Governo se abre para início da transição

A previsão é de que o governador eleito Marcleo Miranda terá muita dificuldade para equilibrar as contas em 2015

Serviço de Saúde no Tocantins é o que apresenta mais problemas; coordenador da comissão de transição  do governador eleito Marcelo Miranda, advogado Herbert Buti coleta dados para a próxima administração | Fotos: Divulgação

Serviço de Saúde no Tocantins é o que apresenta mais problemas; coordenador da comissão de transição do governador eleito Marcelo Miranda, advogado Herbert Buti coleta dados para a próxima administração | Fotos: Divulgação

Gilson Cavalcante

A equipe de transição do governador eleito Mar­celo Miranda (PMDB), após várias insistências, começa a vislumbrar novos horizontes sobre a real situação que vai encontrar pela frente quando assumir o comando do Estado a partir de janeiro. De antemão, Marcelo Miranda sabe que vai se deparar com um quadro caótico que vai herdar, principalmente nas áreas da saúde, educação e segurança pública.

Com o decreto publicado pelo governo estadual, que disciplina a transição governamental, a atual administração garante que vai dotar o próximo governador das “condições necessárias a potencializar a eficiência na prestação dos serviços públicos”. O governador Sandoval Cardoso afirma que está disposto a abrir a administração para que a transição seja feita com a maior transparência possível.

Está estabelecido que, durante o processo de transição, a equipe do governador eleito terá acesso a todos os órgãos, papéis, arquivos magnéticos e outros meios de informação. Na semana passada, as equipes de transição do governador eleito e do atual se reuniram para definir a sistemática de trabalho. O coordenador da comissão do próximo governador, advogado Herbert “Buti”, solicitou ao secretário-chefe da Controladoria Geral do Estado, Ricardo Eustáquio de Souza, um relatório geral por órgão, contendo programas, obras, projetos e ações já executadas ou em andamento.

“Esse relatório servirá como elemento orientador para as ações da futura gestão, sobretudo para que possamos dar continuidade aos trabalhos rotineiros, sem prejuízos à prestação de serviços ao povo tocantinense”, disse Buti. As duas equipes de transição vão se reunir semanalmente, sempre às segundas-feiras, para acelerar os trabalhos.

Na sexta-feira, 21, a comissão de transição do governador eleito fez visita à Secretaria da Saúde, um dos órgãos em que a situação é mais crítica. Nesta segunda-feira, 25, a equipe vai à Secretaria da Fazenda e na quinta, 27, visita a Secretaria de Segurança Pública.

Buti sustentou que 2015 será um ano que vai exigir muita austeridade do governador Marcelo Miranda, para reorganizar a estrutura administrativa do Es­tado. “O governador Marcelo Miranda vai fazer um enxugamento drástico, sem prejuízo para a máquina administrativa”, adiantou o coordenador da co­missão e transição.

“Irresponsabilidade fiscal”

Na Assembleia Legislativa, o governo tem sido alvo de duras críticas por parte dos oposicionistas. O presidente da Comissão de Finanças, Tributação, Fiscalização e Controle, José Augusto Pugliesi (PMDB), por exemplo, acusou o governador Sandoval Cardoso de tentar maquiar o que classificou de “irresponsabilidade fiscal”, ao se referir às exonerações e nomeações realizadas a partir de outubro.

José Augusto afirmou que o governo não respeita as pessoas que passaram em concurso público e até hoje não foram nomeadas, em detrimento de milhares que foram nomeados em cargos de comissão ou através de contratos especiais. A situação, no entendimento do deputado, vai exigir que Marcelo Miranda faça uma séria contenção de gastos.

Na avaliação do peemedebista, o governador eleito vai ter que se imbuir do espírito parcimonioso, para equilibrar as finanças do Estado e se readequar à Lei de Responsabilidade Fiscal, sem deixar de valorizar os servidores públicos.

Secretariado

As especulações sobre a formação do novo secretariado continuam. Alguns nomes são cogitados, mas o governador eleito descarta qualquer conjectura acerca de sua equipe de governo. Disse, em nota recente encaminhada à imprensa por intermédio de sua assessoria, que apenas ele tem a prerrogativa de convidar e anunciar qualquer nome que venha a compor sua gestão.

No entanto, a classe médica está se mobilizando e quer que Marcelo Miranda nomeie um médico para a Secretaria de Saúde. O Conselho Regional de Medicina está à frente dessa postulação e começa a fazer pressões.

Mas esse tipo de postulação pode sofre um chega-pra-lá. “Nenhum político ou agremiação política-partidária que tenha apoiado sua candidatura possui algum tipo de cota pré-definida na composição do futuro secretariado”, sustenta Marcelo Mi­randa na nota encaminhada pela sua assessoria à imprensa.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.