A injúria racial sofrida pelo jogador brasileiro, Vinicius Junior, neste domingo, 21, revoltou mais uma vez o mundo do esporte. Durante uma partida entre Real Madrid e Valencia em La Liga, campeonato nacional da primeira divisão da Espanha, a torcida adversária entoou gritos e cânticos racistas a Vini.

Esse é o décimo caso de racismo que o jogador sofre na Espanha. Além disso, esses números têm aumentado ano após ano ao invés de reduzir: um caso em 2021, três no ano passado e agora seis em 2023.

Enquanto vários clubes e entidades de todo mundo publicaram em suas redes sociais mensagens de apoio a Vini Jr, nenhuma ação de efeito prático tem surgido. Claro que demonstrar solidariedade ao atleta é importante, mas os responsáveis não podem ficar impunes (mais uma vez).

Racismo na América do Sul

A Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) foi uma das instituições a se posicionarem contra o racismo. Em suas redes sociais, a entidade publicou apoio a Vini Jr e condenou as injúrias raciais.

Por outro lado, a Conmebol fecha seus olhos para as próprias competições organizadas por ela, como a Copa Libertadores, principalmente. Nos últimos seis anos, foram registrados 27 casos de racismo contra brasileiros em competições sul-americanas profissionais masculinas, segundo o Estadão.

A grande maioria foi em partidas da Libertadores e não houve nenhuma punição. Desse total, 11 episódios envolveram torcedores argentinos. Palmeiras, Corinthians, Red Bull Bragantino, Fortaleza, Fluminense, Flamengo já registraram casos de racismo contra seus torcedores.

No ano passado, o Olimpia, clube do Paraguai, chegou a ser punido pelo artigo 17, que trata de atos discriminatórios. Entretanto, não detalhou qual foi a atitude cometida.

O Artigo 17 do Código Disciplinar da Conmebol aborda situações de discriminação cometidas por jogadores e outros membros dos clubes, estipulando uma punição de suspensão por cinco partidas ou um período mínimo de dois meses.

No Item 2 deste artigo, são tratados os atos discriminatórios praticados por torcedores. Nesses casos, é estabelecida uma multa mínima de US$ 30 mil (aproximadamente R$ 157 mil) para os clubes.

Hipocrisia

Apoiar Vini Jr foi uma atitude de respeito da entidade, mas ela não pode fechar os olhos para os casos na América do Sul e agir com hipocrisia. A Conmebol afirma que investiga todos os casos e “sempre teve postura antirracismo”.

“Certamente de acordo com os relatórios que chegam dos delegados da partida e as imagens que estão disponíveis, as medidas ou decisões correspondentes serão tomadas, mas tudo tem um processo. Caso um seja aberto e uma resolução seja emitida, isso se torna público, mas tem um processo, não é imediato”, disse a entidade.

A Conmebol chegou a lançar a campanha “A falta mais grave é o racismo”, no entanto falha mais uma vez em ações que tenham algum efeito prático. A divulgação é importante, se posicionar também, mas falta agir, além de uma nota de repúdio.