Euler de França Belém
Euler de França Belém

Livro de Márcio Souza deveria transformar Amazônia no Palmeiras do meio ambiente

A Amazônia precisa “frequentar” o café da manhã, o almoço e o jantar dos brasileiros, que deveriam torcer para ela como torcem para o Flamengo

Aos 73 anos, o jornalista e escritor Márcio Souza é um dos conhecedores do “Brasil profundo”, notadamente dos assuntos da Amazônia. Aos poucos, para além do autor imaginativo, o ficcionista que transfigura a realidade, contribuindo para fazê-la mais compreensível, está se tornando, ou já se tornou, um intérprete do Brasil, ainda que não da estirpe de Gilberto Freyre, Sérgio Buarque de Holanda, Caio Prado Júnior, Darcy Ribeiro e Raymundo Faoro. Ainda que sua pegada seja luminosa, falta-lhe (talvez porque queira ser mais simples) o escopo teórico do quinteto mencionado. Mas, ao seu modo, com relatos ficcionais ou não, vai contribuindo para que os leitores compreendam seu país. Agora, volta às livrarias com o livro “História da Amazônia — Do Período Pré-Colombiano aos Desafios do Século XXI”, pela Editora Record. As 392 páginas da obra parecem poucas para período tão longo e assunto tão frondoso. Entretanto, com seu espírito de síntese habitual, além do fato de escrever bem e com clareza, é possível que o infatigável Márcio Souza nos ajude a entender aquilo que é nosso, mas também é de todos os homens — a Amazônia.

Na sinopse distribuída pela editora aos sites das livrarias está dito que se trata do “livro definitivo sobre a história da Amazônia do período pré-colombiano aos dias atuais”. Trata-se, possivelmente, de mero marketing. Não há livro definitivo sobre assunto tão vasto e complexo. Tanto que, para entendê-lo, não basta uma obra, e sim várias, e mesmo assim prevalecem controvérsias insuperáveis. A Amazônia é e permanecerá uma obra aberta, até porque é mutante, está em transformação.

Márcio Souza: “biógrafo” da Amazônia

Livros técnicos, escritos por cientistas, são fundamentais para a compreensão da Amazônia e seus povos. Mas em geral não são lidos por leitores comuns, que não têm preparo nem paciência para ler — na verdade, estudar — tratados que exigem uma linguagem típica, por vezes incompreensível à maioria dos mortais. Conectando sua formação de pesquisador à de narrador hábil, pois é um escritor talentoso, Márcio Souza por certo aproxima a grandiosa Amazônia do nosso olhar comum com o objetivo de torná-lo, mais do que incomum, perceptivo e, quiçá, empático. Pois o que se precisa é levar a Amazônia para dentro de casa, para que se torne motivo de conversa no café da manhã, no almoço e no jantar. Para que se transforme numa espécie de Corinthians, Palmeiras ou Flamengo do meio ambiente. O livro de Márcio Souza, se não é definitivo — nem a morte é definitiva, pois o sujeito deixa a história —, possivelmente ajudará a decifrar um tema que, visto de longe e devido à sua complexidade — derivado de sua diversidade —, espanta e afasta. O livro ajudará, quem sabe, a nos aproximar e entender este pedaço de nós que mora ao lado e que, de alguma maneira, ainda nos deixa, quando não deveria deixar, indiferentes.

3 respostas para “Livro de Márcio Souza deveria transformar Amazônia no Palmeiras do meio ambiente”

  1. Fiquei com vontade de ler este livro do autor de “Galvez: o imperador do Acre”.

  2. Elaine Assirati disse:

    Gostei muito da resenha sobre o livro de Márcio Souza. Ainda que o tenha sentido um pouco agressivo, deixo aqui os meus parabéns ao autor Euler de França Belém.

  3. Ana Vieira disse:

    Comecei a ler o livro e estou gostando muito. Desde o início, já se pode ter uma ideia da geografia, da história e da importância daquela região e de seus habitantes. Além disso, o livro tem uma linguagem bem acessível aos que não são cientistas.

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.