Em jogo fraco e mesmo roubado pelo juiz, Brasil ganha de freguês

Mais uma vez o selecionado da casa faz pouco, mas o Chile já aprendeu a gostar de apanhar dos brasileiros

Cezar Santos

O jogo de abertura das oitavas de final da Copa do Mundo 2014 não foi lá essas coisas. Brasil e Chile fizeram uma partida de poucas emoções, reflexo do nível técnico sofrível.

O Brasil não joga mais porque não dá conta. É uma pálida sombra do time que ganhou a Copa das Confederações, embora os jogadores sejam os mesmos. O Chile não joga mais porque é limitado mesmo, embora tenha um entrosamento admirável.

Como o Brasil é melhor, forçou mais, teve mais posse de bola e acabou abrindo o placar.

Numa jogada um tanto óbvia, de escanteio, em que a bola ficou pererecando na área e os zagueiros da defesa mais nanica da Copa ficaram assistindo, um deles acabou fazendo contra o gol creditado na conta de David Luiz.

Não foi desmerecido. O Brasil não apresentava um jogo de primeira, mas se fazia impor no campo adversário.

Mas eis que o melhor jogador do time até então – sim, estou falando de Hulk – erra, rebate mal um arremesso lateral e a bola fica com os chilenos. Bola no pé de Alexis Sánchez, matador, que guarda na rede de Júlio Cesar. Jogo empatado.

Teve gol de Hulk, que o juiz erradamente anulou por considerar que ele tinha ajeitado no braço. Ombro não é braço, mas o juiz não sabe nada de anatomia.

Hulk, apesar do erro que resultou no gol do Chile, foi o melhor jogador de linha do Brasil |Foto: Rafael Ribeiro/CBF

Hulk, apesar do erro que resultou no gol do Chile, foi o melhor jogador de linha do Brasil |Foto: Rafael Ribeiro/CBF

Daí pra frente foi um desespero só. Jogo ruim. Neymar some depois de ter levado um trompaço. Fred também leva um trompaço. Cadê o Fred?

Oscar some. Fernandinho some. O meio de campo do Brasil não joga nada. A defesa dá cochilos. A avenida Daniel Alves se abre e os chilenos passeiam por ali.

Júlio Cesar faz uma defesaça. O goleiro chileno faz uma defesaça.

Com tudo isso, termina empatado.

Começa a prorrogação.

O Brasil se enrola num futebolzinho burocrático. Bem marcado, Neymar deixa a desejar.

Os chilenos metem uma no travessão. Ufa!

Acaba a prorrogação. Vêm os pênaltis que os chilenos buscaram desde o início.

Aí é loteria.

Júlio Cesar defende dois pênaltis. O goleiro deles defende um. Na soma dos erros e das defesas dos dois goleiros, a sorte sorriu para o Brasil, que ganhou na loteria.

Júlio Cesar foi o herói brasileiro. Um herói de olhar triste — o que está acontecendo ou o que aconteceu com Júlio César?

Estamos nas quartas de final. Que venha a Colômbia, com seu James, a revelação da Copa — um pouco depois, o moleque fez os dois gols da vitória contra o Uruguai, o primeiro um tirambaço de fora da área, sem deixar a bola cair. Belezura!

O Brasil precisa começar a jogar.

Por enquanto, o peso da camisa amarelinha está sendo suficiente. A qualquer momento pode não ser mais.

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