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Carlos César Higa
“As manifestações que avançam Brasil afora neste mês de junho mostram exatamente isso. Não é apenas o simples descontentamento com a classe política, mas sim a total falta de conexão com o que é trabalhado dentro do Congresso Nacional e a realidade deste país. Se a pauta daqueles que estão nas ruas é imensa, talvez o motivo principal seja a ausência de lideranças políticas que pensem o Brasil não para a Copa do Mundo ou para a Olimpíada, mas para muitos anos à frente”. Escrevi isso em um texto publicado pelo Jornal Opção em 20 de junho de 2013, no auge das manifestações que ocuparam as ruas de várias cidades do país. Entre as manifestações daquele ano e as de agora permanecem a insatisfação do brasileiro com os políticos e a falta de sintonia entre os trabalhos aqueles que nos representam com o que é exigido nas ruas.
A oposição é um exemplo dessa falta de sintonia. O senador Aécio Neves (PSDB-MG) gravou um vídeo divulgado nas redes sociais convocando os brasileiros para saírem às ruas nos dias 15 de março e ontem. Faltou alguém gravar um vídeo e divulgar na rede social do senador convocando-o para também participar das manifestações. No dia 15, Aécio assistiu da janela do seu apartamento no Rio de Janeiro as pessoas que saíram as ruas contra o governo. Ontem, assinou um documento apoiando as manifestações. E dizem que essa oposição flerta com o golpe. Aécio Neves perdeu as eleições do ano passado para Dilma Rousseff por uma diferença de três milhões de votos. Ao invés de intensificar as críticas ao governo que fez durante a campanha (e que o tempo mostrou que estavam corretas) e buscar aproximação com os manifestantes, preferiu se esconder. Talvez o único que não saiba o real motivo das derrotas para o PT desde 2002 seja o próprio PSDB. Fica difícil apontar os erros já que o próprio partido se esconde quando convocado.
O lado bom dessas manifestações é o surgimento de movimentos como o Movimento Brasil Livre, Vem pra rua e Revoltados on-line, que se dispõe em fazer o papel que seria das oposições: organizar as manifestações contra o governo. E a rapaziada desses movimentos está conseguindo juntar muito mais gente do que os velhos manifestantes da CUT, UNE e MST. Os doze anos de governismo cobra seu preço. A manifestação de ontem foi menor que a do dia 15 de março? Com certeza foi muito maior do que as convocadas pelos governistas e não precisou de pão com mortadela.
O blog do Reinaldo Azevedo no site da Veja informa que os líderes dos movimentos que organizaram as manifestações estão convocando para uma marcha rumo a Brasília para pressionar os parlamentares no cumprimento das pautas reivindicadas nas ruas. Resta saber se o senador Aécio Neves irá publicar um vídeo na sua rede social dizendo que receberá o pessoal, mas, na realidade, marchará para o seu apartamento no Rio. Como o próprio Reinaldo escreveu no seu blog: ou o PSDB se reinventa ou será tragado junto com o PT.
A oposição nas ruas está fazendo a sua parte: convocando a população para protestar contra o governo, procurando os meios legais para efetivar suas pautas. Será que a oposição no Congresso continuará se omitindo como fez em 2013? Se Aécio se esconder novamente no seu apartamento a beira mar poderá ser tragado pelo tsunami que não vem do oceano, mas da Avenida Atlântica.
Carlos César Higa é mestre em história pela Universidade Federal de Goiás.
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Estudo mostra que deputados e senadores que tomam posse neste domingo (1º/2) são mais conservadores e com tendências econômicas liberais. Goianos não são diferentes
Renovação das eleições deste ano provocou uma profunda mudança no contexto político do Estado. Isso não significa, porém, que quem atendeu às demandas da cidade não tenha chance de reeleição
Ao anunciar parte de seu secretariado, Marcelo Miranda reconhece inchaço da máquina e admite fazer auditoria em contas públicas
Governador eleito Marcelo Miranda quer compor uma equipe técnica, mas não vai deixar de prestigiar os políticos
A previsão é de que o governador eleito Marcleo Miranda terá muita dificuldade para equilibrar as contas em 2015
Especialistas debatem futuro do Brasil no próximo ano. Expectativa é de ajustes na Economia, menos investimentos e baixo crescimento. Dilma deve fazer reformas
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Presidente Dilma Rousseff faz pronunciamento após vitória. Segundo mandato promete ser ainda mais conturbado (Foto: Cade Gomes)[/caption]
A reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT) no último mês pode ter agradado uma parte da sociedade brasileira. Foram quase 52% dos eleitores que garantiram mais quatro anos do Partido dos Trabalhadores no Poder.
