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Ex-ministros Antonio Palocci, Gleisi Hoffman e Humberto Costa: com a grana do petrolão na mão[/caption]
O vazamento da relação de 28 políticos denunciados como clientes dos pagamentos do petrolão não assegura que todos sejam denunciados à Justiça antes de fevereiro. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pode dar um tempo para verificar quem não se elegeu em outubro último e definitivamente ficou fora de mandato no Congresso.
Com essa cautela de Janot, seria encaminhado ao julgamento pelo Supremo Tribunal Federal somente quem disponha de foro especial na época do envio da representação. Os outros continuariam a ser encaminhados à Justiça Federal em Curitiba, onde o caso corre na mão do juiz Sérgio Moro.
Entre os 28, o único ministro atual é o de Minas e Energia, Edison Lobão (PMDB), que deve voltar ao Senado em janeiro. Há quatro ex-ministros, três do PT: Antonio Palocci (Fazenda e Casa Civil), Gleisi Hoffman (Casa Civil) e Humberto Costa (Saúde) — os dois últimos são senadores. O outro ex-ministro é do PP, Mario Negromonte (Cidades).
No bolo dos 28, o campeão é o PP, onde nasceu o petrolão em esquema montado por Paulo Roberto Costa, ao tornar-se diretor da Petrobrás em 2004. O PP contribui com dez nomes. A seguir, despontam o PT e o PMDB, cada um com oito. Os outros dois já morreram e eram de Pernambuco, o ex-governador Eduardo Campos (PSB) e o ex-deputado Sérgio Guerra (PSDB).
Na relação, todos os 28 nomes surgiram na delação premiada do ex-diretor Costa, que saiu da cela para a prisão em casa graças à sua colaboração na entrega dos nomes dos 28, mais outras pessoas de empreiteiras que atendiam à Petrobrás em troca de propinas. Todas as pessoas já na mão da Operação Lava Jato. O nome de cada um surgiu em 80 depoimentos de Costa.
A relação vazou no momento em que a presidente Dilma era diplomada pelo Tribunal Superior Eleitoral, na quinta-feira, mas foi divulgada na imprensa apenas na sexta. A relação inclui os dois presidentes do Congresso, ambos do PMDB: senador Renan Calheiros e deputado Henrique Alves.
O PMDB contribui com dois ex-governadores, Sérgio Cabral (Rio) e Roseana Sarney (Maranhão). Mais dois senadores, Valdir Raupp (Rondônia) e Romero Jucá (Roraima). O oitavo peemedebista da lista é o deputado Alexandre José dos Santos (Rio).
Na cota do PT está o governador reeleito Tião Viana (Acre). São quatro senadores, entre eles Gleisi Hoffman e Humberto Costa, já mencionado como ex-ministros. Os outros dois são Lindbergh Farias (Rio) e Delcidio Amaral (Mato Grosso do Sul). Enfim, dois deputados, Cândido Vaccarezza (São Paulo) e Vander Couber (Mato Grosso do Sul).
O campeão PP tem em seus dez nomes, além do ex-ministro Negromonte e do ex-deputado Pedro Corrêa (Pernambuco), dois senadores: Ciro Nogueira (Piauí) e Benedito de Lira (Alagoas). Os outros seis são deputados: João Pizzolatti (Santa Catarina), Nelson Meurer (Paraná), Simão Sessim (Rio), José Otávio Germano (Rio Grande do Sul), Luiz Fernando Faria (Minas) e Aline Lemos de Oliveira (São Paulo).
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Deputado Marco Maia teve de mudar relatório mentiroso da CPI do Petrolão Foto: Wilson Dias/ Agência Brasil[/caption]
Sob pressão do relatório alternativo da oposição, onde revelaria aquilo que o governo escondeu na CPI da Petrobrás, o PT, como a presidente Dilma, demonstrou que pode admitir irregularidade na petroleira, mas sem comprometer partidos, políticos ou atuais diretores da estatal, muito menos a chefe da diretoria, Graça Foster.
