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Dock Junior O Ministério Público requereu e a Justiça decretou a indisponibilidade de bens do ex-prefeito de Ipueiras, Caio Augusto de Abreu Ribeiro (PSDB), até o limite de R$ 1.358.13,00. O ex-gestor é acusado pelo Ministério Público Estadual (MPE) de cometer ilegalidades graves no ordenamento de despesas, causando danos ao erário municipal. A decisão liminar é do Juiz da 1ª Vara Cível de Porto Nacional, Valdemir Braga de Aquino Mendonça. A Ação Civil Pública (ACP) contra o ex-prefeito, ajuizada pelo MPE em abril deste ano, foi baseada em relatórios de auditorias do Tribunal de Contas do Estado (TCE) referentes ao exercício financeiro de 2010. Nos documentos, constam ilegalidades na tomada de preços e na execução de despesas referentes à locação de caminhão e tratores,; irregularidades na contratação e no pagamentos do serviço de pavimentação de vias urbanas referentes a sobrepreço; declaração nos registro contábeis da existência de mais de R$ 500 mil como disponibilidade de caixa sem o devido controle que comprovasse existir algum numerário em caixa; e fracionamento de despesas com materiais de construção e contratação de serviços. Estes fatos geraram multas aplicadas pela corte do TCE, enquanto punição de caráter administrativo. O promotor de Justiça Vinícius de Oliveira e Silva, autor da Ação Civil Pública, considera o bloqueio de bens como uma forma para assegurar o ressarcimento dos danos causados ao erário, de modo a garantir a recomposição do patrimônio público dilapidado.
O presidente Michel Temer convocou uma equipe que sabe como articular a retomada do crescimento da economia. Mas a resolução da crise política depende de pulso firme e paciência
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Proprietários de autoescolas reclamam da burocracia no Tocantins | Foto: Divulgação[/caption]
A burocratização do Detran/TO para credenciamento das empresas de autoescolas levou os proprietários e representantes do Centro de Formação de Condutores (CFC´s) de Gurupi, Palmas, Araguaína e Porto Nacional à Assembleia Legislativa. Eles se reuniram com o presidente do Parlamento, deputado Osires Damaso (PSC), Olyntho Neto (PSDB), Wanderlei Barbosa (SD), Valderez Castelo Branco (PP), Elenil da Penha (PMDB), Jorge Frederico (PSC), Amélio Cayres (SD), Rocha Miranda (PMDB) e Luana Ribeiro (PR) na terça-feira, 24, e solicitaram apoio dos parlamentares no sentido de intervirem junto ao Governo do Estado, visando a modificação de normas estabelecidas pelo Detran e redução de taxas.
Para o presidente do Sindicato do Centro de Formação de Condutores, Marcio Rocha, o excesso de exigências tem gerado demora na montagem do processo para aquisição da carteira de habilitação. “Este ano a procura por aulas nas autoescolas caiu 50%, e muitos daqueles que iniciam as aulas desistem durante as etapas do processo devido à burocracia”, enfatizou o sindicalista. Os proprietários se queixaram da falta de diálogo com a direção do Detran e do direcionamento das clínicas que realizam o exame médico.
Os empresários também solicitam que se suspenda a implantação do Sistema de Telemetria no Tocantins. Com o novo sistema, os veículos usados nos testes precisarão ser equipados com câmeras e um sistema de telemetria, que permite o rastreamento e a aferição do percurso e do comportamento do candidato durante a prova de direção. A adaptação do veículo custa em torno de R$ 4,8 mil. O objetivo é monitorar em tempo real, as provas práticas para tirar a CNH, por meio de recursos tecnológicos de áudio e vídeo, para tornar o resultado mais preciso e transparente, além de coibir fraudes e irregularidades.
No final do encontro, ficou definido que o Centro de Formação de Condutores vai elaborar um documento com as principais reivindicações e propostas para serem discutidas com o Detran e analisadas antes de encaminhamento ao Governo.
