Por Euler de França Belém
O presidente do sistema Faeg/Senar, José Mário Schreiner, ficou conhecido por sua atuação classista na defesa da agropecuária, mas as palestras em faculdade o levaram a fazer uma campanha diferente para deputado federal.
José Mário investiu na apologia ao empreendedorismo, na descoberta de liderança (coaching) e na inimizade aos tributos, três dos temas recorrentes em suas palestras. Os debates em faculdades foram degravados e publicados em livros. Pois o livro foi seu “santinho” na campanha.
Cinco candidatos a deputado estadual que fazem dobradinha com José Mário também acreditaram na força do livro e lançaram oito obras. Os assuntos variam de acordo com a área de atuação do parceiro. Por exemplo, com Philippe Lasmar, que é cadeirante, o título é “Acessibilidade & Mobilidade”. Com o professor de Direito Penal e doutorando em Criminologia Henrique Paixão, o livro é “Sociedade contra o crime”. Antonialy Freitas promove cursos do Senar e com ele José Mário apresentou ideias de formação profissional na obra "Formando líderes empreendedores". A narrativa com Hélio Araújo, que é sindicalista, foi com reivindicações dos trabalhadores e soluções para Anápolis. Tem dobradinhas também com Lincoln Tejota, Francisco Júnior, Valcenor Braz, Dr. Metódio, Jean de Itaberaí e Pacífico de Novo Gama.
Numa época em que muita gente fala em morte do livro, é surpreendente surgir alguém que acredite em sua força até para decidir eleição.
Além dos livros, José Mário conta com o apoio do setor produtivo e com diversas cidades de sua região, o Sudoeste. Suas obras podem ser lidas no www.josemario.com.br
O Jornal Opção perguntou a dez jovens: “O que impressionou você no debate dos candidatos a governador de Goiás realizado na terça-feira, 30?”
A maioria disse que ficou impressionada com o fato de o candidato Iris Rezende (PMDB) dizer que, no seu tempo de governador, máquinas “roncavam”.
Os jovens disseram não entender o que significa as máquinas “roncavam”. Iris quis dizer, e disse, que as máquinas trabalhavam muito. O problema é a sua linguagem, afeita a um tempo longínquo, quando as máquinas possivelmente “roncavam”. As máquinas modernas não “roncam” (mais).
Sinésio Dioliveira
Vejam como são as circunstâncias nos bastidores políticos! O deputado federal Ronaldo Caiado (DEM, que pleiteia uma vaga no Senado (e tudo indica que a vaga é sua) anda pedindo voto para o governadoriável Iris Rezende (PMDB). Só que as circunstâncias políticas atuais, se observadas dentro do viés lógico, vão apontar que, para ele, que tem pretensão de ser governador de Goiás, o interessante é torcer pela reeleição de Marconi Perillo (PSDB). A vitória de Marconi significará ventos a favor de Caiado. A destreza que não teve antes, quando foi candidato a governador em 1994 e perdeu para Maguito Vilela — prefeito de Aparecida de Goiânia —, certamente não lhe faltará numa possível empreitada a governador em 2018. O que não quer dizer que para ele será inhambu na capanga.
Lógico que Caiado nem pensa na derrota de Iris, pois lealdade e compromisso com a palavra dada são atributos proeminentes que nele predominam. E não apenas esses atributos ele possui, como também não se pode deixar de reconhecer que é uma pessoa meio explosiva; fato que terá de mudar, pois há muitos eleitores que querem um candidato sereno mas de verbo cortante dentro do ringue retórico e dialético. Faz-se necessário reconhecer que a aprovação de Caiado como senador pela maioria dos eleitores goianos se justifica nas suas inúmeras virtudes e essencialmente na sua postura engajada enquanto parlamentar.
O Editorial do Jornal Opção desta semana — “Vitória de Marconi Perillo reabre política de Goiás para a renovação” — traz na primeira linha do primeiro parágrafo a razão pela qual é mais interessante para Caiado a vitória de Marconi: “A única vitória que efetivamente cria espaço para a renovação política é a de Marconi Perillo, que, se eleito em 2014, não poderá disputar o governo em 2018”.
Sobre o aspecto da idade de Caiado, apontada no mesmo Editorial (“O único problema é que, em 2018, terá 69 anos, quase 70 anos, e terá de enfrentar candidatos bem mais jovens.”), a ele deve ser estendido também a mesma observação direcionada a Iris no Editorial passado — “O que Roosevelt e Churchill têm a dizer ao ressentido Iris Rezende”: “Mas isto nada tem a ver com a idade, e sim, como o Jornal Opção tem insistido, com a mentalidade”.
