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Balanço da secretária da Fazenda mostra que, mesmo com ajuste fiscal, Estado conseguiu investir
Trabalho conjunto se dará por meio do Pronatec-PBM para formação e qualificação de mão de obra que atuará no setor produtivo goiano
Proposta do governo estadual de criação da Lei de Responsabilidade Fiscal Estadual será tema de evento previsto para fevereiro
O parceiro de Galvão Bueno na TV Globo permanece escrevendo uma coluna para a Agência Estado e o ex-editor se torna consultor, inclusive do Estadão
Após esta primeira etapa, estudantes deverão ir até a regional de destino para efetivar matrícula do dia 22 a 26 de janeiro
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Dano ambiental poderia ser maior se não fosse a ação voluntária de morador que praticamente construiu o bosque da área verde
Temperatura média global no ano passado superou o recorde anterior, de 2014, de 0,13°C. Análises têm por base medições feitas em 6.300 estações meteorológicas
Dillashaw é caçador de elefante mas tem dificuldade para encontrar e acertar um leopardo
Quando TJ Dillashaw e Dominick Cruz entraram no octógono, no domingo, 17 — ou na madrugada de segunda-feira, 18, ao menos para nós, brasileiros —, pensei: o primeiro é mais forte do que o segundo. Dominick, de tão magrinho, parecia vulnerável, mas obrigou Dillashaw a carregar a cruz dos derrotados.
À primeira vista, fiquei com a impressão de que, rápido como um corisco, Dominick Cruz apenas se defendia. Ledo engano. Ante um lutador com maior pegada, o Muhammad Ali do MMA adotou a tática de bater e escapar. Parecia que fugia? Não. Porque escapava e batia, quase sempre acertando o rosto do oponente, que, como dizem os narradores e comentaristas, saiu do octógono com o rosto bem “magoado” (dê uma olhada no olho esquerdo de Dillashaw na foto acima).
“Senti que ele não tinha força alguma nos seus golpes”, criticou Dillashaw. De fato, Dominick Cruz não é tão forte quanto o rival, mas sua técnica extraordinária compensa uma possível debilidade física. Mas a face de Dillashaw, ligeiramente inchada e vermelha, não foi esmurrada por uma pulga ou, diriam os fãs de Muhammad Ali, por uma abelha. Cá entre nós, e bem longe de Dillashaw, Dominick Cruz é, apesar de magérrimo, bem forte.
O corner de Dillashaw deu orientações por vezes precisas, sugerindo onde chutar e colocar golpes mais duros, mas não lhe disse a verdade: Dominick Cruz venceu os três primeiros rounds com relativa facilidade. Dillashaw precisava saber disso, de maneira enfática, para que, percebendo a derrota iminente, mudasse a conduta no octógono. Ele até chutou duramente as pernas de Dominick Cruz, reagiu nos dois últimos rounds, com mais agressividade, mas era tarde. Havia perdido a luta. Só ganharia com um nocaute — e isto deveria ter sido dito pelos especialistas que o treinam com todas as letras, ainda que se corresse o risco de levá-lo ao desespero.
Dillashaw é um grande “caçador”, mas precisa achar a presa e emparedá-la nas grades. Quando o oponente não consegue escapar, bate com extrema força e apuro. O nocaute é quase certo. Foi o que fez com Barão, que, depois da luta, voltou a ser Plebeu. Bateu duramente, de maneira insistente e o lutador brasileiro “arriou”, como se diz em Belém, terra do crítico de literatura e de música Rafael Teodoro; em Goiânia, cidade do lutador e quase técnico Ricardo Tavares, e em Iporá, a Ítaca do bardo Carlos Willian Leite, expert em MMA, boxe e tantas outras lutas.
Durante os cinco rounds, talvez esperando cansar o adversário, Dillashaw caçou Dominck por todos os cantos do octógono. Quando achava, e conseguia apertá-lo, acabava levando jabs e não acertava golpes contundentes (brigou com o ar várias vezes). Não há a menor dúvida de que Dillashaw é mais forte, mas Dominick provou que por vezes a técnica apurada de um Davi supera a força de um Golias.
Quem não assistiu aos cinco rounds da luta entre Dillashaw e Dominck Cruz, dois mestres de rara excelência do MMA, perdeu uma das grandes lutas do ano. Quase sublime, se a palavra não fosse reservada tão-somente para definir literatura (prosa e poesia), música e, aqui e ali, artes plásticas (não a abstrata, que não é pintura, e sim nódoa).
Para que a Candice Marques de Lima, a Rayana, o Rafael Teodoro, o Frederico Oliveira, o Ricardo Tavares e o Nelsonmuaythai descansem entre uma luta e outra, até a próxima batalha entre Fabrício Werdum e Cain Velásquez, publico, abaixo, um poema, “A luta antes da luta”, de Alberto Pucheu.
A luta antes da luta
Alberto Pucheu
Você sabe, de nada adianta rezar no canto do ringue.
Aquele que nele sobe, sobe sozinho.
As bravatas lançadas na hora da pesagem
e o peso da multidão colado em sua carne,
você sabe, lá em cima, só aumentarão seu abandono.
Você sabe também o preço que terá de pagar
se deixar que qualquer vagabundo desfigure
sua fisionomia. Mas é isso que você quer?
Não é isso que você quer. Aconteça
o que acontecer, não jogarei a toalha, não é para isso
que chegamos até aqui... Você ainda é muito novo
para perder, e sua família, muito necessitada. Você sabe,
você tem de deixar seu passado para trás, eu sei que você
não quer voltar para as ruas, para o crime, para a cadeia...
Portanto, quando subir lá em cima, eu lhe digo,
não deixe que o adversário veja medo em sua face:
se, ainda antes do primeiro soar do gongo, ele
vislumbrar uma mínima expressão de temor em seu rosto,
conhecerá o caminho mais rápido
para encontrá-lo durante o combate. Mas você
não terá nenhum instante de fraqueza nesse combate,
você está preparado, eu sei que você está preparado,
e você também sabe disso. Ninguém quer acordar amanhã
num quarto de hospital... você quer acordar
num quarto de hospital balbuciando palavras desconexas?
Ein? Você quer acordar num quarto de hospital,
com sua mulher chorando preocupada ao lado da cama?
Não, você não quer isso pra você nem pra sua família,
nem eu quero isso para o meu garoto de ouro. Por isso,
treinamos duro, por isso, treinamos tanto. Então, vá lá
em cima, já estão anunciando seu nome, suba
para o quadrado, suba, já começaram a tocar a música,
vá para o ringue e, no meio do entrevero,
por entre as saraivadas de golpes,
faça seu adversário sentir o peso do esquecimento
carregando-o para longe do estádio, carregando-o
para longe de todo e qualquer lugar.
(http://revistapolichinelo.blogspot.com.br/2011/02/nobre-arte-alberto-pucheu-minhas.html)
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