Elder Dias
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William Waack discute esquerda e direita, mas só chama um lado para o debate

William Waack: “debate” sobre direita x esquerda apenas com a direita

Um dos principais canais da TV por assinatura, a Globonews tem consolidado uma fama de se mostrar com um perfil ideológico “à direita”. Não haveria nada de errado nisso se houvesse maior transparência, mas a Rede Globo nunca fez um debate aberto a respeito da própria posição ideológica. De qualquer forma, a empresa abriga, entre seus principais nomes no jornalismo, figuras de espectros totalmente opostos. De um lado, Alexandre Garcia, que foi porta-voz do general João Baptista Figueiredo e expõe claramente seu viés conservador (ironiza sindicatos e movimentos sociais e desconfia do aquecimento global); e Caco Barcellos, conhecido por sua militância nos direitos humanos e por ter um jornalismo ativista – é também um ótimo escritor, como ficou constatado em “Rota 66: a História da Polícia que Mata”, livro que venceu o Prêmio Jabuti em sua categoria em 1993.

É no espaço da TV fechada, no entanto, que os jornalistas mostram um pouco mais do que realmente pensam. William Waack não precisa disso – seus editoriais no “Jornal da Globo” já dizem bastante de seu posicionamento ideológico –, mas cometeu uma gafe de procedimento no programa “Painel”, da Globonews. O tema era “Direita e esquerda na política nacional”. Os debatedores? O filósofo Luiz Felipe Pondé, o jornalista Reinaldo Azevedo e o cientista político Bolívar Lamounier. Todos com posições consideradas do mesmo lado, no espectro político brasileiro atual, que coloca – ainda que isso possa ser considerado um erro em termos das definições clássicas de esquerda e direita – tucanos e seus aliados como direita, bem como petistas e outras siglas simpatizantes à esquerda. Lamounier tem filiação no PSDB, Azevedo é conhecido por seu ativismo anti-PT e Pondé é um dos maiores expoentes das ideias liberais no Brasil de hoje. Faltou o contraponto, algo que parece ser essencial para a proposta editorial do programa.

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Paulo Ricardo Dias

Mas os programas de “debate” da Globo, seja a TV aberta ou fechada, são todos assim. Veja se alguém de esquerda já foi convidado para ir ao Manhattan Connection, por exemplo? O Estúdio i parece mais um clube de babação de ovo da Maria Beltrão, todos concordando com ela. Dá até tristeza assistir. Se não fosse o Diálogos, com Mario Sergio Conti, que é um programa de entrevistas, e não de debate, a esquerda seria deixada completamente de lado na Globonews.

Edson Pizzin

Mas, o que a esquerda tem de útil para ser discutido? Nada. Basta ver o que deixou e ainda tentam fazer de pior para o país.