Em síntese, a iminente derrota de Iris Rezende representará, sem dúvida, o oxigênio de renovação do PMDB, o que abrirá espaço para outros nomes representativos do partido, que, caso estivessem à frente do presente pleito eleitoral, talvez até pudessem desenhar um novo cenário político em Goiás para o momento.
O que pesa mais contra Iris nem é mesmo a sua idade, pois fazer política não é ação que demanda vigor físico, algo semelhante a montar em burro bravo. Pesa contra ele o fato de seu discurso estar com as roupas puídas. O viés de suas ideias destoa do que o momento exige. O excesso de pedras do seu discurso ofusca sua imagem enquanto candidato. As pedras podem até surtir efeito, mas não em favor de quem as atira, mas de outro candidato, que toca a sua campanha propositivamente, que pode ser o próprio candidato alvejado ou outro envolvido no pleito.
Metaforicamente pode-se dizer que ninguém procura uma banca de peixe só porque o seu dono está esbravejando que os peixes da banca vizinha estão podres e que apenas os seus estão bons.
O Jornal Opção, em penúltimo Editorial, acertou em cheio na avaliação do discurso de Iris: “Quem examina cuidadosamente suas ideias e acompanha seu programa eleitoral fica com a impressão de que o peemedebista não tem um projeto de construção, ou seja, não tem um projeto para ampliar a modernização do Estado. Ao contrário, sua campanha está dizendo que está tudo errado em Goiás — o que qualquer pessoa em sã consciência avalia que não é bem assim...”.
Iris Rezende já foi um dia o tempo novo. Lá atrás, mais precisamente em 1982, quando a ditadura civil-militar estava em seu estertor, Iris prometeu aos eleitores que levaria o povo para o poder, inclusive dizendo-lhes que até mudaria as sofisticadas receitas culinárias do Palácio das Esmeraldas, introduzindo no cardápio do novo inquilino da Casa Verde o quiabo, o jiló e outros legumes mais. Ele naquela época foi, sem dúvida, um administrador ideal para o momento. Realizou importantes obras de infraestrutura no Estado.
Eclesiasticamente falando, tudo tem seu tempo. Marconi mais tarde enfrentará o tempo, que é o grande monstro de todos. E essa moçada nova à sua volta, um deles certamente será o Davi, personagem que ele foi um dia lá trás, derrotando Iris Rezende em 1998. Só que Marconi, em relação à questão de mentalidade, não enfrentará os problemas que Iris enfrenta: de não se lapidar politicamente com o passar do tempo. Marconi, certamente, envelhecerá de modo mais sensato e certamente não se valerá de roupas puídas para vestir seus discursos quando o seu tempo de vida política estiver bem adiantado.
Não fosse essa sua mentalidade em constante processo evolutivo, Marconi não estaria na preferência do eleitorado, inclusive na iminência de sair vitorioso já no primeiro round eleitoral, que acontece no domingo, 5.
Sinésio Dioliveira é poeta e jornalista.
Cordula Schacht, filha do ministro da economia de Adolf Hitler, Hjalmar Schacht, “herdou”, relata o jornal espanhol “ABC”, “os direitos dos escritos de [Joseph] Goebbels do falecido banqueiro suíço François Genoud, um nazista confesso que financiou a defesa jurídica de Adolf Eichmann, considerado como chefe logístico do Holocausto”. Como inventariante da obra de Goebbels, Cordula exige indenização da editora Random House, porque uma de suas biografias do nazista-chefe da propaganda do governo nazista citou seus diários sem autorização. Talvez seja “Joseph Goebbels — Uma biografia” (editada pela Random House), de Peter Longerich, tida como a mais exaustiva e precisa. “Joseph Goebbels — Life and Death” (inédita em português), de Toby Thacker, apontado como um estudo de qualidade, foi editada pela Palgrave USA-Macmillan. A reportagem informa que o livro saiu em 2010 (a de Thacker saiu em 2009, na Inglaterra).
A Justiça de Munique acolheu a reclamação de Cordula, intimou a Random House para apresentar sua defesa, mas ainda não decidiu se a editora terá de pagar alguma quantia em dinheiro à testamenteira. A polêmica sobre direitos autorais, se um livro pode citar trechos de outros livros sem autorização, está esquentando na Alemanha. Porque, se a Justiça decidir a favor de Cordula, isto pode prejudicar a maioria dos estudos históricos.
