Bastidores
Articulação seria entregar comando do partido para apoiar pré-candidatura do senador ao governo de Goiás
A composição também enfraquece a candidatura de Ronaldo Caiado, hoje o preferido da maioria dos líderes evangélicos
O senador Ciro Nogueira vai se reunir com Wilder Morais, Roberto Balestra, Alexandre Baldy e Sandes Júnior
Mais do que aliados políticos, o dono da Superfrango e o governador de Goiás são amigos há vários anos
O presidente do MDB de Aparecida frisa que Caiado deveria retribuir ao apoio de 2014 e lamenta adesão de Adib Elias ao caiadismo
O articulador político do governo do Estado vai substituir Sebastião "Caroço" Monteiro
Ele busca um candidato a deputado federal para representar o município pelo PSD
O senador do PP e o presidente do PSD, se confirmados, darão um tempo de tevê excepcional ao candidato emedebista
Prefeitos Adib Elias, Paulo do Vale, Ernesto Roller e Renato de Castro deram prazo ao prefeito de Goiânia para demover o deputado de disputar o governo
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Montagem[/caption]
As articulações do pré-candidato a governador pelo PSDB, José Eliton, assumiram um ritmo frenético. Ele conversa com líderes de vários partidos — sua coligação terá pelo menos 20 partidos —, visita várias cidades do interior e dialoga com setores da sociedade civil. “O tucano é um autêntico workaholic”, frisa o prefeito de Vianópolis, Issy Quinan (PP). “É articulado, formula e relaciona bem. Sobretudo, é confiável e não é populista. Ele transmite esperança em dias melhores, mas sem vender ilusões.”
Empresários e economistas que conversam com José Eliton afirmam que ele tem as principais informações sobre a economia de Goiás “na ponta da língua” e tem uma visão clara do que é preciso fazer para ampliar o desenvolvimento de Goiás. Líderes sindicais e militantes da esquerda frisam que se trata de um político progressista e que vai enfrentar um apóstolo do conservantismo — o senador Ronaldo Caiado, do DEM, que é contrário a quase tudo que é progressista.
Um empresário afirma que talvez seja possível que empresários que estão chegando agora não tenham noção precisa do que se fez em Goiás nos últimos 20 anos. “Não vou criticar os demais candidatos, mas o que posso dizer é que Marconi Perillo elevou Goiás a um outro patamar. José Eliton, acredito, será a modernização continuada. Interromper um processo construído de maneira tão meticulosa pode ser muito ruim para Goiás.”
O deputado federal Sandes Júnior (PP) corrobora: “Zé Eliton é uma força da natureza. Ele está prepara para governar Goiás e torná-lo ainda mais avançado. Ele tem uma energia surpreendente”.
O prefeito de Catalão diz que tenta falar com Daniel Vilela há sete meses, mas não é recebido
João Campos, Fábio Sousa, Gilvan Máximo, Jefferson Rodrigues, Rafael Gouveia, Simezyon Silveira, Samuel Alves e Felipe Cortês são algumas apostas
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Heuler Cruvinel, deputado federal pelo PSD[/caption]
A escolha do vice de José Eliton, pré-candidato a governador pelo PSDB, deve levar em considerações dois fatores. Primeiro, tempo de televisão. Segundo, a região do postulante.
O Entorno de Brasília planeja lançar o vice de José Eliton. Mas a região já é apontada como governista. O principal problema de José Eliton, depois de Goiânia, é o Sudoeste goiano, onde a candidatura de Ronaldo Caiado é apontada como “muito forte”. Por isso há quem defenda que o vice deve sair de lá. O nome mais cotado é o do deputado federal Heuler Cruvinel, do PSD (que tem um dos maiores tempos de tevê).
O Jornal Opção ouviu Heuler Cruvinel. “Apoio a candidatura de José Eliton para governador e a de Marconi Perillo para senador. Estou à disposição do projeto que for melhor para o grupo. Por causa do agronegócio, Ronaldo Caiado é, no momento, mais forte no Sudoeste. Se for para fortalecer a nossa aliança, aceito ser candidato a vice.”
Heuler Cruvinel diz que ele e o deputado Thiago Peixoto, qualquer seja a decisão da cúpula do PSD, vão permanecer na base de Marconi Perillo e José Eliton. “Sempre tive o respaldo do governo e dos prefeitos da base. Marconi sempre me respaldou. Não posso mudar de lado ou ficar omisso num momento de dificuldade. Sou leal ao grupo.”
