Por Euler de França Belém
Do embate da Prefeitura de Goiânia com a Câmara Municipal para aumentar o IPTU na capital resta pelo menos um aspecto positivo: a impressão de que ainda existem parlamentares independentes e bem preparados para o debate — com capacidade, sensibilidade e criatividade para, ao menos, tentar barrar o rolo compressor do Executivo.
O vereador Virmondes Cruvinel (PSD) deu exemplos de criatividade aos seus colegas durante a votação do IPTU por vários motivos. Primeiro porque levou o assunto às redes sociais para saber o que o seu público pensa sobre a majoração do tributo. Praticamente todos os seus seguidores foram contra o aumento, o que subsidiou seu posicionamento desde então.
Segundo porque, ao votar contra o projeto da prefeitura, gravou um vídeo selfie de sua participação na tribuna e postou imediatamente na internet. Se alguém estava pedindo modernidade na representação política, eis um modelo. Virmondes também votou contra a venda de áreas públicas e a favor do voto aberto para a cassação de parlamentares. Um craque do futuro? Não. Do presente.
Em Brasília, entre ricos e pobres, o deputado federal José Antônio Reguffe (PDT) é chamado de “Rei Guffe” e, às vezes, de são Francisco de Assis. Com estrutura mínima, com o uso mais da fala e de caminhadas incansáveis, sem cabos eleitorais, Rei Guffe faz uma campanha eleitoral absolutamente franciscana, ao contrário de outras campanhas milionárias. A pesquisa do Ibope divulgada nesta semana mostra o Rei Guffe com 37% das intenções de voto (cima da pontuação do candidato a governador do Distrito Federal de sua coligação, Rodrigo Rollemberg). O segundo colocado é o petista Geraldo Magella, com 16%. O senador Gim Argello, do PTB, tem 13%. Sandra Quezado é citada por 3%.
Os principais adversários do Rei Guffe, somados, têm 32%. O candidato do PDT tem 5% a mais do que os três juntos.
O Ibope mostra o Rei Guffe em ascensão. Ele subiu 2%. O PT deve perder o governo do Distrito Federal e possivelmente não fará o senador. Será uma das maiores derrotas do partido no país.
A crise do IPTU está escondendo outra crise. Há pelo menos um grupo que não quer o fortalecimento da tendência liderada por Rubens Otoni e Antônio Gomide
Peemedebistas que frequentam o comitê eleitoral do candidato do PMDB ao governo de Goiás, Iris Rezende, dizem que a primeira ordem do momento é: evitar que Marconi Perillo, candidato do PSDB, seja eleito no primeiro turno.
A segunda ordem é: trabalhar para que, em caso de segundo turno, Iris não chegue lá tão desidratado e, deste modo, leve uma goleada.
A terceira ordem é: combater a tese de que Vanderlan Cardoso está crescendo e tem condições de ir para o segundo turno contra o tucano-chefe.
Se necessário, Iris, que está preservando Vanderlan, vai partir para o ataque, sugerindo que o empresário investe mais em outros Estados do que em Goiás. O peemedebismo também vai sugerir que o candidato do PSB administrou apenas um município pequeno e, portanto, não tem experiência administrativa.
Aliados de Iris têm dito que o peemedebista aceita até perder para Marconi, mas não admite ficar em terceiro lugar.
[Marina Silva e Rodrigo Rollemberg: Brasília é do PSB]
Pesquisa de intenção de voto do Ibope, divulgada na quarta-feira, 24, mostra o candidato do PSB a governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg, com 31% (tinha 28% no levantamento anterior). O segundo colocado, Jofran Frejat, do PR, tem 21% (manteve o índice da pesquisa anterior). O governador Agnelo Queiroz, do PT, aparece com 19% (caiu dois pontos). Tecnicamente, o republicano e o petista estão empatados, porém o primeiro está em ascensão, enquanto o segundo está patinando em todas as pesquisas. A possibilidade de Frejat ir para o segundo turno é maior, para disputar com Rollemberg – chamado em Brasília de “Marina Silva de calça” –, é, portanto, maior. O tucano Luiz Pitiman e Toninho, do PSOL, têm 3%. Perci Marrara, do PCO, não foi citado pelos eleitores. 14% não responderam. Brancos e nulos são 9%.
A pesquisa do Ibope, com margem de erro de 2% para mais e para menos, foi feita entre 21 e 23 de setembro, e ouviu 1.610 eleitores. Registro nº: DF-00057/2014.