Cordula quer receber 6.507,87 euros pela citação supostamente indevida dos diários de Goebbels. O assessor jurídico a Random House, Rainer Dresen, afirma que a editora não tem intenção de pagar, possivelmente para não abrir precedente. O advogado frisa que as citações dos diários não configura crime, porém, se a Justiça condenar a editora, está atentando contra as pesquisa historiográficas, que é feita, em larga medida, de citações de outras obras históricas, diários, cartas e outros documentos.
O “Pop” continua a perder seus repórteres mais experientes. Agora, depois de quase 19 anos de redação, sai Carla Borges, uma de suas mais brilhantes profissionais. Ela pediu demissão, em caráter irrevogável.
Carla Borges continua como assessora de imprensa da Associação Goiana do Ministério Público e foi sondada para editar o online de um jornal semanário.
Uma das notícias mais importantes do ano, em termos de livros sobre o Holocausto (e Segunda Guerra Mundial), saiu, meio escondida, na coluna “Babel”, do jornal “O Estado de S. Paulo”, sobre o título de “História — Estudo fundamental”. A nota contém 11 linhas, mas o assunto merecia uma ou duas páginas. A Editora Amarilys vai lançar um portento, em 2015, em volume único: o livro “A Destruição dos Judeus Europeus”, do historiador austríaco Raul Hilberg (1926-2007), estranhamente apontado como “americano” pelo jornal paulista (morou e morreu nos Estados Unidos, mas isto não o transforma em americano).
O cartapácio de Raul Hilberg, publicado em 1961, é a obra-prima sobre o Holocausto, praticamente a matriz de todos os livros publicados posteriormente. Não é possível, a nenhum pesquisador do tema, contornar seu trabalho exaustivo e, impressionante, solitário. Raul Hilberg reuniu uma quantidade de dados surpreendente, num tempo sem internet e Google, e escreveu o livro basilar sobre o Shoah. Se se pode falar com certeza que o nazismo assassinou entre 5,1 milhões e 6 milhões de judeus, nos e fora dos campos de concentração, isto se deve, em larga medida, à pesquisa detalhada, crível e ponderada de Raul Hilberg.
Por ser extremamente cuidadoso com os fatos, e por não ser dado a certas filosofices, Raul Hilberg não tinha muito apreço pela filósofa alemã Hannah Arendt, que às vezes usava sua pesquisa, mas sem citá-la devidamente. Dos fatos, apresentados com rigor e relativa cautela, o historiador arrancou interpretações poderosas. Porém, sem forçá-los indevidamente para sustentar “conclusões prévias”.
O livro de Raul Hilberg talvez possa ser considerado uma espécie de Google da história do Holocausto. Uma verdadeira bíblia. A Amarilys, ótima editora, estará colocando nas livrarias possivelmente o maior lançamento histórico de 2015. Evoé.
[Uma informação curiosa: quando deixou a Europa, para pesquisar e dar aulas nos Estados Unidos, Raul Hilberg ficou impressionado com a tradição dos americanos de se processarem pelos motivos mais fúteis possíveis.]
Pesquisa de intenção de voto do Ibope confirma as pesquisas anteriores: o candidato a governador do Tocantins pelo PMDB, Marcelo Miranda (foto), deve ser eleito no primeiro turno.
A pesquisa divulgada na segunda-feira, 29, mostra o ex-governador com 50% da intenções de voto, enquanto seu principal adversário, o governador Sandoval Cardoso, do Solidariedade, tem 34%. A cinco dias das eleições, a diferença de 16% é praticamente intransponível.
O terceiro colocado, o senador Ataídes Oliveira, do PROS, tem 2%. Luiz Cláudio, do PRTB, aparece com 1%.
Na simulação de segundo turno, Marcelo Miranda tem 52% — subindo mais 2%. Enquanto Sandoval Cardoso, estagnado, mantém 34%.
O Ibope ouviu 812 eleitores. A pesquisa foi encomendada pela TV Anhanguera.
Comentário de Renata Lo Prete
A comentarista de política do canal Globo News, Renata lo Prete, ex-ombudsman da “Folha de S. Paulo”, ao apresentar o resultado da pesquisa, fez questão de ressalvar a vitalidade política de Marcelo Miranda, o político brasileiro que mais enfrentou adversidades nos últimos anos. A jornalista frisou que nada derruba Marcelo Miranda, sobretudo um resistente. Nas urnas, fora do tapetão, ninguém o derrota.
