Novo Congresso: direitos humanos em baixa, religião e bancada da “bala” em alta

Estudo mostra que deputados e senadores que tomam posse neste domingo (1º/2) são mais conservadores e com tendências econômicas liberais. Goianos não são diferentes

Um Congresso mais conservador vem aí | Foto: Gabriela Korossy/ Câmara dos Deputados

Um Congresso mais conservador vem aí | Foto: Gabriela Korossy/ Câmara dos Deputados

O Congresso Nacional que será empossado neste domingo (1º/2) é pulverizado partidariamente, liberal economicamente, conservador socialmente, atrasado do ponto de vista dos direitos humanos e temerário em questões ambientais. A conclusão está na 6ª edição do estudo Radiografia do Novo Congresso, uma publicação do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap).

Segundo o estudo, apesar de ter havido uma renovação de 46,78% da Câmara dos Deputados e de 81,48% em relação às vagas em disputa no Senado, o que ocorreu foi uma circulação ou mudança de postos no poder, com a chegada ao Congresso de agentes públicos que já exerceram cargos em outras esferas, seja no Poder Executivo, como ex-governadores, ex-prefeitos, ex-secretários, seja no Legislativo, como ex-deputados estaduais, ex-senadores e ex-vereadores.

Além disso, os parlamentares que nunca exerceram mandato ou cargo público, limitam-se majoritariamente aos milionários ou endinheirados, aos religiosos, especialmente evangélicos, aos policiais e apresentadores de programas do chamado “mundo cão”, às celebridades e aos parentes, que contam com maior visibilidade na mídia, de acordo com o levantamento.

O Diap aponta para uma perda expressiva da bancada que defende os trabalhadores. Até o ano passado, 83 membros defendiam esta causa e na próxima legislatura serão 50 deputados e nove senadores.

Por outro lado, a bancada empresarial, apesar de ter perdido representantes, continuará a mais expressiva das bancadas informais. Entre parlamentares novos e reeleitos, serão empossados amanhã 250 deputados federais e senadores que têm como pauta a defesa do setor produtivo. “Sem uma grande bancada de sustentação, de um lado, e a pressão patronal, de outro, mesmo que o futuro governo esteja ao lado dos trabalhadores, a luta será mais difícil em razão da chamada correlação de forças”, aponta o estudo do Diap.

Segundo o Diap, a redução da bancada sindical, o aumento da bancada empresarial e a resistência aos programas sociais, como as políticas de cotas e o programa Bolsa Família, fazem com que o Congresso que assumirá neste domingo seja mais conservador. Do ponto de vista econômico, no entanto, o novo Congresso é mais liberal que o atual, com uma presença maior de parlamentares que entendem que o mercado é perfeito e que o Estado não deve atuar na atividade econômica, nem como regulador nem como produtor e fornecedor de bens ou serviços.

O estudo aponta como causas para o atraso do novo Congresso, do ponto de vista dos direitos humanos, a não reeleição de nomes importantes no setor e a eleição de mais de uma centena de parlamentares integrantes das bancadas religiosas, especialmente a evangélica, e de segurança – policial ou da bala -, eleitos com base na defesa de pautas retrógradas. Em relação à proteção do meio ambiente, houve redução do número de parlamentares ambientalistas e o aumento da bancada ruralista, com forte presença do agronegócio.

Apesar de um pequeno aumento no número de deputadas e senadoras, a bancada feminina na próxima legislatura ainda será insuficiente para equilibrar a representação entre mulheres e homens no legislativo federal. Em 2014 foram eleitas 51 deputadas, seis a mais em comparação à bancada de 45 deputadas eleitas em 2010, o que significa um aumento de 10% na representação feminina na Câmara dos Deputados. No Senado, a representação feminina a partir de 2015 contará com 13 mulheres, uma a mais em relação à bancada eleita em 2010, que foi de 12 senadoras.

A base de apoio do governo Dilma Rousseff no Congresso, considerando apenas os partidos que fizeram parte da aliança eleitoral, sofreu uma pequena redução na Câmara e no Senado, decorrente da saída do PSB e do PTB da base e do crescimento dos partidos de oposição.