Pré-candidato à Prefeitura da capital, o ex-deputado afirma que seu partido é o único que que tem nomes definidos a prefeito e a vice
Contra discursos afiados e técnicos, Iris Rezende terá que encontrar alguma maneira de se mostrar moderno como administrador
Em Goiânia para fazer palestra, o maior ídolo do basquete do País criticou políticos e dirigentes esportivos, falou de corrupção e superação de dramas e disse que sem esforço não teria conseguido nada
Tom Coelho Observe a correlação entre a profissão exercida e o curso superior realizado pelos profissionais. Enquanto 70% dos dentistas, 75% dos médicos e 84% dos enfermeiros trabalham na mesma área em que se formaram, apenas 10% dos economistas e biólogos e 1% dos geógrafos seguem pelo mesmo caminho. Exame atento de outras profissões ainda nos indicará que apenas um em cada quatro publicitários, um em cada três engenheiros e um em cada dois administradores faz carreira a partir do título que escolheu e perseguiu. O fato é que o emprego formal acabou. Nas décadas de 1960 e 1970 o paradigma apontava como colocação dos sonhos um cargo em uma empresa pública. Nos anos 80 experimentamos o boom das multinacionais e empresas de consultoria e auditoria recrutando os universitários diretamente nos bancos escolares. Já na década de 90, o domínio de um segundo idioma, da microinformática e a posse de um MBA eram garantia plena de uma posição de destaque. Hoje, nada disso se aplica. Há anos que as grandes empresas têm diminuído o número de vagas disponíveis e são as pequenas companhias as provedoras do mercado de trabalho. Ainda assim, a oferta de trabalho é infinitamente inferior à demanda – e, paradoxalmente, muitas posições deixam de ser preenchidas devido à baixa qualificação dos candidatos. Assim como todos os produtos e serviços concorrem pela preferência do consumidor, os profissionais também disputam oportunidades. Engenheiros que gerenciam empresas, administradores que coordenam departamentos jurídicos, advogados que fazem estudos de viabilidade, economistas que se tornam gourmets. Uma autêntica dança das cadeiras que leva à insegurança os jovens em fase pré-vestibular. O que falta aos nossos jovens é preparo, o que deveria ser conferido desde o ensino fundamental por meio de disciplinas e experiências alinhadas com a realidade, promovendo um aprendizado prazeroso e útil, despertando talentos e desenvolvendo competências. Um ensino capaz de inspirar e despertar vocações. Ensino possível, porém distante, graças à falta de infraestrutura das instituições, programas curriculares anacrônicos e desqualificação dos professores. Em vez disso, assistimos a estudantes adolescentes que às vésperas de ingressar no ensino superior sequer conseguem escolher entre Psicologia e Comunicação Social, entre Arquitetura e Educação Física, entre Veterinária e Direito. A escola e a família devem propiciar ao aluno caminhos para o autoconhecimento e descoberta da própria personalidade e identidade. Fornecer informações qualificadas e estimular a reflexão, exercendo o mínimo de influência possível. Muitos são os que direcionam suas carreiras para atender às expectativas dos pais, aos apelos da mídia, à busca do status e do sucesso financeiro, em detrimento da autorrealização pessoal e profissional. Orientação vocacional não se resume aos testes de aptidão e questionários. Envolve conhecer as diversas profissões na teoria e na prática. Permitir aos estudantes visitarem ambientes de trabalho, ouvindo relatos de profissionais sobre objetivos, riscos, desafios e recompensas das diversas carreiras. Tomar contato com acertos e erros, pessoas bem-sucedidas e que fracassaram. Provocar o interesse e, depois, a paixão por um ofício. Precisamos voltar a perguntar aos nossos filhos: “O que você vai ser quando crescer?” A magia desta indagação é que dentro dela residem os sonhos e a capacidade de vislumbrar o futuro. Aliás, talvez também devamos colocar esta questão para nós mesmos, pais e educadores. Tom Coelho é educador, escritor e palestrante em gestão de pessoas e negócios. E-mail: [email protected].
