Por Euler de França Belém
O ex-diretor da Petrobrás disse à Polícia Federal que era interlocutor frequente de Lula da Silva, quando este era presidente
A revista “Veja” publica, na edição que vai para as bancas no sábado — em Goiânia, no domingo, 7 —, uma reportagem exclusiva sobre o ex-diretor de Abastecimento e Refino da Petrobrás Paulo Roberto Costa, parceiro do doleira Alberto Youssef num poderoso esquema de lavagem de dinheiro. “O delator fala” é o título da revista. Aceitando o recurso da delação premiada, Costa decidiu contar tudo — ou quase. É provável que tenha revelado o esquema mafioso para “sobreviver”. Certamente não quer ser um novo Celso Daniel.
Nas 42 horas de gravações — que não terminaram —, Costa contou à Polícia Federal que “três governadores, seis senadores, um ministro de Estado e pelo menos 25 deputados federais embolsaram ou tiraram proveito de parte do dinheiro roubado dos cofres da” Petrobrás, revela a revista.
Costa disse à PF, segundo relato da “Veja”, “que as empreiteiras contratadas pela companhia tinham, obrigatoriamente, que contribuir para um caixa paralelo cujo destino final eram partidos e políticos de diferentes partidos da base aliada do governo”.
Ele sugeriu que suas declarações podem impedir a eleição deste ano. É um exagero. Mas possivelmente alguns políticos devem retirar suas candidaturas, pois, se não o fizeram, correm o risco de serem derrotados nas urnas.
Nas gravações, Costa lista políticos do PT, do PP e do PMDB envolvidos no esquema.
Um ex-deputado federal do PMDB disse que conversou com um amigo do empresário Carlos Cachoeira. Este estaria conversando com seus advogados e, nos próximos dias (entre 8 e 12 dias), dará uma entrevista bombástica, possivelmente ao jornal “O Popular”, contando sobre suas ligações com o candidato do PMDB a governador.
Carlos Cachoeira planeja mostrar fotografias do encontro de Iris Rezende com Cláudio Abreu (que um irista garante que o peemedebista-chefe uma vez expulsou aos gritos da sede da Prefeitura de Goiânia) e Fernando Cavendish, numa fazenda do ex-prefeito, no Xingu. Eles pescaram, mantiveram longas conversas e, depois, beberam uísque e cearam elegantemente. É a versão dominante. Iris Rezende admitiu que se encontrou com Fernando Cavendish, em sua fazenda, mas não fez referência a Cláudio Abreu.
A bem informada Mônica Bergamo, colunista da “Folha de S. Paulo”, publicou que o ex-presidente Lula da Silva está trabalhando, com unhas, dentes, tornos e romaneé-contis , para evitar que o ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles declare apoio à candidata do PSB a presidente da República, Marina Silva.
Henrique Meirelles é filiado ao PSD de Gilberto Kassac, mas o chefão Lula da Silva se tornou seu padrinho político. Tanto que sugeriu seu nome à presidente Dilma Rousseff para que assumisse a presidência da J&F — holding que controla os negócios da família Batista (José Mineiro, Júnior Friboi, Joesley Batista e Wesley Batista). Meirelles assumiu como uma espécie de interventor do governo federal, porque o BNDES tinha 31% das ações, agora tem 22%, do grupo dirigido pelos Batista.
O empresário Hugo Goldfeld será lançado candidato a presidente da Sociedade Goiana de Pecuária e Agricultura (SGPA) na segunda-feira, 8, às 20 horas, no Alameda Cultural do Parque de Exposições, na Nova Vila. Ele vai apresentar seus propostas. Hugo Goldfeld é um dos mais respeitados empresários de Goiás — tendo participado inclusive do governo de Ary Valadão, entre as décadas de 1970 e 1980. Ele é presidente do Grupo Govesa — que tem construtora e concessionárias — e é agropecuarista. O rival de Hugo Goldfeld é o médico Fernando Honorato, tão respeitado entre os produtores quanto o empresário.
Nos bastidores, o movimento organizado por artistas que apoiam a candidatura de Aécio Neves a presidente da República começa a ser chamado de Movimento Levanta Defunto. Zezé Di Camargo e a filha Wanessa Camargo, também cantora, decidiram declarar voto e pedir votos abertamente para o senador mineiro. O marido de Wanessa é tido como aecista “doente”.
O Movimento Levanta Defunto inclui Beto Guedes, Renato Teixeira, Henrique Portugal (da banda Skank), Chitãozinho e Xoxoró.
As oposições — da peemedebista à petista, passando pelo PSB — estão numa saia justa. Em seus programas, comícios e reuniões, passam o tempo inteiro dizendo que a educação em Goiás vai mal e que é preciso fazer uma revolução. Mas aí vem o Ministério da Educação (MEC) — de um governo petista, sim o da presidente Dilma Rousseff e do candidato do PT a governador de Goiás, Antônio Gomide — e informa, por intermédio de um relatório detalhado e isento, que o ensino médio de Goiás é o melhor do país. O ensino médio de Goiás — da rede pública estadual — passou de 5º para o primeiro lugar no ranking nacional do Índice de Desenvolvimento do Ensino Básico (Ideb). Esta é considerada uma das melhores notícias para o governador Marconi Perillo e para Goiás. E, acrescente-se, não são dados do governo de Goiás. São dados do governo federal.
