Imprensa
“Estou vivendo um tempo muito difícil da minha vida, mas com muita disposição também”, afirma o religioso da Igreja Católica
Programa será lançado na segunda-feira, 7, e irá ar todas as terças, com reapresentação na quarta
A obra do autor de “Triste Fim de Policarpo Quaresma” precisa de críticos, como Alfredo Bosi e João Cezar de Castro Costa, que a estudem com atenção e a situem na literatura brasileira
Paradoxo: se tivesse sido mais agressivo, aproximando-se mais do lutador brasileiro, o atleta americano poderia ter perdido a luta
As pessoas mais velhas criticam a legalização da maconha e os mais jovens aprovam. O país não ficou escandalizado
O jornalista, pesquisador infatigável, prepara livro alentado sobre os últimos dias do político que, tendo apoiado a ditadura, se tornou uma de suas vítimas
Pesquisador faz um dos maiores mapeamentos da cultura russa, destacando pintores, poetas, prosadores, dramaturgos e diretores de cinema
Período sabático era desculpa para pressionar por aumento salarial. Volta será difícil, senão impossível
O ex-crítico de música do Estadão aponta que temporada que passou num mosteiro aumentou a introspecção do compositor e cantor
A revista do Grupo Globo retira a principal repórter da Editora 3 quando o assunto é a operação dirigida a partir de Curitiba
No dia a dia, é um excelente motorista nas intranquilas ruas de Goiânia. Em alguns fins de semana, canta nas ruas da capital e do interior e em outros Estados
Roni Ferreira tem 35 anos e é motorista da Uber. Ele dirige um confortável Jetta com bancos de couro. Na porta do passageiro, percebo dezenas de CDs, com capas improvisadas e faço uma pergunta óbvia: “Aprecia música?” Sua resposta é lacônica: “Muito”. Pego um disco e indago se conhece o cantor. “Sou eu”, responde, sem ênfase, pois parecia mais interessado no trânsito. Por sinal, dirige bem.
Pergunto se está no YouTube. Roni Ferreira diz que sim. Ao perceber uma certa insistência, o cantor-motorista decide exibir um vídeo dele cantando numa rua de Caldas Novas. É assim: ele coloca um aparelho de som nas costas — pesa 20 quilos — e canta músicas sertanejas (“pé de serra”, frisa; parece sertanejo universitário) nas ruas de Goiânia e no interior. Brevemente, irá a Barretos, em São Paulo, espécie de meca da música sertaneja.
Roni Ferreira diz que é apreciado pelos ouvintes, sobretudo quando canta “Suco de laranja”. “Gostam tanto da música quanto da coreografia.”
O cantor e motorista afirma que está “investindo” num sonho. “Vou ficar mais cinco anos na estrada, até os 40 anos. Se der certo, continuo. Se não, mudo de projeto.” Uma coisa é certa: o jovem é obstinado e dotado de um ânimo fora do comum.
Roni Ferreira, que se apresenta como "o Don Juan do Forró", pode ser contatado para shows pelos telefones 62-99923-9902 e 61-99963-5439.
Veja o vídeo de Roni Ferreira cantando “Suco de laranja”
https://youtu.be/w8gW2Gc_HKM
Paulo Dionísio de Vasconcelos apareceu morto numa rua tranquila de Haia, em 1970, com um corte no pescoço
Entre ser o próximo William Bonner da Globo e seguir a vida com mais leveza, o agora ex-âncora do “Jornal Hoje” preferiu a segunda opção. O que não falta é quem o conteste
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William Waack: “debate” sobre direita x esquerda apenas com a direita[/caption]
Um dos principais canais da TV por assinatura, a Globonews tem consolidado uma fama de se mostrar com um perfil ideológico “à direita”. Não haveria nada de errado nisso se houvesse maior transparência, mas a Rede Globo nunca fez um debate aberto a respeito da própria posição ideológica. De qualquer forma, a empresa abriga, entre seus principais nomes no jornalismo, figuras de espectros totalmente opostos. De um lado, Alexandre Garcia, que foi porta-voz do general João Baptista Figueiredo e expõe claramente seu viés conservador (ironiza sindicatos e movimentos sociais e desconfia do aquecimento global); e Caco Barcellos, conhecido por sua militância nos direitos humanos e por ter um jornalismo ativista – é também um ótimo escritor, como ficou constatado em “Rota 66: a História da Polícia que Mata”, livro que venceu o Prêmio Jabuti em sua categoria em 1993.
