Por Euler de França Belém
Um grupo de friboizistas planeja sugerir a Iris Rezende que impeça a candidatura de Iris Araújo a deputada federal. Missão praticamente impossível. Os friboizistas afirmam que o afastamento de Iris Araújo seria um gesto de boa vontade da parte de Iris Rezende. Eles alegam que Iris Araújo invade seus “distritos” eleitorais e ninguém pode reclamar.
Pesquisas qualitativas indicam que o eleitor goiano percebe Iris Rezende como “velho” (em termos de idade mesmo) e “superado” (em termos de ideias). Há uma questão que ninguém quer discutir, porque é indelicada, mas a idade de Iris Rezende, quase 81 anos, não agrada o eleitorado. Mas a principal questão é que os eleitores não avaliam o ex-prefeito de Goiânia como moderno. Dizem que é um político correto, até competente para administrar, mas preocupa-se mais com asfalto do que com questões humanas. E sua resistência entre o funcionalismo público é muito alta. Vanderlan Cardoso e Antônio Gomide, candidatos a governador pelo PSB e pelo PT, respectivamente, sabem de tudo que está dito nos parágrafos acima. Por isso não querem compor com Iris Rezende. Eles acreditam que, embora se considerem “novos”, não conseguirão transferir isto para um candidato que a sociedade avalia como “velho”. No lugar de fortalecer Iris, eles é que ficarão mais frágeis pela associação com o peemedebista. Quem aliar-se a Iris, apostam, perde o discurso da renovação. Por que, então, Iris está melhor nas pesquisas de intenção de voto do que Gomide e Vanderlan? Porque é mais conhecido, acreditam aliados do petista e do socialista.
Esquizofrenia política: em Goiânia, parte do PT vai pedir voto para o candidato do partido a governador, Antônio Gomide, e parte vai pedir voto, discretamente, para o candidato do PMDB, Iris Rezende. Sim, isto já no primeiro turno. Um deputado diz que ouviu de um importante político do PT de Goiânia: “Vou trabalhar para Antônio Roberto, mas, por uma questão de lealdade pessoal, vou votar em Iris Rezende”. O político acredita que, devido à estrutura do PMDB, mesmo com a divisão partidária, Iris, e não Gomide, irá para o segundo turno. Ele também está preocupado com a eleição para a Prefeitura de Goiânia em 2016. Iris pode bancar candidato do PMDB na cidade.
O empresário Edivaldo da Cosmed, vice-prefeito de Inhumas, desistiu de disputar mandato de deputado federal por dois motivos. Primeiro, não aguentou a “pedilança” de dinheiro por parte de políticos e populares. Ele decidiu não torrar dinheiro de sua empresa. Uma campanha para deputado federal, dependendo da estrutura, passa de 5 milhões de reais. Segundo, decidiu que vai dedicar-se à expansão de seu empreendimento, a Cosmed. O PHS perdeu um candidato consistente, em termos de ideias e estrutura.
De um integrante do PSB, da corrente marineira: “Vanderlan Cardoso convidou Armando Vergílio para ser candidato a vice, não a senador. Para o Senado, vai mesmo Aguimar Jesuíno, o nome indicado por Marina Silva”. Marina Silva, por sinal, não aceita que Aguimar Jesuíno seja substituído. É uma questão de honra.
Marcus Vinícius foi um dos principais responsáveis pela reformulação do marketing político-eleitoral do presidente Juan Manuel Santos
Iris Rezende e Ronaldo Caiado são supersticiosos. Chegaram a pensar em divulgar a aliança entre eles na sexta-feira. Mas, quando descobriram que era dia 13, desistiram na hora. O médico ortopedista Ronaldo Caiado é católico. O advogado Iris Rezende é evangélico.
Pesquisadores experimentados não conseguem entender por qual razão Iris Rezende só aparece em primeiro lugar nas pesquisas do Instituto Verus. O Verus é propriedade de Luiz Felipe Gabriel, o publicitário que deve articular o marketing político da campanha de Iris Rezende. Ressalte-se que se trata de um profissional sério e gabaritado. Luiz Felipe e Iris Rezende são unidos por dois sentimentos: odeiam o governador Marconi Perillo. Nas pesquisas Serpes e Fortiori, institutos dos mais qualificados, o governador Marconi Perillo aparece em primeiro lugar, com Iris Rezende em segundo.