Foi alterado o primeiro relatório governista, que não encontrou nada de errado, nenhum vestígio de um tal petrolão. A nova versão, aprovada definitivamente na quinta-feira, é um pouco dura, mas sem amolecer muito. Contra 8 votos da oposição, 19 governistas decidiram que 52 pessoas são responsáveis por irregularidades. Elas já respondem à Operação Lava Jato.
Além disso os 52 são apenas antigos diretores da Petrobrás ou executivos das empreiteiras que pagavam propinas ao petrolão e, em troca, superfaturavam os serviços prestados à petroleira. São três antigos diretores: Paulo Roberto Costa, que geria o esquema; Renato Duque, ex-tesoureiro do PT; e Nestor Cerveró, que participou da compra da Refinaria Pasadena.
O marketing determinou a mudança do comportamento governista na CPI. A mudança não se originou de consciência pesada de políticos do governo. A boa repercussão na mídia do relatório alternativo da oposição comprovou que aquele, sim, correspondia à imagem que as denúncias sobre o petrolão formaram na sociedade. Aquele outro relatório, em branco, se chocava com a realidade das ruas.
Além disso, a oposição prometia levar seu relatório alternativo ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que encaminha à Justiça os fatos apurados no petrolão. Aí, o governo mudou de ideia, mas a oposição continua disposta a levar seus papéis e comprovantes de culpa a Janot, numa operação que chegará ao público.
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Presidente Dilma com militares: discurso para agradar a tropa Foto:Valter Campanato/ Agência Brasil[/caption]
Em clima de confraternização pelo fim de ano, a presidente Dilma se dedicou nos últimos dias à aproximação gradual com os militares desde a apresentação do relatório final da Comissão Nacional da Verdade, que indicou 377 responsáveis por abusos contra os direitos humanos na ditadura do golpe de 64, num ambiente onde apenas ela falou e os generais ouviram.
“Ao concluir meu primeiro mandato, estamos mais seguros no mar, em terra e no ar”, gabou-se a presidente de contribuir ao profissionalismo da Marinha, Exército e Aeronáutica ao equipar os militares com recursos modernos. A seguir, apontou a missão profissional que espera deles, com o tratamento informal que companheiros se aplicam na segunda pessoa do plural, vocês:
— O Brasil conta com o profissionalismo de vocês nesta nova etapa de suas carreiras, na qual, estou certa, continuarão honrando o compromisso de defender a soberania, de defender os poderes constitucionais e a democracia de nosso País.
Em seguida, reiterou o papel democrático que espera dos novos oficiais promovidos no nível de generais. “Ao assumirem suas funções como almirantes, generais e brigadeiros, os senhores terão um papel de destaque na construção de um Brasil mais seguro e mais forte, mais justo e mais democrático”, predestinou o caráter democrata.
Tudo planejado estrategicamente de modo a ordenar a convergência entre si de quatro atos no espaço de uma semana neste fim de ano. No primeiro ato, veio a ofensiva civil que incomodou a tropa: o lançamento do relatório da Comissão Nacional da Verdade, no Planalto, no último dia 10.
Dois dias depois, o segundo ato. Dilma foi aos militares. Visitou a base naval de Itaguaí, no Rio, onde se projeta a construção de submarinos. Não discursou, apenas falou sobre a importância da obra naquele primeiro passo pós-Verdade em território militar como quem sonda a caserna, na companhia do ministro da Defesa, Celso Amorim, que levou os três comandantes militares.
A sondagem do terreno agradou à presidente, em especial pela fala, de obediência hierárquica, do comandante da Marinha, almirante Julio Moura Neto, a repórteres, a respeito do relatório sobre crimes da ditadura, na terceira vez em que foi perguntado a respeito:
“A Comissão Nacional da Verdade cumpriu o papel dela. Fez o relatório sobre o qual nós (militares) não tivemos a oportunidade de nos debruçar. Então não podemos analisar o que foi escrito A presidente disse que ia se debruçar sobre o relatório; e estamos esperando isso.”
Encorajada, a aproximação de Dilma dos chefes veio mais firme no terceiro ato, quatro dias depois. Os novos brigadeiros, almirantes e generais foram ao Planalto se apresentar à presidente, que os recebeu com aquele discurso sobre a missão democrática que espera deles.
