Investimentos em infraestrutura impulsionam agronegócio goiano

Riqueza oriunda do campo é responsável por 28% do Produto Interno Bruto (PIB) goiano fazendo do Estado um player nacional do setor que mais contribui para a balança comercial favorável do Brasil

Com vocação de celeiro nacional, Goiás é o 4º maior em grãos e o 3º em bovinos (abaixo) / Fotos: Fernando Leite/Jornal Opçãoi

Com vocação de celeiro nacional, Goiás é o 4º maior em grãos e o 3º em bovinos (abaixo) / Fotos: Fernando Leite/Jornal Opção

Frederico Vitor

Apesar da crescente industrialização, o agronegócio se destaca como atividade econômica de suma importância para a economia de Goiás. Em um período de 30 anos, a área plantada em território goiano mais do que dobrou, fazendo o Estado saltar de sétimo para a posição de quarto maior produtor de grãos do País. O rebanho bovino é o ter­ceiro maior, com 21,7 milhões de cabeças. Toda essa potencialidade é refletida pelo peso da influência exercida pelos produtores rurais na sociedade goiana. Estabelecida e coesa, a classe se organiza por meio de entidades como a Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg) e Sociedade Goiana de Pe­cuária e Agricultura (SGPA) a­lém dos sindicatos rurais espalhados pela maioria dos 246 municípios.

Desde o fim da hiperinflação em 1995, Goiás passa por um ciclo virtuoso de crescimento econômico. O valor de seu Pro­­duto Interno Bruto (PIB) tem duplicado a cada cinco anos, e sua taxa média de crescimento é superior à nacional. Esses resultados positivos são resultado do grande potencial econômico de seu território, com destaque ao agronegócio que é responsável por 28% do PIB goiano, segundo informações do Instituto Mauro Borges (IMB). Com sua produção agropecuária entre as mais importantes do País, o Estado consolidou-se nas últimas décadas como um dos maiores celeiros da federação, ocupando a posição de nona maior economia nacional (130,02 bilhões de reais de PIB em 2013).

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Terceiro maior rebanho bovino do País com 21,7 milhões de cabeças, Goiás tem a quarta maior produção leiteira nacional. A maior parte de sua estrutura agrária é destinada majoritariamente a pastagens para produção de gado bovino, do qual o Estado é um dos principais produtores nacionais. As terras para cultivo agrícola compõem 17,9% da superfície do território goiano. De acordo com os dados do último Censo A­gro­pecuário publicado, havia, em 2012, 135.683 estabelecimentos a­gropecuários em Goiás. A quantidade de trabalhadores em­pre­gados no campo também apresenta crescimento elevado, partindo de 471.657 em 1996 para mais de 100 mil em 2012.

O processo de modernização agrícola iniciado no final da década de 1960 deu status de fronteira agrícola ao Estado. Em aproveitamento deste grande potencial, as políticas públicas voltadas para o desenvolvimento do setor, notadamente nos últimos 12 anos, fez com que Goiás cumprisse sua vocação natural de celeiro nacional, aproveitando de sua grande extensão territorial e localização estratégica, visto que está próximo dos principais grandes centros do País.

Como já informado anteriormente, Goiás é um dos grandes produtores de grãos do País, com participação de 9,5% da produção nacional. A soja se mantém como o principal produto agrícola, representando 47% dos grãos produzidos em seus solos. Entre os destaques, a produção goiana de sorgo é a maior do Brasil. A soja, apesar de ser a cultura mais plantada, representa a quarta maior produção nacional. Já o algodão, milho, feijão e de cana-de-açúcar ocupam a terceira posição do ranking do País em suas respectivas produções. O Estado é o sexto maior produtor de trigo e o oitavo de arroz.

Da produção de sorgo na qual Goiás é líder nacional, os maiores municípios produtores são: Rio Verde, Jataí, Bom Jesus de Goiás, Cristalina, Ipameri, Paraúna, Luziânia, Goiatuba e Silvânia. Os nove municípios foram responsáveis por 57% do total da produção estadual. A cana-de-açúcar registrou crescimento significativo para a economia goiana nos últimos anos. A produção saltou de 10,163 milhões de toneladas em 2000, para 58,3 milhões de toneladas em 2012, com uma expansão de 474%. A área colhida no mesmo período cresceu 426%.

