Elder Dias
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Evaristo pega a contramão do fluxo e deixa a Globo para ser feliz

Entre ser o próximo William Bonner da Globo e seguir a vida com mais leveza, o agora ex-âncora do “Jornal Hoje” preferiu a segunda opção. O que não falta é quem o conteste

Depois de 14 anos na bancada do Jornal Hoje, apresentador Evaristo Costa disse “não” à renovação de contrato

Uma notícia que pa­ra muitos era um bo­ato que seria des­mentido em breve surpreendentemente se confirmou na semana passada: Evaristo Costa deixou a bancada do “Jornal Hoje” após 14 anos de presença, quase sempre ao lado de Sandra Annenberg, formando talvez a dupla mais afinada do telejornalismo nacional. Seu atual contrato iria até setembro, mas seu último dia de trabalho foi a quinta-feira, 26, o que leva a pensar que o clima não tenha ficado muito bom para ele na Rede Globo depois de, unilateralmente, resolver não renovar seu vínculo com a emissora.

Entre as muitas conversas que surgem à boca miúda, uma é de que ele não estaria tendo uma boa relação com a direção da Globo desde as eleições de 2014, quando supostamente teria ficado ”perdido” em meio à dinâmica da apuração dos votos. William Bonner, especialmente, não teria gostado de seu desempenho naquela ocasião. A direção de jornalismo da Globo, pelo chefão Ali Kamel, nega veementemente essa versão.

O fato é que, quando levou a ele a proposta de renovação de contrato, a megaempresa recebeu um tranquilo “não” de Evaristo. E, ao que tudo indica, isso não teria a ver com salário ou perspectiva de carreira. Não é algo que a maior rede de comunicação do País e uma das maiores do mundo esteja acostumada a passar. Perplexos, alguns colegas de profissão fizeram reprimendas a Evaristo. Uma delas foi numa conversa pública via Twitter, em que o jornalista esportivo e apresentador Milton Neves, um dos não anônimos que deu um “puxão de orelha” no demissionário, escreveu: “Errou, menino, mas seja feliz”. Evaristo não deixou por menos: “Decisão pensada com os dois pés no chão. Abraço”. A tréplica do colega da Band foi para dizer que “nunca se apeia de cavalo puro-sangue”. E a resposta final do ex da Globo foi ao mesmo tempo espirituosa e decidida: “Otimismo, Milton Neves. Pangaré também nos leva onde queremos chegar”.

O que não se pode negar é que foi uma decisão corajosa. Aos 40 anos – embora aparente bem menos –, Evaristo Costa já tinha 22 anos de Rede Globo. “Uma vida”, como ele mesmo ressaltou. Para um jornalista de uma das principais emissoras do mundo, estava muito bem posicionado. Pela presença e pelo estilo, era cotado como o substituto natural de William Bonner e tinha um contexto que lhe ajudava: seria novo o suficiente para receber o bastão de agora em diante e experiente o bastante para manter o ritmo.

Claro que o universo da Globo é outro, mas a decisão de uma celebridade vivendo seu auge e tendo milhões de fãs leva a um questionamento pessoal para qualquer pessoa: até que ponto, apesar de todos os confortos financeiros e benesses como o status, o rumo profissional de cada um é realmente aquele que mais poderia agradar? É possível ser feliz após atingir os ápices de remuneração e exposição? O que pode vir depois disso que seja melhor?

A resposta talvez esteja em uma declaração do próprio Evaristo. Em vídeo dirigido a seus seguidores nas redes sociais, o apresentador mostrou seu lado mais leve e bem-humorado. Prometeu que, ao contrário do que fizera com a bancada do telejornal, não os abandonaria. Mas, antes disso, tocou em três nomes: Amalia, Francesca e Antonella. A primeira é sua mulher e as outras são suas filhas. Entre levar a vida carregando o fardo de um futuro ainda mais promissor em termos de carreira e ter a oportunidade de voltar atrás e viver mais para a família do que para o jornalismo – ou para aquele ritmo de jornalismo – Evaristo ficou com a segunda opção. Preferiu, por enquanto, outra rede – a social, interagindo com descontração com seus seguidores, como bem faz também outra celebridade, o padre Fábio de Melo, no Twitter. Evaristo dá exemplo de que ser feliz não é ser famoso, ter dinheiro ou um bom emprego: é algo que vai além disso e só o íntimo de cada um pode responder.

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antonio spoti costa

ser feliz não e ser famoso, ter dinheiro ou um bom emprego: é algo que vai além disso e só o intimo de cada um pode responder. é isso ai Evaristo.