Mais duas horas e Dilma encontrou, na mesma terça-feira, um grupo mais amplo da caserna no salão do Clube da Aeronáutica. Era a vez do quarto ato, o tradicional almoço de fim de ano do presidente com os chamados oficiais-generais. Ela tratou de refrescar a memória de todos sobre a visita à base naval, no interior do Rio:
— Na última sexta-feira, eu participei da inauguração do prédio principal do estaleiro de construção de submarinos em Itaguaí.
Recordou seu compromisso com o reequipamento militar, abordou a inclusão de submarinos convencionais no programa, mais a promessa de outros nucleares no futuro. Mencionou os aviões da Aeronáutica e os blindados do Exército. “Meu governo tem dado grande atenção às necessidades das Forças Armadas”, garantiu buscar a “valorização da carreira militar”.
À mesa de almoço dos aviadores, o discurso foi três vezes mais longo do que a fala no Planalto. O roteiro de convivência com a caserna nos últimos dias estava firme. Todos ouviam a presidente. “Nas eleições de outubro último, deram importante apoio para que a festa maior da democracia se realizasse em clima de tranquilidade”, agradeceu o sossego em sua reeleição.
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Celso Daniel: morto quando ia
parar esquema petista de propinas[/caption]
O fantasma de Celso Daniel voltará a assombrar o PT pelos próximos anos com a denúncia da suspeita de que o então prefeito de Santo André foi assassinado há quase 13 anos porque estava disposto a acabar com o esquema de companheiros petistas para cobrar propinas de empresas com interesse nos serviços da prefeitura da cidade no ABC paulista.
O caso volta à cena na Justiça graças a um empate no Supremo Tribunal Federal que, praticamente, reabre o processo desde o início com nova coleta de provas, embora só faltasse julgar uma das oito pessoas acusadas de participar da morte do prefeito do PT para garantir as propinas, além de queima de arquivo.
O empate também foi controvertido. Numa das turmas de juízes do Supremo, dois ministros aceitaram o pedido de anulação do julgamento apresentado pelo advogado de defesa de Sérgio Gomes da Silva, o Sombra, Roberto Podval: Marco Aurélio Mello e Dias Toffoli. Outros dois recusaram, Rosa Weber e Luís Alberto Barroso. Em caso de empate, beneficia-se o réu.
Faltava julgar o amigo que acompanhava Celso Daniel até o momento em que ele marchou para a morte depois de jantarem numa churrascaria paulistana, Sérgio Gomes da Silva, o Sombra. Ele seria o mandante do crime e coordenador da cobrança de propinas. Todos os outros sete foram condenados no processo que se reabre a pedido do advogado de Sombra.
Há dois anos, a defesa de Sombra conseguiu que o Supremo suspendesse o julgamento em Itapecerica da Serra porque o réu estaria sendo prejudicado em sua defesa. Agora, a reabertura quase na fase inicial deve acrescentar pelo menos mais cinco anos ao processo. Como o prefeito foi assassinado em janeiro de 2002, a causa pode ser prescrita dentro de sete anos.
A prescrição interessa a Sombra porque estaria definitivamente isento de culpa. A reabertura interessa também à família de Celso Daniel para provar que o crime não ocorreu num sequestro comum do então prefeito. Os Daniel acreditam em crime político, a mando de Sombra em nome do PT. O Ministério Público do Estado concorda. Ao partido interessa a prescrição.
A controvérsia se justifica. O adolescente que confessou ser autor do sequestro foi assassinado no presídio ao receber uma visita no parlatório. Também foram assassinadas outras seis pessoas que testemunharam sobre fatos relacionados à morte do prefeito.
Quem deve saber de coisas é o companheiro Gilberto Carvalho, então secretário de governo do prefeito. Hoje, secretário-geral da Presidência, ele está prestes a ser removido pela presidente Dilma para o conselho de administração do Sesi, onde reencontraria o velho companheiro Jair Meneguelli, que desde o governo Lula preside confortavelmente o Serviço Social da Indústria.
