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É hora de repensar o modelo de financiamento do transporte

Em meio à polêmica envolvendo o Passe Livre Estudantil, cujo número de alunos atendidos o governo estadual quer reduzir de 85 mil para 22 mil, um assunto tem passado ao largo das discussões sobre o transporte coletivo público. Em gestação nos órgãos gestores, a criação de fontes alternativas de financiamento do sistema na Região Metropolitana precisa deixar de ser tabu e deve ser debatida com clareza, coragem e com o mínimo de contaminação de interesses políticos e financeiros.

Atualmente, o sistema é quase que exclusivamente bancado pela tarifa paga pelos usuários. O governo estadual subsidia com isenção de ICMS sobre o combustível e com repasses para cobrir o déficit oriundo do Passe Livre Estudantil. As demais gratuidades (idosos, militares, funcionários dos Correios, deficientes, etc) são complementadas pelo preço da passagem – que também paga pela manutenção dos abrigos e terminais de integração. A estimativa é de que todos esses gastos representem cerca de 40% do valor final da tarifa. Ou seja, R$ 1,72 de R$ 4,30 são usados para cobrir as gratuidades e para fazer investimentos em manutenção.

De acordo com o senso comum, essa seria a lógica. Paga quem usa. Contudo, no mundo desenvolvido, não é assim que funciona. Para que a tarifa não seja tão alta e que haja recursos para melhoria do sistema, em praticamente todos os países avançados há algum tipo de fonte alternativa de financiamento do transporte coletivo público.

Conforme publicado no Jornal Opção, nas principais cidades europeias o subsídio governamental (que, em última análise, é bancado pelos tributos e taxas pagas por toda a sociedade) cobre de 46% (em Amsterdã) a 74% (em Praga) do valor total das tarifas. Isso ocorre porque existe uma visão que valoriza o coletivo sobre o individual. É assim que as sociedades avançadas funcionam.

E de onde vêm esses recursos para subsidiar o valor da passagem? As possibilidades são muitas, mas o caminho mais comum é que o transporte individual arque com esses custos, seja com parcela do valor do licenciamento anual, seja com destinação de taxas incidentes sobre estacionamentos particulares e públicos e combustíveis. Em alguns países, inclusive, há cobrança de pedágio urbano.

No caso do município de Goiânia, há duas medidas que poderiam, ao mesmo tempo, auxiliar na rotatividade das vagas de estacionamento público e servirem de fonte para melhoria do transporte coletivo: a ampliação da Área Azul, que, segundo estudo da Secretaria de Trânsito, Transporte e Mobilidade (SMT) poderia chegar a 20 mil vagas (hoje são apenas 2 mil, em Campinas e no Centro); e a adoção do parquímetros, projeto já aprovado na Câmara de Vereadores mas nunca colocado em prática.

No caso de Goiás, os técnicos que trabalham no tema calculam que seria necessário algo em torno de R$ 200 milhões por ano em fontes extratarifárias. Esse valor seria o suficiente para segurar o valor da passagem e ter algum recurso para investir em novos abrigos, na melhoria dos terminais e na frota.

Porém, esse não é um tema fácil de lidar. Ao longo do tempo, o usuário desenvolveu uma desconfiança nos gestores e nas empresas que exploram o serviço. E não sem razão. Desde que a atual concessão entrou em vigor, em 2008, a tarifa subiu de R$ 2 para R$ 4,30. É um aumento de 115% no período. Bem acima da inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que foi de 77%.

Já o proprietário de automóvel particular dificilmente engoliria mais uma taxa ou aumento naquelas que já paga anualmente, como o IPVA, o licenciamento e o seguro obrigatório. Afinal, se ele não enxerga os tributos que paga anualmente retornarem em forma de ruas em boas condições e sinalização de trânsito adequada, como convencê-lo de pagar um pouco mais para que o transporte coletivo público seja beneficiado?

Os desafios para fazer uma proposta dessas vingar são muitos. Mas os benefícios também. Um transporte coletivo melhor significa um trânsito mais racional, menos perda de dinheiro em deslocamento, menos poluição. Enfim, mais qualidade de vida nas cidades.

Cabe aos gestores conquistarem a confiança da população. E cabe a toda a sociedade estabelecer uma cultura na qual o interesse coletivo seja mais importante que o individual.

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O hipocampo e a condenação na Justiça

No último dia 05 de maio, os repórteres Valmir Salaro e Renato Ferezim da rede globo, apresentaram no Fantástico um experimento denominado “teste de reconhecimento de suspeitos” chegando à conclusão de o procedimento confiável adotado no Brasil não é confiável. Por certo, cabe aos Magistrados aplicarem a norma com base em depoimentos testemunhais, embasados em outras provas, sob pena de serem induzidos por testemunhas que preencheram suas memórias com realidades inexistentes, seja no campo, penal, civil, administrativo, ou trabalhista, pois nosso cérebro não é uma câmera fotográfica, nem uma
máquina de filmar, existem muitas falhas na forma como nós guardamos nossas memórias.

