As propostas dos candidatos a governador e senador de partidos pequenos

Alexandre Magalhães, Professor Wesley e Marta Jane possuem as menores estruturas de campanha entre os governadoriáveis, mas se esforçam para ter espaço no debate político. Elber Sampaio, Antônio Neto e Aldo Muro são os candidatos nanicos ao Senado

Alexandre Magalhães promete construir 19 hospitais regionais e entregar 26 municípios goianos ao DF / Fernando Leite/Jornal Opção

Alexandre Magalhães promete construir 19 hospitais regionais e entregar 26 municípios goianos ao DF / Fernando Leite/Jornal Opção

Frederico Vitor

Eles formam o pelotão da retaguarda das pesquisas eleitorais de intenção de votos. Não possuem megas estruturas e não são fáceis de vê-los em carreatas e em eventos políticos em que centenas de eleitores e um exército de cabos eleitorais se misturam formando uma grande aglomeração. Muito menos possuem comitês gigantescos onde centenas de veículos são plotados diariamente com a enorme estampa do número e o rosto do candidato. Trata-se dos governadoriáveis e senatoriáveis de legendas menores que, mesmo sem a expressão de si­glas que são verdadeiras máquinas eleitorais, pretendem garantir espaço para a construção do debate político nessas eleições.

Alexandre Magalhães (PSDC), Professor Wesley (PSol) e Marta Jane (PCB) têm os me­nores tempos de programa de TV e rádio no horário eleitoral gratuito e não possuem grande capilaridade eleitoral. Aldo Muro (PSDC), Elber Sampaio (PSol) e Antônio Neto (PCB) concorrem à única vaga ao Senado na mesma situação dos candidatos ao governo, ou seja, estrutura pequena e pouco tempo no horário eleitoral. O Jornal Opção ouviu de cada um deles as principais propostas e projetos ao governo e ao Senado. Eles explicam quais áreas consideram prioritárias para investimentos, e quais programas e ideias pretendem implementar caso consigam vencer o pleito do dia 5 de outubro.

O candidato do PSDC, Ale­xandre Magalhães, recepcionou, a reportagem no escritório de sua empresa localizada na Ave­nida Independência, no Setor Aeroporto em Goiânia. O monitor de seu computador exibia o texto do discurso no qual vai proferir nos próximos programas eleitorais de televisão. “Não contratei empresa de marketing, eu mesmo redijo meu texto e filmo aqui mesmo”, diz. De fato, ele improvisou um pequeno estúdio de vídeo em seu escritório, que é equipado com três câmeras e jogos de luzes.

O goianiense de 47 anos, formado em Direito, casado e pai de dois filhos, diz que sua decisão em se candidatar ao governo partiu de seu descontentamento pela má qualidade dos serviços públicos. Por isso, para a área de segurança pública, ele propõe criar uma escola de gestão em segurança pública com curso de três anos. Ele explica que a instituição de ensino poderia capacitar adequadamente tanto policiais civis quanto militares, que obteriam amplos conhecimentos em artes marciais, primeiro-socorros, tiros de precisão (sniper) e noções de psicologia para facilitar a percepção de suspeitos pelos policiais em situação de abordagem.

Alexandre Magalhães afirma que o Estado deve dar autonomia à Polícia Civil e que a nomeação para secretário de Segurança Pública deve se pautar por profissionais da área. O candidato avalia que há a necessidade de criar uma política de segurança em Goiás nos moldes do que existe atualmente em Nova York, ou seja, “pare e reviste”. “Tem que ter blitze constantes e criar um sistema de monitoramento como existente em todas as cidades de primeiro mundo.”

Na saúde, Alexandre Magalhães diz que é necessário criar carreira de Estado para médicos, com salários comparáveis a de juiz ou promotor, com dedicação exclusiva do profissional médico no sistema público de saúde. Ele afirma que para acabar com as ambulâncias que trazem pacientes de municípios do interior para Goiânia, no qual sobrecarrega o sistema da capital, a solução seria construir pequenos hospitais em um município polo de cada uma das 18 microrregiões de Goiás.

O candidato do PSDC detalha que seriam unidades de saúde modulares, equipadas com 50 leitos. Em região de maior demanda, de acordo com o candidato, teriam pelo menos 100 leitos. Para a ca­pital, Alexandre Magalhães de­fende a criação e hospitais de saú­de especializada. “Temos que criar em Goiânia um hospital do câncer e um de referência neurocardiovascular.”

Na educação, o candidato do PSDC tem como meta mudar a grade curricular de ensino básico. Ele diz que hoje o aluno vai para escola sem conseguir aprender o necessário levando para o resto da vida um déficit em disciplinas chaves. Ele diz que em dois anos vai inserir mais de 50% dos alunos da rede estadual de ensino no sistema integral e que as disciplinas básicas seriam complementadas com oficinas de artes, idiomas, informática e práticas esportivas.

