Bastidores
Na sua lista de pré-candidatos a deputado não figuram nomes do MDB
[caption id="attachment_82759" align="alignright" width="620"]
Divulgação/Twitter[/caption]
O presidente Michel Temer encomendou pesquisas eleitorais em todos os Estados. Na semana passada, recebeu uma pesquisa quantitativa sobre Goiás. Ele ficou preocupado com o fato de que o senador Ronaldo Caiado aparece em primeiro lugar, com uma frente folgada, e sugeriu uma aliança política, entre MDB e PSDB, para enfrentá-lo.
Mas um ministro de Michel Temer, que acompanha a política de Goiás, ofereceu uma explicação que parece ter contentado o presidente: “Caiado é o tradicional cavalo boliguaio [mistura de boliviano e paraguaio]. Ele sai na frente, mas esgota-se e chega em último”.
[caption id="attachment_118506" align="alignright" width="620"]
Montagem[/caption]
Parte do MDB não aprende, depois de cinco derrotas consecutivas para os experts políticos do tucanato. Ao tentar definir apoio ao pré-candidato do DEM, Ronaldo Caiado, antes da convenção e da campanha em si, políticos como Adib Elias, Paulo do Vale, Renato de Castro e Ernesto Roller — chamados de caiado-boys — praticamente ignoram o histórico das eleições de Ronaldo Caiado. Ele começa em primeiro e costuma desidratar-se. Pode ser que, desta vez, será diferente? Pode, mas convém não ignorar a história, pelo menos não integralmente.
Ao tentar brecar a candidatura de Daniel Vilela, desistindo da renovação e apostando na tradição, os prefeitos de Catalão, Rio Verde, Goianésia e Formosa estão se comportando de maneira conservadora e contribuindo para enfraquecer o próprio partido, o MDB.
Adib Elias deve figurar como vice, mas vai deixar o MDB
[caption id="attachment_118502" align="alignright" width="620"]
Montagem[/caption]
O Conselho de Pastores de Anápolis deve bancar ao menos duas candidaturas para deputado estadual: João Gomes (da Igreja Batista), do PP, e Frederico Bispo (da Igreja Quadrangular), sem partido.
Podem surgir outros evangélicos e serão devidamente avaliados. João Gomes e Frederico Bispo são mais considerados porque já se definiram como candidatos.
O pré-candidato do DEM a governador de Goiás, o senador Ronaldo Caiado, aposta que o deputado federal João Campos, sob pressão ostensiva da Igreja Assembleia de Deus — à qual pertence —, vai apoiá-lo.
João Campos, cuja prioridade era disputar a reeleição, deve ser candidato a senador, embora seu nome também seja ventilado para vice, mas os evangélicos preferem enviar políticos para Brasília.
A cúpula da Assembleia de Deus é pragmática: Luiz Carlos do Carmo (MDB), irmão do venerável pastor Oídes José do Carmo, é suplente de Ronaldo Caiado. Portanto, se o postulante do DEM for eleito governador, a Assembleia de Deus ganhará um senador por quatro anos. Não é pouca coisa.
Se João Campos insistir em ficar na base do governador Marconi Perillo, vai perder o apoio significativo dos evangélicos de Goiás, sobretudo da Assembleia de Deus, grupamento religioso ao qual pertence e com o qual tem profunda afinidade. Se os evangélicos, o deputado terá de voltar de Brasília e reassumir seu cargo de delegado de polícia.
[caption id="attachment_118499" align="alignright" width="620"]
Montagem[/caption]
O PRB em Goiás tem um deputado federal, João Campos, um deputado estadual, o pastor Jefferson Rodrigues, e dois vereadores em Goiânia, Rogério Cruz e Alysson Francisco Lima. Ligado à Igreja Universal, mas com vinculação com parte da Assembleia de Deus — à qual pertence João Campos —, o partido é mais forte do que sugere sua representação eleitoral. Ele é muito bem articulado no plano nacional, tendo ministro no governo do presidente Michel Temer e o prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella.