Processo de modernização
Jeferson de Castro: “Soja e carne  são 64% de nossas exportações”  / Fotos: Fernando Leite/Jornal Opçãoi

Jeferson de Castro: “Soja e carne
são 64% de nossas exportações” / Foto: Fernando Leite/Jornal Opçãoi

A modernização agrícola foi fundamental para o incremento do PIB e para criar as condições para o desenvolvimento do setor industrial por meio da agroindústria. A maior parte dos insumos utilizados pelo setor industrial goiano é proveniente da produção agrícola. Nos últimos anos, a produção agropecuária goiana tem se voltado para as culturas com maior potencial exportador e com maiores encadeamentos com a produção agroindustrial, destaque para as culturas da soja, milho e cana-de-açúcar.

Em relação à pecuária, atividade tradicional em Goiás que remonta ao fim do período aurífero no século XVI, representa 10% de participação no rebanho nacional. O município de Nova Crixás, no Nor­te Goiano possuía o maior rebanho bovino de Goiás, com 753 mil cabeças. Nova Crixás permanece como único município goiano entre os 15 maiores produtores do País, ocupando a 10ª colocação. Aliás, Goiás é o maior produtor nacional de bovinos de corte em confinamento. Essa modalidade de produção, intensiva em tecnologia, garante ao Estado no período da seca, período cuja oferta de gado é menor, posição de importante fornecedor para o mercado bovídeo brasileiro.

A produção leiteira goiana é de 3,5 bilhões de litros, representando o quarto do ranking nacional, com participação de 1% na produção nacional. A produção de leite cresceu 3,9% entre 2005 e 2013, verificando alto incremento em produtividade. Jataí foi o principal produtor goiano de leite e o terceiro maior do Brasil com 141 milhões de litros. Entre os 10 maiores municípios brasileiros figuraram ainda Morrinhos, em 4º lugar, com 128 milhões de litros, e Piracanjuba em sétimo lugar, com 17 milhões de litros.

De acordo com o economista e professor da Pontifícia Uni­ver­si­dade Católica (PUC) de Goiás, Jefer­son de Castro Vieira, existe atualmente no Estado um sistema integrado de produção formado pela agricultura, pecuária e a indústria de produtos alimentícios que representa 52% de toda a produção industrial estadual. Ele explica que a agropecuária goiana se caracteriza por ser de larga escala e de tecnologia intensiva, como por exemplo, as áreas irrigadas existentes na região de Crista­lina, Jussara, Paraúna e Mor­rinhos. “São áreas com produtividade alta, o que tem chamado à atenção da indústria nacional.”

Castro lembra que a contribuição do agronegócio para a balança comercial goiana é tão significativa que apenas soja e carne correspondem a 64% das exportações goianas. Ele afirma que os grãos estão em alta no mercado internacional e a proteína animal ganha importância e valorização pela recente resolução de embargos do produto em mercados emergentes importantes como o da Rússia. “Estamos exportando não só carne bovina, mas também aves e suínos. Apesar de as exportações de açúcar, milho e etanol serem baixas, elas também têm importância no mercado internacional.”

Fortalecimento do setor passa por ações do governo como a recuperação da malha viária
Recuperação da malha viária goiana impulsionou agronegócio do Estado  / Fernando  Leite/Jornal Opção

Recuperação da malha viária goiana impulsionou agronegócio do Estado / Fernando Leite/Jornal Opção

As perspectivas para o agronegócio em Goiás são animadoras. Segundo relatório que reuniu informações do 52º Congresso da Socie­da­de Brasileira de Economia, So­cio­logia e Administração Rural, o Es­ta­do poderá apresentar a taxa de crescimento de até 81% da produção de cana-de-açúcar. Os recentes investimentos em infraestrutura como construção e recuperação da malha viária estadual foram bem vistos pelas lideranças de entidades ruralistas. Tais ações, sob responsabilidade da Agência Goiana de Transportes e Obras (Agetop) tem como objetivo restaurar cerca de cinco mil quilômetros de estradas, num prazo de quatro anos e tem sido apontado como fator dinamizador para o fortalecimento do agronegócio goiano nos últimos dois anos.

