Reportagens
Editores Ketllyn Fernandes e Thiago Burigato conquistaram o 1º Prêmio Goiano de Jornalismo Cultural na categoria Webjornalismo. No mês passado, Sarah Teófilo foi agraciada com a primeira colocação de um concurso nacional
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Ketllyn Fernandes (à esq.), Thiago Burigato e Sarah Teófilo: os premiados da equipe
do Jornal Opção Online | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção[/caption]
Marcelo Gouveia
Na quarta-feira, 3, durante a cerimônia de anúncio dos vencedores do 1º Prêmio Goiano de Jornalismo Cultural, o Jornal Opção Online recebeu, mais uma vez, a coroação pelo trabalho consistente que vem sendo realizado por sua equipe. Os editores Ketllyn Fernandes e Thiago Burigato foram os grandes vencedores do concurso na categoria Webjornalismo, por conta da matéria “Goiás descobre a cultura como fonte de geração de emprego e renda”.
Com o tema “Economia Criativa em Goiás e o novo modelo para produção de cultura no Estado”, a premiação, uma iniciativa da Secretaria Estadual da Cultural (Secult-GO), teve como objetivo condecorar os profissionais de comunicação que produziram e publicaram reportagens que contribuíssem para o conhecimento sobre o tema. Os vencedores foram premiados em cerimônia na Vila Cultural Cora Coralina e os valores dos prêmios foram de R$ 4 mil e R$ 2 mil para as primeiras e segundas colocações, respectivamente.
Frente à abrangência da temática “economia criativa”, os editores, de 25 e 26 anos, antes de tomar qualquer decisão, foram atrás do superintendente executivo da Secult, Decio Coutinho. A partir daí, puderam mostrar que, aos poucos, gestores e empreendedores acabam por reconhecer que a criatividade e a inovação são capazes de gerar riqueza econômica.
A reportagem contou, antes de adentrar em um ou mais casos específicos, com o zelo de situar o leitor quanto à definição e às origens históricas da economia criativa, possibilitando um melhor e mais amplo conhecimento acerca desse tipo de produção. “Conseguimos traçar um panorama sobre a economia criativa em Goiás tanto para agora quanto para os próximos anos”, destacou Ketllyn.
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“Foi na Austrália, em 1994, onde se originou o que se busca entender por economia criativa. Duas décadas depois, a indefinição quanto ao que significa em exato essa terminologia contrasta com sua importância e presença em toda e qualquer atividade, já que para viver é preciso consumir e conviver com os mais diversos produtos oriundos da criação humana, no que se encaixam desde os feitos tangíveis aos intangíveis”, situa a reportagem.
Outro grande diferencial da matéria foi a utilização de infográficos para explicar melhor o assunto e dados relativos a ele. Nesse sentido, foi muito importante a colaboração do designer Fred Passos, da empresa “Farol Criativo", que produziu o material em parceria com os jornalistas. Além de ter deixado a matéria mais rica, foi um recurso que nenhum outro inscrito no concurso utilizou. Tratando-se de um material veiculado em uma plataforma online, os infográficos, certamente, tiveram significativa participação na vitória do Jornal Opção Online.
Trazendo o conceito de economia criativa para a realidade goiana, a dupla também discorreu sobre o papel desempenhado pelo Observatório Brasileiro da Economia Criativa (Obec) do Estado, cujo principal objetivo é criar bases confiáveis para pesquisas na área, além de oferecer subsídios a decisões públicas sobre políticas culturais. Outras iniciativas do setor são citadas no texto premiado, tais como a Incubadora Goiás Criativo e os APLs (arranjos produtivos locais).
Ao exemplificar o conceito de economia criativa, os jornalistas destacaram o mercado de jogos eletrônicos, cujo faturamento global deve ultrapassar, em 2016, a marca de US$ 86 bilhões. Thiago Burigato conta como surgiu a ideia de relacionar o mundo dos games ao setor da economia criativa. “Pensamos que seria interessante mostrar que o nosso Estado tem produção nessa área, algo que pouca gente sabe. Também pesou o fato de o governo estadual estar reconhecendo os jogos eletrônicos como um produto cultural, artístico, e esse assunto há muito tempo é motivo de polêmica no mundo todo”, afirma.
