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18 biografias que as editoras brasileiras precisam traduzir

Os livros foram publicados em Buenos Aires e Montevidéu, na América do Sul, e em Portugal, na Europa. Nós ficamos para trás [caption id="attachment_153651" align="aligncenter" width="620"] Francis Fierz e sua mulher, a brasileira Mabel Fierz, com a filha do casal, Fay, em 1937: a gaúcha, dotada de muita energia, ajudou a publicar o primeiro livro de George Orwell[/caption]

Falta um intercâmbio cultural entre o Brasil e Portugal, países que, unidos pela história e pela língua comum, são irmãos. Livros publicados no país de Fernando Pessoa não são comercializados no Brasil e vice-versa. Aqui e ali, em algumas livrarias, é possível encontrar livros editados na terra de Camões. Pouquíssimos. A Livraria Cultura, antes da recuperação judicial, importava obras para seus clientes, a preços não muito convidativos. Em Buenos Aires e Montevidéu, pelo contrário, é fácil encontrar livros editados em Madri e, sobretudo, Barcelona. A Eterna Cadencia e El Ateneo, portenhas, e a Más Puro Verso, da capital uruguaia, comercializam livremente publicações espanholas. Azar dos brasileiros, sorte dos argentinos e uruguaios. A lista que elaborei inclui biografias que saíram em Portugal e, especialmente, na Argentina e no Uruguai. Comprei-as em casas de livros novos e em sebos. Os melhores alfarrábios de Buenos Aires ficam na Avenida Corrientes. Em Montevidéu os livros usados são encontrados na feira de Tristán Narvaja, na qual se vende quase tudo, e em sebos muito bons (com preços superiores aos praticados pelos sebos da terra de Jorge Luis Borges). Nada se compara à variedade das biografias em inglês, que não serão listadas. O escritor americano William Faulkner é muito lido no Brasil, mas não há nenhuma biografia abrangente em Português. Em inglês, há algumas e listo três: “Faulkner — A Biography” (há uma versão em espanhol), de Joseph Blotner, “William Faulkner — American Writer”, de Frederick R. Karl, e “A Life of William Faulkner”, de Jay Parini. A Companhia das Letras está reeditando a obra do escritor americano James Baldwin, com traduções qualificadas. Em seguida, poderia lançar “James Baldwin — A Biography”, de David Leeming. Vale a pena publicar “Hart Crane — A Life”, de Clive Fisher. Como os russos não saem de moda, o que é muito bom, a leitura de “Pushkin — A Biography”, de Elaine Feinstein, é sempre agradável. Púchkin (a grafia usual no Brasil) é praticamente o inventor da literatura russa moderna. Há um livro que merece edição brasileira, com a vantagem que não precisa ser traduzido: “Florbela Espanca” (Guimarães Editores, 221 páginas), de Agustina Bessa-Luís. Trata-se de uma biografia de poeta escrita por prosadora notável (também biógrafa do Marquês de Pombal).

Groucho — Una Biografía, de Stefan Kanfer

O ex-editor-chefe da revista “Time” Stefan Kanfer vasculhou a vida do mais instigante Marx da história — não o Karl, o brilhante alemão, e sim o Groucho Marx, que nasceu Julius Henry Marx (1890-1977). Comediante e ator (os Irmãos Marx fizeram vários filmes), deixou frases impagáveis, como “Se acredito na vida após a morte? Não sei nem se acredito na vida antes da morte. Acho que acredito na morte durante a vida”. Rechaçando “a oferta de um grupo de Hollywood”, disse: “Não quero me unir a nenhuma organização que me aceite como membro”. Dada sua inteligência rápida e corrosiva, era admirado por, entre tantos outros, H. L. Mencken (que o citou em livro), Winston Churchill, George Gershwin e T. S. Eliot. Quando Adolf Hitler mandou bombardear Londres, com mais de mil aviões, Churchill, para relaxar — “não havia nada que eu pudesse fazer”, escreveu o primeiro-ministro britânico —, decidiu ver o filme “Gênios da Pelota”, estrelado pelos Irmãos Marx. O político se divertiu com o humor dos americanos. No filme “Diabo a Quatro”, Groucho “interpreta um ditador de um país mítico, Libertonia, e sua extravagante sátira incomodou de tal maneira Benito Mussolini que o líder fascista o proibiu na Itália”. O poeta T. S. Eliot, de “A Terra Devastada”, escreveu uma carta de admirador pedindo uma fotografia autografada de Groucho. O comediante enviou-a, mas o bardo americano pediu outra em que aparecia de bigode e fumando charuto. Exibiu uma em sua casa e a outra no escritório. Apesar de parecer improvável, eles se tornaram amigos e chegaram a se encontrar. O humorista leu “A Terra Devastada” três vezes. Quando se reuniram para cear, o ator confidenciou que a filha Melinda “estava estudando sua poesia no colégio de Beverly High”. Eliot “replicou que lamentava porque não tinha o menor desejo de converter-se em leitura obrigatória”. Ao visitar o escritor W. C. Fields, Groucho percebeu que na casa havia um estoque de uísque no valor de 50 mil dólares. Perplexo, inquiriu: “Bill, para que todo esse álcool na sua casa? Faz 25 anos que terminou a proibição”. O escritor redarguiu: “Pode voltar”. O livro não conta só histórias divertidas, como as arroladas. A vida de Groucho, assim como as de seus irmãos, não foi só bolinho, não. (RBA Livros, 702 páginas, tradução de María de Calonje)

El Amante Uruguayo, de Santiago Roncagliolo

O subtítulo é: “Una Historia Real”. O livro conta a história do relacionamento homossexual entre Federico García Lorca e o uruguaio Enrique Amorim. O poeta espanhol foi uma das primeiras grandes celebridades do século 20. Em 1933, quando o bardo chegou à Argentina, o país sul-americano tinha a sétima maior economia do mundo. Buenos Aires era mais importante do que Madri, em termos culturais. O russo Nijinsky dançava nos seus palcos. “Wagner filho dirigia orquestras” na cidade. A encenação de “Bodas de Sangue” (na qual brilhou Lola Membrives) lotou o teatro Avenida — com a presença do presidente da República — e o poeta e dramaturgo ganhou muito dinheiro. A imprensa o anunciava como uma estrela internacional. Santiago Roncagliolo sublinha que García Lorca foi o primeiro fenômeno midiático da Espanha. Ao ser tratado como “fenômeno cultural do ano”, o filho da terra de Cervantes ficou encantado. Ia ficar um mês e meio e acabou ficando quase seis meses na cidade de Jorge Luis Borges. Esteve nas festas de Oliverio Girondo e Norah Lange, conheceu Carlos Gardel, conversou com Alfonsina Storni. Borges não se entusiasmou com o prodígio da Andaluzia. “Segundo Borges, durante sua única conversa, Federico dissertou longamente sobre um personagem que, em sua opinião, encarnava toda a tragédia dos Estados Unidos. Borges perguntou de quem estava falando exatamente. De Lincoln quiçá? Ou de Edgar Allan Poe? Mas Federico respondeu: ‘De Michey Mouse’. Borges desistiu da conversa, e, a partir desse momento, passou a considerar Federico como um ‘farsante’”. Cansado de tanto assédio, Lorca decidiu ir a Montevidéu, onde conheceu Enrique Amorim, um homem culto e elegante. Os dois não se separaram. Amorim chegou a fazer fotografias do amante. O biógrafo revela que um avô do uruguaio era português e havia morado no Brasil, onde tinha uma empresa. (Alcalá Grupo Editorial, 362 páginas)