“Acerca da empatia perdida”
É de se constatar cada vez mais adequada, hoje em dia, a aplicação, ao brasileiro médio, do conceito do “homem cordial”. A expressão — cunhada pelo historiador Sérgio Buarque de Holanda — que, numa análise precipitada, poderia levar à conclusão de que o brasileiro seria dotado de uma aura mítica, portadora de uma simpatia inata, tenta, na verdade, descrever os dois lados do atributo da cordialidade: o homem, que agindo de cor(ação), pratica atos que – para o bem ou para o mal — escapam à esfera da razão. Assim, por um mesmo e indissociável princípio, “de coração”, enaltece-se ou apunhala-se o outro. Com as redes sociais — objeto sobre o qual o respeitável historiador perdeu a riquíssima oportunidade de se debruçar —, o referido conceito torna-se ainda de mais fácil percepção, vez que amplificadas e escancaradas as relações mantidas na grande ágora entre os “cordiais amigos” (aqui numa junção de conceitos talhados pelos pensadores Buarque e Zuckerberg). A empatia, instituída como regra nas relações, ao que parece, então, afigura-se como algo para um patamar bem posterior — grassando no nível das utopias. Assim é que — muito provavelmente — nenhum alemão ou dinamarquês esperará que seu vizinho aja, para consigo, com “empatia”, não abrindo mão, aquele, entretanto, do emprego do “respeito” no cotidiano convívio. Portanto, por ora, melhor talvez fosse priorizar-se uma sociedade em que houvesse — antes — o império do respeito ao indivíduo, para, num momento futuro, almejar-se — quem sabe — uma relação mais empática para com o outro (aí incluídos samambaias, tamanduás e o Meia-Ponte, por exemplo). Ou, como sempre bem soletrado por Aretha Franklin: “R-E-S-P-E-C-T”! Beto Almeida é técnico judiciário. “O recurso a antidepressivos poderia ser diminuído e até evitado” Bacana a pesquisa que aponta que metade dos que usam antidepressivos não estão efetivamente deprimidos. São inegáveis os casos em que a medicação é imprescindível, como os de surtos psicóticos, mas penso que a pesquisa aponta para a importância dos tratamentos psíquicos que resgatam a dimensão subjetiva e emocional de cada um. Se o tratamento possibilitar o encontro do sujeito com seus próprios traumas (e se nesse encontro houver uma delicada elaboração), o recurso à medicação poderia ser diminuído e até evitado. Cristiano Pimenta é psicanalista.“O governo russo não assumiu suas responsabilidades diante da tragédia de Tchernóbil”
Vou ler o livro de Svetlana Aleksiévitch [“Vozes de Tchernóbil — A História Oral do Desastre Nuclear”] com calma, mas pela narrativa percebe-se que o governo russo não assumiu suas responsabilidades com a tragédia em relação ao extremo cuidado que se deve ter com todos os atores na hora e no pós-acidente nuclear. Um comportamento de Estado autoritário acostumado a conviver e criar tragédias de grandes dimensões, como foi a política para a Ucrânia na década de 50. Passados 70 anos das explosões de Hiroshima e Nagasaki, que sofreram os mais violentos efeitos da energia nuclear, essas cidades superaram os feitos devastadores de uma bomba nuclear e hoje são cidades referência no Japão, orgulho dos japoneses, que se superaram e conseguiram limpá-las de todos os resquícios das mortíferas radiações nucleares, tornando-as habitáveis novamente. Introduzi essa história japonesa para lembrar que, 30 anos após o acidente de Tchernóbil, a região é deserta e inabitável, pois lá o acidente ainda não terminou: o reator acidentado continua funcionando debaixo de espessas camadas de concreto. [“Livro de Svetlana Aleksiévitch revela o inferno de Tchernóbil narrado pelas vítimas”, Jornal Opção 2133, coluna “Imprensa”] Arthur Otto é físico nuclear.“Um dos maiores assassinos do mundo”
Interessante o texto “Assassinou Nativo da Natividade e foi roubado pelo tio pistoleiro” (Jornal Opção 2051, coluna “Imprensa”). No livro, o escritor descreve com detalhes (mandante e vitima) a maioria dessas quase 500 pessoas assassinadas pelo tal do matador Júlio? Se sim, esse seria com certeza um dos maiores assassinos do mundo. Exemplo: o finlandês Simo Hayha —um dos snipers [atiradores de elite] mais famosos do mundo —, que nasceu em 1905 e foi apelidado de “Morte Branca”, alcançou o número impressionante de 505 mortes (que foram registradas) durante a Guerra Soviético-Finlandesa. Willian Barbacena de Oliveira é consultor em informática.“Sinto orgulho de meu País”
Como brasileiro, filho de argentino (este, filho de alemão) e brasileira (esta, neta de italianos), sinto orgulho do meu País e, depois de morar em vários, sei como o Brasil progrediu nos últimos 30 anos. Não à toa está entre os dez mais ricos do mundo. Fábio Coimbra é sociólogo.“Psicotrópicos podem minimizar o abuso de analgésicos”
De fato, existe uma certa banalização do uso de psicotrópicos e mesmo do uso de certos diagnósticos psiquiátricos, fatos que frequentemente são alvos de discussão (inclusive pelas implicações éticas e sociais disso). O risco de fazer uma clínica unicamente baseada nos sintomas e no uso da medicação, desprezando a subjetividade, é o de transformar a psiquiatria em uma espécie de “ortopedia da mente”. Mas o estudo em questão parece focar mais na questão do uso de antidepressivos para outras condições médicas, como a migrânea [enxaqueca] ou a dor neuropática. A medicina, infelizmente, ainda não tem tratamentos específicos para diversos quadros. E, na ausência de um tratamento ideal, usamos os recursos que temos. No tratamento da dor neuropática e da migrânea, por exemplo, alguns antidepressivos mostraram certa eficácia na profilaxia das crises álgicas. Assim, o uso deles pode minimizar o abuso de analgésicos e se constituir num recurso terapêutico mais seguro. Gustavo Macedo Mustafé é médico.