Falecido no domingo, 15, o desembargador Vitor Lenza era um magistrado duro, firme, decente e sempre correto nas suas decisões. Às vezes irritava os interlocutores por dizer a eles o que pensava, sem nenhuma tergiversação. Era avesso ao jeitinho do brasileiro. Era um homem de vasta cultura jurídica. Suas sentenças eram muito bem embasadas. Ele havia se aposentado há pouco tempo. Além de leitor obsessivo, apreciava pilotar sua motocicleta. Abaixo, leia a nota de pesar do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB). Nota de pesar do governador Marconi Perillo O governador Marconi Perillo lamenta profundamente a morte do desembargador e ex-presidente do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás Vitor Barbosa Lenza e transmite seus profundos pêsames à família, aos amigos e aos colegas de Judiciário do magistrado. Nas palavras do governador, "Vitor Lenza deixa um legado inestimável de trabalho para o TJ de Goiás que se prolongará por muitas e muitas gerações". Segundo Marconi, "Lenza foi modelo de transparência, ética, lealdade, dedicação ao serviço público brasileiro e, sobretudo, de justiça". "A gestão do desembargador à frente do Tribunal de Justiça de Goiás deixa para o nosso Estado uma longa lista de realizações extremamente importantes, tanto do ponto de vista de sua atuação jurídica, sempre impecável, quanto das obras que ele edificou, como as novas sedes de fóruns no interior e, neste momento, a construção do novo Fórum Cível da Comarca de Goiânia. A atuação basilar do dr. Lenza deixa seu nome gravado para sempre na história do Judiciário goiano e brasileiro", afirmou o governador.
Aliados do prefeito de Goiânia, Paulo Garcia (PT), dizem que é muito difícil ajudá-lo. O petista estaria naquela fase em que não ouve mais e avalia que sua gestão é qualitativa — quando não é, segundo avaliação de seus próprios aliados. Paulo Garcia perde tempo tentando confrontar-se com o governador Marconi Perillo e com um de seus auxiliares, o presidente da Agetop, Jayme Rincon. O petista não percebe que não está disputando eleição com o tucano-chefe. Deveria inspirar-se no comportamento inteligente de Antônio Gomide (PT), João Gomes (PT) e Maguito Vilela (PMDB). Gomide, quando prefeito de Anápolis, manteve uma parceria qualitativa com Marconi, e João Gomes segue pelo mesmo caminho. Maguito Vilela, mesmo situando-se como oposicionista, mantém uma parceria qualitativa com o tucano. Eles têm um argumento objetivo: gestor não faz oposição a gestor. Observe-se que o próprio Marconi mantém parceria qualitativa com a presidente Dilma Rousseff. Ganham, com isso, Goiás e o Brasil. Fica-se com a impressão de que Paulo Garcia está sendo teleguiado pelo pré-candidato do PMDB a governador de Goiás, Iris Rezende, que tem o hábito de chamar Marconi de “satânico”. O petista, um homem de rara integridade pessoal, precisa entender que Goiânia é maior do que interesses político-eleitorais. Sua imagem hoje é muito ruim. E, para fazer justiça, sua gestão é menos pior do que a imagem que se tem dela. Mas vale a versão: a gestão do petista é vista como uma das piores da história de Goiânia.
Como Tayrone di Martino (PT) não será mais candidato a deputado federal —grupos de Goiânia e de Trindade pressionam para que dispute mandato de deputado estadual (é apontado como favoritíssimo) —, suas bases na Grande Goiânia tendem a hipotecar apoio a Olavo Noleto (PT). É um grande apoio. O prefeito de Goiânia, Paulo Garcia (PT), deve apoiar Olavo Noleto. Ele tem desgaste, é certo, mas um prefeito, quando quer, sempre ajuda muito os candidatos proporcionais.
O prefeito de Trindade, o tucano Jânio Darrot, deu sinal verde para o governador Marconi Perillo fechar a aliança com a deputada federal Flávia Morais (PDT). Mas disse, com todas as letras, que não a apoiará. Ele banca, para deputado federal, Sandes Júnior, do PP, e Giuseppe Vecci, do PSDB. Darrot sabe que, em 2016, terá de enfrentar Flávia Morais na sua disputa pela reeleição. Em 2012, com o apoio de Marconi, o tucano a derrotou.