Victoria Ocampo, de Laura Castillo e Odile Felgine

A revista “Sur”, de Buenos Aires, criou condições para o surgimento de escritores e críticos e consolidou e divulgou outros tantos. Nas suas páginas, pontificaram, entre outros, Jorge Luis Borges e Adolfo Bioy Casares. A publicação, bancada pela mecenas Victoria Ocampo (1890-1979), se tornou famosa inclusive na Europa. No Brasil, que vive de costas para os países sul-americanos, pouco se sabe dos escritores e intelectuais da Argentina, exceto os mais famosos, como Jorge Luis Borges, Ernesto Sabato, Julio Cortázar e Adolfo Bioy Casares (Sergio Miceli, autor de “Sonhos da Periferia — Inteligência Argentina e Mecenato Privado”, é um dos poucos a estudar a cultura do país vizinho). Victoria Ocampo, rica e culta, era uma mulher formidável. No cotidiano era uma revolucionária, pois teve coragem de desistir de um casamento ruim e ter um amante. Vários homens se apaixonaram pela mulher independente e decidida. Ortega y Gasset caiu de amores, mas não foi correspondido. Rabindranath Tagore quis manter um relacionamento, mas a argentina o rechaçou. Pierre Drieu La Rochelle e Victoria Ocampo se apaixonaram. “Entre eles existia uma autêntica ternura e uma relação que parecia mais propriamente de companheiros. Eram dois meninos extraviados que haviam se encontrado”, sublinham as biógrafas. O arquiteto Le Corbisier projetou uma casa para a escritora e editora na Argentina. Como editora, publicou autores importantes, como Virginia Woolf, com a qual manteve contato. (Circe, 341 páginas). Conto uma história curiosa: quando estive em Buenos Aires, em 2013, adquiri a biografia na Libros Cuspide, na Recoleta. Li pouco mais de 100 páginas e, quando percebi que havia várias páginas em branco, desisti, irritado. Em 2014, voltei à bela cidade de Oliverio Girondo e, num sebo, comprei outro exemplar, agora perfeito. María Esther Vázquez escreveu a biografia “Victoria Ocampo — El Mundo Como Destino” (Seix Barral, 316 páginas).

Bolchevique de Salón, de Mario Rapoport

Subtítulo: “Vida de Félix J. Weil — El Fundador Argentino de la Escuela de Frankfurt”. Mario Rapoport, doutor em história pela Sorbonne e professor da Universidade de Buenos Aires, nota que Félix José Weil é “um intelectual e mecenas argentino, filho de um rico comerciante de grãos judeu-alemão que fez fortuna no país. Weil é conhecido sobretudo por haver financiado na Alemanha, antes da chegada do nazismo [ao poder, em 1933], um instituto de estudos sociais, econômicos e filosóficos que deu origem à famosa Escola de Frankfurt, integrada por prestigiosos pensadores europeus de esquerda”. O próprio Félix Weil, pouco estudado na Argentina, é que se denominava de “bolchevique de salão”, porque, embora de família milionária, era de esquerda e manteve vínculos com a União Soviética. O pesquisador assinala que publicações sobre a Escola de Frankfurt “tomam Félix só como seu mecenas, não como uma figura destacada intelectualmente entre seus membros”. Ele morou nos Estados Unidos, onde publicou um livro que seu biógrafo qualifica como “notável e controvertido” — “Argentine Riddle”. “Editou trabalhos de Rosa Luxemburgo e acerca do antissemitismo, e esteve envolvido na publicação das obras de Marx e Engels em alemão.” Sua vida, aventureira, é apontada como “quase novelesca” por Rapoport. A escola se tornou famosa e celebrada devido a pensadores como Walter Benjamin, Max Horkheimer, Theodor Adorno, Eric Fromm, Friedrich Pollock, Franz Neumann, Herbert Marcuse e Jürgen Habermas. (Debate, 569 páginas). Saiu no Brasil recentemente o excelente “Grande Hotel Abismo — A Escola de Frankfurt e Seus Personagens” (Companhias das Letras, 452 páginas, tradução de Paulo Geiger), de Stuart Jeffries. Félix Weil é citado, de maneira correta, em quatro páginas.

Orwell — La Conciencia de Una Generación, de Jeffrey Meyers

A obra do jornalista e escritor britânico George Orwell (cujo nome não voltará a ser Eric Arthur Blair) ganhou edições e traduções bem cuidadas no Brasil — trabalho irretocável da Companhia das Letras. Mas não há nenhuma biografia em português ampla sobre o autor dos icônicos “1984” (tradução de Heloisa Jahn e Alexandre Hubner) e “A Revolução dos Bichos” (tradução de Heitor Aquino Ferreira). Na Argentina, é possível encontrar, ao menos em sebos, duas biografias de qualidade, a de Jeffrey Meyers e a de Michael Shelden, “Orwell — Biografia Autorizada” (Emecé Editores, 516 páginas, tradução de César Aira). Em Portugal circula “George Orwell — Uma Biografia Política” (Antígona, 284 páginas, tradução de Fernando Gonçalves). Meyers examina cuidadosamente a obra e a vida do polêmico escritor, que, crítico radical dos totalitarismos nazista e stalinista, morreu acreditando no socialismo, digamos, democrático — como se socialismo e democracia não fossem contradições inconciliáveis. O biógrafo inclui uma informação ausente das outras biografias: o primeiro livro de Orwell (1903-1950) foi publicado graças, em larga medida, aos esforços de uma brasileira, Mabel Robinson Fierz (nascida em 1890), filha de pais ingleses. Ela nasceu no Rio Grande do Sul e foi para a Inglaterra com 17 anos, em 1908, e lá se casou com um engenheiro. Era pacifista e defensora dos direitos dos animais. Mabel e Orwell foram amantes e, sobretudo, amigos. (Ediciones B, 443 páginas, tradução de Maria Dulcinea Otero) O Jornal Opção comentou a história do escritor e de sua amiga brasileira (https://jornalopcao.com.br/colunas-e-blogs/imprensa/brasileira-que-se-tornou-amante-e-mecenas-do-escritor-george-orwell-83265/).

Construcción de la Noche — La Vida de Juan Carlos Onetti, de Carlos Domínguez

O pesquisador argentino Carlos María Domínguez investigou a vida (e a obra) do uruguaio Juan Carlos Onetti (1909-1994) com extrema atenção, percebendo que, aqui e ali, o autor de “Junta-Cadávares” e “A Vida Breve” plantou pistas ficcionais como se fossem a realidade. Limpado o palimpsesto, construiu uma biografia de qualidade. A mãe do autor, Honoria Borges, “havia sido criada numa fazenda do Rio Grande do Sul”. Embora libertos, os negros trabalhavam para a família praticamente como se fossem escravos. O pai de Honoria era rico, mas perdeu quase tudo ao participar de uma fracassada revolução gaúcha. Ela era leitora de Alexandre Dumas. Onetti começou a ler cedo. Abria a porta de um guarda-roupa, levava seu gato Miyunga e lia durante horas. Adorava contar histórias para os irmãos Raúl e Raquel. Na escola, não brilhava, pois preferia matar aulas para ler no Museu Pedagógico, sobretudo obras de Júlio Verne. Torcia para o Nacional. Um homem, “que passava a maior parte do tempo lendo deitado numa cama” — as aventuras de “Fantomas” —, passou a emprestar livros para o jovem. Um por vez. Quando a obra do escritor norueguês Knut Hamsun, prêmio Nobel de Literatura, caiu em suas mãos, ficou siderado. O irmão passou a chamá-lo de “Kanutito”. Animado, enviou contos e poemas para a “Mundo Uruguayo”. A revista rejeitou-os por acreditar que um menino não tinha condições de escrevê-los. (Lumen, 345 páginas)

