Em termos eleitorais, cer­tamente poderá haver u­ma in­fluência psicológica considerável nessa diferença de tratamento en­tre a situação e o principal opositor.
E há obras, muitas obras.

Isso quer dizer que não há problemas? Há, como em todas as administrações: falta de investimento em infraestrutura energética, segurança pública — que está um horror em todo o País, reflexo direto da falta de atenção do governo federal —, e outros. Caberá aos governistas mostrarem o que foi feito e o que poderão fazer melhor.

Forçar uma reprovação da pessoa Marconi Perillo pode não ser tão producente para a oposição. Mesmo o eleitor que não morra de amores pelo governador pode estar gostando dos resultados da administração. Esse eleitor seria levado a aprovar não o homem, mas o governo na­qui­lo que diz respeito ao seu dia a dia.

Há pe­ssoas inteligentes no PMDB que certamente não esqueceram como se faz campanha em alto nível. Iris Re­zende tem experiência. Mas as pesquisas mostram que o eleitor prefere propostas, em vez de campanha de agressões. Caberá ao PMDB apresentá-las.

Quantos aos outros partidos de oposição, PSB com Vanderlan Car­doso e PT com Antônio Go­mi­de, ain­da não conseguiram se colocar co­mo possibilidades efetivas para o eleitorado. Mas a campanha no rádio e na TV só começa daqui a 15 dias. Vanderlan e Gomide te­rão espaço para mostrar o que pretendem fazer de melhor e diferente e assim conquistar a confiança do eleitor.

Gomide tem vitória no TRE e não sai do páreo

Como Gomide previa, o TRE o manteve na disputa pelo governo. Foto: Renan Accioly

Como Gomide previa, o TRE o manteve na disputa pelo governo. Foto: Renan Accioly

Nas duas colunas anteriores tratou-se da candidatura do petista Antônio Gomide, cujas contas como prefeito estavam encalacradas no Tribunal de Contas dos Municípios (TCM). Pois bem, na quinta-feira, 31, o candidato teve sua candidatura deferida pela Corte do Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO) de forma unânime (sete votos a zero). Gomide previa que seria vitorioso na questão.

Problemas relativos às contas da Prefeitura de Anápolis, quando Gomide estave à frente do Executivo municipal, colocaram o ex-prefeito sob risco de ficar de fora da disputa eleitoral deste ano. A prestação de contas de sua gestão foi refutada pelo TCM. Ainda assim, a Câmara de Vereadores de Anápolis a acatou, o que, segundo o advogado de campanha do PT, Edilberto Dias, embasou a decisão do colegiado. Com isso, o eleitor continará tendo a opção An­tônio Gomide na hora de cravar na urna seu voto para governador. Melhor para a democracia.

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