Sandoval Cardoso é um preposto de Eduardo Siqueira Campos. Se for eleito, este, e não aquele, será o governador de fato do Estado
As pesquisas de intenção de voto dos institutos Serpes, Fortiori, Grupom e Veritá sugerem que o governador de Goiás, Marconi Perillo, do PSDB, pode ser eleito no primeiro turno. Mas o candidato do PMDB, Iris Rezende, aposta que, apesar das pesquisas, o Estado terá segundo turno. A disputa, na avaliação dos peemedebistas, será entre Marconi — os que apoiam Iris admitem que o tucano deve ter mais votos no primeiro turno — e Iris.
Se tiver segundo turno, o marketing de Iris deve ser mudado, mas preservando parte do que fez no primeiro turno. O programa tende a ser metade propositivo e metade crítico das gestões de Marconi. O PMDB vai para o “tudo ou nada”.
Para comandar um programa mais hard, o deputado federal Ronaldo Caiado deve assumir a coordenação geral da campanha e o marqueteiro Jorcelino Braga (foto) deve ser convocado. Renato Monteiro, o nome preferido do prefeito de Goiânia, Paulo Garcia, do PT, não quis assumir a campanha no segundo turno.
Comercializando livros com preços mais baixos, a Amazon contribuiu para a falência de livrarias e crise de editoras nos Estados Unidos, mas reinventou a leitura, com o Kindle, e agora deve mexer com a acomodação das livrarias e editoras brasileiras. Entrega rápida de produtos é um de seus principais trunfos
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Jeff Bezos, o empresário que criou a Amazon, agora é dono do Washington Post e tem uma fortuna de mais de 25 bilhões de dólares[/caption]
Recentemente, adquiri “Um Homem Torturado — Nos Passos de Frei Tito de Alencar” (Civilização Brasileira, 418 páginas), de Leneide Duarte-Plon e Clarisse Meirelles. Pedido no site da Livraria Cultura, o livro demorou mais de um mês para chegar. Entrei em contato por e-mail e recebi a seguinte explicação: “Referente ao pedido 5412340, informamos que houve um atraso no processo logístico ao faturar o item. Porém o item se encontra em posse de nosso prestado que estará efetuado a entrega em breve. Por esse motivo nós lhe devolveremos o valor pago no frete de R$ 6,15” (transcrevo sem corrigir os erros de português). Ressalvo que a Cultura é a livraria que trata o cliente com mais respeito no Brasil e tem um dos maiores acervos, inclusive comercializa livros de editoras menores que não são colocados nas estantes das demais livrarias. A livraria virtual Amazon, recém-instalada no País, promete atender o cliente rapidamente e com preços mais baixos. “A habilidade da Amazon de entregar produtos com eficiência e dentro de prazos precisos lhe deu uma clara vantagem competitiva sobre seus rivais”, afirma o jornalista Brad Stone, no livro “A Loja de Tudo — Jeff Bezos e a Era da Amazon” (Intrínseca, 398 páginas, tradução de Andrea Gottlieb). A empresa, que faturou 62 bilhões de dólares em 2012 — seu 17º ano de operação —, foi financiada, inicialmente, com 10 mil dólares de Bezos. A Amazon é um vírus insidioso que, depois de penetrar no sistema de defesa do mercado, não sai mais, contaminando tudo. Livrarias e editoras brasileiras que fiquem muitas atentas com uma empresa que se considera “missionária”, mas é apontada como “mercenária”. Seus dirigentes não têm pudor algum de destruir concorrentes.
O romance “O Pintassilgo” (Companhia das Letras, 719 páginas, tradução de Sara Grünhagen), de Donna Tartt, custa R$ 36,90 na Amazon (o preço varia durante a semana). Na Livraria Cultura, em São Paulo, e nas livrarias de Goiânia custa R$ 49,50. São R$ 12,60 a menos no site da Amazon (o qual informa, errado, que o livro é de Donna Tartt e de Sara Grünhagen, mas esta não é a autora, e sim a tradutora).
No Brasil, por enquanto, a Amazon é “apenas” uma livraria virtual, mas, nos Estados Unidos, vende quase tudo, como DVDs, músicas, roupas, equipamentos eletrônicos. “Queremos ser o lugar onde uma pessoa encontra e descobre tudo que quer comprar”, afirma Bezos (sobrenome cubano, pronuncia-se “Bei-zos”, e não “Bi-zos”). Sobretudo, é uma empresa guerreira, selvagem, predadora. É uma espécie de Al-Qaeda das livrarias. Onde se instala deixa um rastro de destruição, com livrarias quebradas e funcionários desempregados. Sob sua hegemonia, várias livrarias físicas fecharam as portas nos Estados Unidos. “Durante os anos 1990, a Borders fundou livrarias imensas em shopping centers por todo o território norte-americano e em Cingapura, na Austrália e no Reino Unido, entre outros países, passando de 224,8 milhões de dólares em vendas em 1992 para 3,4 bilhões em 2002. A rede fechou em 2011, demitindo 10.700 funcionários”, afirma Brad Stone. Culpa só da empresa de Bezos? Não. A Borders não soube investir no comércio virtual, perdendo novos e sendo abandonada por velhos consumidores de livros.