É no espaço da TV fechada, no entanto, que os jornalistas mostram um pouco mais do que realmente pensam. William Waack não precisa disso – seus editoriais no “Jornal da Globo” já dizem bastante de seu posicionamento ideológico –, mas cometeu uma gafe de procedimento no programa "Painel", da Globonews. O tema era “Direita e esquerda na política nacional”. Os debatedores? O filósofo Luiz Felipe Pondé, o jornalista Reinaldo Azevedo e o cientista político Bolívar Lamounier. Todos com posições consideradas do mesmo lado, no espectro político brasileiro atual, que coloca – ainda que isso possa ser considerado um erro em termos das definições clássicas de esquerda e direita – tucanos e seus aliados como direita, bem como petistas e outras siglas simpatizantes à esquerda. Lamounier tem filiação no PSDB, Azevedo é conhecido por seu ativismo anti-PT e Pondé é um dos maiores expoentes das ideias liberais no Brasil de hoje. Faltou o contraponto, algo que parece ser essencial para a proposta editorial do programa.
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Arthur Magalhães, do Portal 730: notas “apimentadas” geraram polêmicas com Walter (Atlético) e Elyeser (Goiás)[/caption]
Chamar a atenção no título é um dos segredos para a leitura de determinada reportagem. Mas o estilo do repórter Arthur Magalhães, do Portal 730 e da Rádio 730 AM, tem gerado controvérsia. Digamos que ele esteja “apimentando” um pouco além da conta as declarações dos entrevistados.
Primeiramente foi com o atacante Walter. No início do mês, o jogador, que foi dispensado do Goiás e depois de muita polêmica, foi parar no Atlético Goianiense, concedeu uma entrevista em que se tratava de seu peso problemático e sua briga constante com a balança. Walter se defendeu dizendo que estava “somente um quilo acima (do ideal)” e que jamais queria voltar ao peso que estava. Na sequência, como que para dizer o que o motivaria a não engordar novamente, completou dizendo que não queria jogar no Atlético, mas “buscar algo grande” para si.
O problema é que o título da matéria, no Portal 730 saiu com o seguinte título: “Com apenas um gol em 2017, atacante Walter dispara: ‘Não quero jogar no Atlético, quero algo grande para mim’”. A impressão de quem lê sem acessar o conteúdo por completo – alguns até mesmo depois de lê-lo – é de que o atacante está desprezando o time pelo qual joga. Como Walter é conhecido por tropeçar nas palavras, fica fácil identificar que ele tratava mais de mostrar que poderia voltar a atuar por um time do primeiro escalão do futebol brasileiro do que tinha o intuito de menosprezar a equipe goiana.
Na semana passada, a confusão foi com um jogador do Goiás, o volante Elyeser. O título original dizia “ ‘Não tem tanta diferença’, declara Elyeser sobre partidas no Serra Dourada sem presença da torcida” – o clube foi punido com cinco jogos de portões fechados, sem público. Como a média de público nos jogos da equipe nos últimos anos não tem sido das melhores, a frase soou como desprezo ou provocação do atleta à torcida. Elyeser ficou muito irritado com a manchete e algumas mensagens furiosas dirigidas por ele ao repórter chegaram a vazar nas redes sociais.
Ao contrário da entrevista com Walter, que foi exclusiva, Elyeser tinha concedido uma coletiva e a má repercussão se deu apenas com o “gancho” explorado pelo repórter da 730. Na própria matéria do portal da rádio, fica claro o que ele fala sobre a interferência do fator torcida no desempenho: “Contra o Ceará [jogo em Fortaleza] também não tivemos torcida, a que tinha lá era contra, mas soubemos superar. Do meu ponto de vista, não tem tanta diferença. Claro que é bom o torcedor perto, nos apoiando do começo ao fim, mas acho que o importante é somar os três pontos independente disso”. Ou seja, o todo da declaração não comporta algum sentido de desprezo ao torcedor, como o título da notícia insinuava.
Mais tarde, com o constrangimento provocado com o jogador e também com os próprios torcedores, o título foi trocado para “Elyeser comenta partidas no Serra Dourada sem presença da torcida”. Mexer com as paixões do futebol é algo melindroso, e como o momento não é muito bom nem para o Atlético nem para o Goiás, não custa nada modalizar o discurso. Arthur Magalhães ou qualquer outro repórter precisa ter essa noção ao fazer a “dosagem” de um título, até mesmo por justiça com o que de fato ocorreu ou foi declarado.


