Euler de França Belém
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Livro resgata história do diplomata brasileiro que morreu na Holanda na época da ditadura

Paulo Dionísio de Vasconcelos apareceu morto numa rua tranquila de Haia, em 1970, com um corte no pescoço

O diplomata brasileiro Paulo Dionísio de Vasconcelos morreu (“com um corte no pescoço, numa rua tranquila”) em Haia, na Holanda, em 1970, aos 34 anos. Quarenta e sete anos depois, o assunto permanecia num armário da memória. Mas o jornalista Eumano Silva decidiu “desenterrá-lo” e “exumá-lo” no livro “A Morte do Diplomata — Um Mistério Arquivado pela Ditadura” (Tema Editorial, 208 páginas). Descobriu, de cara, que o governo civil-militar não se empenhou em apurar as circunstâncias da morte.

Segundo o Comunique-se (baseado em informação da editora), na tentativa de esclarecer uma história nebulosa, Eumano Silva “lança mão da estrutura narrativa dos livros de ficção policial para contar uma historia verdadeira, baseada em documentos e entrevistas. A família de Paulo Dionísio franqueou ao autor do livro documentos, fotos, recortes de jornais e até mesmo o diário pessoal do diplomata, que tinha o hábito de escrever copiosamente sobre os mais variados temas”.

Ao pesquisar a história de Paulo Dionísio, Eumano Silva apurou que a ditadura mantinha dom Hélder Câmara foi extrema vigilância, tanto no Brasil quanto no exterior.

Trecho do prefácio de José Salomão David Amorim: “Eumano se inspirou nos recursos literários do romance policial ao lidar com o desafio de escrever uma reportagem de fôlego. Inspirou-se também na grande experiência de trabalho em revistas noticiosas semanais, que usam, mais do que o jornalismo diário, os recursos da narrativa: suspense, metáfora e emoção. Mas fez isso sem passar da conta. Assim, não prejudicou a integridade do relato.

“Uma riqueza do livro são as revelações que traz sobre o período da vida de Paulo Dionísio Vasconcelos, dos anos 1950 aos 1970. Desde os tempos de internato até a troca do primeiro olhar com a colegial Maria Coeli, que seria sua esposa, na então romântica e inocente Praça Sete, em Belo Horizonte, até sua morte na distante Haia.”

Trecho do livro: “Dom Helder Câmara em Utrecht, na Holanda, no final de maio de 1970: ‘Segundo as autoridades brasileiras, estou cometendo um crime contra o Estado, quando falo em torturas no Brasil. Para mim, porém, seria crime contra o povo brasileiro se eu me calasse. Se eu for por isso atirado à prisão, será a melhor propaganda para a causa que defendo.’

“Dom Helder tornara-se um dos personagens mais atuantes nas denúncias dos crimes da ditadura, como tortura e morte de adversários políticos. Paulo Dionísio resistia a colaborar no monitoramento do ‘bispo vermelho’, conforme determinado pela área de informações por meio dos canais internos de comunicação.”

Veja vídeo (do site da editora) no qual Eumano Silva fala sobre o livro:

O livro já está à venda no site da Livraria Cultura (www.livrariacultura.com.br). Por 35 reais.

Lançamento

Data: quinta-feira, 3, às 19h, no restaurante Carpe Diem, 104 Sul.

Páginas: 208

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Reginaldo Marinho

São 47 anos de dor para a viúva Maria Coeli e as filhas Manoela e Maria Paula. O mistério que envolve o diplomata brasileiro é uma nódoa profunda para o Itamaraty.