Como empresário, Bezos é de uma agressividade que espanta capitalistas ortodoxos, como os dirigentes do hipermercado Walmart, que chegaram a processá-lo. Quando o romance “Harry Potter e o Cálice de Fogo” foi lançado, “a Amazon ofereceu 40% de desconto na compra do livro e entrega expressa [mais rápida], para que os consumidores o recebessem no sábado, 8 de julho [de 2000] — dia do lançamento —, pelo mesmo custo da entrega comum. A Amazon perdeu alguns dólares em cada um dos 255 mil pedidos. Mas Bezos se recusou a ver essa ‘jogada’ como qualquer outra coisa que não uma forma de conquistar fidelidade do consumidor”.
No Brasil, a Amazon está comprando livros patrocinados pelas livrarias Cultura e Saraiva por um preço mais elevado e vendendo por preços menores, com prejuízo. Alega que está conquistando e fidelizando clientes. Onde comprar mais barato? Aos poucos, os consumidores, no lugar de consultar outros sites, irão direto ao site da Amazon. A tese de Bezos, segundo Brad Stone, é ter “preços baixos todos os dias”. A palavra do empresário: “Existem dois tipos de vendedores: os que trabalham para descobrir como cobrar mais e os que trabalham para descobrir como cobrar menos, e nós seremos o segundo, ponto final”. Ao executivo Steve Kessel, Bezos recomendou: “Quero que você aja como se sua meta fosse deixar todos aqueles que vendem livros físicos desempregados”. O consumidor aprova suas táticas de vender mais barato a qualquer custo e sua entrega de produtos, em geral, veloz.
Dois “segredos” da Amazon são contratar os melhores profissionais do mercado, pagando-os bem, e exigir agressividade extrema e otimismo realista em tempo integral. Quem hesita, ante metas ambiciosas, é expurgado da empresa, sem dó, piedade ou agradecimento. Bezos considera que a Amazon, mais do que uma livraria, é uma empresa de tecnologia. Tanto que, em 2007, lançou o Kindle, mudando a forma de se ler e ter acesso a livros. Antes disso, no final dos anos 1990, ele vaticinou: “Acredito firmemente que em algum momento a grande maioria dos livros será publicada em formatos eletrônicos”. E sugeriu que era fundamental “dominar o negocio dos e-books”. “Não queremos ser a Kodak”, sublinhou.
Qual o título adequado para Bezos? O empresário aprecia ser qualificado de “rei do comércio eletrônico” e a Amazon é vista como “a loja de tudo” ou “a superloja que domina a internet”.
Por que, exatamente, a Amazon derrotou gigantes como a Barnes & Noble e a Borders? Seus adversários citam a “agressividade”, táticas antes vistas como suicidas — vender com prejuízo, num primeiro momento — e atos que consideram “ilegais”, mas, na prática, típicos do capitalismo, que é predatório em qualquer época e lugar. Eles têm razão, mas não podem ignorar a competência e a disposição de Bezos para criar novas áreas de atuação. “A página da empresa continha milhões de títulos, e não apenas os cerca de 150 mil encontrados nas prateleiras de megalojas da Barnes & Noble. Ao contrário dos varejistas tradicionais, ela devolvia poucos livros não vendidos — muitas vezes menos de 5%. As grandes redes de livrarias regularmente devolviam 40% dos livros que haviam adquirido das editoras e obtinham um ressarcimento total, um acordo único no varejo.”
