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Nos últimos seis anos, foram registrados 27 casos de racismo contra brasileiros em competições sul-americanas profissionais masculinas
Três conselhos de João Santana à esquerda: ouse criticar Lula, supere Bolsonaro, e apresente um projeto novo
A manipulação não funciona se você não for um agente engajado do processo de auto engano e de engano generalizado
Órgão informou que foi acionado para agir no caso do furto de cartões da Secretaria da Mulher, porque resultaria em possível prejuízo para famílias contempladas pelo programa social da Prefeitura de Goiânia
O cartão de vacinação adulterado de Bolsonaro não é como imposto de renda fraudado de Capone, ponta solta a ser puxada para revelar crimes maiores
Coronel da PM cometeu diversas infrações do Código de Ética e Disciplina da Polícia Militar antes de ser detido pelo poder civil
Não há a mínima possibilidade de se construir uma sociedade perfeita, exceto, quem sabe, na literatura. Mas é possível reduzir a impunidade
Os debates são tão fortes e aguerridos que até jornalistas parecem acreditar que a rede social contribui para aumentar o acesso diário
Sobre a excepcional Nise, fica a pergunta no ar: qualidades profissionais trazem o “heroísmo” que se pretende homenagear?
Há uma crença de que Lissauer Vieira já está definido para o Senado. Mas não é o que exatamente o governismo pensa sobre a questão
João Campos tentou primeiro a filiação de Marcelo Baiocchi. Aí o presidente da Fieg se ofereceu para se filiar ao Republicanos
Talvez seja uma visão otimista, mas, como não são golpistas, o Centrão e os militares tendem a conter os impulsos autoritários de Bolsonaro
Empresário nada tem de capitalista utópico. Se o controle relativo da liberdade der lucro e o Twitter permanecer ativo, certamente não hesitará em termos de alguma censura
Entrevistadores de João Pereira Coutinho ancoraram-se numa percepção caricata do que seria o pensamento conservador e liberal
Jales Naves Júnior
Especial para o Jornal Opção
João Pereira Coutinho, autor conservador português e colunista da “Folha de S. Paulo”, foi ao centro do “Roda Viva”, da TV Cultura, recentemente. Os entrevistadores, entre uma e outra pergunta lúcida do filósofo Luiz Felipe Pondé, ancoraram-se à percepção equivocada e caricata do que seria o pensamento conservador e liberal. João Pereira Coutinho desperdiça a oportunidade para esclarecer os mitos que circundam tal tradição filosófica e, portanto, abre espaço para necessários comentários adicionais. Mesmo que não se tenha assistido ao episódio, ele é perfeito representativo sobre o “estado de coisas” do debate público sobre política no Brasil. Vera Magalhães, apresentadora, dá o tom do programa logo em sua fala inicial: deixa explícito em seus maneirismos e escolha de palavras que o debate será em cima do que a esquerda percebe como o pensamento conservador/liberal, e não sobre o que é de fato. Sua intenção não é examinar o fenômeno, e sim construir um espantalho sobre os conservadores para depois tentar atropelá-lo e se declarar vencedora. É uma forma de proselitismo político, e não de investigação intelectual. Seria como um juiz dar-se por satisfeito em julgar um caso ouvindo somente uma das partes do processo e sufocando a outra. [caption id="attachment_396075" align="aligncenter" width="620"]
João Pereira Coutinho: o intelectual português e colunista da "Folha de S. Paulo" foi mal entrevistado pelo programa "Roda Viva", da TV Cultura| Foto: Reprodução[/caption]
Essa ignorância se manifesta logo, quando João Pereira Coutinho foi importunado pelos entrevistadores para se pronunciar sobre a “extrema-direita”. Como se esses movimentos políticos, a notar, nazismo de Adolf Hitler e fascismo de Benito Mussolini, fossem registros extremados de uma visão que Coutinho adotaria, mas de forma “contida”. Ou, ainda, como se o entrevistado comungasse da mesma tradição intelectual que tais facínoras e fosse dever seu manter sob coleira apertada os seus correligionários mais afoitos.
Este raciocínio da bancada do programa, que é sublime representação do pensamento homogêneo da esquerda midiática, acadêmica e facebookiana, não se sustenta por mais de meio segundo. Convido os leitores a um esclarecedor exercício lógico. Como o conservadorismo e sua afeição ao localismo, municipalismo e comunitarismo teriam Hitler, um coletivista etnocêntrico, como descendente? Da mesma forma, você não infla liberalismo político e o apreço à soberania do indivíduo e cai no colo de Mussolini. E Salazar (1932-1968)? Se seu corporativismo de Estado tivesse trocado carícias com Moscou ao invés de adotar discurso isolacionista, seu regime se tornaria indistinguível do soviético, mas em versão light. Se o ditador português não conseguiu completo controle sobre a vida de todo Portugal e suas colônias não foi por resíduos “liberais”, e sim sua própria incompetência.
Em síntese: os autoritarismos nacionalistas europeus do século passado não são irmãos renegados dos conservadores e liberais. São prole da mesma ninhada socialista, dissidentes de um único movimento. Friedrich von Hayek bem aponta tal fenômeno em seu magnífico livro “O Caminho da Servidão”. Nazistas e comunistas na República Alemã de Weimar competiam pelo mesmíssimo público, e ambos os partidos frequentemente perturbavam o comício do outro para roubar-lhes os eleitores. Os conservadores e liberais alemães de tal período histórico, não encontrando guarida em nenhuma agremiação da época, eram escanteados do espaço público e fugiam da Alemanha em bando.
E de quem é a culpa dessa confusão? Pondé levanta a bola para João Coutinho cortar: mídia e universidades. Os acadêmicos, entalados em suas torres de marfim, expurgaram de seus ranques quem não subscrevesse à hegemonia marxista. Os articulistas, divorciados do cotidiano popular e desesperados por aplausos da claque universitária ou mesmo fazendo parte dela, confundiram a propaganda que eles próprios criaram sobre o liberalismo há três gerações com a própria realidade. E o que esse sistema carcomido produz? Bem, ele gera Vera Magalhães.