El Jefe Del Gulag, de Fyodor V. Mochulsky

O subtítulo é: “Memórias de Fyodor V. Mochulsky”. O livro foi editado e traduzido do russo por Deborah Kaple, pesquisadora e professora da Universidade de Princeton. A scholar americana frisa que o livro conta a “história de um homem que trabalhou e sobreviveu em Pechorlag, um gulag stalinista e posto avançado situado ao norte do Círculo Polar Ártico. Fyodor Vasilevich Mochulsky (1918-1999) não era um prisioneiro do campo, e sim um funcionário da NKVD que se tornou chefe de campo”. A obra “é a primeira descrição dos campos do ponto de vista ‘administrativo’ que se publica”. Inicialmente, Mochulsky era capataz, mas, por falta de pessoal, acabou sendo indicado para chefiar um dos 478 campos que existiam em 1940. As memórias somam-se ao vários livros publicados sobre o gulag — tantos os escritos por prisioneiros, como Aleksandr Soljenítsin, Evgenia Ginsburg e Varlam Chalámov, quanto por pesquisadores. A jornalista e historiadora Anne Applebaum, autora do excelente “Gulag — Uma História dos Campos de Prisioneiros Soviéticos”, diz que a história de Mochulsky permite compreender como funcionava a mente de um dirigente dos campos de concentração soviéticos. Mark Kramer, professor de Harvard, e Viola Lynne, autora de “The Unknown Gulag — The Secret World of Stalin’s Special Settlements”, avalizam a qualidade do livro. “A descoberta e a magnífica tradução do texto por parte de Deborah Kaple são uma grande contribuição aos estudos sobre o gulag”, afirma Viola Lynne. (Alianza Editorial, 316 páginas, tradução de Sandra Chaparro)

Bioygrafía — Vida y Obra de Adolfo Bioy Casares, de Silvia Arias

O argentino Adolfo Bioy Casares, autor de “A Invenção de Morel” (Biblioteca Azul, 112 páginas, tradução de Sergio Molina), tem sido bem editado no Brasil. Trata-se de um escritor que não deve ser visto tão-somente como um companheiro de jornada de Jorge Luis Borges. Chegaram a escrever juntos, mas suas prosas não são idênticas. Para conhecer a vida e a obra do escritor vale a leitura da biografia — ou “Bioygrafía” — escrita por Silvia Renée Arias. A pesquisa mostra uma identidade sólida e demarcada. O livro começa com uma citação na qual Bioy Casares afirma que os indivíduos conhecem quase nada dos outros indivíduos, mesmo quando próximos. Há várias máscaras e não é possível arrancar todas para descobrir a, digamos, verdade. Sublinhava que “não é possível falar bem de todo mundo”. “Os bons momentos de uma vida deveriam escrever-se sempre no presente. Recordar a felicidade dá um pouco de felicidade”, disse à pesquisadora. Ele era distraído e contou que perdia as coisas em sua casa e até nos bolsos. A vida prática, que o afastava da escritura, o incomodava. Na velhice, ao saber que a jornalista pagou o almoço, lágrimas escorreram por seu rosto. Ele, que havia sido casado com a rica Silvina Ocampo, estava empobrecido. Sobre a eternidade do escritor, era contraditório. Disse que “sobreviver espiritualmente na obra” era um “absurdo”. “Mentira. Não sou tão vaidoso para me deixar enganar.” Mas antes havia sugerindo que o livro — certamente o grande livro — garante a “posteridade” do autor. Nas “Memórias”, registra a biógrafa, frisou que “os escritores têm o dever, com os escritores do futuro e com as pessoas, de contar-lhes porque e como viveu, e porque escolheu a profissão à qual sempre considerou a mais maravilhosa de todas”. (Tusquets, 338 páginas)

Cheever — Uma Vida, de Blake Bailey

Philip Roth, ao parar de escrever, convocou Blake Bailey e lhe deu carta branca para escrever sua biografia. O motivo é que o professor da Universidade de Virginia escreveu uma biografia exemplar de John Cheever (1912-1982). John Updike é visto como o retratista-mor da classe média americana. Na verdade, é um deles (outro é Richard Ford). Os contos e romances de Cheever são interpretações modelares (e lancinantes) das classes médias — o plural talvez seja possível — dos Estados Unidos. Sobretudo, representam alta literatura, um rico mundo paralelo que ilumina o mundo no qual nós, de carne e ossos, vivemos. Updike disse a respeito da pesquisa: “A cronologia minuciosa de Blake Bailey revela a luta diária de um homem atormentado consigo mesmo”. É mais do que isto: a biografia escrita por Bailey capta o escritor e o indivíduo em sua integralidade — contando tudo ou quase. Quando se abre o jogo a respeito de uma pessoa, escritor ou não, o fato é que se tem, além de um outro ser, um indivíduo nuançado, mais gente e menos santo. As contradições enriquecem mais do que empobrecem um homem. Ao receber a Medalha Nacional de Literatura, no Carnegie Hall, em 1982, Cheever, que estava se tratando de câncer, disse que “uma página de boa prosa sempre será invencível”. No diário, escreveu que a literatura era “a salvação dos condenados”. Casado com Mary, alcoólatra durante anos, Cheever tinha receio de ser caracterizado como um “impostor sexual”. Sugerindo que “a vida é uma improvisação”, sem formas fixas de comportamento, manteve relacionamento homossexual com o jovem Max. A revelação muda alguma coisa em sua prosa perceptiva? Talvez, mas não para pior, e sim para melhor, quiçá por indicar uma compreensão mais abrangente das ambivalências humanas. (Duomo Ediciones, 885 páginas, tradução de Ramón de España)

Flannery O’Connor, de Brad Gooch

William Faulkner registrou um mundo maldito — filho da escravidão, que gestou excrescências — a partir do Sul profundo dos Estados Unidos. Mary Flannery O’Connor, que viveu apenas 39 anos, entre 1925 e 1964, às vezes é vista, na sua rudeza com suas personagens homens e mulheres, como uma Faulkner de vestido. Sua obra não é gigante, mas escreveu uma prosa “fechada” — grande, apesar de curta. Por sinal, bem traduzida no Brasil por Leonardo Fróes e José Roberto O’Shea. A biografia escrita por Brad Gooch vasculha tanto a vida quanto a obra, revelando uma personagem, por assim dizer, que poderia figurar num romance. Apesar da vida simples, havia uma vida interior rica — daí sua literatura complexa. O autor desmente a autora, que escreveu: “Quanto às biografias, não haverá nenhuma sobre mim pela razão de que as vidas que transcorrem entre a casa e o galinheiro não resultam apaixonantes”. De fato, criava galinhas, e adorava animais exóticos, mas obviamente não era, ao contrário do que assinala, uma mera granjeira. Confidenciou a uma amiga que “tinha algo ‘de atriz’”. “Tenho um desejo oculto de rivalizar com Charles Dickens em cena”. Numa conferência, assinalou: “O que vemos, ouvimos e tocamos influi muito antes de criarmos algo. O Sul queda impresso no escritor sulista desde o momento em que é capaz de distinguir um som de outro. O assimila por intermédio do ouvido e, ao escutar de novo com sua própria voz, e antes de ser capaz de utilizar sua imaginação para a ficção, descobre que seus sentidos respondem de forma irrevogável a certa realidade e, em particular, ao som de certa realidade. O maior vínculo do escritor sulista com o Sul se estabelece através do ouvido”. (Circe, 485 páginas, tradução de Aurora Echevarría)