Paralelamente à batalha contra as livrarias físicas, que perderam terreno, a Amazon passou a cutucar as principais editoras. “A Amazon usou uma abordagem agressiva com as editoras. Ela exigiu ajustes com descontos maiores em compras grandes, períodos mais longos para pagar suas contas e acordos de envio que serviriam para aumentar os descontos da Amazon. As editoras que não aceitavam essas condições eram ameaçadas de ter seus livros retirados do sistema automático de personalização e recomendação do site, o que significava que eles não seriam mais sugeridos aos clientes”, relata Brad Stone. Aí as vendas das editoras caíam, porque a Amazon era e é a maior vendedora de livros dos Estados Unidos. “As editoras ficaram chocadas. A empresa, antes vista como um contraponto bem-recebido pelas redes, agora representava constantemente novas exigências.” Uma delas, a principal, eram preços mais baixos. As livrarias e editoras brasileiras vão sentir o poder de pressão da Amazon aos poucos. Por enquanto, seus dirigentes, interessados num mercado gigante, estão tateando o terreno. Depois, conhecida a área, com o time inteiramente em campo, as pressões vão ser intensas e, até, monopolistas. Os preços mais baixos, com diferenças que impressionam, começam a incomodar sobretudo as livrarias físicas, como Cultura, Saraiva e Fnac (que é mais uma loja de departamentos do que livraria; em Goiás, na área de livros, seu atendimento é o pior, muito atrás da Leitura e da Saraiva). Editoras como Record e Companhia das Letras, gigantes locais, certamente vão “sofrer”, a médio prazo, nas mãos da Amazon. São empresas físicas, com despesas físicas, disputando com uma empresa que, apesar de ter parte de seu empreendimento físico, é, no geral, virtual, com custo de manutenção menor.
A primeira grande guerra da Amazon foi com as divisões europeias da Random House, da Hachette e da Bloomsbury. A empresa de Bezos decidiu boicotá-las. O executivo Randy Miller admite: “Fiz tudo que pude para acabar com o desempenho delas”. “Ele aumentou o valor de alguns livros do catálogo para o preço integral e os retirou do mecanismo de recomendações do site; em alguns casos, como no dos guias de viagem, ele passou a promover títulos semelhantes de concorrentes”, conta Brad Stone.
A “briga de facas”, no dizer de Sloan Harris, com a Macmillan deixou o mercado estupefato com a virulência da Amazon. Como a Macmillan não aceitou os termos do negócio de e-books, Bezos mandou retirar o anúncio de seus livros do site. A Amazon só cedeu, algumas vezes, sob pressão, sobretudo quanto processada judicialmente (na Europa — Alemanha e Franca — enfrenta uma verdadeira batalha jurídica com editoras e livrarias). A própria empresa processou editoras e a Apple, acusando-as de estarem “envolvidas numa conspiração ilegal para fixar os preços dos e-books”. Porém, antes do acordo com a Apple, algumas editoras já atrasavam a entrega de livros para a Amazon.
O jogo era e é brutal, sem meias medidas. “As sessões de persuasão da Amazon às editoras eram seguidas por ameaças. Editoras que não digitalizassem um parcela aceitável de seus catálogos ou não o fizessem rápido o bastante eram informadas de que corriam o risco de perder sua posição de destaque nos resultados de busca do site e nas recomendações da companha para os clientes”, assinala Brad Stone. A Amazon passou até a publicar best sellers para tentar reduzir o poder das editoras.
Com os livros digitais, a Amazon partiu, de vez, para cima das editoras. Sem nenhuma pesquisa, apostando puramente na intuição, Bezos definiu um preço — 9,99 dólares — para os livros digitais e lançamentos. As editoras estrilaram e as livrarias não puderam, de imediato, competir em igualdade de condições. “Os consumidores são inteligentes, e achamos que eles esperariam e mereceriam livros digitais com preços inferiores aos dos livros físicos”, diz Steve Kessel.
Chegada do Kindle
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Livro mostra que Jeff Bezos, o chefão, faz investimentos que darão prejuízo mas pensando
em fidelizar o consumidor[/caption]
Bezos, para quem o Céu é o limite, quer sempre mais (investe até em pesquisa espacial e comprou, há pouco, o “Washington Post”, o jornal que contribuiu, de maneira decisiva, para a renúncia do presidente Richard Nixon, dos Estados Unidos, em 1974), e investe pesado em tecnologia, sem receio de a empresa ter de lidar com prejuízos.
Em novembro de 2007, depois de investir milhões de dólares e contratando cientistas das melhores universidades e de empresas de criação tecnológica, Bezos apresentou o Kindle. Brad Stone frisa que “a concorrência foi pega de surpresa pelo sucesso do Kindle”, que facilitava a leitura dos livros digitais. A livraria Barnes & Noble avaliou que seria um fracasso e deu-se mal. “A inovação tecnológica causou problemas terríveis à companhia e à indústria como um todo. Ninguém foi mais afetado do que as editoras”, destaca Brad Stone.
As livrarias foram brutalmente atingidas. Em 2007, enquanto a rede gigante de livrarias Barnes & Noble faturou 5,4 bilhões, a Amazon faturou 14,8 bilhões.