Segundo turno
No segundo turno, confirmando sua vitalidade no primeiro turno, Rollemberg seria eleito contra qualquer um dos candidatos. Contra Frejat, que teria 25%, Rollemberg teria 47%. Contra Agnelo Queiroz, que ficaria com 20%, o candidato do PSB teria 52%. A pesquisa sugere que Agnelo é o candidato mais fácil de ser batido. Frejat derrotaria Agnelo – por 43% a 27%.
Rejeição
Agnelo é o primeiro colocado em rejeição – com 44%, um dado, aparentemente, intransponível. A rejeição de Rollemberg é a menor – 5%. Frejat tem rejeição de 16%. Pitiman: 10%. Toninho: 9%. Perci: 8%.
Governo mal avaliado
A pesquisa mostra que 47% dos entrevistados avaliam a gestão de Agnelo como ruim ou péssima. Um dado elevado. 32% a avaliaram como regular. 18% admitem que é ótima ou boa. 3% não responderam.
Na avaliação pessoal de Agnelo, 64% disseram que não o aprovam. 27% o aprovam. 9% não responderam.
A avaliação altamente negativa do governo e de Agnelo sugere que o petista dificilmente irá para o segundo turno.
A maioria do PT não queria aliança com o PMDB na disputa pela Prefeitura de Goiânia em 2008. Rejeitava-se a aliança com o candidato Iris Rezende. No entanto, por um milagre quase inexplicável, dois jovens do PT, que inicialmente não queriam a união com Iris, de repente mudaram de posição e passaram a apoiá-la.
O que a Articulação fez para “virar” os votos dos dois jovens – que resultou num apoio apartadíssimo a Iris, com a indicação do petista Paulo Garcia para vice – até hoje não mereceu um esclarecimento definitivo. Aproveitando a crise atual, o vereador Tayrone di Martino – vice na chapa de Antônio Gomide, candidato do PT a governador de Goiás – poderia explicar o que de fato aconteceu. Ele possivelmente sabe como os dois votos foram “virados”.
A adesão envolveu dinheiro? Político sincero e articulado, Tayrone di Martino poderia ajudar o goianiense a entender se o apoio dos dois jovens custou mesmo algum dinheiro? Teria custado módicos 30 mil reais – 15 mil reais para um dos garotos? Não se sabe.
O prefeito de Jataí, Humberto Machado, do PMDB, não apoia a candidatura de Iris Rezende para governador. Mas apoia a candidatura do deputado federal Ronaldo Caiado, do DEM, para senador.
Na terça-feira, 24, Machado hipotecou total apoio a Caiado e participou de uma caminhada nas avenidas Goiás e Dorival de Carvalho. “Vamos enviar para Brasília o melhor senador do País. O Brasil tem grandes nomes na política, mas nenhum é tão capacitado como Ronaldo Caiado. Esse é um momento que o Brasil será passado a limpo e que somente os melhores ficarão. O Ronaldo é um deles”, disse o prefeito, apontado como um dos mais qualificados do Estado.
Machado frisou que Caiado é decisivo na defesa dos produtores rurais e do agronegócio. “Hoje, o agronegócio carrega o Brasil, e muito por causa do trabalho de Ronaldo. Antigamente, enfrentávamos juros altos, dificuldades. Hoje, somos os produtores mais qualificados do mundo graças ao Ronaldo, que levou os nossos problemas para os debates e nos trouxe soluções”, afirma o prefeito.
Se Cabo Verde é Cesária Évora, Moçambique é Elsa Mangue. A cantora moçambicana, de bela voz, morreu na segunda-feira, 22. O jornal “Notícias”, o mais importante do país, disse que a causa da morte não foi revelada pelos médicos do Hospital Central de Maputo e pela família. Ela estava internada “há alguns dias”.
Elsa Mangue era uma das principais estrelas da música de Moçambique e, em 1987, ganhou o Prêmio de Música Rádio França Internacional (RFI). Foi a primeira cantora do país a ganhar um prêmio mundial de música. Naquele ano, foi consagrada como “cantora revelação africana”. Ela também ganhou prêmios da Rádio Moçambique, a mais ouvida do país.
“Fim de estrada”, “Tindjombo”, “Ma original” e “Xindzekwana” estão entre as músicas mais conhecidas do público moçambicano, como ampla repercussão na África de Língua Portuguesa e em Portugal.
