Imprensa
O que quer o homem no planeta já visitado pelos americanos, em 1969? Água? Sim, e otras cositas más
No dia em que a torcida do Ceará aplaude jogador do Flamengo, pela primeira vez um árbitro interrompe um jogo no Brasil por causa de gritos homofóbicos

Sou cria da geral do Estádio Serra Dourada e das arquibancadas do Estádio Onésio Brasileiro Alvarenga (OAB). Um amigo pagava meu ingresso para assistir aos jogos do Goiás no Campeonato Brasileiro, no final dos anos 1980 e início dos anos 1990 – mal sabia ele que a doutrinação não surtiria efeito, pois eu já era um vilanovense doente (sempre digo que há aí um pleonasmo, uma redundância).
Formei-me torcedor homenageando jogadores, árbitros, bandeirinhas e torcedores rivais com toda sorte de palavrão dicionarizado ou não. Entre o vasto repertório, o xingamento preferido era, é claro, o “viado” (assim mesmo, com ‘i’). Em um ambiente toxicamente masculinizado, nada mais ofensivo que imputar a outrem a desonrosa alcunha. Invariavelmente, o coro “Ei, juiz, VTNC!” se repetia algumas vezes.
Rádio a pilha
Não me lembro de que, naquele tempo, havia algum debate ou discussão sobre o comportamento dos torcedores. Tudo isso fazia parte do ecossistema dos estádios – como o amendoim, o rádio a pilha, os banheiros emporcalhados e o placar do Serra Dourada que nunca funcionava.
Hoje, as coisas mudaram. Há muito mimimi nos estádios e fora deles – ainda bem. Os tempos são outros, o mundo evolui. O que era normalizado passou a ser contestado. Cada vez mais pessoas estão se cansando da incivilidade. É para frente que se anda.
Há algum tempo a Fifa tenta coibir atos de racismo e homofobia nos estádios mundo afora. Clubes e torcedores têm sido punidos. Ainda assim, muita gente ainda prefere se comportar como se estivesse nas arenas romanas.
Neste fim de semana, o mundo assistiu a um marco no futebol brasileiro. Durante o jogo contra o São Paulo, o árbitro Anderson Daronco parou a bola por causa de cantos homofóbicos por parte da torcida do Vasco, virou-se para o técnico Vanderlei Luxemburgo e disse: "Viado não pode!" O técnico pediu que seus torcedores cessassem com os gritos. O time pode ser punido.
Foi um ato simbólico. Pode ser o pontapé para novos tempos. Claro, não colocará um ponto final nas ofensas. Mas, devagarinho, as arquibancadas podem se tornar menos hostis. Quem sabe um dia cenas como a da torcida do Ceará aplaudindo o Arrascaeta, do Flamengo, sejam menos surpreendentes. E que ataques homofóbicos e racistas é que sejam a exceção.
Em 1925, o bardo pernambucano publicou um poema curto, relatando a história de João Gostoso, que, talvez traído pela mulher, se suicidou no mar
O goiano Marcello Brito, CEO da Agropalma, relata que o agronegócio representa 1,2 trilhão por ano, mas pode ser prejudicado por falas e ações de Bolsonaro
A esquerda falha quando não condena, de maneira enfática, a violência, porque a conecta a problemas sociais
Norman Davies analisa a produção literária que enfoca a Segunda Guerra Mundial, mas não do ponto de vista estético, e sim a respeito de como apresentaram o assunto
A imprensa crítica permanece, no fundo, como um aliada de governantes sérios. Trata-se de uma vigilância atenta e não remunerada
O professor da Ucla tem uma visão diferente dos chicago-boys, mas, ainda assim, pode apontar caminhos para o país de Bolsonaro
O jornalista acredita que seu afastamento tema ver com o histórico de ter assessorado gestões do MDB, do PSDB e do PSB
Os soviéticos foram decisivos para a vitória dos Aliados, mas seus combates e vitórias são praticamente ignorados pelo dominante cinema dos Estados Unidos
A batalha entre o nazifascismo e os Aliados produziu certo consenso, o que é natural. Mas há problemas não resolvidos, sugere pesquisador polonês-britânico
Como Bolsonaro diz que vai fazer uma gestão honesta, uma mídia crítica poderá ajudá-lo a conter quem avalia que governo é uma máquina de produzir dinheiro não-republicano
As ruas dizem que, para prender criminosos poderosos, como políticos e empresários, não há como seguir só as regras do jogo legal
A Amazônia precisa “frequentar” o café da manhã, o almoço e o jantar dos brasileiros, que deveriam torcer para ela como torcem para o Flamengo
Articulista político do "Diário da Manhã" e ex-repórter e ex-comentarista do Jornal Opção, o profissional está na sua casa, em Goianira