Ao final das guerras entre o capitalismo supersônico da Amazon e o capitalismo retardatário de editoras e livrarias, quem for competente, especialmente se não ficar criando e fortalecendo a figura do bicho-papão, vai sobreviver. A excelente Cultura, a mais qualificada livraria do País, dificilmente sucumbirá.
Do ponto de vista dos consumidores, dos leitores, o Kindle foi uma revolução. “O Kindle 2” pode “facilmente ser considerado o dispositivo que revolucionou o ramo de publicação e modificou a forma como as pessoas do mundo inteiro leem livros. A Amazon tinha 90% do mercado de leitura digital.” Caiu, em 2012, para 60%.
Rio Amazonas
Bezos não aprecia estabelecer vínculos pessoais com seus profissionais, mas procura motivá-los para render o máximo possível. Grita, berra e demite a rodo. Funcionários que erram com frequência são demitidos porque o empresário avalia que continuarão errando. Ele sustenta a tese de que seus funcionários estão na Amazon para contribuir para o seu desenvolvimento e expansão — não para aprender, não para estagiar. Uma empresa de ponta, altamente competitiva, não é um centro de filantropia. O critério para conquistar os melhores profissionais do mercado? Pagar bem. Ele detesta “bonzinhos” e “medíocres”. Quando está se repetindo, quando não está criando, tira um período sabático e volta revigorado. Ele praticamente obriga seus melhores executivos a lerem e a ficarem atentos aos bons livros.
O nome Amazon naturalmente tem a ver com o Brasil. “No ano de 1994, Bezos procurou no dicionário todas as palavras que começavam com a letra A e teve uma epifania ao chegar à palavra ‘Amazon’. O maior rio da Terra; a maior livraria da Terra.” O site entrou no ar em julho de 1995. Bezos tem uma fortuna avaliada em 25 bilhões de dólares. A empresa faz 20 anos em 2015.
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Kim Phuc, vietnamita de 9 anos, corre, queimada por Napalm: a foto chocou e comoveu o mundo e ajudou a pôr um fim à Guerra do Vietnã[/caption]
Leitores perguntam, com certa insistência, se aprovo a divulgação de vídeos escandalosos e de vídeos que chamam de “sádicos”.
Entre os escandalosos estão os que expõem pessoas nuas, famosas ou não, ou, às vezes, mantendo relações sexuais.
Se o próprio indivíduo expõe os vídeos, não faço nenhum reparo. É seu direito. Porém, se o vídeo foi “roubado” e é exibido contra a vontade da pessoa, aí oponho-me à sua divulgação. Trata-se, a vulgarização, de um crime.
No caso dos vídeos que os leitores denominam de “sádicos” — as imagens de um tigre matando um jovem e de um terrorista decapitando um jornalista —, nada tenho contra a divulgação.
O vídeo do tigre, comecei a ver e, rapidamente, desisti. Sugiro, portanto, que as pessoas façam suas escolhas, como fiz a minha, mas não proponho qualquer censura. Um alerta — “este vídeo contém cenas fortes” — talvez seja apropriado. A ressalva é que um aviso deste tipo serve mais como incentivo.
O vídeo de um jornalista sendo decapitado, por lamentável e chocante que seja, é informação, um fato. É importante, mesmo para quem não queira vê-lo, saber o que os terroristas do Estado Islâmico fazem com inocentes. É possível sugerir que sua divulgação maciça contribui para que seja aceita a violência americana no Iraque, e não apenas contra terroristas. Quando militares dos Estados Unidos atacam esconderijos terroristas, no Iraque ou em outros países, eventualmente centenas de inocentes também morrem. A maioria não está envolvida diretamente na guerra, embora muitos sejam usados como “escudos” por terroristas.
A foto da menina vietnamita Kim Phuc, de 9 anos, correndo nua e queimada, na Guerra do Vietnã (militares americanos jogaram napalm), contribuiu, em larga medida, para que o mundo condenasse a ação dos Estados Unidos e para acelerar o fim da batalha. A foto é chocante, permanece explosiva, mas quem pode sublinhar que sua publicação não foi relevante?
