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Imagem do painel durante o Festival Bananada | Foto: Marcello Dantas / Jornal Opção[/caption]
Laila Loddi
Especial para o Jornal Opção
As questões levantadas a partir da intervenção em edifício do conjunto arquitetônico do Centro Cultural Oscar Niemeyer nos levam a um debate importante e desafiador de limites, posto que não há consenso quando se trata de arte, arquitetura, cultura, cidade. Nossa experiência é um limite, que toca em outros limites e compreensões de mundo, o que faz da vida urbana este saboroso ou indigesto desafio de alteridade.
A polêmica instalação do coloridíssimo painel em alvíssima arquitetura “moderna” (a obra é de 2006) causa uma série de estranhamentos e questionamentos, tanto de arquitetos e arquitetas que se colocam em defesa do patrimônio moderno, quanto de artistas que defendem a permanência da obra, além da comunidade que questiona o centro cultural em si: distante; de difícil acesso; entregue há quase dez anos mas ainda não oferecendo todas as atividades a que estava destinado -- como a biblioteca que deveria funcionar no edifício onde se encontra (hoje, não sabemos até quando) o dito painel.
O fato é que o CCON é um espaço que vem se tornando lugar –- ocupado, transformado, vivo -– por conta de ações efêmeras como feiras de artesanato, pistas de skate e festivais de música. E foi um grande festival de música que nos apresentou o painel, proporcionando apropriação do centro cultural, tema tão caro aos gestores em geral e fato que seria amplamente aprovado se o edifício em questão não fosse assinado por Oscar Niemeyer -- talvez este, arrisco dizer, o ponto detonador de tamanha polêmica. Sim, porque em se tratando de patrimônio arquitetônico, a cidade deixa muito a desejar abandonando edifícios como a Estação Ferroviária ou permitindo alterações questionáveis como no Grande Hotel, para citar alguns exemplos.
Circularam nas redes sociais nesta semana críticas à intervenção na obra projetada por Niemeyer, e defesas a intenções de projeto e direitos autorais. A constituição de um acervo de Arquitetura Moderna Brasileira como patrimônio a ser protegido é fato inegável e digno de conhecimento pela sociedade, compreendendo aqui patrimônio como importante aspecto da identidade cultural. Vinculados a universidades, institutos de pesquisa, órgãos de preservação ou ao exercício profissional, pesquisadores vem debatendo a difusão e reconhecimento da herança moderna; a conservação de edifícios e conjuntos e a reflexão sobre a reutilização e intervenção sobre essa produção.
É importante dizer que este debate provoca um diálogo entre os pressupostos modernos com os anseios contemporâneos, observando que o ideário moderno não tinha como objetivo perpetuar-se intocável, mas ser flexível para adequar-se aos novos tempos sem perder suas qualidades.
Falando a partir do lugar de quem defende a apropriação e ativação dos espaços públicos e culturais da cidade, percebo que uma das qualidades mais emblemáticas da obra de Niemeyer -- para além da unidade formal; da monumentalidade escultural; de planta e fachada livres; etc., etc. -– é a natureza convidativa de seus projetos, de caráter efetivamente público e social; generosamente amplos, abertos, simbolicamente espaçosos: a esplanada que se abre ao pleno exercício da cidadania.
As utopias fazem parte da obra que nos deixou este grande arquiteto, merecedor da nossa admiração, especialmente pelo aspecto inovador de sua obra e pelo discurso desejante de participação popular nas esferas da política, da arte e da vida - declarando inclusive que a arquitetura não importa, o que importa é a vida. Embarcando nos desejos utópicos do arquiteto, me ponho a imaginar se não seria digno de sua aprovação uma intervenção do porte do painel executado pelos artistas goianos Bicicleta Sem Freio e Mateus Dutra, deflagrado a partir da apropriação de um espaço, de certa forma árido e inconcluso, por uma grande quantidade de jovens coloridos, tatuados, barulhentos e cheios de energia.
Imaginemos também a possibilidade potente da diluição deste sujeito-autor da arquitetura, compreendendo a arquitetura como uma arte não apenas fruto de um desenho autoral, mas concretizada na medida em que é ocupada pelo usuário, que lhe dá sentido e significado. O usuário seria, a partir desta perspectiva, participante da obra arquitetônica, já que interfere e é interferido por ela.
