Há uma crença de que Lissauer Vieira já está definido para o Senado. Mas não é o que exatamente o governismo pensa sobre a questão

Lissauer Vieira: presidente da Assembleia Legislativa| Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

O candidato a senador da base governista, depois de intensa movimentação, está mesmo definido: será o presidente da Assembleia Legislativa de Goiás, Lissauer Vieira, do PSD?

Há quem acredite que sim. O deputado tem três pontos positivos. Primeiro, põe de vez o PSD na campanha do governador de Goiás, Ronaldo Caiado. Segundo, tem o apoio de quase todos os deputados estaduais. Terceiro, parte significativa do agronegócio o banca para o Senado.

Delegado Waldir Soares, do União Brasil, se prevalecer a questão midiática, é forte candidato a senador | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Com base nestas informações, o Jornal Opção ouviu ao menos cinco fontes ligadas ao governador Ronaldo Caiado. Todas disseram, em ocasiões diferentes, praticamente a mesma coisa: o gestor estadual tem uma simpatia imensa por Lissauer Vieira, por considerá-lo um político moderno, republicano e, sobretudo, porque contribuiu para fortalecer as decisões de seu governo na Assembleia Legislativa.

Porém, concluíram, política não se faz apenas com simpatia e empatia. Há outros componentes. Por exemplo: como deixar na chapada um pré-candidato a senador, como o deputado federal Delegado Waldir Soares, que é o favorito nas pesquisas de intenção de voto? Como ignorar a postulação de um pré-candidato como Alexandre Baldy, que foi ministro das Cidades e lidera um dos principais partidos da base governista, o Progressistas? Como deixar de lado um senador do porte de Luiz Carlos do Carmo, do PSC? E o deputado federal Zacharias Calil (União Brasil), que, sem sair de Goiânia, aparece relativamente bem nas pesquisas? São questões a considerar — e são cruciais, não são acessórias.

Alexandre Baldy, do partido Progressistas: o ex-ministro das Cidades é capaz de montar grandes estruturas | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Há quem acredite que, a partir de determinado momento, Ronaldo Caiado vai convencer Delegado Waldir (assim como Zacharias Calil) a sair do páreo e a disputar mandato de deputado federal. Quem pensa assim está enganado. O governador não fará isto. Assim como “não desanimará” os demais postulantes.

Como se sabe, as convenções partidárias irão de 10 de julho e 5 de agosto e os partidos e federações partidárias têm até 15 de agosto para registrar as candidaturas.

Portanto, a cúpula governista ainda tem tempo para ajustar qual será o candidato “oficial” da chapa, ou seja, aquele que acompanhará, formalmente, o candidato a governador, Ronaldo Caiado (União do Brasil), e o candidato a vice, Daniel Vilela (MDB).

Luiz Carlos do Carmo: senador | Foto: Divulgação

O que o governismo fará para definir o candidato a senador? A tendência é a seguinte: o pré-candidato que estiver à frente nas pesquisas de intenção de voto deve ser o candidato oficial da chapa. Até lá, entre julho e agosto, aqueles que ainda não cresceram terão a chance de aumentar sua musculatura eleitoral. Há a convicção de que não basta ter o apoio de setores representativos da sociedade — é preciso ter o apoio maciço dos eleitores e, assim, contribuir para o fortalecimento da chapa majoritária. Candidato a senador que precisa ser “carregado” não fortalece a chapa.

Porém, se for definido um candidato oficial — que seja Lissauer Vieira, Alexandre Baldy, Delegado Baldy, Zacharias Calil ou Luiz Carlos do Carmo —, o que se fará com os demais candidatos? Eles poderão disputar a eleição como candidatos avulsos. Ainda assim, a tendência é que todos apoiem Ronaldo Caiado.

Zacharias Calil: deputado federal | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção

Alexandre Baldy, frequentemente apontado como possível candidato a deputado federal, reafirmou ao Jornal Opção, recentemente, que será candidato a senador. Não saiu e não vai sair do páreo, sustenta. Ele sublinha que, se necessário, será candidato “independente” ou, como diz, “avulso”. O mesmo pode ocorrer com outros pré-candidatos. Porque, se o pré-candidato é forte e se acha que será eleito, não precisa figurar, de maneira oficial, numa chapa majoritária.

(Detalhe: a redação apurou que João Campos, apesar de sugerir que vai acompanhar Gustavo Mendanha, ainda pode refluir e voltar à base governista. Seu partido, o Republicanos, está, majoritariamente, com o governador Ronaldo Caiado.)