Uma cidade com menos carros e mais bicicletas nas ruas não tem como ser uma cidade pior
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Reunião ministerial de Temer | Foto: José Cruz / Abr[/caption]
Flávio R. L. Paranhos
Especial para o Jornal Opção
Circula nas redes sociais uma defesa das escolhas para ministro de Temer que diz mais ou menos o seguinte: “Não quero saber se o novo ministro é homem ou mulher, negro ou branco, etc. O que importa é se é competente.” “Competente” escrito bem grande, para enfatizar a obviedade do argumento. Trata-se de uma resposta à gritaria que se instalou após a escolhas de ministério 100% masculino e branco.
Note que, de fato, à primeira vista, trata-se de uma afirmação absolutamente inatacável. Intuitivo, até. Como é intuitivo que o Sol gire em torno da Terra, e não o contrário.
O primeiro problema desse argumento é partir do fim, e não do início. Em outras palavras, admite, implicitamente, que as pessoas escolhidas o foram unicamente pelo critério objetivo da competência, ergo, são competentes. Acontece que, embora experiência e currículo sejam indicadores de provável competência, não são garantias, por um motivo simples – nada é. Esta, a competência, só tem como ser avaliada a posteriori.
Ora, se eu não tenho como ter garantias de que minhas escolhas são acertadas, o que preciso fazer para aumentar as chances de que o sejam? Considerando que estamos no século XXI, e, portanto, já dispomos de evidências suficientes de que a característica “competência” encontra-se igualmente distribuída entre os gêneros e cores de pele, quando eu restrinjo minha escolha a apenas uma categoria, eu diminuo minhas chances de selecionar apenas competentes, e, pior, aumento as de selecionar o oposto.
É como se eu tivesse quatro caixas de cores diferentes com cem peças em cada uma – azul, amarelo, verde e vermelho. Eu preciso selecionar vinte peças para montar determinada máquina. As melhores peças constituem 5% de cada caixa. Há ainda 5% de peças estragadas em cada uma. O resto será constituído por peças apenas razoáveis. Por algum motivo subconsciente, eu pego todas as minhas vinte peças apenas da caixa azul. Não só eu perdi a oportunidade de fazer uma seleção muito melhor, com os 5% melhores de cada caixa, mas aumentei bastante a chance de selecionar peças estragadas.
Sim, a ilustração acima admite que o motivo foi “subconsciente” – eu teria preferência pela cor azul, sem me dar plena conta disso. E aqui vem o segundo problema. Para algumas pessoas está tudo bem se alguém escolhe (potencialmente) mal se foi bem intencionado, afinal, a perspectiva de quem escolhe é a única possível, já que ele é ele, e não outro. Acontece que a escolha em questão é para ministros, portanto, não estamos na esfera privada, mas pública, e quem escolhe tem obrigação de o fazer da melhor forma possível. Que será aquela que aumenta as chances de sucesso. Da mesma forma que um pesquisador, sabendo de antemão da existência de um viés de seleção de amostra, cria instrumentos para anular, ou, pelo menos, diminuir a possibilidade de que esse tipo de erro invalide seus resultados.