O evanescimento do autor nas artes visuais já é debatido há no mínimo 50 anos, nas proposições de ativa participação do público. Entretanto, nos meandros da arquitetura a possibilidade do apagamento do protagonismo da figura do autor ainda causa desconforto. A obra de arquitetura ainda é tida -- na maioria das vezes e inclusive no meio acadêmico -- como “cria” de um criador, e desta forma seria intocável, inalterável, imaculável.
Acredito que esta é uma grande oportunidade para pensarmos na possibilidade de um novo olhar sobre o exercício da arquitetura, dialogando com outras formas de expressão como a arte urbana e a cultura popular, liberando brechas para interferências por parte de quem produz, ativa e afeta o espaço.
O arquiteto seria, desta forma, um estimulador de processos de apropriação; não apenas um escultor determinista de formas para serem vistas, mas um produtor de espaços para serem habitados com todos os sentidos. O momento é oportuno também para debatermos as inquietações em torno dos espaços públicos culturais locais: de que forma são geridos, acessados, apropriados? E ainda, os artistas ilustradores nos trouxeram uma ótima chance de sentir e pensar a alteridade urbana através da arte, uma vez que precisamos menos de verdades absolutas sobre o que é arte e mais de exercícios de coexistência pacífica, de reciprocidade e de colaboração.
Isso os meninos dos festivais de rock nos ensinam sem saber.
Laila Loddi é professora, artista e arquiteta.
Prefeito petista não faz a pior gestão de Goiânia, como insistem alguns, mas é verdade que ele não consegue fazer o mínimo que se esperava dele, o que pode favorecer candidatos da oposição no ano que vem
O doutor em geografia e especialista em política internacional disse no “Roda Viva”, da TV Cultura, que a sigla da presidente tem cooptado políticos considerados conservadores
Luciana Vitorino Especial para o Jornal Opção Online O Goianão 2015 aproxima-se do final. Alguma razão para o Goiás não conquistar o seu 25º caneco? Poucas. Pouquíssimas. No entanto, razões para o torcedor e para a diretoria mudarem de postura sobram. No Goiás, infelizmente, prevalecem decisões de gestores com pouca noção da realidade financeira do país. Afirmo isso, em função de cobrarem R$ 40, 00 E R$ 80, 00 - por cada ingresso - em uma semifinal contra o Goianésia. Não dá! Não consigo enxergar razões sobre falta de vontade que a cúpula esmeraldina tem em ver um Serra Dourada cheio. Que gol contra! Futebol é povo! Onde fica a paixão dos esmeraldinos? Uma média pífia de público - 875 pagantes até a última rodada. Só ficam à frente da Aparecidense e do Grêmio Anápolis (um com 29 de anos de fundação e o outro com 16). Além disso, frases como "Ah! O campeonato é frio demais!”, “Este jogo é praticamente amistoso!” ou “ A tevê está transmitindo!" são as justificativas que mais ouvimos. Sendo assim, como a falta de público é motivada pelo preço do ingresso, ratifico: fico com o torcedor, que não comparece ao estádio. É ainda bom lembrar que o único campeonato no qual o Goiás possui reais chances de vencer é o Goiano, ou seja, por que não se apoiar mais o clube? Cabem aqui exemplos de torcedores que apoiam os clubes: itumbiarenses, anapolinos e goianesienses (palavrazinha complicada!). Os respectivos times lideram as seguintes médias de públicos: 7.979, 5.470 e 4.480. Por fim, nem os três citados times juntos chegam próximo ao investimento do Goiás Esporte Clube. Sabe qual a minha resposta para tudo isso? Diretoria e torcida juntos; isso ainda falta para o Goiás. Luciana Vitorino é jornalista e apresentadora nacional do Brasil Esportes – TV Aparecida.
Carlos César Higa
“As manifestações que avançam Brasil afora neste mês de junho mostram exatamente isso. Não é apenas o simples descontentamento com a classe política, mas sim a total falta de conexão com o que é trabalhado dentro do Congresso Nacional e a realidade deste país. Se a pauta daqueles que estão nas ruas é imensa, talvez o motivo principal seja a ausência de lideranças políticas que pensem o Brasil não para a Copa do Mundo ou para a Olimpíada, mas para muitos anos à frente”. Escrevi isso em um texto publicado pelo Jornal Opção em 20 de junho de 2013, no auge das manifestações que ocuparam as ruas de várias cidades do país. Entre as manifestações daquele ano e as de agora permanecem a insatisfação do brasileiro com os políticos e a falta de sintonia entre os trabalhos aqueles que nos representam com o que é exigido nas ruas.