Readequação da UEG

Em relação à Universidade Estadual de Goiás (UEG), o candidato pretende adequar os cursos ofertados de acordo com as potencialidades de cada região do Estado em que cada unidade está instalada. “É preciso oferecer cursos de acordo com a vocação de cada região.” O candidato diz que o corpo docente da UEG precisa ser melhor remunerado para que o Estado tenha condição de cobrar títulos de doutorado ou PhDs, o que, segundo ele, elevaria a qualidade do ensino da instituição.

Um dos projetos polêmicos de Alexandre Magalhães é a criação do Estado do Planalto Central ou a anexação dos municípios goianos que compõem a região do Entorno do Distrito Federal a Brasília. Ele argumenta que a região está abandonada e que só é lembrada em época de eleição pela classe política goiana. “Brasília tem recursos, mas não consegue fazer convênio pela incapacidade dos prefeitos de fazerem projetos para parcerias que resolveriam os gargalos que abatem a população daquela área.”

Candidato do PSol promete investir 10% do PIB na educação
artigo_jose maria e silva.qxd

Professor Wesley propõe criação de polo industrial na região do Entorno / Fernando Leite/Jornal Opção

Brasiliense de Taguatinga e residente em Valparaíso de Goiás desde 2004, o candidato do PSol, Pro­fessor Wesley, tem como meta de governo destinar o equivalente a 10% do PIB do Estado para a educação. Segundo ele, apenas com um aporte de tal monta seria possível construir e adaptar escolas em tempo integral em 100% da rede pública de ensino.

Outra proposta é o pagamento da titularidade aos professores, além de eleição para diretores e vice-diretores de escolas. “Pro­fessor não possui jornada ampliada e não tem tempo hábil para estudar e se possa adequar melhor ao am­biente educacional a fim de oferecer um ensino de qualidade.”

Para área da saúde, Wesley pretende romper todos os contratos das Organizações Sociais (O.S) que administram algumas unidades hospitalares estaduais. O candidato afirma que vai recuperar o laboratório da Iquego para subsidiar medicação gratuita. “Remé­dio, água e terra são bens do povo”, diz. Outra proposta é a diminuição da carga horária dos servidores de saúde para 30 horas semanais mantendo a remuneração atual. Também faz parte do programa de governo do PSol novos concursos públicos.

Para a segurança pública, Professor Wesley pretende criar a Polícia de Segurança Pública, uma instituição que nasceria de acordo com a PEC 51, que prevê, entre outras mudanças, a desmilitarização da PM e sua unificação com a Polícia Civil. “Pretendemos ter uma polícia educativa, preventiva e comunitária que será fortalecida no aspecto técnico e científico”.
Segundo o candidato, essa nova polícia seria equipada de viaturas próprias, ao contrário de hoje cuja maioria da frota é locada, além da revisão de cargos e salários de policiais.

Entorno do DF

Se eleito, Wesley promete subsidiar assentamentos para agricultura familiar, com fornecimento de energia elétrica e demais estruturas. Para a região do Entorno do Distrito Federal, em que um dos maiores problemas é em relação ao transporte coletivo interestadual, o candidato do PSol diz que vai criar uma empresa pública de transporte. Outra promessa é a criação da “Tecnó­polis”, que seria um polo industrial e de desenvolvimento tecnológico para a região do En­torno, com o objetivo de criar emprego e renda. “As urbanidades daquela região são praticamente cidades dormitórios, e as pessoas apenas dormem em Goiás e ofertam sua força de trabalho ao Distrito Federal.”

Marta Jane quer investir na interiorização da saúde
Marta Jane propõe a interiorização da medicina especializada   / Foto: Facebook

Marta Jane propõe a interiorização da medicina especializada / Foto: Facebook

A candidata do PCB ao governo, a professora Marta Jane, pretende focar sua administração no combate às desigualdades sociais. A candidata, que mais uma vez disputa o pleito estadual, defende para área da educação maiores aportes para investimentos, como a destinação da cifra equivalente a 10% do PIB de Goiás para a rede estadual de ensino. A governadoriável comunista argumenta que a melhora das carreiras de professores e servidores administrativos, além da reconstrução de espaços físicos das escolas, são medidas básicas para se alcançar uma educação de qualidade.

Na saúde, a proposta de Marta Jane é implementar políticas de interiorização da medicina especializada. Ela explica que pacientes das regiões Norte e Nordeste de Goiás são forçados a utilizar a saúde pública do Distrito Federal por causa da ausência de unidades hospitalares de atendimento especializado naquela microrregião do Estado.