Veja vídeo com cenas de jornalistas que foram decapitados:
https://www.youtube.com/watch?v=9soEUzx-Q5A
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Jornalistas como William Bonner e Fátima Bernardes se tornaram capitalistas[/caption]
O economista francês Thomas Piketty, autor do livro “O Capital no Século XXI” (Intrínseca, 768, tradução de Monica Baumgarten de Bolle), diz que alguns indivíduos que são vistos como trabalhadores deveriam ser percebidos como capitalistas. É o caso dos executivos de algumas empresas e mesmo jornalistas. O apresentador e editor-chefe do “Jornal Nacional”, William Bonner, recebe 1,5 milhão de salário (18 milhões por ano) — valor que extrapola a ideia de salário e pode ser considerado praticamente participação nos lucros —, um rendimento mensal que muitas empresas de médio porte não obtêm.
Na semana passada, a “Folha de S. Paulo” revelou que, além de um salário de 1,5 milhão de reais, a jornalista Fátima Bernardes, apresentadora de um programa matutino na Globo, está se tornando uma das garotas-propaganda mais bem pagas do País. Seu cachê saltou de 5 milhões para 10 milhões. Ela faturou 5 milhões da Seara, segundo o jornal.
É provável que Piketty tenha razão: alguns executivos e jornalistas se tornaram neocapitalistas. Dizer isto nada tem de pejorativo. É uma constatação de como o capitalismo se tornou mais “absorvente” — transformando setores das classes médias em, para usar uma linguagem antiquada, burgueses.
O Jornalistas&Cia e o Maxpress, por meio de votação, listaram os 100 jornalistas mais admirados do Brasil. Observando a lista, sobretudo dos dez mais admirados, é possível concluir que o País resume-se a São Paulo e Rio de Janeiro. Não há jornalistas do Rio Grande do Sul, do Paraná, de Minas Gerais, de Goiás, da Bahia, de Pernambuco. É provável que os mais admirados sejam, na verdade, os mais conhecidos. Tanto que, do chamado top 10, sete são profissionais de redes de televisão, que são os mais vistos e lembráveis. Eis o chamado top 10: 1 — Ricardo Boechat — Apresentador da TV Bandeirantes. 2 — Miriam Leitão — Comentarista da Globo News e colunista de “O Globo”. 3 — Elio Gaspari — Colunista e articulista da “Folha de S. Paulo” e de “O Globo”. 4 — Caco Barcellos — Repórter da Rede Globo. 5 — William Waack — Apresentador do “Jornal da Globo”. 6 — William Bonner — Apresentador e editor-chefe do “Jornal Nacional”. 7 — Carlos Alberto Sardenberg — Comentarista do Globo News. 8 — Mino Carta — Diretor de redação da revista “CartaCapital”. 9 — Eliane Brum — Colunista do jornal “El País” e repórter. 10 — José Hamilton Ribeiro — Repórter do “Globo Rural”, da TV Globo.
Autor de livros importantes, como “Cachorros de Palha”, “A Anatomia de Gray”, “Missa Negra”, “Al-Qaeda e o Que Significa Ser Moderno”, “Falso Amanhecer”, o filósofo John Gray lança mais um livro polêmico, “A Busca Pela Imortalidade — A Obsessão Humana em Ludibriar a Morte” (Record, 251 páginas, tradução de José Gradel).
Gray, filósofo que desagrada a esquerda e a direita, dadas suas críticas contundentes a ambas, diz, no livro mais recente, que, “durante o final do século 19 e o começo do século 20, a ciência transformou-se em um instrumento investido contra a morte. O poder do conhecimento foi convocado para libertar os seres humanos de sua mortalidade. A ciência foi lançada contra a ciência e tornou-se um canal para a magia”.
Muitos, afirma Gray, “voltaram-se para a ciência para escapar ao mundo que a própria ciência havia revelado”. O filósofo frisa que, “na Rússia, assim como na Grã-Bretanha, a ciência era usada como uma forma de não aceitar a lição de Darwin de que os seres humanos são animais, sem nenhum destino especial que lhes assegure um futuro além de seu lar terreno”.
Gray deu aulas na London School of Economics, Oxford, Harvard e Yale.
Na terça-feira, 23, “O Popular” publicou uma extensa reportagem, “Saída de Walter Paulo reduz grupo ligado a Cachoeira”, na capa de seu caderno de política. Fica-se com a impressão de que o jornal está perdendo tempo com temas, na verdade, de pouco interesse para a população. Há um problema técnico. “O Popular” não percebeu que, se não tem mandato e se não foi eleito — pelo contrário, desistiu de disputar cargo na Câmara dos Deputados —, como se pode sugerir que, com sua saída, Walter Paulo reduz grupo ligado a Cachoeira? Será possível dizer que, se uma jornalista “x” sair de um diário local, o grupo de Cachoeira ficará menor na redação?