A Filha de Estaline, de Rosemary Sullivan

O subtítulo é: “A Vida Extraordinária e Tumultuosa de Svetlana Alliluyeva”. Mais do que puramente uma biografia da única filha mulher de Stálin — talvez o único ser que tenha amado —, o livro é uma ótima história da União Soviética e mais uma prova de que o sistema stalinista proibia a liberdade individual de todos. Nem a filha do ditador podia ter uma vida livre, não vigiada. Sua mãe, Nadezhda Alliluyeva, “suicidou-se quando Svetlana tinha apenas seis anos e meio”. O czar vermelho mandou prender e executar seus parentes. A garota não podia amar quem quisesse. Apaixonou-se, aos 17 anos, por Aleksei Kapler. Este acabou condenado a dez anos no Gulag. O regime fez o impossível para evitar que se relacionasse com o indiano Brajesh Singh. Quando ele morreu, convenceu as autoridades comunistas a deixá-la levar as cinzas para a família. Uma vez na Índia, entrou de supetão na Embaixada dos Estados Unidos em Nova Delhi, em 6 de março de 1967, e, depois de várias peripécias, inclusive com uma uma passagem pela Itália, conseguiu asilo no país de Lyndon Johnson. “Foi uma fuga do seu passado e a procura da liberdade que lhe era negada na União Soviética, onde, segunda afirmava, era tratada como se fosse propriedade do governo.” Nos Estados Unidos, iludida popr Olgivanna Wright, viúva do famoso arquiteto Frank Lloyd Wright, casou-se com Wesley Peters. Olgivanna acreditava que Svtelana fosse rica. Aos 45 anos, foi mãe de Olga Peters. Os outros dois filhos, Josef e Katya, ficaram na União Soviética. Rosemary Sullivan afirma que ela não se parecia com o pai. “Não acreditava na violência”. Sobre Stálin, Svetlana assinalou: “Creio que nunca sentiu remorsos; penso que nunca soube o que isso era. Mas também não foi feliz, ao ter realizado os seus maiores desejos, matando muitas pessoas, esmagando outras e sendo admirado por algumas”. A biógrafa conta que a filha do homem que mantou matar Trotski ganhou dinheiro com a publicação de livros, mas, apesar da proximidade com os serviços de Inteligência, não foi subornada pelo governo dos Estados Unidos. Morreu pobre. (Temas e Debates, 599 páginas, tradução de Artur Lopes Cardoso)

Kapuściński Non-Fiction, de Artur Domosławski

O subtítulo é: “El Hombre, el Reportero e Su Época”. Sabe dessas biografias que parecem conter tudo de ruim, de bom e de mais ou menos a respeito de um ser humano? A biografia de Ryszard Kapuściński é deste naipe. Desmitifica o brilhante repórter, notando seus exageros, o abuso de uma imaginação pós-factual, mas não o deixa menor. Ao contrário, contraditório — nem Deus nem Lúcifer, tão-somente um jornalista (escritor) talentoso e complexo —, se torna um personagem ainda mais mítico. Curiosamente, quando li alguns comentários a respeito do livro publicados na imprensa tropiniquim, não percebi nenhuma referência ao Brasil. Isto sugere que, por vezes, publicações patropis, inclusive as sérias, trocam a reportagem pela recortagem? “Times”, “Washington Post”, “New Yorker” e “Guardian” vão citar d. Helder Câmara por qual motivo? Mas um resenhista brasileiro, se tiver lido o livro e não apenas resenhas publicadas na imprensa europeia e americana, certamente vai querer saber o que o profissional polonês disse sobre o bispo de Olinda, apontado como seu “herói” patropi, e a quem chama de “o Gandhi brasileiro”. Numa reportagem, ele escreve: “No Brasil se reativou o Comando de Caça aos Comunistas, organização terrorista de corte fascista que constitui uma versão local da Ku Klux Klan” (o que parece impreciso). Menciona que um colaborador do arcebispo Hélder Câmara havia sido “assassinado por um grupo do CCC”. Numa carta ao seu melhor amigo, assinala: “Detesto o Chile com a mesma intensidade com que amo o Brasil”. Ele diz que “os brasileiros são fantásticos”. A Teologia da Libertação o entusiasma — assim como as ideias de Che Guevara (chegou a traduzir seus diários para o polonês). Mas não se entusiasma com a Língua Portuguesa, que acha “feia, horrorosa”. Aprende alguma coisa, mas admite que, quando fala, sai de sua boca mais espanhol do que Português. Menciona que guerrilheiros sequestraram um embaixador e cita trecho da música “Meu caro amigo”, de Chico Buarque, que estava na moda: “Uns dias chove, noutros dias bate o sol”. Obviamente, o Brasil não era a nação mais discutida por Kapuściński. Ele andou por vários países, na África e na Ásia, e escreveu muito bem sobre eles. Há problemas, apontados pelo exigente biógrafo, mas nada que derrube a reputação do notável repórter. Pode-se dizer que nenhum jornalista exagera ou não usa, aqui e ali, a imaginação para colorir um fato? (Galaxia Gutenberg, 630 páginas, tradução de Francisco Javier Villaverde González e Agata Orzeszek)

John Ford — El Hombre y Su Cine, de Tag Gallagher

É provável que John Ford é o James Joyce do cinema. Seus filmes são tão importantes que um dos principais críticos literários do país, Davi Arrigucci Júnior, escreveu um ensaio magistral sobre “O Homem Que Matou o Facínora”, estrelado por John Wayne e Lee Marvin. A biografia escrita por Tag Gallagher é uma bíblia sobre o diretor que influenciou gerações de cineastas, e não só dos que fazem westerns. “Seus filmes narram histórias apaixonantes, têm personagens memoráveis, convidam à reflexão, avivam os encantos da vida sensível e a personalidade de Ford transluzia neles. Sua inteligência compositiva tornava os diálogos praticamente desnecessários, não porque os roteiros carecessem de riqueza, e sim porque a estrutura literária era só um aspecto da complexa beleza e da inteligência de seu cinema.” Leitor voraz, sobretudo de história, era erudito, mas fingia que era inculto. Seu nome era John Augustine Feeney, depois adotou o nome de Sean Aloysius O’Feeney, talvez para parecer ainda mais irlandês, como o pai, Sean. O irmão de John, o ator Frank T. Feeney, mudou seu nome para Francis Ford, “inspirado pela marca de automóveis”. O motivo? “Evitar a desonra da família”, afinal cinema não era uma coisa tão respeitável e glamorosa, ao menos nos primórdios. Jack Feeney, como John se apresentava no mundo do cinema, logo se tornou John Ford. Gallagher mostra o diretor como extremamente meticuloso, praticamente um “autor”, como querem os franceses. Ficamos sabendo, pela descrição detalhada de seus métodos de trabalho, porque seus filmes permanecem com aquela aura de “perfeição”. O biógrafo revela que o criador americano deu dinheiro ao IRA. Certa feita, com suas brutais exigências, fez os atores Victor McLaglen e John Wayne, homens durões, chorar. John Ford “só se sentia satisfeito quando rodava um filme”. (Ediciones Akal, 767 páginas, tradução de Francisco López Martín, com a colaboração de Juan Gorostidi Munguía)