Se o segundo turno for entre o governador Marconi Perillo, do PSDB, e Iris Rezende, do PMDB, as alianças deverão ficar mais ou menos assim: Vanderlan Cardoso e Júnior Friboi podem não subir no palanque do tucano-chefe, mas devem apoiá-lo, e Antônio Gomide (PT) ficará com o peemedebista. Friboi abomina Iris Rezende como pessoa e político. Vanderlan devido à política nacional do PSB, que não quer aproximação com o PT e com o PMDB, tende a liberar seu pessoal para apoiar o tucano goiano. Ressalte-se que Vanderlan tem certo contencioso com o tucano goiano e alguns de seus aliados, como Alcides Rodrigues e Jorcelino Braga, jamais subiriam no seu palanque. Eduardo Campos, no caso de segundo turno entre Aécio Neves (PSDB) e Dilma Rousseff (PT), fica com o primeiro. Gomide, dada a aliança nacional do PT com o PMDB, não tem como não apoiar Iris. Porém, se Gomide for para o segundo turno, aí tende a receber o apoio de Iris e de Friboi. Costuma-se dizer que as relações entre Friboi e o PT de Goiás não são boas. Sim, não são excelentes, mas não são ruins. E, claro, há o quadro nacional: as empresas do grupo JBS são muito vinculadas ao PT, sobretudo à presidente Dilma Rousseff e ao ex-presidente Lula da Silva. Elas dependem do BNDES como poucas outras empresas brasileiras. Se Vanderlan for para o segundo turno, o quadro fica complicado. Gomide não o apoiará, mas parte dos petistas, sutilmente, tende a acompanhá-lo, para tentar impedir a reeleição de Marconi. O PMDB vai subir no palanque de Vanderlan, mas alguns peemedebistas “continuarão” no palanque de Marconi (pode ser que cresça o número de prefeitos peemedebistas no palanque do tucano). Parte dos aliados de Friboi ficará com Marconi e parte acompanhará Vanderlan. Digamos que o segundo turno seja entre Iris e Vanderlan. Marconi e Friboi ficarão com o segundo. Gomide ficará com o primeiro. E no caso de segundo turno entre Vanderlan e Gomide? A incógnita é Marconi. Porque há aliados de Vanderlan que querem destrui-lo. Iris apoiaria Gomide. No caso de segundo turno entre Iris e Gomide, é possível que, mesmo sem subir no palanque, Marconi apoiaria o petista. Friboi não apoiará Iris em qualquer circunstância. Uma coisa é certa: os pré-candidatos de todos os partidos trabalham com a tese de que um nome está praticamente garantido para o segundo turno: Marconi Perillo.
Iris Rezende, Vanderlan Cardoso e Antônio Gomide, se quiserem ir para o segundo turno, têm de se criticar, para não ficarem com a imagem de que são iguais
Goiás deve ter quatro candidatos a senador consistentes: Aguimar Jesuíno, Ronaldo Caiado, Vilmar Rocha e Marina Sant’Anna. Como procurador da Advocacia Geral da União, Aguimar Jesuíno, do PSB, é tecnicamente muito bem preparado. E, contrário do que pensam jornalistas e políticos, tem preparo político. Ligado à Rede Sustentabilidade, tem militância política desde o período universitário. Eticamente, é irrepreensível. Se eleito, o que é muito difícil, dada a falta de estrutura, certamente seria um senador do primeiro time, nunca do baixo clero. Ronaldo Caiado, do DEM, é um dos deputados federais mais qualificados do país (note-se que não falamos “de Goiás”; porque o democrata se tornou um político nacional). No Congresso Nacional, é respeitado tanto por políticos da oposição à presidente Dilma Rousseff, do PT, quanto por parlamentares aliados do governo federal. Ele é posicionado e sua conduta ética é irrepreensível. Se eleito, será um senador do primeiro time. Vilmar Rocha, do PSD, é um político de dimensão nacional. Culto, no Senado, poderá debater com qualquer um (como, nos bons tempos, Henrique Santillo debateu, de igual para igual, como Jarbas Passarinho, numa verdadeira guerra verbal e política no Senado). Tem perfil de estadista. É um político profissional, quer dizer, por vocação. Eticamente, é irrepreensível. Marina Sant’Anna, do PT, ainda não está inteiramente definida, dada a possibilidade de composição do partido com outras legendas (Magda Mofatto, do PR, tem sido citada). É uma política experimentada, envolvida com questões sociais que alguns julgam irrelevantes, mas não são. É uma espécie de Marta Suplicy, só que mais simpática, de Goiás. Eticamente, é irrepreensível.