A oposição é um exemplo dessa falta de sintonia. O senador Aécio Neves (PSDB-MG) gravou um vídeo divulgado nas redes sociais convocando os brasileiros para saírem às ruas nos dias 15 de março e ontem. Faltou alguém gravar um vídeo e divulgar na rede social do senador convocando-o para também participar das manifestações. No dia 15, Aécio assistiu da janela do seu apartamento no Rio de Janeiro as pessoas que saíram as ruas contra o governo. Ontem, assinou um documento apoiando as manifestações. E dizem que essa oposição flerta com o golpe. Aécio Neves perdeu as eleições do ano passado para Dilma Rousseff por uma diferença de três milhões de votos. Ao invés de intensificar as críticas ao governo que fez durante a campanha (e que o tempo mostrou que estavam corretas) e buscar aproximação com os manifestantes, preferiu se esconder. Talvez o único que não saiba o real motivo das derrotas para o PT desde 2002 seja o próprio PSDB. Fica difícil apontar os erros já que o próprio partido se esconde quando convocado.
O lado bom dessas manifestações é o surgimento de movimentos como o Movimento Brasil Livre, Vem pra rua e Revoltados on-line, que se dispõe em fazer o papel que seria das oposições: organizar as manifestações contra o governo. E a rapaziada desses movimentos está conseguindo juntar muito mais gente do que os velhos manifestantes da CUT, UNE e MST. Os doze anos de governismo cobra seu preço. A manifestação de ontem foi menor que a do dia 15 de março? Com certeza foi muito maior do que as convocadas pelos governistas e não precisou de pão com mortadela.
O blog do Reinaldo Azevedo no site da Veja informa que os líderes dos movimentos que organizaram as manifestações estão convocando para uma marcha rumo a Brasília para pressionar os parlamentares no cumprimento das pautas reivindicadas nas ruas. Resta saber se o senador Aécio Neves irá publicar um vídeo na sua rede social dizendo que receberá o pessoal, mas, na realidade, marchará para o seu apartamento no Rio. Como o próprio Reinaldo escreveu no seu blog: ou o PSDB se reinventa ou será tragado junto com o PT.
A oposição nas ruas está fazendo a sua parte: convocando a população para protestar contra o governo, procurando os meios legais para efetivar suas pautas. Será que a oposição no Congresso continuará se omitindo como fez em 2013? Se Aécio se esconder novamente no seu apartamento a beira mar poderá ser tragado pelo tsunami que não vem do oceano, mas da Avenida Atlântica.
Carlos César Higa é mestre em história pela Universidade Federal de Goiás.
Algumas sugestões para que o Estado supere o impacto de perder cerca de 2,5 mil militares do policiamento ostensivo nas ruas
Considerada inconstitucional pelo STF, polícia voluntária deverá ser extinta e obrigará Estado a fazer o certo: contratar militares por meio de concurso público
Oito observações sobre o 15 de março e duas ações que o Planalto precisa tomar urgentemente para dar resposta à insatisfação
Estudo mostra que deputados e senadores que tomam posse neste domingo (1º/2) são mais conservadores e com tendências econômicas liberais. Goianos não são diferentes
Renovação das eleições deste ano provocou uma profunda mudança no contexto político do Estado. Isso não significa, porém, que quem atendeu às demandas da cidade não tenha chance de reeleição
Ao anunciar parte de seu secretariado, Marcelo Miranda reconhece inchaço da máquina e admite fazer auditoria em contas públicas
Governador eleito Marcelo Miranda quer compor uma equipe técnica, mas não vai deixar de prestigiar os políticos
A previsão é de que o governador eleito Marcleo Miranda terá muita dificuldade para equilibrar as contas em 2015
Especialistas debatem futuro do Brasil no próximo ano. Expectativa é de ajustes na Economia, menos investimentos e baixo crescimento. Dilma deve fazer reformas
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Presidente Dilma Rousseff faz pronunciamento após vitória. Segundo mandato promete ser ainda mais conturbado (Foto: Cade Gomes)[/caption]
A reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT) no último mês pode ter agradado uma parte da sociedade brasileira. Foram quase 52% dos eleitores que garantiram mais quatro anos do Partido dos Trabalhadores no Poder.
