Iris Rezende tenta atrair Daniel Vilela para o campo de Ronaldo Caiado

Prefeitos Adib Elias, Paulo do Vale, Ernesto Roller e Renato de Castro deram prazo ao prefeito de Goiânia para demover o deputado de disputar o governo

Iris Rezende e Daniel Vilela: o prefeito de Goiânia não quer subir no palanque do deputado federal do emedebismo de maneira alguma; ele quer, na verdade, levá-lo para o palanque de Ronaldo Caiado

A imprensa tem registrado as palavras do prefeito de Goiânia, Iris Rezende, a respeito da sucessão para o governo de Goiás, mas sem filtrá-las. Quando o alcaide de 84 anos fala a verdade está mais nas entrelinhas — naquilo que é subliminar — do que propriamente nas linhas. Entretanto, como o jornalismo está se aproximando da mera transcrição — como se jornalista fosse não repórter, e sim digitador —, fica-se com a impressão de que o astuto político irá mesmo apoiar Daniel Vilela para governador.

Na verdade, o decano do emedebismo ganhou uma missão dos prefeitos do MDB que apoiam o pré-candidato do DEM a governador de Goiás, o senador Ronaldo Caiado. Ele terá de articular, até o dia 20 deste mês — a data foi mencionada pelo prefeito de Catalão, Adib Elias, em entrevista ao Jornal Opção, na sexta-feira, 2 —, o apoio de Daniel Vilela a Ronaldo Caiado. Configura-se uma missão impossível? É provável.

Iris Rezende e os prefeitos que o seguem — Adib Elias, Ernesto Roller, de Formosa, Renato de Castro, de Goianésia, e Paulo do Vale, de Rio Verde, entre outros menos requestados — avaliam que é preciso impedir a candidatura de Daniel Vilela de qualquer maneira. Sua tese básica: com o apoio do jovem deputado federal, Ronaldo Caiado terá condições de ser eleito no primeiro ou no segundo turno. Os iris-boys — estão mais para iris-olds — estão radicalizados e defendem o apoio ao senador do Democratas em quaisquer circunstâncias. Chegaram a plantar uma nota na revista “Veja” — tão malfeita e canhestra que nem parece ter sido redigida por um jornalista profissional — sugerindo que Daniel Vilela era um dos candidatos do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB).

Mas se os iris-boys podem radicalizar-se, como forma de pressionar Daniel Vilela a recuar, a Iris Rezende coube um papel mais sutil. O decano do emedebismo não confronta o filho do ex-governador Maguito Vilela porque tem como missão atrai-lo para o lado de Ronaldo Caiado. Por isso, contando com a boa vontade dos jornalistas-digitadores, insiste que, sem acordo, subirá no palanque do candidato do MDB.

Prefeito de Goiânia pela quarta vez, depois de ter passado pelo governo do Estado duas vezes, além de ter sido senador e ministro, Iris Rezende sabe que precisa “adular” Daniel Vilela. Porque, se não houver composição no primeiro turno, talvez seja possível obtê-la no segundo turno. Os iris-boys sugerem que, no caso de segundo turno, a disputa se dará entre Ronaldo Caiado e o postulante do PSDB, José Eliton. Se os ânimos ficarem acirrados, com petardos disparados de vários fronts, Daniel Vilela poderá não apoiar o senador no segundo turno — ficando neutro ou, então, subindo no palanque do candidato tucano. Iris Rezende está criando um diálogo com o jovem presidente do MDB com o objetivo de atrai-lo, agora ou depois, para uma aliança.

A grande questão é que, em política, ninguém engana ninguém. Daniel Vilela e Maguito Vilela, políticos experimentados, detectaram o jogo de Iris Rezende, acoplando o jogo dos iris-boys, mas preferem fingir que está tudo bem.

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