No entanto, não só os eleitores do candidato derrotado Aécio Neves (PSDB) ficaram insatisfeitos com a continuidade da mandatária petista. O mercado financeiro vem dando claros sinais de que a política econômica atual precisa, urgentemente, de mudanças. Sob pena de problemas que pareciam tão distantes da realidade moderna do País baterem à porta dos cidadãos uma vez mais.
No último mês, dados do último relatório Focus divulgado pelo Banco Central mostram que o País deve crescer pouco mais de 0,2% em 2014 e 1% no próximo ano. Já pela previsão do Fundo Monetário Internacional, o crescimento brasileiro deverá ficar abaixo da média global, que está projetada em 3,3% em 2014 e 3,8% em 2015.
Também ficará abaixo das projeções para economias emergentes e em desenvolvimento -- 4,4% neste ano e 5% no ano que vem -- e para a região da América Latina e Caribe -- 1,3% em 2014 e 2,2% em 2015. O relatório destaca que "a fraca competitividade, baixa confiança empresarial e condições financeiras mais apertadas reprimiram os investimentos" no Brasil.
E este é o divisor comum dos três especialistas em Economia entrevistados pelo Opção Online. À convite do jornal, os professores e economistas Walter Chaves Marim, Jean Marie Lambert e Jefferson de Castro Vieira relataram suas apostas para os anos vindouros, bem como o que os brasileiros devem esperar no que diz respeito a situação econômica do País. Apesar de divergirem sobre a eficácia do segundo governo Dilma, o trio é categórico: "se mudanças não forem realizadas com certa urgência, o Brasil vai sofrer".
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Anos de incertezas estão por vir, afirmam especialistas Jefferson de Castro Vieira, Walter Marim e Jean Marie Lambert Fotos: Fernando Leite / Jornal Opção[/caption]
Walter Chaves Marim, mestre pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e doutor em Economia pela Universidade de São Paulo (USP), se diz esperançoso para os próximos anos. Apesar de analisar o primeiro mandato de Dilma como "pesado", com forte interferência ideológica na Economia, garante que 2015 não será um ano de "sufoco", mas, sim, de "ajustes".
"Houve um despertar da sociedade nas últimas eleições, um posicionamento ideológico das pessoas, e a presidenta sabe disso. Ela irá realizar as reformas necessárias, como a Tributária e até a Política, caso contrário terá um mandato conturbado", sustenta o especialista.
De acordo com ele, o caminho para que as reformas saiam do papel é só um: o diálogo. "A perda de competitividade da Indústria se dá por dois movimentos, o primeiro, porque elas têm baixo poder no mercado internacional e vendem menos; consequentemente, importa-se mais. Como resolver isso? Negociando com os setores. Falta uma aproximação por parte do Governo Federal", afirma.
Marim toca em um dos calcanhares de Aquiles da presidente, que sempre foi duramente criticada por não conseguir estabelecer diálogo com o mercado. "Não é só enviar um projeto para o Congresso... Dilma precisa abrir as portas do Planalto, negociar, debater, achar soluções que agradem não só seus aliados políticos. Enfiar as coisas goela abaixo não funciona, principalmente, no setor privado", alerta.
O posicionamento do professor da PUC-Goiás Jefferson de Castro Vieira é ainda mais firme, destacando que o governo Dilma sofre por um equívoco básico cometido antes mesmo da ex-ministra chegar ao posto mais alto da nação. "A Economia nos ensina que é preciso fazer caixa, poupança, durante os tempos de bonanza. Quando o Brasil estava em franco desenvolvimento no governo Lula, não se preocuparam com o que poderia acontecer depois. Veio a crise, que, embora o governo negue, afetou o Brasil e culminou nos baixos índices dos últimos anos", apontou.
No entanto, Vieira ratifica que o novo governo é uma oportunidade para Dilma "corrigir" as falhas dos últimos anos. "Precisamos de um diálogo mais aberto, de uma reforma tributária, um novo Pacto Federativo, que ponham fim à guerra fiscal entre os Estados e à concentração de recursos no Governo Federal", acrescenta.