No entanto, não só os eleitores do candidato derrotado Aécio Neves (PSDB) ficaram insatisfeitos com a continuidade da mandatária petista. O mercado financeiro vem dando claros sinais de que a política econômica atual precisa, urgentemente, de mudanças. Sob pena de problemas que pareciam tão distantes da realidade moderna do País baterem à porta dos cidadãos uma vez mais.
No último mês, dados do último relatório Focus divulgado pelo Banco Central mostram que o País deve crescer pouco mais de 0,2% em 2014 e 1% no próximo ano. Já pela previsão do Fundo Monetário Internacional, o crescimento brasileiro deverá ficar abaixo da média global, que está projetada em 3,3% em 2014 e 3,8% em 2015.
Também ficará abaixo das projeções para economias emergentes e em desenvolvimento -- 4,4% neste ano e 5% no ano que vem -- e para a região da América Latina e Caribe -- 1,3% em 2014 e 2,2% em 2015. O relatório destaca que "a fraca competitividade, baixa confiança empresarial e condições financeiras mais apertadas reprimiram os investimentos" no Brasil.
E este é o divisor comum dos três especialistas em Economia entrevistados pelo Opção Online. À convite do jornal, os professores e economistas Walter Chaves Marim, Jean Marie Lambert e Jefferson de Castro Vieira relataram suas apostas para os anos vindouros, bem como o que os brasileiros devem esperar no que diz respeito a situação econômica do País. Apesar de divergirem sobre a eficácia do segundo governo Dilma, o trio é categórico: "se mudanças não forem realizadas com certa urgência, o Brasil vai sofrer".
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Anos de incertezas estão por vir, afirmam especialistas Jefferson de Castro Vieira, Walter Marim e Jean Marie Lambert Fotos: Fernando Leite / Jornal Opção[/caption]
Walter Chaves Marim, mestre pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e doutor em Economia pela Universidade de São Paulo (USP), se diz esperançoso para os próximos anos. Apesar de analisar o primeiro mandato de Dilma como "pesado", com forte interferência ideológica na Economia, garante que 2015 não será um ano de "sufoco", mas, sim, de "ajustes".
"Houve um despertar da sociedade nas últimas eleições, um posicionamento ideológico das pessoas, e a presidenta sabe disso. Ela irá realizar as reformas necessárias, como a Tributária e até a Política, caso contrário terá um mandato conturbado", sustenta o especialista.
De acordo com ele, o caminho para que as reformas saiam do papel é só um: o diálogo. "A perda de competitividade da Indústria se dá por dois movimentos, o primeiro, porque elas têm baixo poder no mercado internacional e vendem menos; consequentemente, importa-se mais. Como resolver isso? Negociando com os setores. Falta uma aproximação por parte do Governo Federal", afirma.
Marim toca em um dos calcanhares de Aquiles da presidente, que sempre foi duramente criticada por não conseguir estabelecer diálogo com o mercado. "Não é só enviar um projeto para o Congresso... Dilma precisa abrir as portas do Planalto, negociar, debater, achar soluções que agradem não só seus aliados políticos. Enfiar as coisas goela abaixo não funciona, principalmente, no setor privado", alerta.
O posicionamento do professor da PUC-Goiás Jefferson de Castro Vieira é ainda mais firme, destacando que o governo Dilma sofre por um equívoco básico cometido antes mesmo da ex-ministra chegar ao posto mais alto da nação. "A Economia nos ensina que é preciso fazer caixa, poupança, durante os tempos de bonanza. Quando o Brasil estava em franco desenvolvimento no governo Lula, não se preocuparam com o que poderia acontecer depois. Veio a crise, que, embora o governo negue, afetou o Brasil e culminou nos baixos índices dos últimos anos", apontou.
No entanto, Vieira ratifica que o novo governo é uma oportunidade para Dilma "corrigir" as falhas dos últimos anos. "Precisamos de um diálogo mais aberto, de uma reforma tributária, um novo Pacto Federativo, que ponham fim à guerra fiscal entre os Estados e à concentração de recursos no Governo Federal", acrescenta.
Problema fisiológico
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Jean Marie Lambert: “Dilma não vai tomar medida nenhuma. O governo atual vive disso e as falcatruas são o grande entrave para mudanças significativas. É um governo mafioso”[/caption]
Doutor em Relações Internacionais pela Universidade de Liège, na Bélgica, o economista Jean Marie Lambert, refuta a ideia de que alguma reforma possa evitar o fiasco econômico que aguarda o Brasil na "esquina 2015". Consultor em negócios internacionais, ele acredita que o governo do PT - e todos os ditos de esquerda - enxergam no empresariado uma "ameaça".