Elsa Mangue era uma artista engajada, preocupada em discutir questões sociais em seu trabalho musical. “A violência, discriminação e marginalização da mulher são os principais temas da obra musical da artista, que, apesar da longa carreira, continuava a atuar em casas de pasto da capital moçambicana e arredores, mas de forma intermitente, devido à doença”, publicou a agência de notícias Lusa.
O jornal português "Diário de Notícias" chama Elsa Mangue de "a diva da música de Moçambique".
Confira a música de Elsa Mangue no Youtube: https://www.youtube.com/watch?v=A9xPbJKisEA
Portugal está em festa, ao menos na imprensa: a Porto Editora lança na terça-feira, 23, “Alabardas, Alabardas, Espingardas, Espingardas” (136 páginas), romance inédito de José Saramago.
O Nobel de Literatura de 1998 não concluiu o romance. O editor Manuel Alberto Valente disse à imprensa portuguesa que o livro mostra o “testemunho empenhado” de Saramago. A presidente da Fundação José Saramago, Pilar del Río, sugere que a obra é “uma forma de repúdio à violência. São poucos capítulos, mas o tema fica claro, o texto tem unidade.
Nas notas que escreveu a respeito do romance, “Saramago antecipa o andamento e o desenlace da história que pretendia contar”, afirma Pilar del Río.
O livro, cujo título do livro é inspirado em versos de Gil Vicente, “tem como protagonista o funcionário de uma fábrica de armas que vive um conflito moral decorrente de seu trabalho”, diz o jornal “Diário de Notícias”.
Gavetas limpas e oportunismo editorial
O romance certamente será avaliado por críticos literários especializados, acadêmicos ou não — que explicarão se a obra tem qualidade —, mas há sempre o risco de, por interesse financeiro, herdeiros e editores “limparem” as gavetas de escritores famosos, como Saramago, e publicarem tudo que encontrarem. Lançaram há pouco tempo um livro inacabado de Vladimir Nabokov. Como curiosidade, tudo bem. Mas, em termos literários, o livro é de uma fragilidade que seria condenada prontamente pelo exigente crítico Nabokov.
O governo do PT estaria avacalhando institutos de pesquisas como o IBGE? Pode ser que não. Pode ter sido um equívoco do próprio Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, sem manipulação do petismo, a pesquisa sobre desigualdade social no país. Na dúvida, fiquemos com o humor, como o de Sinfrônio, do “Diário do Nordeste”.
[Amauri Soares e Patrícia Poeta, da Globo]
Patrícia Poeta foi demitida ou demitiu-se do “Jornal Nacional”. Depois do disse-me-disse, parece que a apresentadora não foi afastada e que vai mesmo fazer um programa de variedade. O colunista da “Veja” Lauro Jardim, que havia publicado a informação de que ela havia adquirido um apartamento por 23 milhões de reais, em Ipanema, publicou na terça-feira, 23, que a Globo deve criar um programa para Poeta nas “tardes de sábado”.
Recentemente, Poeta, seu marido, Amauri Soares, e Ali Kamel, chefão do jornalismo da Globo, assinaram um carta coletiva a um colunista do UOL esclarecendo que, ao contrário do que este publicou, não são “brigados” nem estão em “guerra permanente”. Kamel e William Bonner não teriam puxado o tapete da apresentadora. Uma irmã de Poeta garante ela só quer ser “feliz”.
A presidente Dilma Rousseff nomeou na sexta-feira, 19, o ex-deputado federal Marcelo de Araújo Melo (foto acima) para o cargo de diretor da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O líder político, um dos mais articulados do Estado, é ligado ao vice-presidente da República, Michel Temer. Em Goiás sua ligação mais sólida é com o empresário Júnior Friboi.
Marcelo Melo é o principal cabo eleitoral da presidente Dilma Rousseff no Entorno do Distrito Federal. Não à toa é chamado, entre os petistas do Palácio do Planalto, de “o leão do Entorno de Brasília”.
A campanha de Iris Rezende — candidato do PMDB a governador de Goiás — praticamente não existe no Entorno do DF. O motivo é simples: Marcelo Melo, sabotado pelo irismo, cruzou os braços e só trabalha, com forte empenho, na campanha da presidente Dilma Rousseff. O jovem político, cotado para ser candidato a prefeito de Luziânia em 2016, é um craque político, sempre posicionado, mas o irismo prefere bajuladores.
