Na hora da onça beber água

O ex-prefeito de Palmas Raul Filho, ainda no PT, deve ser expulso do partido logo após as eleições. Sem mandato, agora é um aliado do prefeito Carlos Amastha (PP), de quem foi desafeto político em 2012

Gilson Cavalcante

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Esvaziado, Raul Filho não foi ao Senado e deverá continuar sem mandato

Raul Filho (PT) tem de­mons­­trado ser um polí­ti­co inexperiente em termos de articulação, desde a campanha eleitoral para governador do Estado, em 2010. À época, ele estava há pouco mais de um ano e meio em seu segundo mandato como prefeito de Palmas. Relegou as orientações de seu partido ao deixar de apoiar o candidato ao Senado da legenda, Paulo Mou­rão, para seguir Marcelo Miranda, então postulante ao cargo pelo PMDB, que saiu vitorioso, mas não assumiu por questões jurídicas.

Até aí, Raul Filho aparecia no cenário estadual como uma liderança capaz de ganhar forças para um projeto político mais ousado. No entanto, com essa postura, criou uma fissura interna dentro de seu partido, gerando desentendimentos com a direção partidária. Fatura política que, mais cedo ou mais tarde, teria que ser paga com juros e correção monetária.

Assim, desde 2010, as desavenças com a cúpula regional do PT cresceram e o ex-prefeito sempre tentado negociar com a Executiva Nacional a condição de liderança intocável, com cacife para definir os rumos da legenda e amealhar dividendos políticos para se fortalecer como articulador para um grande projeto eleitoral no futuro. “Deu com os burros n’água”, como se diz no linguajar popular.

Por várias vezes, o ex-prefeito foi ameaçado de expulsão do PT, ato que não chegou a ser consumado pelo diretório regional, mas que deve acontecer logo passe o período eleitoral. O resumo de toda essa novela é que Raul Filho, sem mandato há quase dois anos, ficou sem legenda para disputar o Senado e corre o risco de permanecer no ostracismo por mais um bom período. Deve procurar uma nova legenda para comandar e tentar disputar a prefeitura da capital em 2016.

É nesse ponto em que surge um desafio para ele: com quem vai compor e quem pode apoiá-lo nessa investida política? Compôs com o governador Sandoval Cardoso (SDD) e pode acabar sofrendo uma grande rasteira, já que o prefeito Carlos Amastha (PP), que hoje é aliado palaciano, deve disputar a reeleição em 2016. Raul Filho já tinha um plano B desde aquela época. Sabia que sua permanência no PT estava com os dias contados e cuidou logo de aproximar a esposa Solange Duai­libe, deputada estadual que disputa a reeleição, do grupo palaciano, filiando-a ao SDD do governador Sandoval.

Eis a questão: Raul Filho agora está em um mato sem cachorro, justamente na hora da onça beber água. Sandoval não deve ser reeleito e o ex-prefeito vai continuar na berlinda, sem munição para as futuras batalhas políticas à espera de 2018. Política tem disso: acerto de contas com aliados de hoje, correligionários internos, justificativas de aproximação com desafetos de outrora e, principalmente, com o eleitorado.

Raul Filho não teve chances de ir para a disputa ao Senado pelo PT e não quis concorrer a uma das oito vagas de deputado federal, justamente porque sabia que não tinha clima para isso internamente, sem contar o risco de fracasso eleitoral que corria.

Trapalhadas de Amastha

O prefeito de Palmas, Carlos Amastha (PP), tem realizado um bom volume de obras na cidade, mas também tem cometido grandes trapalhadas políticas. Para quem tem planos de disputar o governo estadual em 2018, A­mastha tem se relevando um inapto articulador político.

Tão logo o cenário se desenhou para as eleições deste ano, o prefeito se aliou ao governador-tampão San­do­val Cardoso (SDD) e tentou de imediato detonar o siqueirismo, pensando que estaria dando uma grande cartada política. A intenção era ga­nhar espaço e, com isso, conquistar a condição para postular a candidatura ao governo em 2018, com o apoio de Sandoval, caso este seja eleito.

Amastha, em pouco tempo na política, já gerou muita polêmica e adquiriu adversários de peso. Só lhe resta agora se aproximar de vez de Raul Filho e abraçar uma nova causa, depois de refazer as atitudes pueris, como se fazer política fosse um brinquedo de quebra-cabeças fácil de ser re­montado, sem sobrar peças.

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