A segunda abordagem tratada pela dupla foi a das cidades criativas. O conceito novo, intimamente ligado à economia criativa, é tratado na reportagem premiada com um ótimo exemplo aqui em Goiás: o município de Rio Quente. O Jornal Opção já havia, abordado o tema na edição 1993 da versão impressa — “Cidade de Rio Quente sedia o Fórum Internacional de Cidades Criativas”, de Murilo Nascente Santana.
Jornalista venceu prêmio nacional
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Sarah Teófilo (no centro) e os outros cinco finalistas do 2º Prêmio Tetra Pak de Jornalismo Ambiental[/caption]
Com a premiação conquistada pelos editores Ketllyn Fernandes e Thiago Burigato, o Jornal Opção Online já acumula três prêmios. O primeiro foi uma parceria entre Ketllyn e o jornalista Marcos Nunes Carreiro no Prêmio Detran de Jornalismo, em 2012. Mais recentemente, foi a vez da estagiária Sarah Teófilo, de 21 anos, ser agraciada com a 1ª colocação de um concurso nacional. A aluna da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO) foi a grande vencedora do 2º Prêmio Tetra Pak de Jornalismo Ambiental.
A jovem ganhou um estágio de nove dias no Centro Knight para o Jornalismo nas Américas, na Universidade do Texas, em Austin (EUA). O anúncio da vencedora foi feito em São Paulo, pelo diretor de Desenvolvimento Editorial do jornal “O Estado de S. Paulo”, Roberto Gazzi, e pela gerente de Relações Institucionais da Tetra Pak, Daniela Alves.
Na primeira fase do concurso, Sarah fez uma reportagem sobre as iniciativas dos fazendeiros goianos em defesa do Cerrado. Classificada para a final, ela foi entrevistada por duas jornalistas do “Estadão”, um professor da Universidade São Judas Tadeu e por uma representante da Tetra Pak e, em seguida, foi escolhida entre outros cinco concorrentes. A repórter contou com a honraria de ter sua matéria publicada no veículo paulista, tanto na versão online quanto na impressa.
Segundo a estagiária, a ideia de falar sobre os fazendeiros do Estado que contribuem para a preservação do bioma Cerrado surgiu durante uma palestra na própria Semana Estado de Jornalismo Ambiental. “Um dos palestrantes falou um pouco sobre o Plano ABC e, quando fui pensar no que escreveria, lembrei-me do que foi dito e pensei que poderia produzir algo voltado para Goiás”, relembrou.
Sarah conta que enfrentou dificuldades para tratar sobre um tema tão abrangente em uma matéria de no máximo 3 mil caracteres, assim como era exigido no concurso. Segundo ela, quando finalizou a primeira versão, acabou por se deparar com 12 mil caracteres a mais do que o previsto. “Tive grande dificuldade na hora da edição desse texto”, admite. Por isso, a jovem revelou que não esperava ficar entre os finalistas, muito menos ser a vencedora. “Quando fiz a edição, achei que o texto tinha ficado pobre, pensei que tinha perdido a essência. Por isso, fiquei surpresa.”
Com prestígio da versão impressa, Jornal Opção Online acumula prêmios e bons resultados
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Editores premiados e o secretário de Cultura, Aguinaldo Coelho[/caption]
Há 38 anos, quando o Jornal Opção lançava sua primeira edição, o jornalismo online, ou webjornalismo, ainda era uma realidade distante. Todavia, 2044 edições depois, o veículo, um dos mais tradicionais de Goiás, abrange hoje o prestígio de sua versão impressa em uma nova plataforma, o Jornal Opção Online. Para chegar ao que é hoje, já foram mais de dez anos de história. Usado em princípio exclusivamente para divulgação do material impresso, o novo formato ofereceu ao jornal a possibilidade de se reinventar.
