Por Sinésio Dioliveira
Na rebeldia juvenil e sem ler Cora Coralina com maturidade, cheguei a dizer que a sua notoriedade vinha apenas da crônica “Cora Coralina, de Goiás”, publicada por Carlos Drummond de Andrade no Jornal do Brasil em 1980
Há uma intimidade inventada entre Deus e as instituições, e ela é muito rentável. Aqui no Brasil, igrejas vivem em lua de mel com a Constituição
Diante do jequitibá, os estudantes ficaram em silêncio, como se a árvore guardasse um saber que nenhum livro alcança. Maravilhados, tiveram de inclinar bem o pescoço para trás a fim de enxergar a copa, que parecia conversar com o céu
Meu afeto pelas aves é algo que só diz respeito a mim, é uma satisfação de abundância pessoal; não busco ser erudito em passarinhos, na verdade em nada
Enquanto muita gente circula pela cidade com pressa e muitas vezes com os olhos grudados no celular, o homem percorre as ruas com um olhar atento ao chão, garimpando latinhas para garantir o seu pedaço de pão
A vaidade é uma sedutora e ruidosa. Sua doçura viciante faz até a lavadeira das cuecas do rei se sentir parte do trono. A embriaguez da vaidade desnorteia o nosso raciocínio e faz a gente achar que proximidade é prestígio
Era horário de recreio, e a algazarra dos gritos e risos da meninada me fizeram empoleirar no dorso da lembrança, eu rumei para Belo Horizonte, mais precisamente à Escola Estadual Marechal Deodoro da Fonseca, onde fiz o primário
Ali não havia abadá, havia alvorada. Não havia trio elétrico, mas um vento passando como um mestre-sala invisível. O sol fazia questão de iluminar cada detalhe, mostrando as variadas texturas de verde das folhas, o amarelo dos olhos das gralhas-cancãs
Ela estava na dela, cumprindo o seu papel tão importante de varrer o lixo da rua e recolhê-lo, deixando as ruas limpas para maior beleza e higiene da cidade. Entre folhas secas e lixos jogados no chão, havia uma espécie de dignidade silenciosa
Em nossa vida, também surgem vespas. Elas pousam sobre nossos projetos, relações, sonhos em fase de casulo. Sem aviso, depositam seus ovos em nossas ideias maduras, em afetos pendurados no galho verde da esperança
Não estava ali como alguém já dissolvido pela crueldade da rua. Estava sozinho, é verdade, mas ainda inteiro. O corpo não havia sido engolido por completo pelo abandono
Estou fora dessas gaiolas do sufixo “ista” da pocilga do mundo político, dentro do qual há pouco trigo; os chefões dessas gaiolas fazem a sua claque de imbecil, de marionete
Isso foi uma bofetada em meus olhos: o vaso com uma pata-de-elefante com mais de dois metros estava repleto de tocos de cigarro. Uma cena explícita de gente imbecil, cabeça de coité...
Sinto um certo alívio em não me enquadrar em determinados moldes alheios de felicidade, em não me deixar levar por alegrias cheirando a naftalina, daquelas que são guardadas dentro de baú para uso em datas específicas
Luís de Camões, num de seus sonetos, diz que o “Amor é brando, é doce e é piedoso;