Um dos irmãos de Daniel, João Francisco, diz que chegou a ouvir de Carvalho que o próprio teria carregado malas de dinheiro de Santo André para a cidade de São Paulo. Grana entregue ao companheiro José Dirceu, na época presidente do PT. Dirceu nega tudo, como Carvalho, naturalmente. O fato é que o caso seria precursor do mensalão, engendrado no fim daquele 2002, com a eleição de Lula.
Ação sabiamente arquitetada pelo papa Francisco decreta o fim de um caduco boicote diplomático dos norte-americanos à ilha que quase levou o mundo ao conflito nuclear
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Antenor Nogueira, presidente da Agência de Agrodefesa do governo de Goiás[/caption]
Há um consenso sobre Antenor Nogueira: é íntegro e não é incompetente. Mas sua falta de polidez, cantada em verso e prosa, irrita todos aqueles que precisam manter relações com a Agrodefesa, agência do governo de Goiás. Os fiscais do órgão não querem a permanência do executivo nem que a vaca “tussa” em alemão e “produza” euros. Eles são capazes até de fazer novena e ir a pé de Trindade a Aparecida, em São Paulo. “A Agrodefesa ficaria melhor sem Antenor”, diz um fiscal.
O fiscal garante que, se for feita uma pesquisa, Antenor Nogueira será campeão em rejeição. “Parece que seu maior e, talvez, único prazer é ser intolerante”, afirma.
Idealizador de um novo partido, o Segurança, advogado goiano reúne grupo que quer “acabar com estereótipos” da disputa política
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Alexandre Baldy: ampliando alianças políticas na capital econômica de Goiás | Fernando Leite/Jornal Opção[/caption]
O deputado federal eleito Alexandre Baldy tem dois mestres políticos, o ex-vice-presidente da República e ex-senador Marco Maciel (apelidado de Chile, por ser longilíneo) e o governador Marconi Perillo. Sobretudo, o jovem tucano articula por sua própria conta e risco. Ele tem surpreendido os meios políticos devido à sua desenvoltura ao entabular alianças estratégicas. Em Anápolis, desde já, está formatando uma ampla frente política para que possa se lançar candidato a prefeito, em 2016. Aos poucos, de maneira sensata e com responsabilidade, está criando massa crítica para interpretar as ações do prefeito João Gomes.
Na semana passada, Baldy, mostrando-se atento, prestigiou a solenidade em que o pastor Elismar Veiga, uma referência política (é primeiro suplente de deputado estadual) e religiosa (é líder da Assembleia de Deus) de Anápolis, assumiu a presidência do PHS do município. Não há nada definido, mas Elismar Veiga pode ser o vice de Baldy em 2016.
O petista João Gomes vai enfrentar um político maduro e capaz de articular uma estrutura profissional de campanha. Por sua capacidade de articulação, Baldy é visto como páreo duro de ser batido.
O presidente nacional do PHS, Eduardo Machado, sintetiza: “Baldy é um avião político dos mais modernos. Ele é um político atentíssimo, é ágil, não é burocrata. Tem um grande futuro e deve ser eleito prefeito de Anápolis e depois poderá alçar voos ainda mais altos”.
Dois peemedebistas conversaram com um repórter do Jornal Opção e fizeram críticas, que chamam de “positivas”, ao deputado federal eleito Daniel Vilela. “Daniel é um garoto de excelente cepa, polido e educado, porém padece do mesmo mal de seu pai, o prefeito de Aparecida de Goiânia, Maguito Vilela: embora seja um pouco mais direto, não articula e parece incapaz de liderar”, afirma o peemedebista mais jovem. “Daniel tem o hábito de ‘aparecer”, de se posicionar de maneira fugaz, e depois ‘desaparece’, como se não precisasse dar continuidade às suas ações. O líder do estilo vaga-lume não funciona. Mas ele é uma liderança emergente, relativamente posicionada”, diz um líder mais experimentado. Daniel, segundo os dois críticos, não procura os descontentes do PMDB para conversar. “Daniel”, insistem, “precisa ser mais presente”. “Parece que Daniel é meio dual — ora parece jovem, ativo; depois, parece velho, inativo, distanciado. Não é fácil entendê-lo. Fica-se com a impressão de que está sempre jogando para a plateia.”
