Cezar Santos
Cezar Santos

Lava Jato tem efeito pedagógico

Operação da Polícia Federal e Ministério Público Federal que tem colocado poderosos na cadeia está mudando a mentalidade empresarial

Agentes chegam à sede da Odebretch | Foto: Rovena Rosa/ Agência Brasil

Uma notícia alvissareira a partir de pesquisa realizada pela Câmara Ame­ri­cana de Co­mér­cio (Amcham) com 130 executivos de empresas de variados portes e segmentos, no mês de agosto, noticiado pelo UOL Notícia na sexta-feira, 20. É que o combate à corrupção pelas autoridades e o contexto da Ope­ração Lava Jato em curso pela Polícia Federal e Mi­nistério Público Federal estão motivando empresas a reforçar seus programas de compliance (conjunto de condutas para garantir a conformidade da instituição com leis e regulamentos externos e internos).

No levantamento, 59% dos entrevistados consideraram que a Lava Jato e operações anticorrupção recentes levaram as empresas a aumentar investimentos em compliance. Ao todo, 46% reconheceram que o esforço anticorrupção trouxe “forte pressão” para montar estruturas que garantam o cumprimento de regras e limitem os riscos de gestão, enquanto 13% admitiram a pressão, mas com “diminuição de ritmo neste ano”.
O principal impacto trazido pela Lava Jato, conclui a pesquisa, foi cultural, com maior interesse dos executivos e colaboradores em geral pelo tema, segundo avaliação de 49% dos entrevistados.

Para os executivos, outro efeito importante ocorreu no âmbito de­cisório, que resultou em maior envolvimento da área de compliance nas tomadas de decisões e ações estratégicas (29%), e no aspecto processual, com o desenvolvimento de novas políticas e práticas de integridade (22%). Já em relação aos riscos de negócio, o principal foco de mo­nitoramento da empresa é a gestão de parceiros, fornecedores e outros terceiros, de acordo com 44%.

A preocupação com fraude, corrupção e lavagem de dinheiro veio em seguida, conforme 33% dos entrevistados. Também foram registradas preocupações com adequação aos ambientes regulatórios, tributário e trabalhista (13%), e aspectos concorrenciais relativos ao controle de informação privilegiada e conflitos de interesse (11%).

Trata-se de uma boa notícia pe­lo fato de que a pesquisa detecta uma mudança de mentalidade por par­te do empresariado. Eles estão percebendo que têm de cercar as possibilidades de irregularidades, o que só programas de compliance garantem.

Agora, é esperar que os dirigentes públicos também entrem nessa mudança de mentalidade.

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