Euler de França Belém
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Paulo Fona é demitido por Bolsonaro do cargo de secretário de Imprensa

O jornalista acredita que seu afastamento tem a ver com o histórico de ter assessorado gestões do MDB, do PSDB e do PSB

O jornalista Paulo Fona não ficou mais do que uma semana no governo do presidente Jair Bolsonaro. Ele foi demitido na terça-feira, 13, pelo chefe do Executivo, do cargo de secretário de Imprensa. Trata-se do terceiro a ocupar o cargo — visto como “maldito” nos corredores do Palácio do Planalto. “Deveria ser nomeado logo um militar”, sugere um jornalista, em tom jocoso e, ao mesmo tempo, sério. Porque o cargo já foi ocupado, neste governo, pelo coronel do Exército Alexandre Lara. Antes, já havia caído o jornalista Fernando Diniz. “Alexandre Garcia seria adequado para o cargo, porque comunga as ideias de direita do presidente”, sugere um jornalista.

Paulo Fona postula que sua dispensa tem a ver com o fato de trabalhado em gestões do MDB, PSDB e PSB. A gestão de Bolsonaro tem horror àqueles que seus aliados chamam de “infiltrados” da esquerda. Paulo Fona, no caso, nada tem de infiltrado, apesar de suas ligações políticas (uma mais estreitas foi com Joaquim Roriz, que podia ser tudo — menos de esquerda).

Paulo Fona, quase 40 anos de jornalismo e defenestrado em uma semana | Foto: Mauro Mattos / Palácio Piratini

“A decisão da minha exoneração pelo Presidente da República me pegou de surpresa. Fui convidado para assumir a Secretaria de Imprensa, alertei-os de meu histórico e minha postura profissional e a intenção de ajudar na melhoria do relacionamento com a mídia em geral. O desafio era imenso, sempre soube, mas esperava maior profissionalismo, o que não encontrei. Em todos os governos que passei de diferentes partidos — MDB, PSDB e PSB —, sempre trabalhei com o objetivo de tornar a Comunicação mais ágil, eficiente e transparente e leal às propostas da gestão”, frisa Paulo Fona. Ele teria uma missão: melhorar o relacionamento do governo com repórteres — o que não teve tempo de fazer. E não é fácil de fazer. Porque o próprio Bolsonaro abre “frentes de ataque” a jornalistas. Há um contencioso — praticamente oficial — entre Bolsonaro e a imprensa.

Não se pode afirmar que Paulo Fona é inexperiente. Ele foi secretário de Comunicação (além de porta-voz) dos governos de Joaquim Roriz (MDB) e Rodrigo Rollemberg (PSB). O primeiro pertencia, por assim dizer, à direita ou centro-direita. O segundo é de esquerda ou de centro-esquerda. Em 2014, o jornalista coordenou a campanha de Ronaldo Caiado — hoje governador de Goiás — para senador. Caiado é filiado ao DEM, e seguramente é um político de direita. Paulo Fona também secretário de Comunicação de Yeda Crusius (PSDB), no Rio Grande do Sul. O perfil é, portanto, o de um profissional. “Construí minha carreira profissional com meus próprios méritos e defeitos. Obrigado a todos os jornalistas que me acolheram de maneira calorosa e esperançosa de que o relacionamento mudaria”, sublinha Paulo Fona. Ele trabalha com jornalista há quase 40 anos — em redações e em assessorias.

Nota do jornalista Paulo Fona

“A decisão da minha exoneração pelo Presidente da República me pegou de surpresa. Fui convidado para assumir a Secretaria de Imprensa, alertei-os de meu histórico e minha postura profissional e a intenção de ajudar na melhoria do relacionamento com a mídia em geral. O desafio era imenso, sempre soube, mas esperava maior profissionalismo, o que não encontrei. Em todos os governos que passei de diferentes partidos – MDB, PSDB e PSB – sempre trabalhei com o objetivo de tornar a Comunicação mais ágil, eficiente e transparente e leal às propostas da gestão.

Foi assim que aprendi a trabalhar ao longo de quase quatro décadas, nos principais veículos de comunicação do país e nas secretarias de Comunicação do Distrito Federal, por duas vezes, e do Rio Grande do Sul.

Com meu pai aprendi a respeitar as pessoas e os cargos públicos que me foram confiados.

Construí minha carreira profissional com meus próprios méritos e defeitos. Obrigado a todos os jornalistas que me acolheram de maneira calorosa e esperançosa de que o relacionamento mudaria.”

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