A equipe do governador Marconi Perillo é uma caixa de surpresas. Por isso é preciso apresentar nomes, mesmo numa especulação, com o máximo de cuidado. Porque, fora José Eliton (Desenvolvimento), Ana Carla Abrão Costa (Fazenda) e Lêda Borges (Cidadania), ninguém está definido. A seguir uma listagem básica e especulativa: Comunicação — Carlos Maranhão, Luiz Siqueira, Danin Júnior e João Bosco Bittencourt; Educação — uma educadora de São Paulo (se fosse possível, Marconi indicaria o economista Gustavo Ioschpe), Raquel Teixeira ou Vilmar Rocha; Saneago — José Taveira; Celg — Julinho Vaz (e Orion Andrade numa diretoria); Casa Civil — Henrique Tibúrcio; Cidades — Vilmar Rocha, Sandes Júnior, José Paulo Loureiro ou Roberto (ou João) Balestra. Cultura — Aguinaldo Coelho Caiado; Segurança Pública — Joaquim Mesquita (teria desistido de fazer um curso no exterior e, por isso, deve ser efetivado. Já estaria organizando sua agenda para janeiro, segundo um deputado federal), João Campos ou José Paulo Loureiro; Governo — Eduardo Machado, Vilmar Rocha e Fábio Sousa (sondado, teria dito que prefere ficar em Brasília); Saúde — Leonardo Vilela ou Halim Girade; VLT — Carlos Maranhão; Meio Ambiente — Jaqueline Vieira; Detran — José Paulo Loureiro ou João Furtado; Escritório de Representação de Goiás em Brasília — Simão Cirineu.
Renovação das eleições deste ano provocou uma profunda mudança no contexto político do Estado. Isso não significa, porém, que quem atendeu às demandas da cidade não tenha chance de reeleição
Em “Fôlego”, Rafael Mendes dá voz a personagens que tentam firmar um pacto com o passado para entender a ruína familiar
A afirmação do título pode parecer demasiadamente pessoal, mas é necessária, afinal, “O Hobbit: a Batalha dos Cinco Exércitos” coroou uma trilogia feita com o único objetivo de atrair o acúmulo dos dólares da bilheteria
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Roberto Marinho, Ruy Mesquita e Roberto Civita: os três (falecidos) jornalistas e executivos do Grupo Globo, do jornal “Estadão” e da Editora Abril ficariam satisfeitos com a informação de que, embora defenda a regulação da mídia, o governo do PT beneficia os monopólios de comunicação. O petismo fala (e critica) uma coisa e faz outra[/caption]
Os grandes jornais e revistas do País arrotam independência, mas também sobrevivem, em parte, graças ao financiamento estatal. A dependência comumente é apontada como típica da periferia do capitalismo, em Estados emergentes e pobres, nos quais os agentes políticos não raro seriam tratados como deuses do Olimpo. Na quarta-feira, 17, a “Folha de S. Paulo publicou a reportagem “Gasto de estatais com publicidade sobe 65%”, acrescentando, no subtítulo, que “empresas controladas pelo governo federal gastaram com propaganda R$ 16 bilhões [o dado preciso é R$ 15,65 bilhões] no período entre 2000 e 2013”. Dos 14 anos apontados, três são referentes à gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e 11 dos governos do ex-presidente Lula da Silva e da presidente Dilma Rousseff, ambos do PT.