“El Último Gattopardo — Vida de Giuseppe di Lampedusa”, de David Gilmour

Quem nunca leu “O Leopardo” (a tradução mais recente é de Maurício Santana Dias), de Giuseppe Tomasi di Lampedusa (1896-1957), não merece, é claro, ser surrado em praça pública. Mas talvez não saiba que está perdendo ouro equivalente àquele dos anéis de Adriana Ancelmo, a Riqueza, mulher de Sérgio Cabral Filho, o ex-Rei do Crime do Rio de Janeiro. Pena que Shakespeare tenha morrido antes, senão teria citado a celebrada frase do romance — “se quisermos que tudo continue como está, é preciso que tudo mude” — em alguma de suas peças. O livro escrito pelo oxfordiano David Gilmour exibe a conexão entre realidade e imaginação literária na ficção do autor siciliano — indicando a autonomia da arte em relação à história. Está na moda acusar rivais ideológicos de “fascistas”, a palavra-valise que explica tudo, portanto nada. Os defensores de Lampedusa o apresentam como antifascista. Gilmour relativiza: “Nunca se opôs realmente a Mussolini, sobretudo no princípio. De fato, foi menos antifascista do que vários de seus parentes. A precoce admiração de Giuseppe Palma [depois, Lampedusa] pelo fascismo, como a de muitos suboficiais, provinha do medo da revolução e do ressentimento contra os fracassos dos liberais. Reconhecia que os fascistas não eram inocentes, mas, ‘com todos seus excessos e seus defeitos’, ao menos queriam melhorar o país, enquanto que os liberais se deixaram levar por uma inércia viciada e autocomplacente. Ademais, acreditava que o fascismo podia ‘domesticar o bolchevismo’. (…) Grande parte de sua atitude parecia dever-se a um ‘amargo ressentimento’ contra as classes médias liberais”. O poeta Lucio Piccolo e o engenheiro Guido Lajolo foram grandes amigos do prosador. Lajolo mudou-se para o Brasil, em 1930, mas não deixou de escrever cartas para Lampedusa (o marido da crítica literária Marisa Lajolo, o Lajolo é dele, talvez seja seu parente. Ela disse ao Jornal Opção que iria verificar). O Jornal Opção resenhou o livro (https://jornalopcao.com.br/colunas-e-blogs/imprensa/quase-sexagenario-o-romance-o-leopardo-do-italiano-giuseppe-lampedusa-permanece-moderno-99452/). (Siruela, 242 páginas, tradução de Javier Lacruz)

Primo Levi, de Ian Thomson

O escritor italiano Primo Levi sobreviveu a Auschwitz. Químico competente, foi preservado. Mas sua resistência interior, a vontade danada de ficar vivo, deve ter sido decisiva. O livro “É Isto um Homem?” (Rocco, 256 páginas, tradução de Luigi Del Re) conta a sua e a vida de outros homens no campo de extermínio localizado na Polônia. O escritor era depressivo. Aos 67 anos, em abril de 1987, suicidou-se. Jogou-se da escada do edifício onde residia, em Turim. Elena Giordanino, enfermeira que cuidava de sua mãe, Ester, revelou que estava “muito alterado. Às vezes o via sentado com a cabeça entre as mãos, pensando”. Sua mulher, Lucia, admitiu que estava profundamente deprimido, sobretudo depois de uma operação de próstata. A família chegava a vigiá-lo. O britânico Ian Thomson descobriu que o autor de “A Trégua” (Companhia das Letras, 360 páginas, tradução de Marco Lucchesi) escreveu fartamente sobre si, encobrindo determinados detalhes — o que não significa que queria falsificar sua história. Contar é imaginar e imaginar não é necessariamente colorir ou distorcer, é, sobretudo, uma maneira de tornar uma história tanto mais crível quanto inteligível. A pesquisa revela que, mesmo antes de ser “internado” no campo da morte, na década de 1940, Primo Levi já era depressivo. Mas é certo que Auschwitz permaneceu entranhado no indivíduo. O Jornal Opção comentou a biografia brevemente (https://jornalopcao.com.br/colunas-e-blogs/imprensa/biografia-mostra-que-depressao-levou-primo-levi-ao-suicidio-12125/). Thomson examina, vigorosa e amorosamente, a obra e a vida de um homem e escritor extraordinário. (Belacqva, 743 páginas, tradução de Julio Paredes)

Kaváfis — Una Biografía, de Robert Liddell

A melhor biografia de um poeta é sua poesia? Talvez seja, sobretudo quando se trata de Konstantinos Kaváfis, o bardo de Alexandria. Se é assim, o leitor brasileiro está bem servido. Aos menos três tradutores gabaritados decidiram transpor sua poesia para o Português: “Poemas” (Nova Fronteira, 189 páginas, tradução de José Paulo Paes), “Poemas” (Odysseus, tradução de Ísis Borges da Fonseca, 406 páginas) e “60 Poemas” (Ateliê Editorial, 157 páginas, tradução de Trajano Vieira). As edições são bem cuidadas, com apresentações criteriosas. É possível que existam biografias recentes do bardo grego, mas a de Robert Liddell, de 1974, apesar das ressalvas apresentadas por Peter Mackridge, na introdução, tem qualidades. “Kaváfis é o único poeta grego moderno cuja obra, de tão conhecida, se tornou praticamente parte da literatura inglesa. A frase ‘esperando os bárbaros’ é empregada amiúde como título por autores de livros e artigos em inglês. Nada mais apropriado, portanto, que a primeira — e até o momento única — verdadeira biografia de Kaváfis tenha sido escrita por um inglês”, anota Mackridge. Liddell, que morreu em 1992, chegou a Alexandria, cidade natal de Kaváfis, dois anos depois da morte do poeta, em 1933. “Familiarizado com a topografia e a atmosfera de Alexandria — pôde conversar com gente que havia conhecido o poeta” —, e com acesso aos seus arquivos, que estavam nas mãos do professor Yorgos Savidis, Liddell teve condições de compor um perfil mais preciso do poeta e de seu tempo. “Os documentos relativos à vida de Kaváfis são escassos.” Quase não escrevia no diário e “poucas de suas cartas sobreviveram”. E “sua vida decorreu sem acontecimentos destacáveis”. Liddell cita Edmund Keeley e Philip Sherrard que escreveram que a língua de Kaváfis, “inclusive seus arcaísmos, deliberados, seu grego, nos pontos cruciais, está mais próxima da língua falada do que da forma de expressão dos outros grandes poetas gregos de seu tempo”. Citando Haroldo de Campo, Trajano Vieira assinala que o “coloquialismo” de Kaváfis “faz lembrar a dicção de Carlos Drummond de Andrade”. (Paidós, 277 páginas, tradução de Carles Miralles) Leia o poema “À espera dos bárbaros”, na tradução de Haroldo de Campos: “— Que esperamos reunidos na ágora?//É que hoje os bárbaros chegam.//— Por que tanta abulia no Senado?/Por que assentam os Senadores? Por que não ditam normas?//Porque os bárbaros chegam hoje./Que normas vão editar os Senadores?/Quando chegarem, os bárbaros ditarão as normas.//— Por que o Autocrátor levantou-se tão cedo/e está sentado frente à Porta Nobre da cidade/posto em seu trono, portanto insígnias e coroa?//Porque os bárbaros chegam hoje. E o Autocrátor espera receber/o seu chefe. Mais do que isto, predispôs/para ele o dom de um pergaminho. Ali/fez inscrever profusos títulos e nomes sonoros.//— Por que nossos dois cônsules e os pretores saíram/esta manhã com togas rubras, com finos bordados de agulha?/Por que essas braçadeiras que portam, pesadas de ametistas,/e os anéis dactílicos lampejando reflexos de esmeralda?/Por que ostentam hoje os cetros preciosos,/esplêndido lavor de cinzel, amálgama de ouro e prata?//Porque os bárbaros chegam hoje,/e toda essa parafernália deslumbra os bárbaros.//— Por que nossos bravos tributos não acodem/como sempre, a blasonar seu verbo, a perorar seus temas?//Porque os bárbaros chegam hoje,/e eles desprezam a oratória e a logorreia.//— Por que de repente essa angústia,/esse atropelo? (Todos os rostos de súbito sérios!)/Por que rápidas se esvaziam ruas e praças/e os antes reunidos retornam atônitos às casas?//Porque a noite chegou e os bárbaros não vieram./E pessoas recém-vindas da zona fronteiriça/murmuram que não há mais bárbaros.//E nós, como vimos passar sem os bárbaros?/Essa gente não rimava conosco, mas já era uma solução.” José Paulo Paes e Ísis Borges da Fonseca preferem, em vez de Autocrátor, a palavra imperador, com inicial minúscula.