Até aqui, lógica, ciência. Mas há o terceiro problema. E se eu escolhi apenas peças da caixa azul, mesmo tendo plena consciência de que fazendo assim não só diminuía as chances de boas peças amarelas, verdes e vermelhas, mas aumentava as de peças azuis estragadas? Eu sei que é a Terra que gira em torno do Sol, mas não me convém, então você, que me contradiz, vai para fogueira assim mesmo.
Flávio R. L. Paranhos é médico (UFG), mestre em Filosofia (UFG), doutor (UFMG) e postdoc research fellow (Harvard) em Oftalmologia. Doutor em Bioética (UnB).
Como Rosário Fusco, Ronaldo Werneck é um diamante da literatura mineira
Arnaldo Bastos Santos Neto
Especial para o Jornal Opção
Um breve ensaio do jurista italiano Norberto Bobbio (1909-2004), intitulado “Qual democracia?”, é muito interessante para pensarmos a posição que os grupos políticos deveriam ter numa democracia amadurecida. Bobbio, sempre um realista quando o assunto é política, inicia suas reflexões nas pegadas da teoria da classe política de Gaetano Mosca (1858-1941) e Vilfredo Pareto (1948-1923), lembrando que a democracia como autogoverno do povo “é um mito que a história desmente continuamente. Em todos os Estados, quem governa — e aqui falamos de ‘governar’ no sentido de tomar as decisões últimas que se impõem a todos os membros de um grupo — é sempre uma minoria, um pequeno grupo, ou alguns grupos minoritários em concorrência entre si”. Ou seja, não são as maiorias desorganizadas, mas sim, as minorias organizadas e resolutas que terminam prevalecendo no controle do poder, por mais participativa e avançada que seja uma democracia. Mesmo que seus respectivos discursos legitimatórios recorram continuamente aos mitos do autogoverno e da soberania popular, um realista não poderia pensar de forma diferente: são as minorias que governam.
Resta refletir então, sobre o comportamento de tais grupos em contínua concorrência pelo objeto maior do desejo na política: o poder de tomar as decisões obrigatórias para todos.
Obviamente, tais grupos não possuem um comportamento uniforme e disputam a arena política com programas mais ou menos ambiciosos, com níveis maiores ou menores de resolução e combatividade. Uns querem reformar e manter instituições, enquanto outros se propõem a conquista e transformação radical dos seus respectivos Estados.
Na lição dos realistas, devemos renunciar ao mito da democracia como autogoverno para nos concentrarmos no estudo de como tais minorias organizadas e decididas competem e circulam pelo poder, ou seja, estudar, nas palavras de Bobbio, “como estas minorias emergem, governam e caem”. Neste ponto, o jurista italiano recupera um texto de Filippo Burzio, publicado em 1945, intitulado “Essenza e attualitá del liberalismo”, onde ele estabelece uma diferenciação iluminadora: as classes políticas constituídas podem ser divididas entre as que “se impõem” e as que “se propõem”.
Nos sistemas políticos democráticos, onde a renovação ocorre de forma diversa do método hereditário-aristocrático, não basta que a classe política funde o seu poder sobre um consenso inicial originário, mas é fundamental que tal consenso seja verificado periodicamente, o que ocorre por via das eleições, o método mais pacífico já inventado para garantir a alternância de poder. Tais consensos, mutáveis a cada quadra histórica, são aferidos com base na responsabilidade dos eleitos para com seus eleitores. Ao invés da transmissão política aristocrática, a translatio imperii, que enxerga uma passagem definitiva de poder, do povo ao soberano, no regime democrático o poder conferido a uma minoria dirigente não é adjudicado de modo irrevogável, mas tão somente concedido sempre a título provisório. Lembrando a precisa expressão cunhada por Hélio Rocha, jornalista goiano, os titulares do poder numa democracia são sempre “inquilinos no Palácio”.
Neste ponto podemos fazer uma rápida digressão sobre o nosso “terreno nacional”.
Operando numa democracia, mas inebriados pelo timbre altissonante da própria retórica, algumas de nossas minorias políticas não tomam a sério o caráter provisório de seu poder. Mesmo que a regra da política seja a busca incansável pelo poder, e seu código operacional reflita a binariedade entre governo e oposição como sendo também uma operação entre o poder e o não-poder, a busca e a manutenção do mando não podem ocorrer “a qualquer custo”. Se os que possuem o poder não devem tentar mantê-lo em quaisquer condições, sem medir as consequências de sua resolução, também aqueles que almejam o poder não podem agir a qualquer preço, de forma irrefletida, rompendo com os cânones do sistema democrático e suas regras para a disputa, as célebres “regras do jogo”, de quem Bobbio sempre foi um destacado defensor.