A “Folha de S. Paulo”, como acontece com as publicações de São Paulo e Rio de Janeiro — que tendem a tratar o governo federal como uma espécie de colônia —, parece lamentar a pulverização “dos veículos que recebem propaganda das estatais. (...) Eles saltaram de 4.398 em 2000 para 10.817” em 2013. Não há nada de ruim nisto e, neste sentido, pode-se dizer que o PT é mais democrático do que o tucanato. Porém, como os dados não mentem, há uma questão que a “Folha” não enfatiza. Os meios de comunicações da maioria dos Estados — do Nordeste, Norte e Centro-Oeste — receberam migalhas. É como se a pulverização fosse mais para inglês ver. Quem faturou alto mesmo foram os veículos de São Paulo e Rio. O maior faturamento é do Grupo Globo, com R$ 4,216 bilhões. A TV Record aparece em segundo lugar — com 1,177 bilhão. O grupo (Rádio e Televisão) Bandeirantes, em terceiro lugar, faturou R$ 1,004 bilhão. A Globosat Programação Ltda. figura em quarto lugar — R$ 380,22 milhões. A Rede TV! recebeu 303,46 milhões. O governo pagou à Abril Comunicações Ltda. R$ 298,43 milhões. A Editora Globo S. A., que pertence ao Grupo Globo, embolsou R$ 248,36 milhões. Ela edita as revistas “Época” e “Época Negócios”. A Globo Comunicações e Participações S. A. ficou com R$ 242,33 milhões. A Editora Abril S. A. — que edita as revistas “Veja” e “Exame” — ganhou R$ 224,97 milhões (o dado certamente deve irritar os petistas ortodoxos, que abominam sobretudo a “Veja”). A empresa Folha da Manhã S. A. — que publica os jornais “Folha de S. Paulo” e “Agora São Paulo” — pôs na sua conta bancária R$ 206,23 milhões. O jornal “O Estado de S. Paulo” faturou R$ 187,52 milhões. A revista “IstoÉ” levou R$ 178,96 milhões. Na conta da TV Globo Ltda. entraram “apenas” R$ 158,46 milhões. As aspas em “apenas” tem uma explicação: o Grupo Globo, ao qual pertence a TV Globo, faturou vários bilhões. O Valor Econômico S. A., que pertence aos grupos Folha da Manhã (informação não prestada pela “Folha”) e Globo, recebeu R$ 128,69 milhões.
Nenhum dos grupos citados pertence a Estados do Nordeste, Norte, Centro-Oeste e Sul do País. Pode-se dizer, portanto, que, embora o PT seja crítico contundente dos monopólios na área de comunicação, os governos de Lula da Silva e Dilma Rousseff, assim como o do tucano Fernando Henrique Cardoso, favoreceram (e, no caso da petista, favorece) os grandes grupos de comunicação. A pulverização é, por assim dizer, um verdadeiro mico. Jornais, rádios e emissoras de televisão de Estados como Goiás, Mato Grosso, Tocantins, Ceará, Bahia, Paraná, Maranhão e Amazonas recebem tão-somente migalhas. E com outra desvantagem: o governo do PT anuncia, mas demora a pagar.
A “Folha” mostra que publicações alinhadas com o governo petista recebem recursos que não levam em consideração audiência e acesso. “A ‘CartaCapital’, a revista semanal de menor circulação, aparece como destinatária de R$ 44,3 milhões.” O motivo do “presente”? O alinhamento automático da publicação dirigida e editada pelo jornalista Mino Carta. A revista publicou editorial assumindo que apoia o governo da presidente Dilma Rousseff — o que não é demérito algum. É melhor anunciar do que esconder apoio. A “CartaCapital” é crítica, nem sempre sutil, do tucanato. Piada que se conta, nos bastidores: uma professora pergunta a um jornalista da revista — “Meu jovem, quem descobriu o Brasil?”. Ele responde, sem titubear: “Lula!” Em seguida, a mestra inquire: “Meu jovem, quem ‘afundou’ o Brasil?” Mais rápido do que um míssil americano, o repórter replica: “Fernando Henrique Cardoso e o tucanato!”
A revista “Caros Amigos”, uma crítica radical do PSDB e defensora do petismo, pôs na sua conta, no governo petista, R$ 4,7 milhões.
Os dois blogueiros que mais defendem o governo petista e atacam o governo tucano, Luís Nassif e Paulo Henrique Amorim, receberam, entre 2003 e 2013, R$ 5,7 milhões de R$ 2,6 milhões, respectivamente. O site Brasil 247 recebeu, desde 2011, R$ 1,7 milhão. O portal Carta Maior faturou, de 2003 a 2013, R$ 9,1 milhões. O site Opera Mundi ganhou R$ 2 milhões. A “Revista Fórum” faturou R$ 1,7 milhão. Todos defendem o governo do PT e são críticos viscerais do tucanato.