Uma Introdução à Vida de Churchill, de John Keegan

O Brasil descobriu Winston Churchill, depois de se apaixonar — em termos de leitura, pano rápido — por ditadores, como Stálin, Lênin, Mao Tsé-tung e Fidel Castro. Se o leitor nada leu sobre o primeiro-ministro britânico que levantou seu país, a Inglaterra — quando várias nações, como a Polônia e a França, já estavam “deitadas”, conquistadas pelo nazista Adolf Hitler —, talvez seja o caso de começar por uma, digamos, “hagiografia” do balacobaco, “O Fator Churchill — Como um Homem Fez História” (Planeta do Brasil, 464 páginas, tradução de Renato Marques), de Boris Johnson. Agora, se o leitor pensa numa biografia mais densa e equilibrada, deve correr atrás do cartapácio “Churchill” (Nova Fronteira, 900 páginas, tradução de Heitor Aquino Ferreira), de Roy Jenkins. A vida de Churchill é a indústria mais inesgotável e rentável da Grã-Bretanha. Por quê? Porque se trata do político mais importante do século 20. Se o estadista, historiador e escritor — ganhou o Prêmio Nobel de Literatura — é por demais conhecido, inclusive há outras biografias em Português, há algum livro a traduzir? Há uma biografia, não extensa, mas de qualidade, “Uma Introdução à Vida de Churchill”, de John Keegan (em inglês, o título é sucinto: “Winston Churchill”). Trata-se de uma edição portuguesa. Andrew Roberts, um dos mais gabaritados historiadores da Segunda Guerra Mundial, escreveu ao seu respeito: “É simultaneamente um prazer e um desafio ler a biografia de Keegan: um perspicaz contributo para compreendermos que a vida de Churchill é uma história sem fim. Para além de se encontrar entre os melhores especialistas na Segunda Guerra Mundial, John Keegan é um escritor extremamente acessível”. Em termos de estudos históricos, um livro decisivo na formação do intelectual e político foi “Declínio e Queda do Império Romano” (Companhia das Letras, 504 páginas, tradução de José Paulo Paes), de Edward Gibbon. O livro de Keegan saiu em Portugal, mas não no Brasil; comprei meu exemplar na Livraria Martins Fontes, a do Centro de São Paulo. (Tinta da China, 207 páginas, tradução de Jorge Palinhos)

Mi Hermano James Joyce, de Stanislaus Joyce

Depois de Richard Ellmann, o escritor irlandês James Joyce jamais será o mesmo. Os biógrafos posteriores obrigatoriamente têm de agradecer, ajoelhados, o americano que quase todo mundo pensa que é britânico. “James Joyce” (Globo, 997 páginas, tradução de Lya Luft; em 1990, na “Folha de S. Paulo”, o crítico Paulo César Souza apontou falhas na versão e lamentou, com razão, a ausência de um índice de nomes) é um livro extraordinário. Explica Joyce e obra, que são corpo e alma de um mesmo ser, de maneira competente. Fica-se com a impressão de que o autor sabia mais do autor de “Ulysses” do que qualquer outra pessoa — inclusive Joyce. “Mi Hermano James Joyce”, de Stanislaus Joyce, é desses livros fundamentais. É testemunho e, acima de tudo, é um documento a respeito do homem que criou “Finnegans Wake”, que alguns consideram impenetrável (há uma tradução integral no Brasil, de Donaldo Schüller, e uma a caminho, de Caetano Galindo; há versões de trechos, por Augusto e Haroldo de Campos, e de Dirce Amarante Waltrick). T. S. Eliot, o bardo, escreveu: “Este livro único merece ocupar um lugar permanente ao lado das obras de James Joyce”. Me parece um exagero, mas um exagero de Eliot é sempre respeitável. Richard Ellmann corrobora: “O que dá a estas páginas uma força especial é essa complexa mescla de frustração, afeto, ressentimento e dor que Stanislaus experimentou nos anos em que esteve mais próximo de seu irmão”. O prefácio é de Eliot e a introdução, de Richard Ellmann. (Adriana Hidalgo Editora, 304 páginas, tradução de Berta Sofovich).

Interesse de investidores pode viabilizar Brasil de Bolsonaro e Goiás de Caiado

O investidor Mark Mobius afirma que o país é viável e garante que confia no seu crescimento, tanto que está aumentando seus investimentos na empresas patropis

Glacy Antunes diz que não recebeu convite para ser secretária da Cultura do governo Caiado

Edival Lourenço, Aguinaldo Coelho e Karlos Cabral têm sido apontados como possíveis escolhas de Ronaldo Caiado

Mulheres do Jornal Opção comentam o caso João Teixeira de Faria, o João de Deus

João, o homem que usou o nome de Deus Por Lívia Barbosa

O escândalo sexual envolvendo o médium espiritualista João Teixeira de Faria, conhecido como João de Deus, nos traz importantes reflexões, entre elas o respeito à vítima e à religiosidade. A conduta de João, o homem que usou o nome de Deus, não deve ser usada para diminuir a doutrina espiritualista, assim como os escândalos sexuais envolvendo padres e pastores não devem ser usados para questionar a validade da religiosidade de seus fiéis, e sim a atuação ou omissão por parte de suas respectivas instituições. Nos últimos dias, a prática espiritualista tem sido atacada e questionada, principalmente nas redes sociais. Isso é uma segunda agressão às vítimas e a milhões de pessoas que seguem a doutrina espirita e espiritualista no Brasil e em outros países. Somam-se a isso vários julgamentos de toda sorte às centenas de mulheres que relataram abusos cometidos pelo médium. Buscam-se defeitos, zombam de suas crenças e questionam até mesmo seu silêncio. No entanto, o caso de Abadiânia deve servir de alerta para que paremos, de uma vez por todas, de procurar deuses na terra. Independente da crença, é preciso entender que as religiões são conduzidas por seres humanos imperfeitos. A partir dessa máxima, o endeusamento aos médiuns e líderes não deve ser prática incentivada nos centros espíritas e espiritualistas. De acordo com a doutrina espírita, o médium é apenas um instrumento para a atuação do espírito, sendo esse, sim, curador e acima das imperfeições humanas. Logo, nada explica por que João de Deus, acusado de incontáveis crimes, tem contado com a proteção e defesa cega por parte de um grande número de seguidores. Também é preciso pontuar que João criou uma prática espiritualista particular, sendo muitas de suas condutas desaprovadas pela doutrina tradicional, como o atendimento particular e cobrança pela obtenção de produtos "espirituais", após os tratamentos realizados na Casa de Dom Inácio de Loyola, em Abadiânia. Por fim, proponho que a conduta do médium que abusou da fé de milhares de pessoas que se deslocaram de todas as partes do mundo em busca de cura possa ser vista como ela é: um homem que é acusado de cometer crimes, que precisa ser investigado e, acima de tudo, punido.