Na área de segurança pública, Marta Jane afirma que primeiramente são necessárias políticas de distribuição de riqueza e renda para diminuir os problemas ligados à violência. Ela aponta que a insegurança pública estaria vinculada diretamente à concentração de renda e pela carência de serviços básicos. “É preciso assegurar aos trabalhadores direitos como serviços públicos em educação, cultura e saúde.”

A candidata comunista defende a desmilitarização da PM e promete investir em aparelhamentos modernos para a Polícia Científica, além da ênfase em policiamento comunitário. “Não podemos ter um aparato policial em constante combate contra a própria população. A intervenção da polícia junto à população não pode ter esse caráter militar como essa polícia pensada para guerra e para combater um inimigo externo.”

Candidatos mostram propostas para tentar a única vaga ao Senado
Aldo Muro defende fim do mandato de oito anos ao Senado

Aldo Muro defende fim do mandato de oito anos ao Senado

Natural do Rio de Janeiro, mas residente em Goiânia há 23 anos, o candidato do PSDC ao Senado, Aldo Muro, 46, é advogado, engenheiro com doutorado em Ciências Am­bientais pela Universidade Federal de Goiás (UFG) e professor do Instituto Federal de Goiás (IFG). Casado e pai de dois filhos, ele está desde março na legenda e promete se candidatar novamente em 2018, caso não passe pelos testes das urnas no dia 5 de outubro.

A principal bandeira que pretende defender no Senado é a reforma política e a despolitização do Supremo Tribunal Federal (STF), no qual seus integrantes seriam escolhidos tendo em vista o Judiciário, a Advocacia Geral da União (AGU), o Tribunal de Contas da União (TCU) e o Ministério Público Federal (MPF). O candidato defende o fim de mandato de oito anos para senador, fim do financiamento de campanha por pessoas jurídicas, inclusive para partidos políticos, e eleições com votos distritais em dois terços e um terço de voto proporcional.

Muro lembra que, como um democrata cristão, pretende implementar políticas voltadas para crianças, jovens e idosos baseadas nos valores da família. Ele diz que vai defender no Senado mais investimentos em educação em tempo integral, nos moldes europeu e americano. O candidato explica que há a necessidade de consolidação dos ensinos de matemática, de idiomas e ciências nas escolas públicas. “Atual­mente essas escolas que dizem ser em tempo integral apenas aplicam aulas de reforço de matérias tradicionais. Isso não adianta.”

Para segurança pública, Muro afirma que vai propor a eliminação de regimes abertos e semiabertos, além das reformas da lei de execução penal. Ele ressalta que ainda não há necessidade de alteração do Código Penal. “O Estado não tem aparelhamento prisional adequado. Há uma reincidência de crimes graves como roubo e tráfico de drogas.”

Fim das privatizações

Elber Sampaio pretende lutar contra políticas de privatizações

Elber Sampaio pretende lutar contra políticas de privatizações

O ex-funcionário da Celg, o anapolino Elber Sampaio, que concorre à única vaga ao Senado nas eleições do dia 5 de outubro pelo PSol, tem como principais bandeiras o fim do processo de privatizações e concessões de serviços públicos, mais reforma agrária e o confisco de propriedades rurais flagradas em exploração da mão-de-obra de trabalhadores em regimes análogo à escravidão.

O candidato socialista defende a cifra similar a 10% do PIB nacional para investimentos em educação. Ele também se posiciona ao contrário do receituário econômico defendido pela candidata a Presidência pelo PSB, Marina Silva, como câmbio flutuante, responsabilidade fiscal e meta de inflação. Elber Sampaio também é contra a autonomia do Banco Central. “Fazemos a oposição tanto a presidente Dilma quanto ao governador Marconi.”

Extinção do Senado

artigo_jose maria e silva.qxd“Sou o único candidato ao Senado que defende o fim do Senado”, diz o geógrafo goianiense Antônio Neto, candidato a senador pelo PCB. Ele afirma que suas bandeiras seguem diretrizes firmadas pelo programa partidário, definido com bases em decisões congressuais da legenda comunista: desconcentração de renda; desmercantilização dos serviços públicos como educação, transporte, moradia, cultura, lazer, segurança e saúde; rompimento da dívida pública e poder popular.

O candidato comunista afirma que sua campanha é anticapitalista e que defende o socialismo como instrumento de transformação de uma nova sociedade. Para isso ele diz que vai defender no Senado — antes de sua extinção — controle popular sobre as áreas estratégicas do Estado. “Queremos menos democracia representativa e mais democracia direta. Vamos distribuir poder por meio de conselhos populares na educação, saúde, transportes, segurança, cultura, lazer e habitação.”

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.