Na avaliação do Diap, a governabilidade da presidenta Dilma dependerá, em grande medida, da boa vontade do Congresso, particularmente dos presidentes da Câmara e do Senado. “Na eleição de 2014 a oposição cresceu, ficou mais coesa e tomou gosto por criar dificuldades para o governo da presidente Dilma, que se reelegeu por uma margem apertada de votos. Nesse cenário, perder o controle da Câmara ou do Senado será trágico”, aponta o estudo.

Com relação à eleição presidencial, o estudo do Diap mostra que a tese de que houve uma divisão do país entre Sul/Sudeste e Norte/Nordeste é “inteiramente descabida”. De acordo com o levantamento, nas regiões em que o candidato Aécio Neves (PSDB) ganhou, a presidenta Dilma Rousseff (PT) teve desempenho médio superior a 40% dos votos, além de ter obtido vitória em vários estados dessas regiões.

Conservadorismo goiano

Deputados goianos vão compor bancadas religiosa e "da bala": evangélicos João Campos e Fábio Sousa; Delegado Waldir | Fotos: reprodução / Facebook

Deputados goianos vão compor bancadas religiosa e “da bala”: evangélicos João Campos e Fábio Sousa; Delegado Waldir | Fotos: reprodução / Facebook

O estudo do Diap pode ser bem explicado por meio do quadro de deputados federais e senador eleitos por Goiás em 2014.

O mais bem votado do estado, por exemplo, Delegado Waldir, fez campanha com o slogan “45” do calibre e “00” das algemas. Representante da Polícia Civil, o tucano vai compor a chamada “bancada da bala”.

Além dele, outro integrante do PSDB — partido que mais elegeu parlamentares em Goiás — compõe a ala conservadora da Câmara: João Campos. Reeleito em 2014, o delegado é também ligado à Igreja Evangélica e autor do polêmico projeto da “Cura Gay”.

Goiás também reforçará a bancada religiosa: o bispo Fábio Sousa (PSDB) — da igreja Fonte da Vida — tomará posse neste domingo (1º/2), com a promessa de “defender a família brasileira”.

Já Flávia Morais (PDT) e Rubens Ottoni (PT), que foram reeleitos no último pleito, têm como principal bandeira a defesa dos direitos humanos. A pedetista é responsável por projetos com forte apelo social, principalmente na proteção das mulheres. O petista, por sua vez, milita pela classe trabalhadora.

Os novatos Alexandre Baldy (PSDB), Célio Silveira (PSDB), Marcos Abrão (PPS) e Daniel Vilela (PMDB) têm ligação com segmentos específicos e, dificilmente, vão apresentar projetos com cunho social, principalmente, ligados a temas polêmicos. como abordo e descriminalização da maconha.

Único estreante na Câmara que pode, efetivamente, se dedicar ao debate de tais assuntos é o jovem Lucas Vergílio (SD).

No Senado, o eleito, Ronaldo Caiado (DEM), vai compor a bancada ruralista, conservadora e de oposição ferrenha ao governo federal — como fez durante seus anos como deputado federal.

*Com informações da Agência Brasil

 

 

 

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Carlos Spindula

“Pauta retrógrada”… a defesa dos valores da família e contra as leis frouxas e que incentivam a impunidade ? Que inversão de valores !!

Epaminondas

Perfil liberal? Quem fez o estudo não deve saber exatamente a definicão de liberalismo. Não existem políticos liberais no Brasil. A partir do dia que ver políticos deliberadamente promovendo que políticos tenham menos influência na vida dos cidadãos, posso passar a acreditar num Congresso com perfil liberal. Ademais, Goiás, não satisfeito com o transtorno da contribuição da música sertaneja, elege pastores. Vamos permear uma instituição laica por definição em filial da agenda cristã. “Em defesa da família”. O senha para dizer que reconhecimento de casamento gay, necas de pitibiriba. Do jeito que combatem, acho que entenderam que se passar, eles… Leia mais