Problema fisiológico
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Jean Marie Lambert: “Dilma não vai tomar medida nenhuma. O governo atual vive disso e as falcatruas são o grande entrave para mudanças significativas. É um governo mafioso”[/caption]
Doutor em Relações Internacionais pela Universidade de Liège, na Bélgica, o economista Jean Marie Lambert, refuta a ideia de que alguma reforma possa evitar o fiasco econômico que aguarda o Brasil na "esquina 2015". Consultor em negócios internacionais, ele acredita que o governo do PT - e todos os ditos de esquerda - enxergam no empresariado uma "ameaça".
Em vez de se abrirem para o setor da Indústria e Comércio, relata, infligem complicações burocráticas, criando um ambiente de negócios "irrespirável". "A administração pública brasileira se tornou um obstáculo quase intransponível. Me parece que o Brasil ainda vive na Era Colonial, na qual a nação é colocada à serviço do Estado", critica.
Lambert acusa o famoso "jeitinho brasileiro" e a maneira de governar petista como culpados pelo atual cenário. "Pode-se mudar a casca, mas o conteúdo é o mesmo. Não vejo como reformas tributárias e políticas possam mudar o quadro, porque elas não vão acabar com o ativismo político dentro da administração pública. Ainda mais com o PT no Poder", advertiu.
Ao explicar os motivos da debandada de investidores internacionais, o estudioso alega que as obras sociais e os programas assistenciais de Dilma não convencem o mercado. "Não é só pela imbecilidade do sistema, que é extremamente burocrático para poder vender facilidades, mas, acima de tudo, porque se o empresário investe um centavo no Brasil e tem um centavo de retorno, ao passo que se ele investir um centavo na Malásia, ele terá dois de retorno, não há dúvidas de que ele não ficará aqui", arrematou.
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Walter Marim defende que “Dilma tem mais autonomia agora"[/caption]
Embora Walter Chaves Marim concorde com o colega quando este diz que há um sistema pesado e burocrático, ele se mostra mais flexível quanto à eficácia das reformas. "Dilma tem mais autonomia agora, pois quem foi eleita foi ela. Dependendo das decisões da presidenta, poderemos voltar a crescer e devolver a credibilidade ao mercado brasileiro, o que permitirá mais investimentos e a vinda de dinheiro para o Brasil", defende.
Lambert se mune dos escândalos de corrupção durante as gestões do PT para discordar veementemente: "Dilma não vai tomar medida nenhuma. O governo atual vive disso e as falcatruas são o grande entrave para mudanças significativas. É um governo mafioso".
Corrupção
Sobre o tema, Marim afirma que todas as denúncias envolvendo a Petrobrás e os escândalos das empreiteiras que dominaram a mídia nas últimas semanas têm uma grande importância para o Brasil. "Penso como a Dilma. Não dá para condenar a empresa, é preciso punir as pessoas, coibir a corrupção e efetivar uma legislação que condene os corruptores. Não dá para falar que partido A ou B é corrupto, os partidos e as empresas não são corruptos. As pessoas, sim", explica. Marim chega a caracterizar o momento pelo qual o Brasil passa como "feliz": "a Reforma Política tem que sair! Não adianta crucificar o País, é preciso pensar em maneiras de coibir a corrupção". Em resposta, "podem tentar construir a imagem que quiserem, polir o discurso político e falar do futuro de maneira 'otimista', mas não adianta... Os números mais cedo ou mais tarde aparecem e cobram os direitos", alfineta Jean Marie Lambert. Para ele, o déficit econômico, a balança comercial negativa, as contas públicas "catastróficas", o valor do dólar, a inflação e os juros altos compõem o pacote negativo que deve aterrissar nos próximos anos."E só isso mesmo que deve chegar ao Brasil, porque investimentos não vêm", completa. [caption id="attachment_21285" align="aligncenter" width="599"]
A corrupção não acabará com o PT no poder, afirma especialista Foto: Roberto Stuckert Filho/PR[/caption]
Neste sentido, o professor Jefferson de Castro Vieira lembra que ainda há uma conta alta a ser paga. "O Governo fez compromissos financeiros acima do que poderia pagar. As obras da Copa do Mundo, por exemplo, foram importantes, mas não havia dinheiro suficiente em caixa... Faltou planejamento", ressaltou.
Ao final, constata-se que os brasileiros devem se preparar para um 2015 arrochado, com a economia patinando e o futuro incerto. Pelo sim ou pelo não, o mais indicado é diminuir gastos, cortar despesas fúteis, fazer uma poupança e evitar o comprometimento do orçamento -- expressões repetidas pelos três especialistas, endereçadas ao cidadão e, principalmente, ao Governo Federal.