Em vez de se abrirem para o setor da Indústria e Comércio, relata, infligem complicações burocráticas, criando um ambiente de negócios "irrespirável". "A administração pública brasileira se tornou um obstáculo quase intransponível. Me parece que o Brasil ainda vive na Era Colonial, na qual a nação é colocada à serviço do Estado", critica.
Lambert acusa o famoso "jeitinho brasileiro" e a maneira de governar petista como culpados pelo atual cenário. "Pode-se mudar a casca, mas o conteúdo é o mesmo. Não vejo como reformas tributárias e políticas possam mudar o quadro, porque elas não vão acabar com o ativismo político dentro da administração pública. Ainda mais com o PT no Poder", advertiu.
Ao explicar os motivos da debandada de investidores internacionais, o estudioso alega que as obras sociais e os programas assistenciais de Dilma não convencem o mercado. "Não é só pela imbecilidade do sistema, que é extremamente burocrático para poder vender facilidades, mas, acima de tudo, porque se o empresário investe um centavo no Brasil e tem um centavo de retorno, ao passo que se ele investir um centavo na Malásia, ele terá dois de retorno, não há dúvidas de que ele não ficará aqui", arrematou.
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Walter Marim defende que “Dilma tem mais autonomia agora"[/caption]
Embora Walter Chaves Marim concorde com o colega quando este diz que há um sistema pesado e burocrático, ele se mostra mais flexível quanto à eficácia das reformas. "Dilma tem mais autonomia agora, pois quem foi eleita foi ela. Dependendo das decisões da presidenta, poderemos voltar a crescer e devolver a credibilidade ao mercado brasileiro, o que permitirá mais investimentos e a vinda de dinheiro para o Brasil", defende.
Lambert se mune dos escândalos de corrupção durante as gestões do PT para discordar veementemente: "Dilma não vai tomar medida nenhuma. O governo atual vive disso e as falcatruas são o grande entrave para mudanças significativas. É um governo mafioso".
Corrupção
Sobre o tema, Marim afirma que todas as denúncias envolvendo a Petrobrás e os escândalos das empreiteiras que dominaram a mídia nas últimas semanas têm uma grande importância para o Brasil. "Penso como a Dilma. Não dá para condenar a empresa, é preciso punir as pessoas, coibir a corrupção e efetivar uma legislação que condene os corruptores. Não dá para falar que partido A ou B é corrupto, os partidos e as empresas não são corruptos. As pessoas, sim", explica. Marim chega a caracterizar o momento pelo qual o Brasil passa como "feliz": "a Reforma Política tem que sair! Não adianta crucificar o País, é preciso pensar em maneiras de coibir a corrupção". Em resposta, "podem tentar construir a imagem que quiserem, polir o discurso político e falar do futuro de maneira 'otimista', mas não adianta... Os números mais cedo ou mais tarde aparecem e cobram os direitos", alfineta Jean Marie Lambert. Para ele, o déficit econômico, a balança comercial negativa, as contas públicas "catastróficas", o valor do dólar, a inflação e os juros altos compõem o pacote negativo que deve aterrissar nos próximos anos."E só isso mesmo que deve chegar ao Brasil, porque investimentos não vêm", completa. [caption id="attachment_21285" align="aligncenter" width="599"]
A corrupção não acabará com o PT no poder, afirma especialista Foto: Roberto Stuckert Filho/PR[/caption]
Neste sentido, o professor Jefferson de Castro Vieira lembra que ainda há uma conta alta a ser paga. "O Governo fez compromissos financeiros acima do que poderia pagar. As obras da Copa do Mundo, por exemplo, foram importantes, mas não havia dinheiro suficiente em caixa... Faltou planejamento", ressaltou.
Ao final, constata-se que os brasileiros devem se preparar para um 2015 arrochado, com a economia patinando e o futuro incerto. Pelo sim ou pelo não, o mais indicado é diminuir gastos, cortar despesas fúteis, fazer uma poupança e evitar o comprometimento do orçamento -- expressões repetidas pelos três especialistas, endereçadas ao cidadão e, principalmente, ao Governo Federal.
Governador dificulta deliberadamente o acesso do eleito às informações sobre a real situação do governo


