10 coisas que o PT e o governo não podem desprezar sobre as manifestações “Fora Dilma”

Oito observações sobre o 15 de março e duas ações que o Planalto precisa tomar urgentemente para dar resposta à insatisfação

Manifestação em Goiânia reuniu 60 mil pessoas no último domingo (15/3) | Foto: Fernando Leite / Jornal Opção

Manifestação em Goiânia reuniu 60 mil pessoas no último domingo (15/3) | Foto: Fernando Leite / Jornal Opção

  1. Gritar “Fora Dilma” não é golpismo. Está muito mais para catarse. Não significa que as pessoas gritem por impeachment. É insatisfação, o que se justifica, já que há uma crise econômica em andamento, ameaça de cortes em direitos trabalhistas e, mais do que isso, um escândalo de corrupção na maior empresa estatal do País, debaixo das barbas do governo. É bom lembrar que muita gente se juntou ao PT – em protestos menores, à época — para gritar “Fora FHC”, pelos mesmos motivos.
  2. Não foi uma manifestação da “elite”. Pode ser (e isso é bem provável) que as classes média e média alta – o que se costuma chamar erradamente de “elite” – tenham dado o impulso inicial, mas só essas castas não levariam um contingente desses às ruas. Isso é óbvio.
  3. Quem saiu às ruas não é alienado. Alienado é quem provavelmente estava pescando ou passou o fim de semana assistindo seriados. Quem protestou sabe, pelo menos, o que não quer.
  4. Não interessa a quantidade de manifestantes, se foram 200 mil ou 1 milhão em São Paulo, ou se em Goiânia foram 30 mil ou 60 mil. O que importa é admitir que foi algo considerável e que isso dizer que isso é “coisa da mídia” é uma espécie de fuga. Freud explica.
  5. Não é possível segregar a manifestação a “gente da direita”. Teve de tudo: engrossando os protestos , havia desde os sem-noção que querem a volta da ditadura até ex-petistas e gente que votou no PT até bem pouco tempo.
  6. Também não se pode dizer que é só “coisa do PSDB”. Os tucanos são os maiores interessados e querem capitalizar politicamente. Ficam satisfeitos com a derrocada do maior rival, mas não têm essa força toda que pensam ter. O Paraná que o diga.
  7. Não há “escalada do ódio”. Pelo menos, por enquanto. O que houve domingo foi um protesto totalmente dentro das regras da democracia, como o próprio PT protagonizou no passado, quando apoiou as Diretas ou o Fora Collor.
  8. Prender-se a detalhes não é produtivo. Fustigar a rede em busca de cartazes com dizeres infelizes ou fazer ironia com quem foi protestar com a camisa da corrupta CBF é engraçado, mas não vai ajudar muito a mudar o cenário.
  9. É preciso reagir politicamente. O governo tem de sair da fase da negação e responder objetivamente. Como? Uma tática que precisa ser aplicara é efetivar o pacote anticorrupção anunciado pelo ministro da Justiça (um dos mais sensatos do governo), José Eduardo Cardozo.
  10. É preciso cortar na própria carne. Um dos maiores focos da oposição a Dilma no Congresso é bater na quantidade absurda de ministérios. O enxugamento da máquina, além de necessário, neutralizaria argumentos e poderia reconquistar algum apoio da sociedade.
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Epaminondas

O PSDB está acuado: Não pode liderar as manifestações para não desmerecê-la diante dos petistas, dando ponta para acusação de “terceiro turno”; então timidademente diz que apoia… e seus partidários caem de pau por não serem firmes no pedido de renúncia. Na média, se defende sobre uma certa “instabilidade institucional” que o impeachment poderia abrir. Tanto eles como o PT não mencionam o nome de uma certa instituição, a que começa com “M” e atua no ar, na terra e no mar. Não assumem nem que sim nem que não, melhor mesmo é sequer citá-los, para não contrariá-los. Sobre Dilma,… Leia mais

Alysson S. Martins

Na minha opinião, a coisa mais sensata que li hoje sobre os protestos de ontem! Parabéns Elder Dias! É fácil perceber que você tem senso crítico e fala com muita responsabilidade, mesmo que possa ter mais afinidade com o governo do que com a oposição.