Governador dificulta deliberadamente o acesso do eleito às informações sobre a real situação do governo
O sistema encabeçado por Siqueira Campos está morto e não é de agora. A derrota nas urnas, com a máquina nas mãos, é um reflexo da desestruturação do grupo, que já foi a maior força política do Estado e que comandou o Tocantins desde que ele foi criado, com alguns intervalos de democracia, como diriam os críticos
O ex-prefeito de Palmas Raul Filho, ainda no PT, deve ser expulso do partido logo após as eleições. Sem mandato, agora é um aliado do prefeito Carlos Amastha (PP), de quem foi desafeto político em 2012
A candidata do PSB encarna um sentimento latente de intransigência. Seus eleitores veem nela a possibilidade de fazer com que tudo se reorganize de forma diferente — ainda que o País tenha de passar pelo caos
Depois de Gaguim e Sandoval, o filho de Siqueira Campos espera se eleger deputado estadual, virar presidente da Assembleia Legislativa e conquistar o Palácio Araguaia pela via indireta. Pretensão esbarra na baixa cotação junto ao eleitor
Ruy Bucar
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Foto: Fernando Leite/Jornal Opção[/caption]
O ex- senador Eduardo Siqueira Campos (PTB), principal herdeiro do siqueirismo, inexplicavelmente abriu mão de ser candidato ao governo do Estado, contrariando um projeto que vinha sendo articulado desde o primeiro dia do governo do pai e que ele comandou até o dia da renúncia. As suas atitudes indicam que também comanda o governo do sucessor, Sandoval Cardoso (SD), com o qual tem voz decisiva, como se vê por meio de atos e declarações insuspeitas.
Eduardo abriu mão também de ser candidato ao Senado e à Câmara Federal, mas não desistiu de ser governador. Pelo menos é o que revelam aliados próximos que dizem que o ex-senador mudou de estratégia, mas mantém ambição pelo cargo. Para tanto está disposto a bancar uma estratégia que pode custar caro, mas que acredita poder levá-lo com segurança ao comando do Palácio Araguaia.
Em vez de se submeter ao voto popular, Eduardo Siqueira Campos persegue agora outro caminho que considera mais fácil e seguro, sem passar por desgaste de campanha eleitoral nem sofrer o risco de perder eleição. O plano é se eleger deputado estadual, de preferência o mais votado, o que facilita conquistar a presidência da Assembleia Legislativa, e daí a dois anos se eleger governador pela via indireta. Essa estratégia leva em consideração o histórico dos últimos seis anos em que dois governadores — Carlos Henrique Gaguim e Sandoval Cardoso — foram eleitos por esta via. A estratégia parece simples, mas é por demais complicada e depende de muito fatores que não estão ao alcance de um herdeiro do siqueirismo, que considera o Estado um feudo.
Eduardo sequer tem garantida a sua eleição para a Assembleia Legislativa. Invadindo colégio eleitoral de aliados ele já criou uma guerra na base governista e está aumentando a rejeição ao seu nome. Por isso mesmo, Eduardo é um dos líderes com maior rejeição no Tocantins.
Em meio à perplexidade do pai, que foi convencido a renunciar ao mandato para abrir vaga para ele e o viu desistir da postulação, e de aliados próximos que articulavam a sua candidatura, Eduardo decidiu ser candidato a deputado estadual. Ele acredita que esse é o caminho mais curto para chegar ao Palácio Araguaia. Pode ser o mais curto, mais seguro e menos complicado, mas não dispensa o voto popular, como ele imagina. Então vejamos.
Para chegar ao governo do Estado Eduardo Siqueira Campos precisa ser eleito deputado, e não basta apenas ser o mais votado. Precisa contar com uma combinação de fatores que inclui a reeleição do governador Sandoval Cardoso e da disposição deste em renunciar, como também o vice, deputado Ângelo Agnolin (PDT), o que provocaria uma eleição indireta a ser conduzida pela Assembleia Legislativa. Só nestas condições Eduardo Siqueira pode triunfar.
Pesquisas qualitativas, que buscam não apenas saber a opinião do eleitor, mas investigar as razões das suas escolhas eleitorais, começam a identificar com muita clareza o temor dos eleitores do Tocantins em votar em Sandoval Cardoso temendo um novo “golpe”, qual seja a renúncia do governador eleito para ceder lugar para outro governador que será eleito não por eles, mas pelos deputados. O temor do eleitor aumenta a rejeição da chapa governista, que abusou do recurso da eleição indireta e deixou uma imagem negativa, de manipulação, de golpe.