Deixando para trás o estigma de que o veículo atendia a um público seleto, o veículo resolveu investir nas potencialidades de sua recém-criada plataforma, criando uma equipe exclusiva para isso. Com uma proposta ousada, o Jornal Opção Online tinha pela frente o desafio de não ser só diário, mas, também, instantâneo. A idealizadora do projeto, a editora-executiva Patrícia Moraes Machado, explica em que circunstâncias a página virtual foi criada. “O Jornal Opção tem muita informação, mas chegávamos ao limite do acesso. Não conseguíamos abranger todo o público. Com a versão online, passamos a buscar o dinamismo da informação.”
Um fator determinante para popularização da plataforma online foi com toda certeza a inauguração de seu novo portal, em 25 de abril deste ano. O projeto promoveu a expansão da proposta do site trazendo um visual moderno e acessível, visando a diversificação da forma de apresentação de conteúdos. Como prova do sucesso da nova plataforma e suas potencialidades, o veículo alcançou, no início do último mês, o número recorde de 428 mil acessos semanais, no período compreendido de 3 a 9 de agosto.
Vale lembrar que, apesar da reformulação no conteúdo, no formato e no visual, a filosofia do Jornal Opção permanece intacta: a informação livre, o jornalismo de qualidade e o respeito ao leitor continuam sendo a prioridade.
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Fernando Cupertino
Especial para o Jornal Opção
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É preciso que os gestores municipais atuaem de maneira firme sobre a problemática das calçadas[/caption]
Desde 1986, com a publicação da Carta de Ottawa, as atividades de promoção da saúde ganharam importância como referencial teórico para a definição de estratégias destinadas à manutenção do bem-estar e da saúde das pessoas pelo mundo afora. Um de seus pontos principais é o que chama atenção para a importância do ambiente saudável, que vai além da ausência ou do controle da poluição atmosférica, dos mananciais e da contaminação do solo.
Importa refletir sobre algo relativamente simples, mas que tem profundo impacto sobre a vida das pessoas e que está ao alcance de todas as comunidades e das administrações municipais: a qualidade das nossas calçadas.
Calçada ou passeio, é um “caminho pavimentado para pedestres, quase sempre mais alto que a parte da rua destinada aos veículos, e geralmente limitado pelo meio-fio”, segundo o dicionário Aurélio. Ou, pelo menos, deveria ser. Na verdade, o que se constata no quotidiano da maioria de nossas cidades, é que as calçadas — ou a falta delas, são fonte permanente de ameaça à saúde das pessoas. Se não existem, expõem os pedestres a riscos de atropelamentos; se existem e são mal conservadas impõem risco de quedas e suas consequências potencialmente graves para as vítimas. Quedas que resultam, quase sempre, em traumas de variados graus de complexidade, principalmente em idosos, crianças e gestantes.
Além disso, negam veementemente os esforços das políticas de promoção da saúde, que recomendam a adoção de hábitos saudáveis de vida, como a prática regular de atividade física, de que a caminhada é o exemplo mais eloquente e ao alcance de todos. Esta prática está na dependência direta da existência, manutenção e nivelamento das calçadas.
É um contrassenso a omissão das administrações municipais ao se negarem a promover as condições mínimas para a mobilidade urbana dos pedestres, seja na construção e na manutenção dos passeios de áreas públicas, seja pela negligência na fiscalização daqueles que se encontram sob responsabilidade de particulares. A administração pública torna-se, assim, responsável por uma falta grave, com repercussões importantes sobre a vida das pessoas, pois além dos prejuízos à saúde causados pela impossibilidade de acesso (ex. dificuldade dos cadeirantes) a ambientes saudáveis e propícios à prática regular de atividade física, há os danos físicos imediatos para as vítimas de quedas, além de prejuízos econômicos para estas e para os serviços de saúde que arcam com o tratamento e a reabilitação dos pacientes.
É preciso, pois, que os nossos administradores municipais tenham a perspicácia de atuar de maneira firme sobre essa questão. Parece simples, mas trata-se de uma medida claramente inserida no capítulo da “intersetorialidade”, posto que conjuga as dimensões da mobilidade urbana e da saúde coletiva. Se assim não for, continuaremos a fazer de conta que promovemos a saúde das pessoas e que cuidamos adequadamente do ambiente em que vivemos.
Fernando Cupertino é médico, mestre (ISC-UFBA) e doutorando em Saúde Coletiva (UnB)
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