Interesse de investidores pode viabilizar Brasil de Bolsonaro e Goiás de Caiado

O investidor Mark Mobius afirma que o país é viável e garante que confia no seu crescimento, tanto que está aumentando seus investimentos na empresas patropis

Mark Mobius, Jair Bolsonaro e Ronaldo Caiado: o primeiro afirma que os investidores, com reformas e segurança legal, vão investir mais no Brasil, o que tende a viabilizar o governo do próximo presidente do Brasil e do futuro governador de Goiás

Quando você compra produtos alimentícios e outros em supermercados, como Carrefour e Extra, ou faz compras na C&A e na Renner, se quiser, pode usar cartões das próprias lojas. Eles parecem simples cartões. Na verdade, são cartões de crédito. Porque as operações são financeiras e as lojas — não todas, é claro — se tornaram financeiras e, algumas, até emprestam dinheiro aos seus consumidores fidelizados. O fato é que capital industrial e capital bancário são uma coisa só, há vários anos. A sociedade da informação (ou do conhecimento) e o capitalismo financeiro são uma coisa só. Industriais retardatários — por certo com uma mentalidade mais nostálgica do que ruralizante (o campo é tão moderno quando as cidades) — ainda têm o hábito de criticar o chamado “capital especulativo”. Este existe, é fato. Mas o imbricamento entre capital produtivo e capital especulativo é praticamente total. Pode-se falar mais em convergência do que em divergência. Como só políticos (e alguns poucos empresários) guardam dinheiro em casa, num entesouramento à antiga, é até complicado sugerir que quem aplica seu dinheiro — ou capital — nos bancos e financeiras é especulador ou, até, dono de seu money. Dinheiro, quando está aplicado, é de todos os que podem contrair empréstimos. Fantasia? Nem tanto.

Fundos de investimentos, como XP, Empiricus e Orama, recomendam que seus clientes invistam em empreendimentos sólidos. Empresas valorizadas crescem e se tornam mais rentáveis aos proprietários e aos investidores. Investir em canoa furada — em empresas sem lastro — só mesmo para ingênuos. O investidor americano Mark Mobius, de 82 anos, administrou uma carteira de 40 bilhões de dólares, na gestora Franklin Templeton. Ele recomendava aplicações em países como Brasil, China, Índia, Argentina e Turquia. Em 2018, quando se pensava que não iria sair da aposentadoria, criou a gestora Mobius Capital. A repórter Giuliana Napolitano, da revista “Exame”, entrevistou o investidor e conta que a estratégia de seu fundo “é investir em ações de empresas socialmente responsáveis e com elevada governança corporativa”. No Brasil atua ao lado do banco BTG Pactual.

Investir no Brasil é um bom negócio, afirma Mobius. “Os investidores devem voltar a aplicar nos países emergentes. Da mesma formas que que desvalorizam subitamente, os mercados emergentes podem se recuperar muito depressa. Foi o que aconteceu com a bolsa brasileira recentemente. É preciso estar posicionado para beneficar-se dessa alta quando ela ocorrer.”

A China deve crescer de 5%, “numa visão bem pessimista”, a 7%. Mas, frisa Mobius, “ainda é uma expansão significativa. A tensão comercial com os Estados Unidos pode ser uma oportunidade. Se a China passar a vender menos para os Estados Unidos, esse espaço poderá ser ocupado por outros países e empresas. O Brasil deveria se preparar para aproveitar essa brecha se ela surgir”.

Inquirido sobre “quais são os mercados emergentes mais promissores atualmente”, Mobius é enfático: “Brasil e Índia estão no topo da lista, em razão das perspectivas de crescimento da economia”.

O Brasil é uma das prioridades do fundo de investimentos de Mobius porque o próximo presidente, Jair Bolsonaro, “tem uma mentalidade pró-negócios e tem se mostrado preocupado com o respeito às leis e aos contratos. Como investidores, precisamos acreditar que nossos direitos serão respeitados no país”. Ele afirma que até a Operação Lava Jato confere mais credibilidade ao país, ao indicar que há uma busca pela legalidade e cumprimento das regras.
Mobius aposta na agenda de reformas, admite que as resistências serão intensas. “Mas um ponto me deixa esperançoso: até o presidente Michel Temer, que faz parte da velha guarda da política brasileira, tentou fazer o que é certo e aprovar reformas que são boas para o país.”

Os investidores cautelosos estão equivocados a respeito do Brasil, segundo Mobius. “Mas não acredito que eles continuarão sacando recursos do Brasil, como fizeram nos últimos meses. Os investimentos devem voltar à medida que o governo se estabelecer e começar a trabalhar.”

Indagado sobre as razões de acreditar no Brasil, Mobius é enfático: “O motivo é a qualidade das empresas brasileiras, em diferentes setores. A Embraer, fabricante de aeronaves, é um ótimo exemplo. Há empresas menores, de capital fechado, que são excelentes. Isso deve continuar fazendo o país crescer. Perdi dinheiro no Brasil com as ações da Petrobrás quando o escândalo de corrupção veio à tona. Mas, ao longo dos anos, os retornos no Brasil foram muito bons. Atualmente, cerca de 10% do patrimônio do fundo está investido em ações de companhias brasileiras”.
Mobius sugere que os investidores fiquem atentos ao setor de varejo do Brasil. “O uso de tecnologia e a expansão das vendas online devem melhorar os resultados das empresas que souberem explorar esses movimentos. Também voltamos a investir em ações de bancos, mas, desta vez, preferimos os de médio porte que estão mudando a maneira de interagir com os clientes. A evolução das fintechs [startups financeiras] deve beneficiar as instituições envolvidas nisso.”

Jair Bolsonaro e Ronaldo Caiado

Os governos de Jair Bolsonaro, no Brasil, e de Ronaldo Caiado, em Goiás, têm a ganhar com a retomada dos investimentos financeiros na economia brasileira. Porque significam maior expansão das empresas e, portanto, maior arrecadação e, também, mais empregos.

Parte dos brasileiros, com seu complexo de vira-lata, torce contra o crescimento do país, apostando no quanto pior, melhor. Torcer contra os governos de Bolsonaro e Caiado — diferentemente de fazer oposição — é torcer contra o Brasil e Goiás. Se fracassarem, serão trocados pelos eleitores, mas serão os brasileiros e goianos que sofrerão as consequências.

O ambiente interno e externo é propício para o crescimento e para o desenvolvimento, desde que haja uma união política que permita a aprovação das reformas, como a da Previdência e a Tributária. Fora do país, sobretudo entre os que podem perder muito — os investidores —, há uma crença de que o Brasil é fadado ao sucesso, tanto por suas empresas modernas, em vários campos, quanto por sua imensa, diversificada e qualitativa oferta de matérias-primas. Dentro do próprio país, e muito devido ao primado do debate puramente ideológico, há uma certa desmotivação.

Bolsonaro ainda nem assumiu e já é possível ler textos nos jornais sobre seu quase fracasso. No Brasil, mesmo quem não é de esquerda, comporta, quando escreve, como se fosse. Não todos, é claro. Mas muitos.

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.