O temor dos eleitores que dizem claramente não querer votar em Sandoval Cardoso, para não correr o risco de eleger outro nome que eles nem sabem quem pode ser, revela que o plano de Eduardo Siqueira está fadado ao fracasso. O plano pode ser legal, mas é imoral. E se pode fortalecer a figura do ex-senador, está ajudando a enfraquecer a combalida candidatura de Sandoval Cardoso.
Sem a reeleição de Sandoval tudo irá de água abaixo. E não será a primeira derrota. A primeira foi a renúncia do pai para que o filho pudesse ser candidato ao governo e no final nem sequer pôde compor a chapa majoritária. Aliás, nenhum dos dois. Daí talvez a ideia do “golpe” com uma eleição indireta para tentar recuperar aquilo que já foi perdido: o poder.
A rejeição dos eleitores à eleição indireta tem explicação. Nos últimos seis anos o Tocantins teve quatro governadores — Marcelo Miranda, Carlos Henrique Gaguim, Siqueira Campos e Sandoval Cardoso —, sem falar do próprio Eduardo Siqueira Campos, que mesmo sem ter sido eleito foi o que mais governou neste período. Neste contexto fica difícil a gestão deslanchar.
Para a senadora Kátia Abreu (PMDB) esse processo de troca de gestores é a principal razão do fracasso da gestão pública. Segundo ela, Gaguim já entrou no governo pensando não em governar, mas em se reeleger. Em seguida Siqueira venceu a eleição e entregou o governo ao seu filho, que desde o primeiro dia trabalhou pela sua campanha. “Desde Gaguim para cá não há gestão, há apenas campanha eleitoral”, observa a senadora, que condena este tipo de golpe violentador da democracia e que tem comprometido o desenvolvimento do Estado.
A exoneração do radialista PC Lustosa da Rádio FM 96,9, supostamente a pedido do ex-senador Eduardo Siqueira Campos, causa um grade estrago na campanha do candidato a deputado. O caso é grave e prejudica não só Eduardo como o governador Sandoval Cardoso. Na conclusão dos eleitores, além da perseguição que todos sabem que Eduardo é capaz, ainda tem um problema adicional, que é a confirmação da suspeita de que continua governando, o que inclusive pode suscitar a impugnação de sua candidatura. Um escândalo desnecessário que tem muito a ver com o estilo do ex-senador. Se foi ele ou não o estrago já está feito.
Ao desistir de se candidatar ao governo por absoluta falta de condições políticas o ex-senador mandou espalhar a ideia que estava refluindo para voltar mais forte. A ideia era mostrar força e poder. Demonstrar que ainda comanda o governo, que será usado como trampolim para a sua eleição. Seria um recado para levantar a autoestima dos siqueiristas meio desanimados depois da renúncia do velho líder.
A notícia se espalhou rapidamente por todo o Estado, só que fez efeito contrário. Mesmo os eleitores simpáticos ao governo dizem que se Sandoval for eleito, dentro de dois anos haverá uma nova eleição, levando para o governo alguém que não consegue vencer uma eleição direta, no caso Eduardo Siqueira. O que as pesquisas qualitativas perceberam o senso comum já vinha denunciando. A eleição de Sandoval Cardoso prenuncia um novo golpe político no Tocantins, colocando no comando do Palácio Araguaia alguém que não foi eleito pelo povo.
No marketing político, quando uma ideia faz efeito contrário é considerada erro tático. Uma ideia fora do lugar. A ideia pode até ser boa, mas talvez não apropriada para aquele momento ou aquela realidade. Foi o que aconteceu em maio de 1992, no auge do movimento pelo impeachment do presidente Collor de Melo. Alguém sugeriu que ele convocasse a sociedade para vestir verde e amarelo em apoio ao seu governo. No outro dia as pessoas amanheceram de preto, dando origem ao domingo negro. Tempos depois o ex-presidente confessava que quando viu chegar as informações sobre o que as pessoas estavam vestindo, concluiu: “a Presidência está perdida”. Collor considerou que a ideia foi um erro tático absurdo que apressou a sua queda.
A ideia de mais uma eleição indireta para levar Eduardo Siqueira ao Palácio Araguaia pode estar seguindo este mesmo caminho. Distanciando ainda mais o siqueirismo do poder.