As pesquisas eleitorais publicadas no final de semana colocaram o grupo de Antônio Gomide (PT) com as barbas de molho. A 15 dias das eleições, o cenário para o governadoriável petista deixou de ser desanimador para entrar no terreno do desespero.
Além de confirmar que sua candidatura realmente não encantou o conjunto do eleitorado goiano, os estudos mostram algo pior: Marconi Perillo (PSDB)pode chegar ao final da disputa com mais votos que Gomide até mesmo em Anápolis.
Para tornar a situação mais desesperadora para o grupo do ex-prefeito, seu irmão, o deputado federal Rubens Otoni (PT), pode ter menos votos que Alexandre Baldy (PSDB) na cidade. É o que também apontam pesquisas recentes nos últimos dias.
O problema para Gomide e Otoni tem configurações diferentes. O candidato a governador, por não ter chance nenhuma, despertou o raciocínio do voto útil entre os anapolinos: se votarem em Gomide, ajudam a colocar Iris Rezende (PMDB) no segundo turno. Como se sabe, o peemedebista é rejeitado em Anápolis.
Para Rubens Otoni, a questão é outra. Pela primeira vez, encara um candidato a deputado federal que, além de ter uma campanha organizada e competitiva em todo o Estado, tem um perfil de empreendedor, que combina mais com a cidade. “Votar em Alexandre Baldy virou um movimento em Anápolis”, diz um observador.
No sábado, Marconi e Baldy reuniram uma multidão impressionante para a caminhada que fizeram pelas ruas da cidade. O clima foi tão festivo e descontraído que, durante um trecho, chegaram a andar em bicicletas cedidas por moradores. O sorriso dos dois, disse o mesmo observador, era sinal de vitória.
Admitindo a margem de erro do levantamento do Serpes, de 3,46%, é praticamente impossível garantir que Vanderlan Cardoso “avançou” e que Iris Rezende “caiu”
[A 14 dias das eleições, se tiver segundo turno, a tendência é que seja disputado por Marconi Perillo e Iris Rezende]
Ao lado de Fortiori, Grupom, Datafolha, Vox Populi, Ibope, o Serpes é um dos mais qualificados institutos de pesquisa do país. Em Goiás, Estado no qual se especializou, tem como principais concorrentes o Fortiori e o Grupom, ambos respeitáveis e com históricos de acertos impressionantes. Porém, as pesquisas rigorosas do Serpes nem sempre são bem interpretadas por alguns repórteres inexperientes de “O Popular”, como Caio Henrique Salgado. É provável que o diretor técnico do instituto, Antonio Lorenzo, tenha apresentado uma interpretação para servir de baliza para Salgado, que, no entanto, deve tê-la ignorado, por motivos não conhecidos. Vamos apresentar uma série de questionamentos não sobre a pesquisa em si – a divulgada na edição de domingo, 21, pelo diário “O Popular” –, e sim a respeito da interpretação feita pelo repórter, com anuência (e responsabilidade), acredita-se, da editora-chefe, Cileide Alves.
Pop, e não o Serpes, sugere que Vanderlan “avançou”
1 – Na pesquisa divulgada em “O Popular”, o Serpes informa que sua margem de erros, “para mais ou para menos”, é de 3,46%. O repórter Salgado, porém, não levou em consideração a margem de erro ao sugerir que Vanderlan Cardoso, candidato a governador de Goiás pelo PSB, “avançou” e que Iris Rezende, candidato pelo PMDB, “caiu”. Informa o título da capa: “Vanderlan avança, Iris cai e Marconi fica estável”.
Se Vanderlan, registra o Serpes, cresceu 2,8%, saltando de 7,2% para 10%, mas a margem de erro é de 3,46%, a interpretação do jornal está, possivelmente, equivocada. O “crescimento” do socialista, estando dentro da margem de erro, não deve ser considerado, como foi, “avanço”. A rigor, ele tanto pode ter 10% (ou 10,66%) quanto 6,54%.
Não se pode dizer que Iris “caiu”, ao contrário do que frisa “O Popular”. O peemedebista tinha 25,1% e “caiu” para 22,4%, quer dizer, perdeu 2,9%. Considerada a margem de erro, de 3,46%, não se pode dizer, ao menos não com precisão, que houve um recuo. Tanto que, numa próxima pesquisa, poderá voltar a ter os mesmos 25,1%.