Leonardo Ribeiro: “Mudança da tributação ajudou o produtor” / Larissa Melo

Leonardo Ribeiro: “Mudança da tributação ajudou o produtor” / Larissa Melo

De acordo com o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), Leonardo Ribeiro, a gestão do governador Marconi Perillo (PSDB) tem pontos positivos ao agronegócio a serem ressaltados, como a criação do fundo de transporte que promoveu a melhoria das rodovias goianas. Na questão ambiental, o líder classista diz que a implantação do Cadastro Ambiental Rural (CAR), a reforma do Código Florestal e a simplificação de licenciamentos por parte da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (Semarh) tem sido salutar aos produtores. “A tributação que teve algumas mudanças também ajudou a produção de alguns produtos como feijão, milho e eucalipto.”

 

Agrodefesa
Ricardo Yano: “Produtores goianos dependem da infraestrutura” / Fernando  Leite/Jornal Opçao

Ricardo Yano: “Produtores goianos dependem da infraestrutura” / Fernando Leite/Jornal Opçao

O presidente da SGPA, Ricardo Yano, afirma que os avanços mais importantes foram na recuperação e construção de estradas. Ele lembra que os produtores dependem de infraestrutura, como boas rodovias, para deslocar a produção com mais agilidade e de melhor custo-benefício. “Isso realmente melhorou bastante desde que o governador assumiu esta última administração. Eram estradas muito ruins que traziam prejuízo e que custava caro ao produtor goiano.”

Ricardo Yano afirma que a Agência Goiana de Defesa Agro­pecuária (Agrodefesa) apresentou avanços, como informatização dos dados que proporcionou mais segurança e credibilidade aos produtos rurais goianos. O presidente da SGPA diz que o aumento dos quadros de servidores ofereceu mais controle e fiscalização, fator importante já que as divisas do Estado são extensas e suscetíveis a problemas que podem afetar a qualidade da produção goiana. “Como Goiás exporta para o mundo inteiro, os clientes estrangeiros querem segurança do produto que estão comprando”, lembra. “Há muito tempo não falamos em aftosa em Goiás.”

Victor Priori: “O caminho certo é o investimento em infraestrutura” / Arquivo Pessoal

Victor Priori: “O caminho certo é o investimento em infraestrutura” / Arquivo Pessoal

Victor Priori, produtor da região de Jataí responsável por 1% da safra goiana de grãos, afirma que os investimentos em infraestrutura rodoviária deu um salto considerável ao agronegócio goiano. Ele ressalta que as estradas recuperadas na região Sudoeste do Estado foram fundamentais para que o setor sentisse significativa melhora com ganho de agilidade e competitividade no escoamento da produção. “O governo está no caminho certo ao investir em infraestrutura, pois para o produtor o principal é o asfalto para escoar produção.”

Ações abrangentes

Para o secretário estadual de Agricultura Pecuária e Irrigação, Antônio Flávio Camilo de Lima, o atual governo promoveu ações que abrangeram vários segmentos do agronegócio. Segundo ele, o governador Marconi promoveu uma reestruturação profunda da Secretaria de Agricultura, além de órgãos como a Emater e Ceasa. O secretário afirma que tais iniciativas colocaram o setor público agrícola à disposição do pequeno, médio e grande agricultor, peças fundamentais para que o Estado continue em seu processo de desenvolvimento. “Houve uma maior aproximação do setor privado, importante para que as políticas públicas tivessem o efeito positivo desejado.”

Antônio Flávio de Lima: “Governo promove ações abrangentes” / Fernando  Leite/Jornal Opção

Antônio Flávio de Lima: “Governo promove ações abrangentes” / Fernando Leite/Jornal Opção

Lima explica que a Secretaria de Agricultura, além de atender as demandas do agronegócio também tem seu foco voltado ao pequeno produtor e para a pequena produção. Até porque esses produtores de produção de pequena escala representam em Goiás um grande quantitativo de famílias que não deixa de movimentar divisas nas mais variadas regiões do Estado. Outro ponto positivo tem sido a Emater que até então não tinha a estrutura que tem hoje, estando presente em praticamente todos os municípios goianos. “A Agrodefesa e a Emater foram estruturadas não só em termos de pessoal, mas em termos materiais e recursos tecnológicos. Hoje elas se fazem presentes na maioria dos municípios e são agências operacionais do setor público agrícola.”

O titular da Secretaria de Agricultura lembra que os recursos da pasta têm sido redirecionados para fins prioritários e que, ao contrário de administrações passadas, não são mais gastos com shows e rodeios. “O nosso foco é a produção para o desenvolvimento econômico e social.”

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