Eis a diferença entre as elites ou minorias políticas que “se propõem” para as que “se impõem”. Não hesito em considerar que as minorias tomadas por uma mundivisão salvacionista ou messiânica não conseguem imaginar ficar no lado negativo do código político, o lado do “não poder”, ou da oposição (se bem que “oposição” não signifique, numa democracia, simplesmente, ausência de poder). A própria ideia de alternância torna-se então inaceitável e a conquista ou manutenção dos postos de mando transmuta-se numa questão de vida ou morte. A democracia converte-se num perigoso jogo de tudo ou nada.
É ingênuo achar que a disputa pelo poder ocorra sempre de forma pacífica e tranquila, com as minorias organizadas para a disputa aceitando seus eventuais fracassos com o espírito preconizado pelo fundador das Olimpíadas modernas, para quem o importante era simplesmente competir. Longe disso, certamente. Com o poder, vêm os orçamentos, os cargos, o acesso a coisas inimagináveis ao homem comum. Mas certos limites, comedimentos, interdições, compromissos, devem ser exercitados. Até mesmo nas disputas eleitorais, sempre cruentas, nem todas as armas devem ser utilizadas. Aqueles que “se propõem” devem consentir que a sociedade, num dado momento, não aceitou suas propostas, e que nada há que fazer quanto a isso. Noutro momento poderão ser aceitas, pois as oposições de hoje serão os governos de amanhã e vice-versa. Na democracia há sempre uma “circulação das elites”, para usarmos uma imagem de Pareto e Mosca. O exercício de tal autocontrole exige maturidade e discernimento. Mas somente assim uma democracia pode manter sua longevidade.
Realizado em mais de 50 cidades brasileiras, a mostra, que ganha uma semana a mais nesta edição, traz filmes premiados em Cannes e pelo Oscar
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Foto: Divulgação[/caption]
Mestre mamulengueiro, Maiakóvski disse, certa vez: “Melhor morrer de vodca que de tédio”. Já o Mamulengo pernambucano Ginu disse: “Melhor morrer de aguardente que de enfado”. Com seu humor afiado, o Teatro de Bonecos Popular do Nordeste foi tombado pelo Iphan, em 2015. Desde muito antes, em 2004, oficial e resistentemente, os bonecos alegram cidades e demais países com o Festival Sesi Bonecos do Mundo. E é por meio dele que “Alice Live”, da banda Pato Fu e da cia Giramundo, vem a Goiânia no sábado, 4 de junho. Baseado na obra de Lewis Carroll, o espetáculo musical conta com Fernanda Takai como Alice, Arnaldo Baptista (Mutantes) como Chapeleiro Maluco e mais 65 bonecos. Gratuita, a apresentação será na Praça Cívica, às 20h.
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Foto: Divulgação / Lívio Campos[/caption]
De 29 de maio a 4 de junho, os anapolinos podem se aproveitar do melhor da música e da culinária, pois o Sesc Anápolis realiza a Mostra Sesc de Música, Sons e Sabores do Cerrado. A fim de democratizar o acesso da comunidade anapolina às manifestações artístico-culturais, ampliar o intercâmbio com artistas nacionais e ainda celebrar a gastronomia do Cerrado, o evento conta com uma programação diversa no Sesc Anápolis, Brasil Park Shopping, Parque Ambiental Ipiranga e no Centro Cultural Joana Dark. No sábado, 4, o cantor Oswaldo Montenegro apresenta suas composições na cidade. O evento ainda conta com oficinas de violão e guitarra. Mais informações, você encontra no site www.sescgo.com.br.
A exposição “Mondrian e o Movimento de Stijl”, em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil de Brasília, chega à sua última semana. Da figuração à abstração, a mostra expõe um panorama com pinturas, desenhos arquitetônicos, maquetes, mobiliários, documentários e publicações da época. Além disso, fotografias de artistas do movimento holandês de vanguarda moderna “De Stijl” (O Estilo) compõem a exposição. Com visitações gratuitas, de quarta a segunda-feira, das 9 às 21h, a mostra vai até o sábado, 4 de junho, no Setor de Clubes Sul, em Brasília.