“O Popular” também menciona o “crescimento” do candidato do PT, Antônio Gomide – de 5,9% para 7,2%, ou seja, um “avanço” de 1,3%. Nem é preciso mencionar a margem de erro, de 3,46%, para observar que o dado não pode ser considerado, tecnicamente, crescimento.
Curiosa mas estranhamente, “O Popular”, ou Salgado, só acertou mesmo ao dizer que o candidato do PSDB, Marconi Perillo, estabilizou-se, crescendo de 39,3% para 40,4%. Mas não ressaltou um ponto que será apontado por nós na nota 3.
2 – No título interno, o jornal diz: “Iris perde terreno, mostra Serpes”. Será que o instituto mostra exatamente isto? Ora, a diferença entre o peemedebista e o candidato do PSB ainda é de 12,2%, quer dizer, um número considerável e muito difícil (mas não impossível) de ser superado – a 14 dias das eleições.
Tucano pode ganhar no primeiro turno
3 – A pesquisa Serpes forneceu um dado relevante, talvez decisivo, mas “O Popular” não o ressaltou na primeira página nem no título da página 19. O Serpes apurou que todos os candidatos, juntos, têm 40,4% das intenções de voto. Marconi, sozinho, tem os mesmos 40,4%. Noutras palavras, a possibilidade de o tucano-chefe ganhar no primeiro turno não é nada pequena. No entanto, “O Popular”, ou Salgado, afirma que se trata de uma incógnita. Ignorar os próprios números, que estão sugerindo o contrário, aí, sim, é uma incógnita, até uma grande incógnita.
“O Popular” desmereceu tanto a informação que só lhe deu espaço no sexto parágrafo da reportagem, em módicas três linhas. Jornais apreciam títulos de impacto, mas “O Popular” parece que fez questão de ignorar uma informação, crucial, que poderia ter resultado num título que, além de verdadeiro, provocaria mais interesse nos leitores, provavelmente. Um título mais ou menos assim: “40,4% a 40,4%: Juntos, todos os candidatos têm o mesmo número de pontos de Marconi Perillo”.
Marconi supera Iris em Goiânia
4 – O jornal também não deu destaque a uma informação nova apontada pela pesquisa Serpes. No oitavo parágrafo, quase no fim da reportagem, Salgado publica: “... a nova rodada mostra, pela primeira vez, Marconi à frente de Iris em Goiânia”. Ora, se é a primeira vez, “O Popular” deveria ter destacado o dado, altamente importante e inteiramente fora da margem de erro. Iris caiu – e agora caiu mesmo – de 36,9% para 25,3%. Uma queda de 11,6%! A exclamação, mesmo num texto analítico, é inevitável. Por três motivos: 1 – Iris caiu em Goiânia, a capital na qual foi prefeito – apontado como bem-sucedido –, deixando o poder em 2010, e conseguindo eleger o sucessor, o petista Paulo Garcia. 2 – Marconi tinha 30% e passou para 30,1%, isto é, manteve-se estável, mas agora à frente de Iris. 3 – Marconi agora está em primeiro lugar em todas as regiões do Estado, mas nem assim “O Popular” ousou, ou melhor, não quis ousar, aparentemente.
“O Popular” comete o erro de, com base na pesquisa, não explicar o suposto “crescimento” de Vanderlan. O motivo? Não se sabe. Talvez seja possível arriscar uma explicação: o “crescimento” de Vanderlan, barrado pela margem de erro, não foi visto como considerável pelo Serpes, e sim apenas pelo jornal.
Salgado, ante um dado espetacular – a queda de Iris em Goiânia, cidade onde é uma espécie de ícone –, deveria ter perguntado a Antonio Lorenzo (já que parece não ter lido a pesquisa com a devida atenção e interesse): os votos que Iris perdeu foram “transferidos” para quais candidatos? Para Marconi, não foi. Para tanto, Salgado deveria ter observado a pesquisa com mais interesse em busca dos dados que, quem sabe, poderiam explicar o suposto “crescimento” de Vanderlan e Gomide. Seriam votos de Goiânia? Vanderlan estaria “tomando” votos do peemedebista-chefe na capital? É uma informação importante – se verdadeira –, mas os leitores de “O Popular” não tiveram acesso a ela.
5 – Na pesquisa espontânea, Marconi aparece com 32,5% e os demais candidatos, somados, têm 30,2. O tucano supera todos, com 2,3% de dianteira. “O Popular” não deu nenhum destaque à informação.