Desafiado pelos seus adversários ao Senado a jogar um balde de gelo na cabeça — para aderir à campanha da ELA —, o deputado Vilmar Rocha disse que não entrará nesse “factoide” e fez uma outra provocação a eles: “Eu desafio meus adversários para um debate na TV. Eu estou aberto, eu quero uma discussão de ideias e não pirotecnias para ganhar voto”.
Segundo Vilmar, jogar balde de gelo na cabeça é uma “grande bobagem”. “Isso eu não faço. Tenho 30 anos de vida pública, vou ficar fazendo factoide para ganhar voto?”, desabafou.
Vilmar disse que seu perfil o diferencia dos adversários exatamente neste ponto. “Procuro sempre fazer uma discussão, um debate qualificado da política. Muita gente diz que isso não é bom, que não rende voto. Mas esse é o meu jeitão”, afirmou.
Na reta final da campanha, o deputado avalia que esses 30 dias serão “uma eternidade”. “Muita coisa pode acontecer, muita coisa pode mudar”, disse. Vilmar confirmou que vai manter a mesma tática propositiva que utilizou até agora. “A estratégia é continuar a fazer o que eu estou fazendo: apresentando as propostas, os projetos, as ideias”, disse o deputado, afirmando estar satisfeito com a aceitação de seu programa eleitoral de Rádio e TV. “Eu não sou político que fica pensando em factoide, para chamar a atenção das pessoas. Meu adversário faz isso demais e de forma irresponsável”. Para Vilmar, isso “é uma questão de formação. Eu tenho responsabilidade. Eu não jogo para a plateia em assuntos relevantes e sérios. Só político politiqueiro é quem faz isso”, frisa.
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Na sabatina do jornal “O Popular”, realizada na quarta-feira, 3, o candidato do PMDB a governador de Goiás, Iris Rezende, voltou a desafiar o empresário Carlos Cachoeira. “Eu não debato com bandido. Essas cartas saem do Palácio (das Esmeraldas). Por que ele [Carlos Cachoeira] não vem debater de frente comigo?” Na verdade, Carlos Cachoeira, que tem assessor de imprensa, publicou não uma carta, e sim um artigo no “Diário da Manhã”, no qual chamou o ex-prefeito de Goiânia de “pilantra ninja”.
A entrevista de Iris Rezende rompe um suposto pacto de silêncio dele com Carlos Cachoeira. O empresário agora tem de vir a público apresentar as provas das ligações do peemedebista com Fernando Cavendish e Cláudio Abreu e revelar detalhes de negócios aparentemente poucos católicos. O dono e o diretor da Delta estiveram com Iris Rezende, numa de suas fazendas, e teria sido filmado e fotografado por meio de um iPad. Eles estariam pescando.
Sobre sua ligação com a Delta Construções, de Fernando Cavendish, Iris Rezende atacou com virulência: “Ela (a Delta) não estava prostituída nesta época. Eles é que fizeram isso em seu governo” (referência a contratos da Delta com o governo de Goiás, curiosamente em valores bem menores do que os feitos por Iris Rezende e o PT de Anápolis). Não lhe foi perguntado e, por isso, Iris Rezende não pôde responder: como ele sabe o momento exato em que a Delta supostamente “prostituiu-se”?
Um desafio Iris Rezende não aceitou. O ex-deputado Frederico Jayme, do PMDB, cobra que apresente a relação de seus bens antes de 1983, quando assumiu o governo de Goiás, e depois deste ano.
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A empresária Magda Mofatto, que faz uma campanha milionária, entrou de sola na região Nordeste de Goiás. Mas, segundo prefeitos, vereadores e líderes locais, os nomes política e eleitoralmente mais consistentes na região para deputado federal são, pela ordem, Pedro Chaves, do PMDB, Giuseppe Vecci, do PSDB, e Eurípedes Júnior, do Pros. De qualquer maneira, Magda aparece como quarta colocada na lista dos mandachuvas da região.
Quando se trata de eleição para deputado estadual, o PT aposta mais em Goiânia, Anápolis e Entorno do Distrito Federal. Entretanto, uma das surpresas eleitorais deste ano pode ser do Nordeste goiano. O petista Ivon Valente, de Posse, é um dos nomes fortes da região. Talvez o mais forte. O PT deveria apoiar Ivon Valente com mais empenho porque, das vidas secas do Nordeste, pode ser eleito um deputado que, além de tudo, é consistente politicamente.
Podem falar mal. Podem falar bem. O fato é que o site Goiás 24 Horas não deixa ninguém indiferente. Seus redatores seguem o estilo pauleira, às vezes chique, de Bernard Shaw, Karl Kraus e H. L. Mencken. São divertidos, cáusticos e inteligentes. Virou febre e, dizem, é mais lido por aqueles que amam odiá-lo.
O site é demolidor. Dizem que é parcial, que não é independente. Não é. Mas quem acredita mesmo em independência jornalística costuma acreditar em fábula, curupira, saci- pererê, mula de duas cabeças e até em alma penada.
O diretor de redação da revista “CartaCapital”, Mino Carta, assumiu que apoia a candidatura da presidente Dilma Rousseff, do PT. Não há problema algum. A revista não piora nem melhorar devido a sua adesão ao PT e ao Lulopetismo.
A “Veja” e a “Folha de S. Paulo” apoiavam Aécio Neves. Escrevi “apoiavam”? Ah, sim, os proprietários e editores das duas publicações abandonaram a candidatura do senador mineiro e não sabem se ficam com Dilma Rousseff, a previsível (apesar da tentativa de controlar a imprensa), ou, por realismo, com Marina Silva, a incógnita. Na dúvida, ficam de olho nas pesquisas.


