Maternidade tardia: uma realidade cada vez mais comum

Carreira profissional é o principal motivo para as mulheres decidirem ter filhos mais tarde, e a medicina tem ajudado quem faz essa opção

Foto: Reprodução

É cada vez mais comum vermos mulheres tornarem-se mães em idades que, antes, seriam consideradas avançadas. Há alguns anos, a idade ideal para que se engravidasse era entre os 18 e os 25 anos. Hoje, com a recolocação da mulher na sociedade, no mercado de trabalho, e o avanço das tecnologias de fertilização, as mulheres estão deixando para ter filhos após os 30 ou 40 anos de idade.

A Márcia Araújo é um exemplo disto, jornalista e mãe de dois filhos, ele decidiu esperar a carreira profissional consolidar-se para engravidar. “Eu sempre trabalhei no mercado privado, e as condições de trabalho sempre foram ruins. Trabalhei como redatora publicitária, e em algumas agências eu trabalhei sem carteira assinada, em outras, eu assinava, mas por um valor muito baixo, então eu esperava ser contratada em um lugar que eu tivesse um pouco mais de estabilidade”, afirmou.

Ela conta ainda, que decidiu abrir seu próprio negócio, fato que adiou um pouco mais os planos de maternidade: “Como empresária, a gente não tem horário”. Depois de um tempo à frente de sua agência de publicidade, Márcia e o marido decidiram ter o primeiro filho, tendo retornado ao trabalho apenas 40 dias após dar à luz.

Com a experiência de conciliar carreira e maternidade, Márcia ficava preocupada em engravidar novamente: “Será que vou ter outro filho no meio dessa correria? Eu queria muito ter o segundo filho, mas queria ter mais tempo para eles”. Somente quando completou 40 anos de idade, ela decidiu que era a hora certa, entretanto, isso coincidiu com o surto de zica vírus que aconteceu no Brasil.Então, por recomendações médicas, a família decidiu esperar.

Ela conta que quando o ápice da doença passou, ela estava com 43 anos, e até pensou em desistir, mas a médica encorajou-a a fazer mais uma tentativa. “Eu fiz inseminação uma vez só e funcionou”. Márcia conta também que teve medo de o filho mais novo ter alguma síndrome por conta de sua idade: “Eu fiquei muito feliz quando ele nasceu saudável, por ter dado tudo certo, e eu queria muito dar um irmão para meu primeiro filho, acho que é uma coisa que faz muita diferença”.

Apesar de querer estabilizar-se financeiramente para ter filhos, Márcia chegou à seguinte conclusão: “A gente espera o momento ideal para ter filhos, e esse momento não existe. Eu esperei um momento de tranquilidade na carreira, esse momento não chegou e eu resolvi ter assim mesmo”.

Assim como a Márcia, muitas mulheres esperam o momento ideal de suas vidas para engravidarem, entretanto, com o passar dos anos as chances de engravidar diminuem e podem surgir complicações, como infertilidade, abortos espontâneos e anomalias genéticas. A boa notícia é que a medicina vem acompanhando essas mudanças, e, hoje, a chamada gravidez tardia é uma realidade cada vez mais comum.

Clínicas de reprodução assistida oferecem diversos tratamentos para aquelas mulheres que estão com dificuldades de engravidar, dentre eles, podemos citar um dos métodos mais comuns que é a inseminação ultra-uterina até a fertilização in vitro, indicada em casos, nos quais a mulher apresenta algum problema que dificulta a fecundação natural, seja pela idade ou não.

Especialistas afirmam que no caso das mulheres que têm certeza que querem engravidar após os 35 anos de idade, o método mais indicado – e mais procurado – é o congelamento de óvulos. Isto porque, quando a mulher é mais jovem, os óvulos apresentam uma qualidade melhor, tendo em vista que o fator tempo pode acumular nos gametas femininos, os efeitos do ambiente, como poluição, radiação, medicamentos, entre outros. Uma vez congelados, as mulheres podem utilizar os óvulos em uma fertilização assistida, anos depois.

Portanto, se há 30 anos não era comum ver mulheres tendo filhos após os 35 anos de idade – pelo contrário, o “normal” era engravidar na faixa dos 20, ou até antes – hoje é uma realidade cada vez mais comum, e as mulheres viram nessa possibilidade, a chance de realizar o sonho da maternidade, sem, necessariamente pausar ou até mesmo abdicar de sua carreira profissional.

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