Em Goiás, o PRB tem forte ligação com o governador Marconi Perillo. É uma ligação política mas também pessoal. Mas, em outubro, a tendência é que o partido caminhe com o pré-candidato do DEM a governador, Ronaldo Caiado, por dois motivos. Primeiro, seus líderes acreditam que o democrata será eleito. Segundo, sob pressão da Assembleia de Deus, João Campos tende apoiar o senador. Como ele é o principal líder do partido no Estado, todos devem segui-lo.
Há quem aposte que João Campos pode deixar o PRB. Entretanto, mesmo deixando, levaria os votos da Assembleia de Deus? Não. Perderia o PRB e a Assembleia de Deus.
O presidente dará total apoio ao expurgo dos prefeitos Adib Elias, Paulo do Vale, Ernesto Roller e Renato de Castro
O PSD deve indicar o vice de José Eliton
[caption id="attachment_86523" align="alignright" width="620"]
Foto: Alexandre Parrode[/caption]
O prefeito de Vianópolis, Issy Quinan (PP), é um político posicionado e leal. “Eu ficarei na base e apoiarei tanto José Eliton para governador quanto Marconi Perillo para senador. Mas também vou apoiar a reeleição do senador Wilder Morais.”
[caption id="attachment_110548" align="alignright" width="620"]
Wilder Morais durante entrevista ao Jornal Opção | Foto: Fernando Leite[/caption]
O que se comenta é que Wilder Morais tem mais chance de se eleger senador como candidato de oposição do que da situação. O pré-candidato do MDB a governador, Daniel Vilela, quer receber seu apoio com uma grande festa. Os vilelistas dizem que estão subestimando a força política do senador do PP.
Wilder Morais saiu de baixo — o pai era taxista — e estudou engenharia com extrema dificuldade. Formado, dedicou-se a trabalhos na iniciativa privada, até montar sua empresa de construção, a Orca. Construiu obras para o Carrefour, fez shoppings e edifícios. Trata-se de um self made man e não é um político tradicional. Quer dizer, venceu fora da política, alcançando imenso sucesso no mundo empresarial, que, no Brasil, é muito competitivo.
É mais fácil ir à Lua do que ser empresário no Brasil. Mesmo assim, enfrentando sérias dificuldades, Wilder Morais se tornou empresário poderoso, que venceu por si, sem depender do setor público.
[caption id="attachment_118493" align="alignright" width="620"]
Montagem[/caption]
O objetivo dos deputados federais Roberto Balestra, Alexandre Baldy (que ainda irá se filiar) e Sandes Júnior é permanecer na base governista e apoiar José Eliton para governador de Goiás. Trata-se de uma decisão incontornável.
Os três políticos são profissionais dos mais experimentados.
[caption id="attachment_112040" align="alignright" width="620"]
Temer e Baldy durante a posse | Foto: Alan Santos/ PR[/caption]
O ministro das Cidades, Alexandre Baldy (quase no PP), aprendeu mais sobre política e sobre o Brasil, em poucos dias no governo do presidente Michel Temer, do que em três anos na Câmara dos Deputados.
Nas suas viagens, o ministro Alexandre Baldy tomou um banho de Brasil. Ele está cada vez mais preocupado com as questões sociais. O ministro-deputado aposta que o governo federal pode fazer muito mais pelos pobres.
Michel Temer está impressionado com a desenvoltura de seu pupilo, sobretudo com suas preocupações genuínas com os problemas dos brasileiros. Não à toa disse recentemente que o político goiano dará, um dia, um grande candidato a presidente da República.
[caption id="attachment_91730" align="alignright" width="620"]
Daniel Vilela e Maguito Vilela[/caption]
De um deputado do MDB: “A impressão que se tem é que o candidato do vilelismo a governador de Goiás não é o deputado federal Daniel Vilela, e sim o ex-prefeito de Aparecida de Goiânia Maguito Vilela. Quem articula tudo para o filho é Maguito”.
O deputado diz que Daniel Vilela precisa articular mais do que o pai. “Senão”, frisa, “não vira líder”.
Ações simples e eficazes são aprovadas pela sociedade