Antes de detalhar o experimento e tentar explicar um pouco do HIPOCAMPO , ressalto que fiquei alarmado com o resultado da pesquisa, que 76% dos participantes erraram ao apontar o culpado do crime, destacando que esses participantes seguiram as normas brasileiras do teste
de reconhecimento de suspeitos!

O Hipocampo cerebral é o local de armazenamento temporário da memória, principalmente a memória a longo prazo. Faz parte do sistema límbico, que é o conjunto de estruturas responsáveis pelo sentimento.
Reconhecer uma pessoa estranha que eu só vi uma vez, seja por segundo ou minutos é uma coisa muito difícil.

Nosso cérebro não é uma câmera fotográfica, nem uma máquina de filmar existem muitas falhas na forma como nós guardamos nossas memórias, elas ficam numa região do cérebro chamada Hipocampo para acioná-las percorremos um caminho pré-determinado, numa rede de neurônios, um caminho cheio de buracos preenchidos automaticamente, e assim somos capazes de lembrar de algo que nunca aconteceu.

Produzir falsas memórias é parte do funcionamento normal da memória. Então, não tem como você alterar isso. A psicóloga Lilian Stein estuda há 20 anos a ciência por traz do reconhecimento de pessoas, e aponta procedimentos básicos, que fazem muita diferença.

Dizer pra pessoa que o assaltante pode ou não estar dentre essas fotos e que muito importante, quem vai apresentar essas orientações não sabem qual das 7 ou 5 fotos é o suspeito de ter cometido o assalto.
A reportagem foi divida em duas partes, sendo elas:

Primeira Parte do experimento:

Ator do crime: 1,80 de altura, moreno, olhos castanhos, 2 cm e 57ml separam um olho do outro, cabelos pretos, 97 micrometros de diâmetros de cada fio, 27 anos de idade, ator, o trabalho dele será interpretar um criminoso, quem vai assistir a encenação será estudantes de direitos de uma faculdade de São Paulo, eles não sabem que tudo é armado. Agora, eles serão convidados a identificar o ladrão entre outros 5 atores.

O experimento foi organizado com base em outro feito na Universidade de São Paulo há 7 meses, pela Advogada Karen Tenenbojm.

Segunda parte do experimento:

Os alunos foram convidados a reconhecer o ator do crime que encenou o roubo do Lap Top. Divididos em dois grupos o primeiro recebeu orientações que seguem as normas do departamento de Justiça Americano:

O ator pode ou não estar nessas fotos, se você não souber pode dizer: não sei. Só te lembrar para ter muita cautela nesse procedimento, porque isso na pratica pode acarretar numa condenação de inocente.

O outro grupo foi orientado seguindo o a Legislação brasileira:
Você vai fazer o papel de uma testemunha tentar reconhecer através de fotografia o suposto autor do computador do professor.

Mesmo seguindo padrões considerados mais apropriados a justiça Americana já condenou muitos inocentes, inclusive recentemente libertou um homem preso há 28 anos que foi considerado inocente; anterior a isso havia uma caso de acusado de estupro que cumprira 23 anos de prisão.

Uma ONG a INNOCENCE PROJECT conseguiu tirar da cadeia cerca de 360 pessoas reconhecidas de forma equivocada. A maior parte dos 42 participantes do experimento do Fantástico errou ao apontar o ladrão
principalmente aqueles que não foram orientados conformes os protocolos recomendados internacionalmente.

Do grupo que seguiam apenas as normas brasileiras todos apontaram o culpado, 76% erraram. No outro grupo 63% disseram que não se sentiam confiantes em apontar o culpado. Os outros 26% disseram que sabiam com certeza quem roubou o Lap Top e erraram.

Poucas diferenças físicas do outro ator que encenou o roubo que no momento do reconhecimento não fez muita diferença, passaram despercebidas, se fosse um caso real não seria o ladrão, seria uma inocente que iria pra trás das grades injustamente.

Para a Psicóloga Lilian Stein “reconhecer uma pessoa estranha que eu só vi uma vez, seja por segundo ou minutos é uma coisa muito difícil”.

Nosso cérebro não é uma câmera fotográfica, nem uma máquina de filmar existem muitas falhas na forma como nós guardamos nossas memórias, elas ficam numa região do cérebro chamada Hipocampo para acioná-las percorremos um caminho pré-determinado, numa rede de neurônios, um caminho cheio de buracos preenchidos automaticamente, e assim somos capazes de lembrar de algo que nunca aconteceu.

Lilian Stein e ainda acrescenta “Produzir falsas memórias é parte do funcionamento normal da memória. Então, não tem como você alterar isso”.

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