Silêncio não é mea culpa Por Elisama Ximenes

O silêncio acompanha a mulher desde os primórdios. A mordaça era punição da mulher escravizada no Brasil. A esposa, branca, embora em posição mais privilegiada, só podia falar com a permissão do marido. No Oriente, países ainda cobrem as mulheres por inteiras, deixando, inclusive, as bocas tapadas, apenas os olhos abertos. Ficar calada é a arma de defesa da mulher e o medo da represália, agressiva ou não, lhe dá munição. Há de se questionar, no entanto, como tanta gente ainda não sabe por que as vítimas do médium goiano João Teixeira, o João de Deus, guardaram apenas para si os relatos de abusos durante tanto tempo. Há uma série de questões a serem colocadas, entre elas as ameaças espirituais e morais específicas feitas pelo médium. Mas, aqui, pontuo que esse silêncio é histórico. Também por isso, em outros casos, a vítima pode permanecer calada até sua morte, mesmo que o agressor não tenha feito a chamada violência sexual mediante fraude, pela qual o médium é acusado. A pensadora pós-colonial Gayatri Spivak escreveu e refletiu “Pode subalterno falar?”. Há de se convir que as mulheres estão em posição de subalternidade em relação aos homens. Dificilmente, mesmo em uma sociedade mais liberal, elas terão espaço de fala. Mas quando conseguem falar, e esse é um questionamento também feito por Spivak, será que são ouvidas? No caso das já mais de 500 denúncias de abuso sexual contra o médium de Abadiânia, as mulheres decidiram e foram encorajadas a falar. Ainda assim, questiona-se se estão sendo ouvidas. Enquanto a justiça apura os relatos, com uma lei que pode simplesmente anular crimes pelo tempo de prescrição, nas redes sociais, a ágora dos tempos modernos, pessoas duvidam delas. É possível ler todos os tipos de absurdos. Desde a teoria de um suposto ensaio na fala das centenas de vítimas espalhadas pelo Brasil e pelo mundo até alegações de que todas estariam querendo extorquir o médium ou manchar sua imagem a troco de algo ainda não revelado pelos especuladores. O promotor do Ministério Público Luciano Miranda ainda disse em sua primeira entrevista coletiva sobre o caso que não se podia duvidar de um relato desses, já que a vítima tomou coragem de dizê-lo mesmo correndo o risco de ter a própria imagem manchada. Mas, não, acham que correriam esse risco para prejudicar a imaculada identidade do considerado santo. É um clichê feminista que se repete há anos, mas que há de ser dito e redito até que não se julgue mais uma mulher violentada: a culpa não é da vítima. Não há mais argumentos que eu coloque aqui que sejam novos e vá convencer alguém de tal, mas, não, a culpa não é da mulher agredida, violada. Julgamentos sociais são o que alimentam o silêncio, a vergonha e é por isso que se demorou tanto tempo para tudo vir à tona. Neste momento, tudo o que menos se precisa é de mais constrangimento do que essas pessoas já tiveram que passar. A sensibilidade, empatia e a força são o que deve sustentar esse período de auge do debate e depois dele. Chega de mulheres ceifando a própria vida por medo e vergonha do que tiveram que passar em nome da crueldade e opressão de um homem inescrupuloso. Não aperte a mordaça de quem já foi historicamente silenciada.

Pior do que o silêncio só João Por Marília Noleto

Evidentemente não é isso que Caetano Veloso canta nos versos de “Pra Ninguém”. Mas quando fui solicitada para escrever minhas considerações sobre o caso João Teixeira de Faria (chega de “João de Deus”! Quebremos de uma vez esse vínculo, que a esta altura seria um verdadeiro sacrilégio), imediatamente lembrei-me deste verso da canção e a subversão da letra foi automática em minha mente, pois acho que ela bem traduz, de forma sucinta, os dois aspectos trágicos desta história escabrosa. Primeiro, a questão do silêncio. Quando o caso veio a público no programa do jornalista Pedro Bial, rompeu-se uma mordaça coletiva que por décadas calou não só centenas vítimas, mas todos aqueles que compartilhavam de seus dramas. Infelizmente, o caso de João Teixeira de Faria não foi o primeiro e não será o último, porque a imposição do medo pela ameaça é um estratagema comum entre abusadores. E esse ainda será, por muito tempo, o maior desafio no combate à violência contra mulheres, especificamente as de natureza sexual. Mas o que mais impressiona nem é o silêncio, mas a cegueira, e da pior espécie: a daqueles que se negam a ver, mesmo com tantas evidências. Se negam ou por interesses financeiros ou porque recusam-se a conformar que o ídolo tinha os pés afundados em uma lama nojenta. É muito irônico também que tudo tenha ocorrido em um munícipio cujas raízes históricas tenha em sua fundação uma mulher, Dona Emerenciana, e grandes romarias e festividades religiosas. Segundo, o próprio João. Como encontrar, a esta altura, palavras que possam expressar a dimensão adequada da atrocidade cometida por este senhor que, até então, era considerado por uma legião de devotos, paladino da sabedoria, luz, benevolência e amor ao próximo? É difícil fazer uma análise racional e não se deixar por sentimentos irascíveis, pois a história ganha contornos cada vez mais sórdidos à medida que os detalhes vão vindo a público  para deleite do insaciável apetite sensacionalista. Os atos cometidos por João são de um genuíno psicopata ou qualquer outra patologia equivalente. Total ausência de empatia por um séquito que o procurava justamente no auge da fragilidade em suas vidas: pessoas doentes, desenganadas, desesperadas. Brincou com a fé e os princípios de toda uma doutrina que sempre procurou pregar o amor e semear o bem: o espiritismo kardecista, pela qual pessoalmente nutro profundo respeito. Isso tornou tudo ainda mais cruel. Depois de tanto escrever, confesso que continuo na mesma: sem palavras para este caso mórbido. Penso que o que nos resta é torcer para que haja, de fato, justiça. Dos homens.