O curioso é que deputados do PT de Goiás costumam dizer que a mídia local é pró-Marconi Perillo devido às verbas do governo estadual. Entretanto, não fazem nenhuma referência ao fato de que a presidente Dilma Rousseff gastou R$ 2,3 bilhões com publicidade em 2013. “Um desembolso recorde”, frisa a “Folha”. Só as estatais, como Petrobrás, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil, torraram R$ 1,4 bilhão. Acrescente-se que tais valores “não incluem gastos das estatais com patrocínio cultural e esportivo”.
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Divulgação[/caption]
Geralmente, a imprensa não consegue fazer bons textos sobre filmes de fantasia, pelo menos em Goiás. Quando o assunto são os filmes baseados nos livros do autor britânico J.R.R. Tolkien, então, a situação se complica ainda mais.
No dia 10 de dezembro, data de estreia de “O Hobbit: a Batalha dos Cinco Exércitos”, o “Pop” publicou a matéria “A despedida do Hobbit”, assinada por Rute Guedes. Em 2013, a jornalista não foi muito feliz em sua análise de “A Desolação de Smaug”, mas neste ano o texto sobre a última parte da trilogia cometeu poucos equívocos, porém, não passou ileso.
Pode ter sido erro de digitação, mas, segundo o “Pop”, o filme é baseado nas obras de R.R. Tolkien. Faltou o primeiro nome. O professor Tolkien se chama John Ronald Reuel Tolkien (J.R.R. Tolkien), e não apenas Ronald Tolkien.
Também há uma falha em chamar Gandalf e Galadriel de feiticeiros. Ora, Gandalf é um istari pertencente à raça dos Maiar, comumente denominado mago. E Galadriel é uma senhora élfica, com grande poder, mas que jamais pode ser classificada como feiticeira. Além disso, o rei élfico se chama Thranduil, não “Tranduil”, como informa o texto. Tirando isso, o texto de apresentação do filme ficou bom.
Os melhores textos sobre o filme, até o momento, foram publicados fora de Goiás. O melhor ficou por conta do colunista da “Folha de S. Paulo” Reinaldo José Lopes, publicado no dia 11. O texto chamado “Minutos finais salvam ‘Hobbit’ da overdose de pancadas” ressalta que há a impressão de que Peter Jackson “se tornou incapaz de distinguir entre a grandiosidade épica (que ele soube explorar na adaptação de ‘O Senhor dos Anéis’) e a overdose de pancadaria”. Sobre os minutos finais, Reinaldo Lopes diz que eles conseguiram amarrar a história à de “‘O Senhor dos Anéis’, de forma supreendentemente sutil e emocionante, criando a ilusão de um conjunto harmônico, a ‘hexalogia do anel’”, e declara: “Nem parece que a mesma equipe produziu essa passagem e as duas horas anteriores de filme”.
No “Estadão”, o jornalista Luiz Carlos Merten focou sua análise nos efeitos, e no motion capture, “que Jackson criou para viabilizar o Gollum, personagem-chave de Tolkien. Elogia o diretor neozelandês por ter feito uma revolução técnica no cinema mundial, algo que pode visto de modo claro em “O Hobbit”: “Tolkien foi um filólogo que pesquisou e sintetizou lendas e mitos de diferentes culturas. Mas justamente por ser linguista, ele construiu primeiro as línguas dos povos exóticos de seus livros — ‘o repicar dos sinos’ da fala dos elfos —, convencido de que a palavra deveria vir antes da história, e isso é Homero. Se Tolkien criou línguas, Jackson fez uma revolução técnica. Toda a trilogia do ‘Hobbit’ investe no grandioso, mas o que fica com a gente, no fim de tudo, é outra coisa. Para quem sabe ver, ‘A Batalha’ é um monumento de intimismo”. O foco de Merten merece elogios, visto que poucas críticas destaque a este ponto. Além disso, na ausência de qualidades no roteiro do filme, resta elogiar o aspecto técnico, porque, nisso, Peter Jackson é realmente mestre. (Marcos Nunes Carreiro)