O deputado aposta que, quando José Eliton assumir o governo, as coisas vão mudar de figura. “Os eleitores vão observá-lo mais. Com o grupo unido, movimentando-se nas ruas, nós vamos elegê-lo governador. Friso que a população está cética com os todos os políticos, não apenas com alguns. Porém, quando refletir melhor e fazer as comparações necessárias, ela certamente vai perceber que nosso projeto é melhor. Goiás não passa pela crise pela qual passa a maioria dos Estados porque tem um governo responsável do ponto de vista fiscal.”
A presença de Marconi Perillo na chapa majoritária “é crucial”, sublinha Heuler Cruvinel. “Ele é um grande líder. E nunca é demais lembrar que, dos 246 prefeitos de Goiás, nós temos o apoio de pelo menos 200. Trata-se de um exército que fará a diferença na disputa de outubro deste ano. Pode anotar para me cobrar depois: quando a máquina começar a ‘rodar’, a gente vira e ganha a eleição. No momento, há uma liderança inercial de Ronaldo Caiado, o mais conhecido, mas, quando começar a cair, vai despencar, aí sua expectativa de poder irá para o espaço.”
Heuler Cruvinel diz que deve “dobrar” com o deputado estadual Lissauer Vieira (PSB), que irá à reeleição, tanto em Rio Verde como em outras cidades do Sudoeste. “Nós estamos conversando. Vamos remontar o nosso grupo político em Rio Verde, porque a desunião não foi positiva para ninguém, exceto para os nossos opositores.”
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Vereadora Sabrina Garcêz (PMB | Foto: Fernando Leite/Jornal Opção[/caption]
A vereadora Sabrina Garcez é, do ponto de vista político, a presença mais expressiva do Partido da Mulher Brasileira (PMB) em Goiás. Mesmo assim, não foi consultada sobre a decisão da cúpula nacional de apoiar o senador Ronaldo Caiado (DEM) para governador do Estado. Os postulantes a deputado federal e estadual também não foram ouvidos.
“Nós iríamos ouvir todos os candidatos, mas, de repente, fomos atropelados pelo PMB nacional. O programa de Caiado tem a ver com o nosso? Ele se interessa pela discussão de gênero? Alianças têm de ser programáticas, mas, no caso, não foi. Não fecho com Caiado e é provável a ocorrência de uma debandada dos vereadores do partido. Nem sei se o PMB vai atingir a cláusula de barreira. O partido não tem nenhum deputado e a gente estava montando uma chapa”, afirma Sabrina Garcez.
A vereadora afirma que mantém uma conversa “avançada” com o governador Marconi Perillo e José Eliton. “Devo apoiá-los.” Porém, como não terá janela agora, não deixará o PMB. “Mas, como não fui consultada sobre a recente aliança, a cúpula não pode exigir que eu apoie Caiado.”
Sabrina Garcez afirma que José Eliton assume o governo no início de abril e terá alguns meses para mostrar à sociedade quem é e quais são seus planos para desenvolver Goiás. “Acredito nele, porque é moderno, aberto e inteligente.”
A jovem política defende que a base aliada “precisa mesmo” atrair a senadora Lúcia Vânia para a chapa majoritária. “Ela é uma política municipalista forte e tem um vínculo forte com a base aliada.”
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Reprodução[/caption]
Os partidos políticos estão articulando a montagem das chapas para deputado federal e deputado estadual. Alguns deles chegam a omitir os nomes de alguns postulantes, porque temem o assédio dos partidos mais estruturados. Mas um problema que nenhum dos partidos — nem mesmo o Partido da Mulher Brasileira (PMB) — está conseguindo resolver: o número de mulheres candidatas. Pela lei, ao menos 30% das vagas de postulantes, de todos os partidos, devem ser reservadas para mulheres.
O problema é que a maioria dos partidos não consegue reunir 30% de mulheres para a disputa. Alguns partidos estão oferecendo apoio ampliado, inclusive mais recursos financeiros, para atrair candidatas. Mesmo assim, não estão conseguindo um número suficiente.
As mulheres sondadas pelos partidos costumam dizer duas coisas. Primeiro, que estão sendo convidadas unicamente porque há cotas oficiais, e não por que são valorizadas. Segundo, estão mais céticas do que os homens com a política partidária.