Conheço a fama de João de Deus Por Ludmilla Morais

Ao assistir o programa "Conversa com Bial", não me surpreendi com os relatos de mulheres que afirmaram ter sido abusadas sexualmente pelo médium João de Deus. A minha ausência de surpresa se deve ao fato de que vivi até os 16 anos em Abadiânia, cidade onde ele atende há 40 anos. A cidade é dividida pela BR-060. De um lado, a pacata cidade goiana de Abadiânia e, do outro “lado da pista”, como os conterrâneos o chamam, é do João de Deus. Sempre foi. Desse lado, tudo é diferente. Repleto de pousadas, placas em diferentes línguas, principalmente inglês, e gringos vestidos de branco. Cresci ouvindo relatos absurdos do João de Deus. Quando pequena eu sequer falava o nome dele, porque me diziam que ele tinha o poder de saber de tudo e poderia me retaliar. Depois de grande, vi que isso não fazia sentido. Nunca fui frequentadora assídua da Casa de Dom Inácio, mas já fui algumas vezes. Como sou de família católica, aquele local sempre foi meio “proibido” para mim. Mas a curiosidade e algumas amizades que trabalhavam lá me fizeram ir de vez em quando. O local traz paz, devo confessar. Mas o primeiro e único contato que tive com o “seu João”, como o chamamos lá, foi no mínimo esquisito. Fui fazer um trabalho de faculdade e pedi autorização para fazer imagens da Casa de Dom Inácio. Ele deixou e, ao fim do trabalho, eu e minha colega de faculdade fomos recebidas por ele. Isso em meados de 2010. Apresentei-me como filha da cidade e disse que fazia jornalismo. Não lembro exatamente da conversa, mas em certo momento, ele olhou pra minha amiga, ao descobrir que ela era acreana, e disse: “Conheço a fama das mulheres do Acre. Elas são quentes". Minha amiga ficou sem graça, desconversou e me chamou para ir embora. Antes de irmos, ele apontou para lanchonete e disse: “Podem comer o que vocês quiserem”. Agradecemos, mas recusamos. Durante muitos anos, sempre ouvia as mesmas histórias de que ele assediava as mulheres que trabalhavam na Casa, que ele era muito mulherengo e muito, mas muito rico. Confesso que as denúncias de pacientes foram novidades pra mim. Nunca pensei que ele seria tão ousado. Desejo que a Justiça seja feita. Que se ele for culpado, que pague por isso e que as vítimas consigam seguir em frente. Pela minha cidade, eu lamento. Muito. Com certeza, as coisas ficarão difícil por lá. Porque a economia de Abadiânia girava entorno do turismo religioso. Mas espero que tudo isso seja esclarecido e superado.

Guerra entre Divino Lemes e Walter Paulo provoca crise e caos em Senador Canedo

Vereador afirma que “Divino Lemes merece o troféu de “o prefeito amigo dos buracos”

PSC pode bancar Eurípedes José do Carmo para prefeito de Goiânia

Os evangélicos têm dois senadores, dois deputados federais e o deputado estadual mais vem votado e agora quer eleger o prefeito da capital

Vanderlan Cardoso sugere que Maguito Vilela pode ser nome de consenso em Goiânia

O senador eleito pelo PP afirma que está conversando com Elias Vaz, João Campos e Francisco Júnior O senador eleito Vanderlan Cardoso afirma que o PP tende a lançar candidato a prefeito de Goiânia em 2020 — daqui a um ano e nove meses. “Eu e o ministro das Cidades, Alexandre Baldy, estamos convidando várias pessoas para se filiar ao PP. Como se sabe, partido, para crescer, precisa disputar cargos majoritários. Como não devo ser candidato e Baldy possivelmente não querer disputar, nós vamos atrair alguém de peso em Goiânia para bancar para prefeito”, afirma Vanderlan Cardoso. É possível uma composição com outros partidos? “Nós estamos conversando com Vilmar Rocha e Francisco Júnior, do PSD, Elias Vaz, do PSB, e João Campos, do PRB. Francisco Júnior, Elias Vaz e João Campos são grandes nomes. O PSC pode bancar Eurípedes José do Carmo. Wilder Morais fala em disputar e é um bom candidato. A Dra. Cristina é um nome qualificado e é uma pessoa correta.” E o MDB? “Nós estamos conversando com o MDB também. Maguito Vilela, pelo trabalho que fez em Aparecida de Goiânia, é um nome forte. Pode até ser o nome de consenso dos partidos que citei, mas esclareço que falo pelo meu partido, e, mesmo neste, tenho de conversar com meus companheiros, como Alexandre Baldy e Adriano do Baldy. Não tomo decisões solitárias, porque não é democrático. Tirando Maguito, o MDB não tem outro nome forte em Goiânia”. E o prefeito Iris Rezende? “Se o MDB quiser perder, basta lançá-lo.”

PP pode eleger Esperidião Amin pro Senado e PRB pode eleger João Campos pra Câmara

Vanderlan Cardoso diz que sinalização de Jair Bolsonaro garante vitória do deputado goiano

“Escolher gente de fora para postos chaves do governo sugere que Goiás não tem gente competente”

O presidente do PSD afirma que adotará posição independente em relação ao governador Ronaldo Caiado [caption id="attachment_1909" align="aligncenter" width="620"] Vilmar Rocha (PSD) e Ronaldo Caiado (DEM):[/caption] O presidente do PSD, Vilmar Rocha, afirma que aprecia resultados e não apenas projetos. “Tenho evitado me manifestar, até porque o governo de Ronaldo Caiado ainda não começou. Quero que o governo tome posse e comece a trabalhar — aí darei minha opinião. Trazer gente de fora em excesso para compor a equipe de auxiliares passa a impressão de que o próximo governador não tem nomes no seu grupo e que Goiás não tem gente capaz. Na verdade, o Estado tem centenas de pessoas competentes.” Vilmar Rocha frisa que o PSD vai adotar, ao menos num primeiro momento, uma “posição de independência em relação ao governo de Ronaldo Caiado. Não vamos fazer oposição sistemática nem adotar alinhamento automático. Falo como presidente do partido”. Quem ganha a eleição, assinala Vilmar Rocha, “tem a prerrogativa de apresentar sua agenda. O PSD vai se posicionar só depois da apresentação da agenda de governo e de suas prioridades”. Instado a avaliar o ministério do futuro presidente Jair Bolsonaro, Vilmar Rocha afirma que, “na média, é bom”. “Conforme havia prometido na campanha, Bolsonaro não loteou o ministério. Guilherme Afif Domingos, do nosso partido, vai assessorar o ministro da Fazenda, Paulo Guedes. Eles são amigos. A equipe econômica é coesa, qualificada e liberal. Agora, vamos verificar como vai ser a condução política das ações. Uma solução boa, se mal conduzida, naufraga e se torna uma solução ruim. Dialogar é fundamental, às vezes é preciso ter a grandeza de voltar atrás.” O PSD nacional tende a apoiar o governo de Bolsonaro no Congresso, mas há quem avalie que uma posição de independência é mais saudável. Quanto à eleição para presidente da Câmara dos Deputados, o PSD ainda não se definiu. O líder do partido é Daniel de Paula, de Pernambuco. Muita gente não quer Rodrigo Maia, mas sugere que não há uma alternativa eleitoralmente viável”. Na disputa para presidente da Assembleia Legislativa, Vilmar Rocha sublinha que deve ganhar Álvaro Guimarães, do DEM. Nossos deputados, Lucas Calil e Wilde Cambão, têm liberdade para decidir na Assembleia.”

Senador Fernando Collor deve se filiar ao Pros

Eurípedes Júnior frisa que a conquista de um ex-presidente fortalecer o partido

Eurípedes Junior diz que Pros é destaque na Assembleia e vai lançar candidato em Goiânia

O partido dirigido nacionalmente por um goiano trabalha para ter seis deputados na Assembleia Legislativa de Goiás

Claas Relotius, o repórter que criava fake news, reforça ideia de ego inflado entre jornalistas

Alemão já havia recebido diversos prêmios, como o "Jornalista do Ano", concedido pela CNN