Pesquisa não mostra “alta de rejeição” de tucano
6 – Ao tratar a rejeição dos candidatos, Salgado e “O Popular” novamente ignoraram a margem de erro. A rigor, nem se pode dizer que a rejeição de Marconi subiu. Pois, se a margem de erro é de 3,46%, e a rejeição “subiu” 2,5%, não se pode, como sabem os pesquisadores Antonio Lorenzo, Gean Carvalho (Fortiori) e Mário Rodrigues (Grupom), falar em “alta”. No caso de Iris Rezende, é aceitável sugerir que a rejeição subiu, pois o crescimento foi de 4,1%, quer dizer, 0,64% acima da margem de erro. Ainda assim, não se trata, em comparação com a rejeição anterior, e aceitando-se o peso da margem de erro, de um crescimento forte. Portanto, o título da matéria correlata, “Líderes têm maior alta de rejeição”, é impreciso, como, de resto, praticamente toda a reportagem (Salgado parece ignorar a lógica).
Há outras impropriedades, mas as apontadas bastam para que o leitor, examinando por si, a partir de nossas indicações, tire suas próprias conclusões. Dada a seriedade de “O Popular” – seus repórteres e proprietários não têm histórico algum de manipulação de dados –, é muito difícil concluir, ou meramente insinuar, que há uma tentativa de forçar a realização do segundo turno, daí o “incentivo” a Vanderlan. É mais provável que a pesquisa foi entregue para um repórter sério mas inexperiente, caso de Salgado, interpretar e ele não soube perceber a qualidade e nuances do levantamento, tecnicamente perfeito, do Serpes.
[Olavo Noleto, de terno escuro, e Rubens Otoni, à direita, de camisa branca: as principais apostas do PT de Goiás para a Câmara dos Deputados]
Vinte e dois petistas, ouvidos por um repórter do Jornal Opção, disseram, sob a proteção do off, o que efetivamente pensam sobre os favoritos do partido para deputado federal. Eles dizem que positivo mesmo, para o PT, seria a eleição de Rubens Otoni, Olavo Noleto, Mauro Rubem e Edward Madureira – políticos absolutamente qualitativos. Porém, admitem que isto é impossível. Por isso, sugerem que as energias e os parcos recursos financeiros do partido estão realmente concentradas em dois nomes – Rubens Otoni e Olavo Noleto.
O único de fato garantido, dada sua história política e intenso trabalho na organização do PT em todo o Estado, é o deputado federal Rubens Otoni. Ele é visto como hors-concours, como virtualmente eleito. Ninguém no partido acredita que pode perder a eleição. Rubens, frisam, é maior do que o PT goiano, com forte apoio até fora do partido. O PT acredita que, com muito esforço, será possível eleger um segundo deputado. O segundo nome preferido da máquina partidária é o de Olavo Noleto. O jovem petista tem o apoio do prefeito de Goiânia, Paulo Garcia, e do ex-prefeito Pedro Wilson. A candidata a senadora, Marina Santana, também está empenhada em sua campanha.
Rubens e Olavo, portanto, são a duas principais apostas do PT de Goiás para a Câmara dos Deputados.
Mauro Rubem é petista, respeitado pelas cúpulas, mas permanece, de algum modo, uma espécie de outsider, quer dizer, um político que não é controlado pelas principais tendências do partido em Goiás. É visto como “excessivamente independente”. Ele é apontado como o político que empurra do PT para uma linha mais independente, mais crítica e aguerrida. Não se trata, afirma os entrevistados, de um conciliador. Todos gostam dele, o admiram, mas mantém um pé atrás a respeito de algumas de suas posições. Acham-no ideológico demais, com um discurso meio passadista.
Edward está no PT, é respeitado pelos líderes do partido, mas não é visto integralmente como um petista. É percebido como um quase-petista. Os entrevistados argumentam que, para se tornar um petista de verdade, é preciso filiar-se ao partido e, ao mesmo tempo, a uma de suas tendências. Só assim alguém pode-se tornar um petista confiável. Não se entra no PT como se entra no PSDB, no PSD ou no DEM. O filiado casa-se com o partido e, principalmente, com uma tendência. São as tendências, e não exatamente o partido, que fazem as campanhas de seus membros.
A rigor, Mauro Rubem e Edward estão na disputa muito mais para fornecer quociente eleitoral para Rubens e, sobretudo, para Olavo. Os petistas não acreditam que possam ser eleitos, mas serão decididos para a eleição de, notadamente, Olavo. Rubens ganha praticamente sozinho.


